RUGIDO VERDE

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Segunda-feira, Agosto 08, 2022

Comentário (muito) Breve: O “Perfil Psicológico” de Rui Santos

Guardem as pistolas pois será pouco sobre bola, pelo menos directamente, e não estamos em Arizona. Esse assunto virá noutra altura que considere oportuna. 

Mario Jardel (imitação) a facturar

Devo admitir que fiquei surpreendido pela presença de Bruno de Carvalho no Big Brother Famosos. Comentei em privado com alguns amigos, e só, que considerava ser um passo arriscado, que no entanto abria uma série de possibilidades positivas que via como remotas. À priori, nunca fui fã do formato, com excepção de Survivor e The Amazing Race Asia

Arriscado, devido à exposição permanente, num espectáculo raw de variedades, com comentário interminável. Como sabem, tenho uma péssima opinião do nível de comentário que nos é brindado nos media portugueses, que desde a política, finança, justiça ou desporto, ora é feito com base em afinidades ora com o objectivo de fundo de beneficios pessoais e profissionais. Não é na verdade opinião per se, mas apenas um produto vendido como tal a quem desconhece as figuras, os relacionamentos e os bastidores. Por vezes (ainda) fico surpreendido com a percepção de algumas pessoas que já têm idade e experiência para saberem muito mais destas vertentes. Sou, de certo modo, antiquado: a opinião para mim pressupõe a libertação desse tipo de amarras. Prevalece por isso o embuste que, como já referi, é tão perigoso quão pernicioso, prejudicando o país – e o país sois todos vós – nas mais variadas esferas. 

Possibilidades positivas, pelo facto de ter plena consciência que Bruno de Carvalho é muito diferente da forma como foi pintado à base de narrativa por muitos engravatados sem substância e alguns grupos interessados num determinado desfecho e secção de poder. Gosto de Bruno de Carvalho – nunca o escondi, quem me conhece sabe-o, algumas pessoas que o conhecem também. Gosto também por ser muito diferente de mim, pois eu já sou demais para mim mesmo. Deu um passo que eu não daria, o que apenas reforça a ideia que acabei de exprimir, e faz dele ser quem ele é. Daí que ele já foi conhecido como o “Presidente Sem Medo”, enquanto que eu era apenas a pessoa mais rápida do mundo a fugir de serpentes. Traço que, em minha defesa, partilho com Indiana Jones. 

Vamos no entanto ao que interessa. O que aqui me traz nesta breve prosa feita em 10 minutos foi um comentário da autoria do senhor Rui Santos que passou nas redes sociais, ao serviço da TVI24 agora com nome franchisado da CNN, estando ele convencido que integra a verdadeira casa que, como muita gente já percebeu, é apenas a fingir – com honrosas excepções nas quais ele não se inclui. Disse sua excelência, uma autoridade em temas sérios com elevado impacto na Europa e um dos conselheiros secretos de Ursula von der Leyen, a propósito da participação de Bruno de Carvalho no BBF que (citação livre) “as pessoas têm de refletir sobre os perfis psicológicos dos presidentes” e que “ele está ali para quem quiser ser entretido“.

Se pensam que irei fazer escárnio com a imagem acima, estão enganados pois sei perfeitamente o contexto e não sou um actor como o senhor Santos. Apenas vou procurar mostrar que, mais do que um disfarce que não tem nada de mal, é um estado permanente, e procurar explicar a razão pela qual tenho má opinião de gente que vive de aparências. 

O verdadeiro futebol é aquele que se joga, por exemplo, na rua com amigos. É aquele em que jogamos para nos divertir, sem retirar mais nada do jogo do que pura diversão e auto superação. O senhor Rui Santos, que considero há muito tempo um papagaio da Federação Portuguesa de Futebol e suas figuras, não comenta futebol “puro”, se me é permitida a expressão tantas vezes mal usada. É um comentador de espectáculos pagos. Ou seja, desempenha o mesmo papel que a mítica Lili Caneças só que de uma bola a rolar. Raras vezes aborda outro desporto, pois o que lhe importa é precisamente a exposição desse espectáculo com o qual faz carreira e dinheiro. O próprio referiu inúmeras vezes os termos “a indústria“, “o espectáculo“, elaborou gráficos amiúde ridículos e redundantes, e também já colocou almofadas no lugar para parecer mais alto. Não tem o direito de falar naquele tom permanentemente prepotente e mesquinho sobre a participação de qualquer pessoa quer no futebol quer noutra esfera de entretenimento. Não o tem, mas acha-se, pois como actor experiente procura incorporar em si o papel. 

Não satisfeito com essa intervenção, como bom actor/vendedor, voltou a explorar a ideia por escrito, o que demonstra a incessante necessidade de aproveitar o momento para se exibir e a total ausência de espontaneidade. O seu guião é altivo e enfadonho.

Não é um economista de renome, não é sociólogo, não é um ex-deputado europeu, não é escritor com obra reconhecida, é tão somente um actor engravatado que procura vender a peça que lhe dá de comer. Tenta ter audiências a todo o custo e coloca perguntas sobre as quais só tem interesse no valor acrescentado da chamada. Sabe muitíssimo bem que a maioria das chamadas vêm dos departamentos de comunicação, aos quais presta a devida vassalagem e com os quais mantém contacto. É também o homem que já disse tudo e o seu contrário sobre uma série de figuras do futebol, sempre procurando navegar a onda e as simpatias do público como se de um surfista da Figueira da Foz se tratasse. Já engraxou inúmeras vezes os sapatos de figuras cinzentas, várias das quais tiveram desfechos tenebrosos até em municípios e, porque não, aviões. Foi o criador do termo “estadista“, quando tecia loas a Luis Filipe Vieira; que dizia “é um homem de grande coração” a um muito mal aconselhado – pelo painel – Isaías; tentou culpar Marega por insultos racistas que sofreu; inventou o tipo de jogador “bacteriologicamente puro“, um termo no mínimo xenófobo; e quando lhe ofereceram mais dinheiro, virou as costas à SIC Notícias, que tanto o protegeu na desastrosa secção desportiva, por razões que um dia deveriam ser conhecidas no meio de excessivas cumplicidades que a todos prejudicam. 

Fico por isso sempre surpreendido quando vejo algum jornalista ou pessoa ligada ao meio a tecer-lhe elogios por “independência”, e questiono se a maldição deste país é ter uma proporção anormal de gente ignorante por metro quadrado, com ou sem canudo, com ou sem estatuto. O “perfil psicológico” de Rui Santos não é mais que um reflexo da mediocridade que nos assola. À mulher de César não basta parecer, e somos infelizmente excessivamente profícuos nessa característica imensos séculos depois. Culpa de todos, inclusive minha, pois quem sabe ser problema, algo que esse senhor nunca será capaz de reconhecer após décadas como actor, talvez um dia possa ser parte da solução. 

Algo que Rui Santos nunca será pois não tem capacidade para esse papel, e nem o dia-a-dia é o palco de teatro no qual actua, nem ele personifica os poemas que de modo arrogante canta sobre si próprio diante dum espelho distorcido. Pelo menos Lili Caneças, à sua maneira, é verdadeiramente mais fiável e genuína. 

Até à próxima. 

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2 Comentários
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Richituga

Tiro o Chapéu a esta crónica!!!

Sem tirar nem pôr.

A entrevista de hoje será a prova disso.

L SL

sergio

Desde que trabalhou como jornalista e que o Carlos Queiroz e outros da federação lhe deram a mão,ficou para todo o sempre em divída .