RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Terça-feira, Junho 22, 2021

You Want it Darker: A Verdadeira Cor da Invasão de Alcochete

A TVI/TVI24 decidiu anunciar com pompa e circunstância o advento do terceiro aniversário de uma invasão de adeptos a uma academia de futebol. Aliou-se ainda Frederico Varandas na SIC, que voltou a classificar a ocorrência como “o momento mais negro do clube.” Decidi por isso lançar-me novamente ao tema, um que esperava ter encerrado neste artigo de 26 de Fevereiro do ano passado, e irei procurar fazê-lo com a pujança merecida. Não posso começar sem antes saudar todos os envolvidos pelas conquistas europeias em modalidades, bem como pela conquista do campeonato de futebol: desde os responsáveis pela limpeza, até ao mais alto cargo, passando pelo papel central dos atletas e equipas técnicas. Saúdo também aqueles que mais vivem os feitos com lealdade inquestionável e sem benefícios, que estão presentes nos bons e nos maus momentos, e sem os quais o clube não existe, apesar de uma corrente de poder lhes dizer o contrário e os querer eliminar: todos vós, os adeptos. 

Serão abordados os seguintes tópicos:

  1. Invasões, Cartilha e Momentos de Ninguém
  2. Um Histórico de Aproveitamento 
  3. Dois Elementos sem Cor: Poder e Dinheiro 
  4. O Branqueamento de Momentos Mais Negros 
  5. A Cabeçada no Olho e a Lenda de Kandahar
  6. Os Vídeos de Alcochete e a Verdade Material 
  7. Outras Vozes do Regime: Os Valores de um Campeonato 
  1. Invasões, Cartilha e Momentos de Ninguém 

As invasões ao centro de treinos do Seixal (2008, 2010, 2015, ilustradas na segunda imagem abaixo), Vitória de Guimarães, Leixões, Santos, Marselha, Hajduk Split, Valência, os ataques potencialmente fatais aos autocarros de Benfica e Dortmund, ou as invasões de campo com ameaças e/ou agressões como Palmeiras, outros grandes clubes brasileiros, Lille, Metz (com Anthony Lopes como vítima, mas sem o tratamento mediático dado a um rescisor do Wolverhampton com intermediação de Mendes), Bastia, Bordéus, novamente Marselha, Olympiakos com Pedro Martins junto a outro rescisor mas também com Vítor Pereira, ou Manchester United, são ocorrências que não importam pois prejudicam uma narrativa que se quer à força como definidora da história. Poderia referir Boavista e outros, mas teria de apontar vários quadros (director, funcionários gerais, jogadores, jornalistas), muitos eventos não possuem imagens enviadas para a CS e são alvo de contenção de danos ao invés do oposto, e o referido basta. Da parte de qualquer ex-jogador envolvido que já tenha estado numa invasão posterior, não esperem nada excepto a amplificação do ocorrido no Sporting: existiu um pacto que, além do factor amizade, permitiu aumentos salariais e recompensas. Nenhum dos eventos acima é o momento “mais negro” de ninguém, apenas no caso do Sporting adquire essa designação política repetida ad nauseam por papagaios cinzentos engravatados que se orgulham quando qualquer um de vós repete a sua previsível linha de pensamento. Não posso deixar de salientar que essa narrativa tem sido alimentada de forma consciente e com finalidade política por parte da actual administração, uma que se alimentou de forma incessante do evento. 

Peço-vos autoestima, é um papel demasiado medíocre considerando os remunerados porta-vozes. Eles são pagos, fazem troca de favores a vários níveis, e usufruem de mordomias – não é o vosso caso. Em caso de ausência voluntária dessa autoestima, irei procurar neste artigo enterrar definitivamente essa argumentação política, repleta de falta de memória, manipulação, sensacionalismo e má informação. 

Todas sob a mesma presidência, sem uma palavra sobre culpas ou o chavão brejeiro “clima de ódio” – apontado a um cidadão vítima de uma campanha negra terceiro mundista – no qual os principais intérpretes ocupam colunas de opinião e lugares de comentadores cartilhados.
Uma ilustração de alguns eventos com uma ínfima parte do mediatismo atribuído de forma incessante, a maior parte deste tipo de acontecimentos não é alvo de leaks de imagens internas nem de campanhas mediáticas, muito menos de descrições ao segundo de múltiplos intervenientes
  1. Um Histórico de Aproveitamento 

Aproveitando a conjuntura política, nove jogadores, com o total respaldo de Jorge Mendes, incentivo interno, e o envolvimento de escritórios de advogados, levaram a cabo rescisões unilaterais de contrato. De todos os eventos referidos anteriormente, nos quais não faltaram inúmeras agressões, foi a única situação na qual tal fenómeno ocorreu até ao presente dia. O factor determinante para a recompensa de milhões de euros consistia no afastamento da administração da SAD. 

Saídas litigiosas não eram novidade no clube. Sem recuar excessivamente no tempo, em 1989 ocorreu a rescisão de Fernando Mendes. Alguns anos mais tarde, Luís Figo não renovara e assinara por dois clubes, com o envolvimento de José Veiga  (Superfute), cliente de Rogério Alves. Jorge Cadete rescindira, com o apoio público de Guilherme Aguiar, ex-director executivo da Liga, que defendia a justeza do término unilateral do vínculo (acabou condenado a indemnizar o clube). Marco Caneira, Alhandra, e Paulo Costa rescindiram, e assinaram pelo Alverca, presidido por Luís Filipe Vieira. 

O primeiro foi recebido de volta pela massa adepta anos mais tarde, emprestado pelo Valência, e sem quaisquer consequências, surgindo a representar o clube na televisão e a integrar candidaturas. Mário Jardel, representado por José Veiga e tendo estado em reuniões com Manuel Vilarinho (fora trunfo de campanha dele) e Luís Filipe Vieira, no final de uma época em que marcou 55 golos convocou uma conferência de imprensa para forçar a saída, alegando condições psicológicas. 

João Moutinho, capitão, forçou a saída para um rival com desconto. Adrien Silva foi treinar à revelia para Londres e teve de ser convencido por pressão a não assinar pelo Chelsea de Mourinho – que ficou com Fábio Ferreira e Ricardo Fernandes – a qual incluiu uma queixa na FIFA. Anos mais tarde, colocou o clube entre a espada e a parede após o regresso de um empréstimo à Académica: ou lhe ofereciam um vencimento de topo no plantel, ou iria assinar pelo FC. Porto. Pelo caminho, ofereceu a Jorge Mendes 20% do passe à força nessa negociação, uma fórmula que Rui Patrício viria a repetir em meados de 2012. 

Se existia clube perfeito para levar a cabo chantagens e obter benefício sem consequências, esse clube era o Sporting Clube de Portugal. 

  1. Dois Elementos Sem Cor: Poder e Dinheiro 

As minutas das rescisões foram alegadamente preparadas pelo escritório Morais Leitão (MLGTS), que trabalha há muitos anos com Jorge Mendes, a pedido dele. Por essa associação com o agente, o escritório  encontrava-se nas listas de exclusão do Sporting, tal como era o caso do escritório Vieira de Almeida (VdA) devido ao seu envolvimento com a pornográfica Doyen

Por seu turno, com o apoio de Joaquim Evangelista (Sindicato de Jogadores), o advogado do sindicato, Paulo Samagaio, viu e validou essas cartas quase idênticas entre elas. Face à administração não sair do caminho rumo aos milhões fáceis, foram enviadas ao clube e à Comunicação Social uma rescisão cada dia, como forma de causar desgaste político e afectar a massa adepta. Com discurso único presente na CS “livre”, foi infelizmente fácil. 

Na outra frente, não sendo tema deste artigo, o escritório PLMJ, que cooperava com o Benfica e cedendo serviços pro bono à demissionária Mesa da Assembleia Geral do Sporting, trabalhava com vista à destituição. Continuou posteriormente a prestar o seu auxílio para que as candidaturas de Bruno de Carvalho e Carlos (Godinho) Vieira não ocorressem, em coordenação com a Mesa. Nesta minuta apresentada ao TAD, em nome da representação do jogador Gelson Martins, podem verificar o referido:

Não obstante, não foi com rescisões que tudo se iniciou. Jorge Mendes começou por pedir 4 Milhões de euros à administração (sem contar com intermediação forçosa), que justificava com Adrien Silva, verba que recuperou sobremaneira posteriormente tal como já foi explorado pelo Rugido Verde. Em troca, jogadores representados por ele não iriam rescindir, nomeadamente Patrício, William e Podence, e incluiria aqueles jogadores nos quais estivesse envolvido no negócio: Bruno Fernandes e Gelson Martins. Por seu turno, Miguel Pinho, o agente formal de Bruno Fernandes, exigiu 5 milhões de euros para ele não rescindir, que posteriormente como sabem foram colocados como prémio de saída em caso de não transferência por uma verba baixa, fora a verba adicional que encaixou (imagem seguinte). Para os mais desatentos que possam não perceber porque se falou de Mendes e depois também de Pinho neste caso, relembro que a comissão de transferência para o Manchester United foi efectivamente repartida entre ambos

Bas Dost, repleto de terror, pediu o dobro do ordenado à administração para ganhar coragem. Todas as pretensões foram recusadas pela administração, que vendo o claro aproveitamento não iria alinhar num claro saque ao clube, nem nunca tal ocorreu noutras invasões de adeptos. A recusa levou à concretização da estratégia delineada. 

Considerem durante um instante o seguinte e reflitam: os nove jogadores rescindiram um contrato, contrato esse que, excepto meia-dúzia dos jogadores mais bem pagos dos planteis do Benfica e Porto, qualquer jogador de futebol tudo faria para agarrar, nem que implicasse treinar à parte por tempo prolongado como já sucedeu. Somem à perda desse avultado contrato seguro o potencial de indemnizações milionárias. No entanto, todos eles rasgaram semelhante contrato, e ficaram…a ganhar mais dinheiro. Tentem perceber o significado do referido, e que ninguém o faz sem garantias totais desse desfecho, que não é nem ligeiramente linear. 

Espero que agora sejam capazes de ler isto de forma correcta

Removido o obstáculo da administração “inflexível”, Bas Dost, que vira o pedido de aumento recusado, viu o seu salário subir para 6 milhões de euros brutos. Battaglia e Acuña, principais responsáveis pelos atritos na Madeira, tiveram aumentos substanciais, o segundo por via de renovação (já com Frederico Varandas) visto que entregou tardiamente a rescisão. William teve um relevante aumento salarial no destino e usufruiu de uma transferência por valores simpáticos, através de uma proposta apresentada por José Fouto ao Sporting – o Real Betis queria evitar problemas e quem estava no Sporting fez o favor. Rui Patrício já foi aqui abordado. Gelson viu também o seu salário incrementado no destino e foi transferido igualmente por uma verba baixa, não sabendo nós ainda o valor do prémio que o Atlético de Madrid pagou com certeza absoluta a Jorge Mendes. Rafael Leão esteve para voltar com um aumento, como se viu na condenação do TAD, optando por seguir o trilho de Mendes. Finalmente, Podence exigiu 1,2 milhões de euros, triplicando o ordenado, à Comissão de Gestão de Marta Soares e Rogério Alves. Esta exigência foi aceite por Cintra, mas rejeitada por outros membros, obtendo o aumento no Olympiakos com novo prémio por apurar a Jorge Mendes.  Existe um Rubén Ribeiro na história, mas que era dispensável na finalidade (contratado meses antes, sem peso). Mesmo assim, procurou aproveitar a oportunidade apresentada aos colegas, não recebendo no entanto oferta de aumento e chegando ao ponto de desespero de se constituir como assistente no processo ao invés de ser testemunha. Ele apenas queria continuar no clube com um aumento, daí a rescisão – processem este raciocínio durante um breve instante. 

Afastada a administração, o objectivo não mudou um milímetro e foi, como viram, atingido. Imensa gente foi em cantigas de amor e alinhou num jogo que envolvia apenas duas vertentes: luta pelo poder e promessas de dinheiro. Todos os que argumentaram pelas rescisões apenas facilitaram o caminho, sendo que era mesmo a intenção de várias dessas pessoas. Tenham sempre cuidado com quem escutam porque há muita gente do nosso clube que, vestindo bem fatos e gravatas de gosto e pertinência questionável, não têm nada de sério. Quando ouvirem falar em “princípios” ou “valores”, pensem no mínimo duas ou três vezes. É um exercício individual e intransmissível. 

  1. O Branqueamento de Momentos Mais Negros 

A TVI onde polula o alegado PMAG do Sporting falando sobre tudo o que promova a sua imagem, decidiu classificar a invasão do centro de treinos em Alcochete como “o dia mais negro da história do Sporting.” Vamos colocar de parte eventos como o projecto Roquette, o encerramento de modalidades históricas, a alienação de património à força, ou o PER. O mais explorado mediáticamente ao ponto de massacre, com 9 fotografias e um vídeo de 16 segundos, sem dúvida (atenção, mais abaixo irei abordar o conjunto de três vídeos que foram enviados para a CS – a narrativa contínua não me deixa outra opção); “o mais negro” é somente cartilha barata de gente que indubitavelmente não é séria. No dia 17 de Maio, cumpriram-se 25 anos desde o assassinato de Rui Mendes no Jamor, evento celebrado através de cânticos e assobios que simulam o som de um verylight com total indiferença mediática. 

Não foram apenas as dezenas de milhares presentes no Jamor que assistiram em pânico a um assassinato. Milhões de pessoas, de crianças a idosos, puderam ver em directo imagens do artifício a arder numa pessoa na bancada. O autor do assassinato apanhou uma pena de prisão inferior a vários dos envolvidos na invasão do centro de treino, do qual nem um único internamento resultou, pois a ferida mais grave foi até suturada no local e nessa mesma noite Dost conduziu sozinho o automóvel com um pequeno penso. Aparentemente, não foi o momento mais negro de nada nem de ninguém, foi só um momento. 

Em 1995, um varandim cedeu em Alvalade e faleceram dois adeptos, que por acaso eram cidadãos e seres humanos. Igualmente, aparentemente para alguns sujeitos mal formados no âmago, não foi o momento mais negro de nada nem de ninguém. 

Desde a morte de Marco Ficcini, cujo julgamento em 2020 dos envolvidos e do homicida foi olimpicamente ignorado na CS, até às marteladas na cabeça e esfaqueamentos sofridos por João, na sequência de emboscadas a adeptos vilipendiados, “felizmente” não são momentos mais negros de ninguém, são apenas e tão só momentos. 

Este conjunto de indivíduos referidos na imagem acima vai a julgamento, não tendo havido qualquer destaque na CS “livre”, apesar de estarem envolvidos num ataque ao autocarro do clube que não só feriu jogadores como poderia ter tirado a vida a todo o plantel encarnado – o assunto “morreu” em menos de duas semanas – e ameaças nos domicílios, além de possuírem dados pessoais de vários jornalistas e comentadores. A reacção corporativa ocorre apenas quando existem fins políticos para a “nata” da nossa pobre CS, uma desafortunadamente à altura da classe política mais criticada, das figuras da banca e dos bastidores do desporto – estão na verdade profundamente interligados entre eles. 

Quanto ao assassinato de Ficcini, o destaque vai para Luís Pina, que, como referido, apesar de ter tirado uma vida para sempre, apanhou uma pena de prisão inferior a vários dos invasores do centro de treino em Alcochete. Em diversas ocasiões na cobertura inicial até ao desaparecimento completo da cobertura, o clube da Luz ou a claque em causa não eram referidos, e Ficcini era classificado tão somente como “adepto italiano.” Não é casualidade, são directrizes. Novamente, não são momentos mais negros de nada nem de ninguém.

Violadores e agressores de crianças ou mulheres saem demasiadas vezes de julgamento com penas suspensas. Os tempos da “coutada do macho ibérico” sobrevivem neste cantinho onde a aparência preenche o vazio da fatalidade da pescadinha de rabo na boca. Não há um Neto de Moura, há muitos e muitas, mas finge-se que não e usa-se o exemplo à mão para vestir um traje de falsa moralidade que alterna com o culturalmente maldito “pôs-se a jeito”. É do conhecimento comum neste país que é mais grave roubar um pão ou um artigo de roupa do que levar a cabo calotes de dezenas, centenas de milhões de euros na banca. 

Um escândalo de proporções históricas como um apagão do fisco, que permitiu a fuga sem escrutínio de dez mil milhões de euros, é uma página esquecida. Os submarinos só tiveram condenações na Alemanha. O Novo Banco e seus responsáveis (desde a criação ao fundo de resolução) na sangria contínua são inimputáveis, e a administração recebe prémios, tal como na TAP.  É mais grave um conjunto de empurrões, três chapadas, uma agressão com cinto  e muito espalhafato, numa presença repartida entre dezenas de invasores e número idênticos de atletas de elevado porte e estatura, alguns deles agressivos e com histórico de pancada, do que extinguir-se uma vida de forma irremediável ou contribuir indirectamente para o deteriorar das condições de uma imensidão de famílias, que amiúde resultam em violência de todo o tipo e até em suicídios. É o que nos conta a cartilha dos papagaios a soldo. 

  1. A Cabeçada no Olho e a Lenda de Kandahar 

Vamos voltar à pequena peça da TVI. A dita peça foi uma verdadeira ode à gloriosa ascensão de Frederico Varandas, numa versão digna de um trailer de Hollywood, mas já lá iremos. Começaram por inventar uma cabeçada em Jorge Jesus que não existiu, e o ter levado com um cinto, algo que igualmente não sucedeu. Num artigo no Rugido Verde, explorei as várias versões das alegadas agressões a Jorge Jesus (deu trabalho), que de tão tresloucadas, fizeram com que tivesse sido vítima de uma variação infindável de ofensas à integridade física em múltiplos espaços, as suficientes para ficar tetraplégico. Nem uma única alma com um qualquer curso de comunicação se questionou a este respeito. Não condeno os que são subalternos: não vale a pena arranjarem problemas para si ou para os seus no Portugal “livre”. Já em relação a diversos pivots, comentadores bem pagos e presenças assíduas em jornais da tugolândia, condeno com absoluto desprezo quer na intencionalidade das omissões, quer na incapacidade de escrutínio. Se não conseguem melhor, estão a mais. 

Inclusivamente vislumbraram um “olho negro” inexistente, notícia na altura veiculada pela TVI e abraçada por outros meios. O poder da sugestão: ouvi pessoas a dizerem “parece ter algo na vista“, devido à narrativa, fazendo tábua rasa das feições dele. A culpa não é dessas pessoas, mas do fraco respeito pelo consumidor e pela profissão. Sendo assim, e porque o canal não engana, o treinador encarnado terá levado uma cabeçada no olho, ou talvez até com um cinto na vista. Os olhos dele – aliás todo o rosto – estavam impecáveis nessa mesma noite, mas isso foi devido aos tratamentos de cosmética que usa para aparentar ser mais jovem. Menos de 120 horas depois ele continuava impecável, mas com tamanha capacidade regenerativa de um corpo com 80% de colágenio marinho não surpreende. Pobres desgraçados que passam no mínimo uma dúzia de dias com pisaduras e inflamações, até por um mau toque num lábio. 

Jorge Jesus com um “olho negro” depois da final da Taça perdida com o SC.Braga, agredido com o microfone
Outros olhos negros (sem aspas) famosos que não possuem a vitalidade e circulação sanguínea do treinador encarnado, excepto quando as sombras lhe dão olhos pisados de forma permanente devido às feições.

Nesta celebração heróica não referiram o petardo evadido pelo médico infecciologista, algo que ninguém viu excepto ele e um fiel colega da clínica, nem a própria pessoa a quem o engenho pirotécnico tocou (afinal) de raspão. Nem foi identificado por quase ninguém nessa localização naquele momento. Também se chegou à conclusão de que afinal nada tivera a ver com qualquer auxílio prestado a Dost, ao contrário do que afirmou, sendo apelidado por estes feitos de Predador Implacável nas redes sociais mais atentas. Na peça da TVI foram destacadas ameaças a jornalistas, sempre absolutamente condenáveis e repudiáveis, mas sem hipocrisias: aquilo que foi dito escuta-se em qualquer estádio e nem um elemento foi tocado, ao contrário do que já sucedeu no interior de vários recintos e em zonas exteriores (vamos recorrer a um caso já esquecido em que três jornalistas foram agredidos no Bessa), tendo havido quem andasse a fumar à vontade tal era o horror dos 10 mil indivíduos armados com unhas por pintar e dentes caninos na boca. Admito o susto devido a máscaras no pré-Covid, mais do que isso é apenas uma estória hiperbolizada de elementos que andam no tumultuoso meio desportivo, no entanto umas imagens valem muito mais do que simples palavras:

Seleccione a imagem que não pertence para provar que não é um robot

Mencionaram que Bruno de Carvalho demorou uma hora e trinta minutos a chegar à academia, uma curiosíssima referência, kudos pelo detalhe. Já foi melhor do que a mentira concertada de 2 horas, com um par de jogadores até a alterarem o que disseram à GNR como forma a agravar o período temporal (Acuña por exemplo). Na verdade, com 34km de distância, horário de tráfego intenso, sem helicóptero disponível na sua garagem por ter necessitado de reparações muito suspeitas, e com o treinador a dizer de forma venenosa para não ir, tardou aproximadamente 1 hora e 14-16 minutos desde que foi informado através da televisão e esbatendo em contactos telefónicos sem resposta. Num dia repleto de reuniões motivadas pelo Correio da Manhã e o seu pagamento a Paulo Silva; auxiliado por Carlos Macanjo, advogado apresentado por César Boaventura – também gosto de detalhes, sobretudo os que a CS “livre” não gosta.

Utilizaram na peça intencionalmente a frase  “foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados, do staff, os meus próprios pais (…)”, numa longa declaração de mais de 14 minutos, com ampla condenação e num estado visível de fadiga, que foi alvo de spin e desinformação digna de maus profissionais sem vergonha, passe a redundância, que enganaram os espectadores e leitores transmitindo intencionalmente que ele quase troçara do ocorrido. O termo “chato”, usado com frequência até por quem lhe apontou o dedo – já referi que em Portugal existe uma cultura de falso moralismo – foi apenas utilizado para classificar a vertente colateral de nervosismo, preocupação e telefonemas sucessivos face ao pânico gerado pela esquizofrénica cobertura mediática, que apenas tinha dois objectivos associados trançados: derrubar a administração e destruir-lhes a vida, tal como se verificou nas semanas e meses subsequentes. Sobre este spin doentio, já escrevi neste artigo

A peça da TVI refere que Varandas se “mostrou disponível” para a presidência, quando na verdade apresentou-se como candidato, bastando ler a carta que publicou no Instagram. Não teve nada a ver com o comunicado conjunto de jogadores, foi apenas coincidência utilizar a mesma metodologia. A máquina da agência LPM já estava no terreno a garantir-lhe entrevistas em vários canais de televisão, aparições, artigos nos jornais, a gestão das suas redes sociais (entregou as suas contas) e bots na internet a lembrar prácticas de outros lados. 

O anúncio da candidatura no mesmo dia em que Marta Soares anuncia a AG de destituição horas mais tarde, com pleno conhecimento da sua já preparada candidatura.
Varandas, no dia 2 de Maio de 2018, a surgir numa fila para comprar bilhete e a ser fotografado, com subsequente distribuição nas redes sociais: a campanha já estava a funcionar.

A lambidela na peça, uma autêntica libertação de Kandahar em versão hawkish ocidental, com a sede em construir uma narrativa bela e triunfal, apesar desses deliciosos detalhes referidos optou por eliminar imensos assuntos marcantes e inconvenientes que irei assinalar por não ser dado a amnésia. Isso é fruto de estar longe do nível estadista, uma designação criada pelo insuspeito Rui Santos para classificar o construtor que quer enforcar o amigo Mário Centeno; mas apenas na Comissão de Inquérito, cá fora até escolhem em conjunto o calçado de Boaventura.

  • Negócios lesivos nas três primeiras janelas de mercado;
  • Acordos lesa-pátria prometidos na altura das rescisões;
  • Leonel Pontes;
  • Jorge Mendes e a sua facturação recorde com o Sporting;
  • A divulgação da auditoria “forense”, sem qualquer acção para a retirar do servidor, e a preparação concertada de notícias ao respeito;
  • O factoring com a Apollo na ordem dos 8% em juros;
  • A dívida recorde a empresários;
  • O aumento unilateral de salários na administração, ignorando como era prática consultar a voz dos associados do maior accionista da SAD: o clube; 
  • As manifestações de dimensão histórica no desporto nacional;
  • Os beijos em Assembleia Geral;
  • O mata-leão a um sócio em AG por parte de um segurança (agressão benigna a um não-humano);
  • O sistema de som para abafar cânticos de protesto, num estádio às moscas com níveis sonoros para o efeito só possíveis num estádio cheio, com toda a gente de idade sabendo assobiar com pulmões olímpicos;
  • O descalçar de crianças e idosos numa humilhação intencional e direccionada;
  • Insultos públicos a imensos adeptos, tais como “escumalha” e “anormais”;
  • As várias mentiras mediáticas que vão desde os números reais do acordo Rui Patrício, números falsos sobre dívidas, até ao protocolo Wang;
  • Despedimentos, censura nos meios, e limpeza de quem se opõe, no que levaria com outros actores a um rasgar de vestes na hipócrita imprensa aliada;
  • A humilhação a Maria José Valério;
  • A entrevista falsa num jornal e o seu desaparecimento de cena após a pior época de sempre;
  • A expulsão de sócios sem discussão e a ausência de respeito pelos mais elementares princípios democráticos;
  • O ter faltado à verdade no julgamento em Monsanto, reconhecido até pelas juízas;
  • As declarações prestadas contra o próprio interesse do clube no TAD (Rafael Leão, baixando a avaliação do jogador e tentando imputar culpas à anterior administração); 
  • Os votos com códigos numéricos que destruíram o princípio básico do voto secreto;
  • A rejeição de Assembleias Gerais convocadas por quem deveria legalmente e institucionalmente ter o poder;
  • A tentativa de introduzir o ivoting, com encomendas mediáticas a notáveis, em detrimento do bem mais escrutinável voto presencial descentralizado;
  • A manifesta intenção em “matar” a democracia participativa no clube e reforçar a representativa;
  • O recurso sistemático a papagaios notáveis e a terceiros para divulgar a agenda política, como podem ver por exemplo aqui;
  • O não recurso do clube no caso e-toupeira; 
  • O envolvimento de Rogério Alves no processo Lex;
  • O regresso de Imosteps Vieira à tribuna de Alvalade oito anos depois;
  • A instrumentalização do jornal do clube e da Sporting TV; 
  • A recuperação de todas as figuras obscuras do Roquettismo;
  • Os quadros da clínica de Varandas que desempenham funções em Alvalade;
  • As mentiras distribuidas sem análise pela CS sobre o voluntariado à força na pandemia;
  • A propaganda que elimina os jovens jogadores que já lá estavam e as condições de excelência deixadas (funcionais e financeiras, um universo de diferença para o clube com orçamento de 25 milhões, salários em atraso, e um PER)
  • O rasgar do acordo para aquisição das VMOCS, e a assinatura de um acordo incompleto, com a conta-reserva vazia após cerca de 200 milhões em jogadores; desculpas arranjam-se para tudo, brinquem com outros manipuláveis sobre “no futuro” – já saiu dinheiro suficiente rumo a empresários para as adquirir. Demasiados individuos próximos desta direcção argumentam sucessivamente e concertadamente a respeito da venda da SAD para ser coincidência, fora o sinal dado pela notícia da Bloomberg;

Foi uma peça à altura de alguém que comeu afegãos ao almoço, a Covid-19 como sobremesa, e fez desaparecer um quadro com o olhar na transição. Relativamente ao trabalho “espontâneo” de Nuno Luz na SIC, quando quiser ver autêntica arte na matéria dirijo-me a uma sala de teatro, preferencialmente com peças que não glorifiquem várias figuras tão famosas quão duvidosas – o conveniente nicho de mercado que explora. Apenas me importa tudo aquilo que alguém como ele não é capaz de abordar. O que o estatuto e o dinheiro conseguem fazer neste país é deprimente e augura um contínuo futuro sombrio. Já referi que isto não é só bola, é todo um mapa de propaganda e favores que são usados por “ilustres” nas mais variadas esferas. Quem faz serviços a um agente, dirigente ou atleta endinheirado, não só os concede a eles todos como os estende a um colega bem posicionado, um político, um jurista ou um banqueiro. Metam na cabeça de uma vez por todas o quão perigoso e pernicioso é se o aceitam de forma acrítica e passiva. O país é um conjunto articulado. 

Já que estamos de certo modo ainda na peça da TVI, não quero perder a oportunidade de “parabenizar” o afastamento de um jornalista independente, verdadeiramente culto (não teço este elogio a qualquer um) e capaz – uma autêntica raridade no panorama. A antítese de um Ribeiro Cristóvão. Falo de Fernando Correia, afastado sem mais explicações na mudança da direcção de informação da TVI, encabeçada agora por Anselmo Crespo. Isso não significa que seja o responsável pois existe uma estrutura accionista com imensa mão (Media Capital) e estas decisões por vezes passam por outros cultivados como insuspeitos na dita “imprensa livre.” Saiu Correia, entrou o advogado de bastidores Rogério Alves. Não foi troca por troca, mas as afinidades decidem quem entra e quem sai, tal como em tempos o canal “optou” por ficar com o submarinista Pedro Guerra e perder Eduardo Barroso. Perderam mais uma vez os espectadores, perdeu mais uma vez o jornalismo, como também sucedeu com a perda do contributo assíduo de Constança Cunha e Sá (é provável que não leia este artigo ligado a desporto, mas fica aqui prestada a homenagem a uma excelente profissional). Quantas mais derrotas aguenta é uma incógnita, mas já pouco resta de tempos qualitativamente muito melhores, pré-formato comentário incessante por encomenda e escrutínio nulo. Não respeita os fundamentos basilares da impresa moderna. 

  1. Verdade Material e Vídeos de Alcochete 

Alertei que não é boa ideia tentarem manipular um assunto, ou mostrarem total desconhecimento do mesmo, pois é algo irritante. Vou então abordar as várias mentiras que vos foram transmitidas, estando comprovado no melhor que consigo através da intersecção dos depoimentos na GNR, depoimentos não manipulados em Monsanto, declarações públicas, e investigação por gosto. Será exaustivo, mas irá valer a pena face a tudo o que vos foi vendido num emaranhado incoerente e não trabalhado. Logo após, irei passar aos vídeos enviados à CS a partir da academia, com a exibição dos mesmos. 

  1. A invasão no balneário não durou mais do que três minutos, entre 100 a 180 segundos, só atingido este registo contando a última saída (Valter Semedo). Foi-vos transmitido sistematicamente entre 5 a 10 minutos para toda a narrativa parecer verosímil; 
  2. Não existia cacifo fechado nenhum para enfiar Podence, são vestíbulos abertos nos quais só poderia ser colocada uma criança de 3 anos, sem poder ser enfiada ou encerrada em coisa alguma (imagem dois), tendo faltado à verdade; como ele referiu inadvertidamente no Canal 11, fez o que era o melhor para ele e “ninguém me iria parar“: Podence pediu um aumento salarial, não concedido, como mencionado anteriormente; 
  1. Não existiu garrafão nenhum nas costas, ou na versão muito posterior, no peito. Tocou de raspão num braço ao ser derrubado (Bruno Fernandes aproximou-se da verdade porque nesta ocasião, viu), tendo Battaglia assumido pelo menos a mentira contada nas cartas de rescisão e na imprensa de forma coordenada, dizendo em tribunal que foi na zona corporal oposta da que dissera anteriormente. Espero que percebem a relevância deste evento em particular por serem zonas opostas do corpo, e o que indicia dos testemunhos prestados;
  1. Houve uma bolsa de higiene a voar  que colidiu aleatoriamente com a generosa testa do fisioterapeuta Ludovico, que posteriormente multiplicou a ocorrência porque desconhecia o que o tinha atingido, e tinha sido despedido em Junho. Esqueceu referir tal bolsa no depoimento à GNR, e ninguém lhe referiu qualquer marca na altura, muito menos tal bolsa; muitos meses depois já toda a gente vira essa ocorrência (real, mesmo que propositadamente exagerada);
  2. O balneário/vestiário já se encontrava desarrumado, tirando umas garrafas de água no chão, algum lixo extra de um caixote, e um ou outro objecto derrubado na imensa concentração de gente e confusão. Os balneários de futebol estão sempre virados do avesso com meias, calçado, toalhas, lixo por todo o lado até os subestimados heróis da limpeza entrarem em acção. Estão a falar de homens ricos, maioritariamente entre 20 e 30 anos, e com pouca educação na sua maioria. Poucos são (elogio a esses) os que sabem engomar ou cozinhar mais do que um ovo estrelado, a minha forçosa especialidade;
  1. Não houve qualquer dano às instalações do edifício, nem porta nem tectos falsos em baixo” (Gonçalo Álvaro, fisioterapeuta na altura, promovido, e funcionário da clínica). Quem o afirmou, inventou – e foram vários – sendo incapaz de concretizar e com as autoridades a desmentirem. Não houve qualquer reparação a qualquer porta, vidro partido na zona ou tecto
  1. A tocha atirada à saída tocou de raspão em Mário Monteiro, visível pelo tipo de marca na camisola, não tendo provocado qualquer queimadura mas apenas um “vermelhão” (palavras do próprio em Monsanto), ao contrário das queimaduras graves que vos foram transmitidas na altura, que iriam alegadamente colocar um fim na sua carreira, que prosseguiu com o treinador encarnado na Arábia Saudita, Brasil e Estádio da Luz;
A camisola não foi levantada para exibir a barriga porque não havia nada a captar, é uma marca de raspão, que efectivamente o atingiu ainda que ligeiramente. Na criatividade, houve quem jurasse que quase lhe atingiu a cabeça (foi na cintura, a camisola foi ligeiramente erguida – observem o logo da NOS). O pulso em causa (posteriormente passou do plural para o singular) está à vista. 
  1. Frederico Varandas não evadiu nenhuma tocha; apenas ele e o colega da clínica Virgílio Abreu viram o feito cinematografico num espaço onde estavam várias pessoas que o teriam forçosamente visto; o próprio Monteiro, atingido de raspão pela mesma, afirmou que não o viu e que Frederico depois lhe contou o feito, que supostamente teria acontecido diante de… Monteiro. 
  1. O treinador encarnado mandara retirar a banda magnética de uma porta interior unilateralmente (já irei falar no seu potencial “aval” ), o restante ora estava aberto por quem lá se encontrava, incluindo jogadores, ou foi aberto de forma natural; ao contrário do que é habitual, não se dirigiram ao exterior (sobretudo capitães e pessoas de peso) para confrontar os adeptos, tendo minutos para isso, ficando a aguardar num espaço sem CCTV (vestiário) – ou em caso de receio para zona segura – que permitiu todo o tipo de imaginário, e ainda confusão adicional por concentração;
  2. A gravação de imagens (CCTV) só foi desligada após a saída, por pessoa incerta, não permitindo ver quem se movimentava e como, eliminando por exemplo a chegada de Eduarda Proença de Carvalho e Marta Soares, até mesmo de Bruno de Carvalho (fundamental para a mentira das 2 horas) permitindo construir no imaginário todo um cenário de pânico e destruição, que se olharem com muita atenção ao registo público (final da CCTV no DN, jogadores a passo nos vídeos internos), não existiu como se transmitiu; 
  3. Vários jogadores tinham conhecimento prévio da visita, tornada invasão, e limitaram-se a aguardar; o prévio não se refere apenas ao que foi dito no aeroporto dias antes, mas ainda ao próprio dia. Foi olimpicamente ignorado pela investigação do Ministério Público;
  4. O treinador encarnado sabia da intenção da ida, através do falado no aeroporto, e não disse nada à administração nem aos responsáveis de segurança;
  5. Umas seis pessoas afirmaram ter ajudado Dost, faltando à verdade (entre elas Virgílio Abreu, Frederico Varandas e Gonçalo Álvaro). Quem o ajudou foi apenas Rollin Duarte, que o conduziu aos lavatórios, e Carlos Mota, que o acompanhou à sala na qual foi suturado – e fê-lo sozinho;
  6. Na sala de sutura, Frederico Varandas não queria que esta ocorresse ainda (meia dúzia de pontos), mas a insistência de Carlos Mota permitiu que fosse realizada no local. Não sem antes serem tiradas fotografias para serem divulgadas de imediato. No momento temporal das fotografias, facilmente identificável através do estado do procedimento e os testemunhos, estavam presentes apenas Carlos Mota, Virgílio Abreu (mãos visíveis e identificáveis numa fotografia), Frederico Varandas, Gonçalo Álvaro e Ludovico Marques, que entrou durante esse período;
  7. Os depoimentos foram concertados, sendo amiúde incoerentes com os prestados à GNR, declarações públicas, outros testemunhos no detalhe, com incongruências básicas fruto da necessidade de referir algo solicitado, e sofrido adições que eram memorizadas. Eram colegas e amigos em causa, com muito dinheiro em jogo. O tribunal não podia confrontar com isso salvo com autorização, nem com declarações públicas contraditórias, limitando-se ao produzido no julgamento como assinalou várias vezes a juíza presidente; 
  1. Dost foi agredido no corredor perto da entrada para o vestiário com um cinto por Rubén Marques, de 19 anos na altura, convidado por um conhecido que não integrava qualquer claque a ir à academia. O cinto perdeu nesse momento a fivela, originando mais tarde o conhecido “filma a fivela do cinto”, proferido por Nélson Pereira e curiosamente respondido por Frederico Varandas. No chão, levou ainda pontapés, de Rúben ou do colega, tendo Rollin Duarte pontapeado de volta. Misic foi, já no vestiário, tocado pelo cinto já sem fivela, tendo ficado sem marca. Não houve mais nada relativamente a cintos que possa ser considerado verídico;
  2. Não vou referir Rubén Marques sem abrir um parêntesis final que ninguém fez sobre o mais visível actor de actos gravosos. Alguém por quem senti uma raiva tremenda na sequência da divulgação das imagens de CCTV, nas quais brandia o cinto. É um jovem com dificuldades de aprendizagem e familiares, que passou um tempo prolongado em prisão preventiva. Isso não impediu que fosse condenado a prisão efectiva após recurso da sentença por parte do MP, apesar do esforço para se reintegrar, estando na altura do julgamento a trabalhar como pintor para um tio. Foi reconhecido por Rafael Leão, que o cumprimentou e sorriu (tal era o estado de choque e surpresa, mas já referi conhecimento prévio), ambos residiam em Alcochete, um na academia, outro na localidade. Cometeu um erro estúpido e grave de alguém nitidamente descontrolado, houve vários beneficiados disso e extensa exploração, não merece de nenhuma forma ter a vida destruída por isso e pelo mediatismo tresloucado (a justiça deve ser igual para todos, não deve ser definida por mediatismo), sofreu muito. Tenham essa noção. Sensibilizou-me  o seu depoimento humilde, frio durante largos momentos mas depois não contendo a sincera emoção, e as palavras sensatas da excelente advogada. Agora, posso prosseguir;
  3. Adicionalmente, na concentração de dezenas de pessoas, ocorreram nesses três minutos limite sobretudo empurrões e encontrões, dois diálogos no mínimo, puxar de braços mútuos e três a quatro chapadas. Não houve socos, não houve pontapés no vestiário, os próprios alteravam as versões (ora era “empurrão”, ora depois já era “socos no peito”, e vice-versa; ora alguém descrevia pontapés para a própria alegada vítima afirmar que não). O restante possui incoerencias insanáveis nos testemunhos diversos e nas diversas fases, que denotam invenção e hiperbolização. A reforçar, estão a completa ausência de marcas de qualquer tipo, que no descrito nunca teria sido possível, não faltando imagens no próprio dia (Montijo);
Imensas coisas que afirmaram serem vistas igualmente não eram possíveis num cenário com fumo duma tocha, recheado de gente e sem uma dúzia de olhos em todas as direcções, daí que o testemunho mais honesto de todos da parte de atletas no local foi o de Wendel (que o teve de repetir por falhas na gravação)
  1. Tentaram argumentar a tese de rapto para agravar penas, inventando várias versões incoerentes. William foi inadvertidamente apanhado a matar a tese, ao ter de assumir o local onde falou com um conhecido, pois saiu tranquilamente rumo às casas de banho para continuar esse diálogo. As histórias de gente a barrar a saída eram completamente falsas, como era fácil de constatar também por gente a entrar nesse período temporal curtíssimo;
  2. Abordei no tópico V deste artigo as alegadas dezenas de agressões sofridas pelo treinador encarnado, Jorge Jesus, não sendo necessário repetir. Foi apenas abalroado na fuga de Rúben (dispatar do alarme),  coincidindo a entrada dele com o início das saídas, lançando-se a persegui-lo e não mais o apanhando, contrariando o que afirmou (visível em imagens). Poderá ou não ter tropeçado sozinho no exterior, mas a pessoa que numa das várias versões apontou como responsável na potencial queda não estava mais sequer na sua proximidade. O resto foi espírito de vingança por força do despedimento, algo no qual contou com a sua equipa técnica, que só não o considerou assassinado no telhado porque ele não chove;
  3. O treinador encarnado indicou o local dos balneários e esteve depois à conversa com um vigilante acompanhado, a quem encaminhou também nessa direcção, mostrando assim aval notório a um funcionário. Existe a possibilidade forte do responsável de segurança da academia (Ricardo Gonçalves) ter seguido a indicação dele, pois estiveram juntos antes do acesso, e Jesús também dialogou com os invasores à chegada;
  1. O treinador encarnado só se encaminhou para lá com o alarme a soar, apanhando gente a sair apressadamente pelo ruído. Importa relembrar que já anteriormente permitira a entrada de adeptos à revelia da administração, o que a CS ignorou olimpicamente para não colocar em risco a Comenda do bom cidadão não misógino;
  2. O responsável de segurança da academia, Ricardo Gonçalves, foi promovido. Não mandou fechar o portão e acompanhou os invasores até ao balneário, seguindo com elevada probabilidade indicações internas/no local dadas por alguém. Acabou por ser recentemente despedido, substituído por Rui Pereira (ex-SLB) mas um familiar ainda trabalha na SAD, estando por isso amordaçado; 
  3. No principal vídeo divulgado, ao lado de Nélson, a filmar em duas ocasiões, está a pessoa que também tratou das fotografias e levou a cabo o seu envio a conhecidos na CS; quem disse não saber quem era o autor (ou autora) também faltou à verdade. Aqui fica a mão feminina e delicada a segurar uma tocha como quem segura uma flor, e que coincide com o autor(a) das filmagens, tudo sendo rapidamente enviado às redacções (a invasão terminou às 17:18), em conjunto, a partir do mesmo dispositivo;
  1. Relembro que começou com notícias de esfaqueamentos e bastões, para provocar o  vosso pânico, sendo completamente falso;  estas noticias falsas saíram com intenção de alguém na academia, alguém que estava em contacto com a imprensa sendo por isso muito provável estar envolvido na divulgação das imagens. Existe um detalhe pouco subtil na seguinte notícia que reforça sobremaneira essa ideia, mas não irei dizer qual é;
  1. Foram rapidamente postos a circular rumores convenientes nas redes sociais a mando de conhecidos, completamente falsos como se veio a verificar. A campanha já estava activa há pelo menos um mês;
  1. A tese de terrorismo foi um abuso intencional, uma ofensa a quem lida com o fenómeno, um desvirtuar da práxis internacional, e um desvario só possível num país pequeno onde existem influências inaceitáveis, que contou com vários colaboradores da nossa pobre CS “livre”; ignorância ou arrogância não podem ser excluídas; 
  2. Permitiu que as medidas e as acções encetadas não tivessem limites, invertendo a lógica de um estado de direito com garantias para os cidadãos;
  3. Obviamente, não constou do relatório anual de terrorismo da Europol, EU Terrorism Situation & Trend Report; 
  4. Toda a investigação do Ministério Público (Cândida Vilar e Rui Pereira) teve como objectivo o agravamento de penas e tentar ligar por todos os meios Bruno de Carvalho ao evento. Não procurou a verdade material, não explorou relações reais suspeitas, não acusou quem mentiu, e afastou outras linhas da investigação. Atou as mãos da Procuradora que agarrou no caso na fase seguinte (julgamento), que fez dentro do possível um trabalho muito bom. Se nuns casos o MP afasta escritórios dos próprios donos para não os responsabilizar por documentos lá encontrados, neste caso observou-se o polo oposto;
  1. Apensos desapareceram da investigação, como foi o caso do apenso E35 (e muitos mais) ou do apenso D; 
apenso E35, desaparecido e não investigado
  1. Bruno de Carvalho foi preso e levado a julgamento sem a existência de qualquer prova, uma estreia nacional no pós-25 de Abril, tal foi a perseguição com malícia à sua pessoa, baseada numa construção narrativa da sua pessoa como vilão à base de centenas de horas sem contraditório por gente que lhe queria mal; 
  2. Nas mensagens, havia a intenção de causar dano à administração e até provocar a sua queda com o evento. O próprio Fernando Mendes era hostil à administração, não tendo no entanto responsabilidade na estranha presença de casuais. Entre os elementos, alguns conheciam e relacionavam-se com os jogadores, incluindo saídas à noite e jantares com família, uma coincidência cósmica num universo de milhões de adeptos. Foi novamente olimpicamente ignorado pela investigação, e relegado para o esquecimento pela imprensa;
  3. A investigação foi tão parcial e mal conduzida, que no julgamento nem era sabido o que eram casuais, que eram varios dos presentes no evento. Muito menos os seus relacionamentos e ligações, quer pessoais quer políticas; 
  4. Frederico Varandas cancelou consultas para estar presente nessa tarde. Foi dado como álibi o “instinto” do colega de clínica, Virgílio Abreu; dois elementos que vieram a fazer parte da campanha de Varandas estavam presentes nos grupos de WhatsApp, com um deles até a enviar mensagens durante a invasão. Ficaram excluídos da investigação;
  5. Os jogadores não treinaram em Alvalade porque fazia parte do plano da alegação de não existirem “condições psicológicas” com vista à manutenção do vínculo, como se veio a verificar nas alegações nas instâncias desportivas, com aconselhamento nesse sentido. Confrontado em tribunal sobre qual a razão de não terem treinado em Alvalade, mas antes na sua clínica (vários), Varandas respondeu “não sei“;
  1. Jogadores que se recusassem a participar nas rescisões e na história foram ameaçados implicitamente “se não o fizeres ficas por tua conta“, e tal será um dia publicamente corroborado quando não existir medo de alguns. Existiu gente dentro do clube a incentivar rescisões para forçar a queda da administração, não tendo sido castigados pelos Sportinguistas;
  2. A queda estava decidida desde meados de Abril de 2018, ordenada a Marta Soares – irei repetir até abordar o tema ou podem tentar saber por vós próprios. Várias pessoas no círculo “notável” têm pleno conhecimento disto;
  3. Para concluir, o depoimento mais importante para o desfecho do amplamente coberto julgamento foi o testemunho do agente Leandro, Spotter da PSP. O depoimento foi censurado pela imprensa “livre” de Portugal, no ano de 2020, passados na altura quase 46 anos após a Revolução dos Cravos, com o meio considerado como um pilar do estado democrático que é imperioso ser saudável e desprovido de influências, quer internas quer externas. 

Não tomem o referido como absoluto, não cometam esse erro nem comigo se alguma vez querem ser capazes de filtrar informação. Tomem-no, isso sim, como muito mais próximo da verdade material do que aquilo que vos foi contado com uma infinidade de impressões, manipulações (nem sempre voluntárias) e incongruências. Podem facilmente constatar com frieza que diversos eventos referidos no início deste artigo, no primeiro tópico, tiveram igual ou maior gravidade – carecendo de cobertura idêntica ou sequer aproximada como principal elemento diferenciador – sem necessidade de recorrer a um único evento com vítimas mortais. Chegou o momento de abordar os vídeos, um deles peça fundamental para o massacre mediático, que poderão visionar (os três num só) de seguida.   

Existiram três vídeos no balneário enviados para a CS.  O primeiro de todos, mostrado em quase lado nenhum pela falta de aparato. O segundo foi mostrado a esmagadora maioria do tempo, enquanto que o terceiro foi mostrado muito ocasionalmente apenas sem o som original (já irão perceber o porquê na última frase deste parágrafo). Todos foram filmados e enviados pelo telemóvel da mesma pessoa, bem como as nove fotografias. O primeiro vídeo, no qual o autor (pode até ser uma autora, a Dna. Maximiana) se encontra a filmar num canto – do qual obviamente desaparece no segundo vídeo, segundos depois – pois não servia para assustar a audiência. O facto de ser o primeiro vídeo é facilmente identificável por Varandas se encontrar à conversa com Patrício, sendo que no segundo vídeo todos recordam de, naquela posição, Frederico abandonar o espaço no final dos 16 segundos, sendo seguido pelo camarada de filmagem. A Dna. Maximiana sai então da sala após o primeiro vídeo, e reentra a filmar de forma dramática, em rodopio e de baixo para cima: o segundo vídeo. O efeito contra a luz, aliado à velocidade que dificulta a captação da mesma num telemóvel, faz com que o cenário e ambiente pareça pior do que o da primeira gravação e em resolução mais borrosa. Esse segundo vídeo termina com um “filma a fivela do cinto“, proferido por Nélson Pereira, ao qual responde Frederico Varandas, que lidera a gravação. Aliado à narrativa apocalíptica, existia gente que afirmava que não conseguia ver isto sem se sentir mal, quando na verdade não tem nada de substantivo. Fizeram inclusivamente um truque de distorção várias vezes na CS: aumentar o som do alarme, reduzindo as vozes (quando não as eliminaram), algo que deveria ser sancionado caso existisse regulação condigna. Podem ouvir isso claramente nos vídeos um e três se tiverem um ouvido razoável. Chegamos por fim ao terceiro vídeo, alguns minutos depois. Vê-se Freddy Montero a passar no corredor nos instantes finais, e um vigilante; Frederico Varandas está escondido a falar no fundo do vestiário, olhando para quem está a fazer a gravação no minuto 0:53. Vou por fim mostrar este terceiro vídeo com som, escutem com muita atenção. A pessoa que ouvem a falar com a Dna. Maximiana é Nélson Pereira, novamente não é ele que está a filmar mas sim o mesmo indivíduo, “Isto é para mandar para a Comunicação Social, mano.” 

  1. Outras Vozes do Regime: Os Valores de um Campeonato 

Deveria concluir o artigo, mas tenho de aproveitar o embalo que a propaganda me dá e já estou nas 8 mil palavras sem ter dado conta. Não vou abordar novamente os casos típicos como Sousa Cintra e a sua necessidade eterna de gostarem dele no meio “notável”, Dias da Cunha, e gente similar – o enfadonho tem limites. Por um lado foi divertido ver o ex-deputado do CDS Luís Duque, intimamente ligado ao descalabro do Desportivo das Aves através dos Galaxy Believers, ao PER no Sporting, e ao combate contra Bruno de Carvalho numa altura em que aceitou liderar a Liga a mando do Benfica e do Porto, a tecer rasgados elogios a Varandas. Imaginei uma simpática nuvem de algodão doce a elevar-se junto à venda de churros recheados de chocolate. 

Por outro lado, se no final de 2017 se celebrizou a frase “200 euros o tempo que quiser, se for a 3 é 400”, no caso de Dias Ferreira ele será o que quiserem por um título, ou por outras palavras, por se juntar onde sente que está o poder consolidado. Sendo alguém que conhece bem o clube, pois já foi derrotado em inúmeras eleições, tudo ficou uma maravilha apenas e só com a conquista do título de campeão nacional. Por alguma razão o flexível advogado é conhecido por “o cambalhotas”, “escadinhas” para os amigos, “o grande homem” para o relvado número 8 (Paulo Futre); uma sorte os atletas não terem de o enfrentar nos próximos jogos olímpicos. Não vou colocar qualquer imagem dele pois tenho receio justificado da irmã Manuela Ferreira Leite. Além disso, outra irmã gosta muito de andar junto a José Pedro Rodrigues, o “empurrõezinhos” em Odivelas, e quem ainda termina escadas abaixo sou eu. Não obstante, o que me traz a esta última secção não é nenhum dos dois, mas sim Eduardo Barroso, que “regressou” à TVI para dizer umas frases que merecem um comentário. Como referi, a TVI inspirou-me, e nesta ocasião não teve a ver com Rogério Alves, Bráz & Companhia de Teatro (com Presença) Ilimitada, Sousa Tavares, ou “Harley Quinn” Joana Amaral Dias. 

Eduardo Barroso tem virtudes que seriam redundantes referir, mas também defeitos vincados, como qualquer pessoa. Um desses defeitos consiste em julgar que pelo estatuto social e clubístico, se encontra num patamar que o torna invulnerável a uma série de ocorrências. Colocarem Pedro Guerra diante dele, levando-o a abandonar um programa de bola no qual participava, não bastou como lição. Acredita piamente que ninguém a quem considera como amigo – tendo um conceito lato do termo – lhe mente na cara; acredita que apenas os outros podem ser vítimas de veneno, considerando-se imune, precisamente pelo referido. Não o é, bem pelo contrário: é altamente predisposto ao envenenamento. É tão apaixonado pelo clube quão crédulo, o que permite que seja alvo da exploração que pensa identificar noutros pois recusa-se a ver além do que quer conceber. 

Já sabendo que o actual Presidente do clube lhe mentiu na cara mais do que uma vez, não tendo sido ele o único a fazê-lo no seu círculo, Barroso procura todo o tipo de desculpas para esse facto por uma mera e negativa questão de afinidade profissional e círculos de amizade, algo que é característico nele.  

Ao ponto de relegar para plano secundário a quantidade enorme de mentiras a pedido na CS vindas de onde se sabe (clube), o testemunho comprovadamente mentiroso em tribunal, e o “amigo” dele ter andado pessoalmente a dizer e a convencer pessoas que BdC tinha algo a ver com a épica palhaçada mediática montada sobre Alcochete, quando ele até adiou consultas para estar lá presente com desculpas sem pés nem cabeça. Quando outro grande amigo dele, o popular Marcelo na Guiné-Bissau apesar de poucos presentes saberem quem ele é, seu amigo de infância, andou a sofrer influências de gente como o seu ex-Secretário Geral de Marcelo no PSD, Artur Torres Pereira, de forma a lançar censuráveis dúvidas na CS sobre a presença na final da Taça de Portugal por uma invasão de adeptos que estava longe de ser fenómeno raro, o cirurgião lavou as mãos. As acções de Marcelo não se ficaram por aqui, mas isso é outra história, na qual a lavagem de mãos foi idêntica por parte de Barroso. Relativiza também as suspensões e expulsões, algo que é inadmissível, chegando ao cúmulo do absurdo de querer acreditar que sucederam apenas por um lapso – ou não conhece os bastidores do processo ou prefiro não dizer a outra alternativa por consideração. Envereda no discurso de um segundo mandato mau, mas que na realidade foi interrompido ao fim de pouco mais de um ano – com uma disputa pelo título, taça, e recorde de conquistas em modalidades, alterando consistentemente o paradigma – com ordens de gente que conhece, e a participação activa de gente que também conhece, num mero jogo de poder sem escrúpulos que se iniciou antes do período referido.  Foi um espectador nesse jogo político, e como espectador irá continuar enquanto não perceber essa condição desejada por quem o rodeia, se alguma vez o conseguir nesta altura da vida. 

Numa ocasião, Barroso referiu que “também sou croquette“, em tom de brincadeira, mas é mais profundo do que é capaz de reconhecer. Já distante parece estar o homem que avisou que ele próprio avançaria caso um tortulho voador como Madeira Rodrigues não tivesse oposição num futuro. Umas aparências, umas deferências, uns jantares, umas considerações, e Barroso fica aparentemente satisfeito. Se em tempos acreditei que ele daria um forte murro na mesa face a várias personagens e actos levados a cabo por elas, tendo mencionado vários na parte referente às omissões na “peça televisiva heróica”, presentemente essa esperança está morta e enterrada. Recuando no tempo, nem percebeu que se tornou PMAG como forma de garantir a tomada de posse de Godinho Lopes, pois este perdera o CD e houve uma troca nos bastidores só possível porque além do churrasco, o cargo infelizmente mais poderoso do clube – de forma aberrante –  foi-lhe atribuído para minimizar estragos. Permitiu-se ser prémio de consolação, um que levou o clube à beira da falência efectiva, sem estórias como ele bem sabe, e consolado continuará tal como pretendido. 

Entretanto, outras acções de propaganda estão em curso. Seguramente o senhor Rui Santos irá tecer loas dignas de figura do século, Nuno Luz preparou nova dose do que já fez por Mourinho, Ronaldo ou Jorge Mendes, “notáveis” irão alternar nas declarações solicitadas, comentadores do Benfica irão tecer juras de amor, até alguns alegados Portistas próximos da ” elite” dos meios em Lisboa farão o mesmo, e a história será reescrita com elevado investimento e parceria na imprensa. Como sempre, a última palavra é vossa, por acção ou omissão, aplicando-se a tudo. Quanto mais críticos e atentos, mais ricos somos em conjunto – a estagnação crónica que o país sofre é um sinal de alerta que vai além de reducionismos que se cingem à economia e finança, pois tem uma forte componente de âmbito social (estagnado) e cultural (resignado). Quem não é dono do seu pensamento, pois deixa que pensem por si, e acredita que isso é ter opinião, vive apenas livre numa prisão. 

Quando pessoas com palco à força vos falarem de algo “mais negro” concertadamente, questionem as motivações que se escondem por trás dessas personagens. Ajuda a identificar as brechas. 

O título do artigo reproduz o nome do último álbum de Leonard Cohen, “You Want it Darker

Até à próxima. 

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4 Comentários
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Manuel Antonio de Carvalho

Excelente.Fantástica enumeração de factos que nos ajudam a compreender o modo como foi arquitectado o plano por parte dos “donos do clube”para derrubar o melhor presidente da História do Sporting.Tiremos nós as devidas conclusões!

A.Silva C.

Excelente trabalho, como sempre. A verdade, como a água, para ser cristalina, tem de ser filtrada.

Rei Leão

Parabéns pelo trabalho. Magnifico mais uma vez.

Leão Africano

Fantástico. Parabéns.
Nunca é demais recordar quem ganhou com isto tudo.