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Segunda-feira, Agosto 08, 2022

Varandismo: O Vieirismo do Sporting

No próximo dia 5 de Março vão decorrer eleições para os Orgãos Sociais do nosso Sporting Clube de Portugal. Infelizmente a previsão é que Frederico Varandas ganhe esse acto eleitoral e por larga margem. Ao contrário do último diga-se. Nunca é demais recordar que em 2018 Varandas não foi o candidato com maior número de votantes.

Desta vez previsivelmente irá ser. O custo que isso possa vir a ter para a instituição a seu tempo se verá. Não quero estar aqui a profetizar desgraças mas gostava de deixar ao critério dos sportinguistas o que acham do caminho que está a ser seguido por Varandas e companhia. Nomeadamente a prostituição da SAD a Jorge Mendes, a brutal dívida a fornecedores (nos quais se inclui Mendes) e os milhões de dívida do clube à SAD.

Isto não vos preocupa? Lembram-se do estado a que chegámos em 2013? O caminho que estava a ser seguido nessa altura era exactamente o mesmo que está a ser seguido agora. Acham realmente que um mesmo caminho vai conduzir a um destino diferente?

Os meus amigos benfiquistas por estes dias vivem muito indignados com o momento actual do seu clube e não podem ouvir falar no seu ex deus Luis Filipe Vieira. Quando a bola entrava na baliza aquele que é conhecido por orelhas era “deusificado” por toda a nação lampiã. Os sinais estavam lá todos. Quem já se esqueceu das vendas a fio dos miúdos da formação por 15 milhões tudo com a chancela Gestifute? Quem já se esqueceu das capas de jornaleiros a vender esses miúdos diariamente como se fossem a última coca cola do deserto? Tudo isto deu no que deu.

O Sporting de Varandas segue exactamente este mesmo caminho. Mas quem é que no seu perfeito juízo pode achar que o resultado vai aqui ser diferente? Caros, o Sporting de Varandas a médio prazo estará exactamente onde o actual Benfica está.

Jorge Mendes patrocinou um campeonato de futebol mas a avaliar pelo que se tem passado esta época o acordo foi só para um. No verão Ruben Amorim irá embora, os principais jogadores também, há muito que estão prometidos ao carrocel.

As capas dos jornaleiros fazem felacios a Varandas como sempre fizeram a Vieira. As capas dos jornaleiros vendem jogadores nossos e prometem milhões vindos do deus Varandas como faziam com Vieira. Pela calada vão saindo notícias de escutas envolvendo Varandas e nomes de carácter duvidoso do universo do futebol português com fortes ligações a Vieira e Mendes.

Mendes esse que patrocina a troca de jovens promessas da nossa formação, como sejam os casos de Tiago Tomás e Jovane Cabral por velhos acabados como Slimani. Tal como sempre fez no Benfica.

E não entendam esta minha crítica como um ataque a Slimani, jogador pelo qual tenho o maior respeito e que deu muito ao clube. Mas já deu o que tinha a dar. Enquanto que Tiago Tomás e Jovane Cabral eram jogadores que muitas vezes saltavam do banco e decidiam jogos. Slimani ainda não se viu.

Este tipo de gestão leva inevitavelmente à ruina dos clubes. O Benfica está arruinado, o Porto não está melhor. Aqui basta a bola deixar de entrar dentro da baliza para ruir tudo como um castelo de cartas.

E vejam só que Jorge Mendes é tão amigo do Sporting que até anda a dar tudo por tudo para ajudar Rafael Leão a não pagar o que deve. E é tão amigo tão amigo que no final da época ainda nos vai impingir um Nuno Espírito Santo desta vida para treinador.

Relativamente às eleições temos três candidatos, o actual presidente Frederico Varandas, Ricardo Oliveira, um croquete moderado que não passa do chamado enche chouriços, e Nuno Sousa, o candidato do projecto leonino.

Ambos os candidatos da oposição demonstram preocupação com o actual estado das finanças do clube e o caminho ruinoso seguido pelo presidente em funções. Mas em minha opinião nenhum deles é solução, nenhum deles tem o carisma, o currículo ou o nível de mobilização necessário para aglutinar o universo sportinguista.

Nuno Sousa é assumidamente anti croquete, mas não é apologista por exemplo da democracia eleitoral de um sócio um voto. E é defensor do i-voting.

Depois temos Frederico Varandas, um chico esperto que quando se viu no fio da navalha fez o que foi preciso para se conseguir aguentar no tacho. Não vale a pena ter ilusões, não fosse a pandemia Varandas teria caído com estrondo em 2020. E ele percebeu isso. Teve noção que não tinha unhas para aquilo, que com Keizers e Silas não ia a lado nenhum.

Vai daí resolveu pedir ajuda a Jorge Mendes entregando-lhe a gestão da SAD. Há uns anos um presidente nosso cometeu na altura um acto que foi considerado ousado e disruptivo: contratar o titulado treinador do grande rival. Varandas foi mais à frente e resolveu roubar-lhes o agente.

“Jorge páh, tou desgraçado, só faço cócó, não tenho jeitinho nenhum para isto, dás-me uma ajuda? Os sócios estão quase quase a conseguir correr comigo, o Rogério não consegue segurar-me para sempre! Não te esqueças de todo o dinheirinho que já te dei a ganhar! E prometo que te darei muito mais!”

“Não te preocupes Fred, eu trato disso, começo por deixar cair o Benfica e logo aí ganhas popularidade, é menos um rival para te fazer sombra e com os de vermelho em baixo os teus sócios ficam logo todos contentes. Isso até me dá jeito, que o Vieira está quase a cair e eu não quero cair com ele. Olha, vamos começar por meter aí o Amorim do Braga, vai haver um bocado barulho por causa dos valores anunciados, mas não te preocupes, não tens de pagar nada, só entregar-me as comissões. Entretanto vou começar a mandar uns mails e a fazer circular umas malas e para o ano faço de ti campeão!”

Pelos vistos os sportinguistas conseguem viver felizes com isto, está tudo bem para eles desde que a bola entre na baliza. No fundo os sportinguistas não são diferentes dos outros, são iguaizinhos, o que interessa é ganhar uns títulos no futebol, seja a que custo for.

E nem o circo recente no Estádio do Dragão para o qual os nossos dirigentes e jogadores contribuíram ou as humilhações na Liga dos Campeões com goleadas históricas em casa contra Ajax e City parecem incomodar os sportinguistas.

Quando a bola deixar de entrar na baliza é que eu quero ver como vai ser. Quer dizer, eu sei como vai ser, Varandas vai passar de deus a vilão num instantinho, vão regressar os assobios, as manifestações e a contestação. Até à bola voltar a entrar na baliza. E não passamos deste ciclo vicioso.

Não gosto disto assim, não me identifico com isto assim, mas não faço parte da maioria, antes pelo contrário, faço parte duma muito pequena minoria que defende um clube com valores, com princípios, com um projecto estruturado a longo prazo, eclético e honesto. E como sou eu que estou mal, já dizia a minha avozinha: quem está mal muda-se.

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