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Segunda-feira, Agosto 08, 2022

Sporting: A (nova) P*ta do Mendes

Já sei, já sei, a equipa de futebol do Sporting está a ganhar por isso qualquer análise crítica à situação actual do clube… entra a cem e sai a duzentos.

Mas descansem. Vamos começar esta crónica com algo de positivo: temos de dar mérito ao Croquettismo! Perceberam a essência de grande parte dos adeptos do Sporting: basta colocar a equipa de futebol masculina a ganhar jogos e o resto… não interessa para nada.

Obviamente que a atribuição do mérito devia estender-se ao facto de, efectivamente, terem conseguido contratar um treinador que colocou a equipa a ganhar jogos (e títulos). Mas não é esse o caso. Aliás, só ingénuos ou mal intencionados acreditam que alguém que geriu tão mal duas temporadas do futebol do Sporting aprendeu, subitamente, a fórmula vencedora que agora parece existir no clube.

A realidade nua e crua é muito mais simples de explicar. No final de Fevereiro de 2020 a incompetência destes órgãos sociais para gerirem o futebol do clube era mais do que evidente. Silas, o terceiro treinador do projecto, tinha acabado de ser despedido e os Sportinguistas estavam em polvorosa, protestando e pedindo a demissão desta direcção. Em pânico, Varandas pede ajuda a um dos principais patrocinadores que o levaram ao poder: o agente Mendes. Este, percebendo a incompetência aguda do “seu” presidente, toma uma medida drástica: o futebol do Sporting passou a ser gerido pelo próprio Jorge Mendes.

Com a “fórmula” Mendes ao leme o futebol do clube começou a vencer. Pelo meio, acumularam-se os negócios ruinosos para o clube mas proveitosos para o agente. Mantendo a equipa a carburar, Mendes tem tido mão livre para endividar a SAD do clube a coberto do sucesso desportivo momentâneo. Esse é um dos motivos pelos quais o Sporting vive neste interessante paradigma: o sucesso futebolístico tem cada vez mais equivalência no afundar do clube em termos financeiros. Essa aliás, tem sido a “marca de água” que o agente deixa por todos os clubes portugueses onde a sua “influência” se faz sentir: em troco de sucesso desportivo mais ou menos esporádico, os clubes empobrecem e Mendes enriquece.

Em jeito de comparação, nesta altura o Sporting parece aqueles tipos que ao falharem constantemente na vida amorosa, resolvem contratar os serviços de uma acompanhante de luxo. Durante uns tempos são os maiores e motivo de inveja dos garanhões lá do bairro. Pavoneiam-se com a beldade a seu lado, fazendo figura de machos latinos e conquistadores irresistíveis. Nos bastidores, a dama está a sugar-lhes o dinheiro e as finanças dos indivíduos entram, mais tarde ou mais cedo, em rotura completa. Quando tal acontece, a realidade nua e crua vem ao de cima e a senhora vai prestar serviços para outro lado.

Este Sporting vive de aparências. Vive na aparência de que tudo está bem enquanto a casa arde. Vive na aparência de competência directiva quando o mérito é de terceiros. Vive na aparência de prosperidade enquanto as finanças se afundam. Vive na aparência de um projecto a longo prazo quando a única intenção é manter o poder a todo o custo. Vive na aparência de um clube dos sócios quando os mesmos já se demitiram da sua condição de associados. Vive na aparência de um sucesso fugaz que compromete o futuro do clube.

Enquanto isso, Mendes e companhia desfrutam ao máximo dos benefícios que a nova “meretriz” lhes proporciona: liberdade para negócios obscuros e bizarros, completo controlo de quem está à frente do clube, um novo componente no carrossel internacional de lavagem de dinheiro e sangue novo para gerir e tirar rendimentos. Um paraíso! Pelo menos até ao dia em que uma nova oportunidade apareça ou… as autoridades façam o seu trabalho.

Por fim, toda a legião de sportinguistas que gozavam (seria inveja?) com os nossos rivais, quando os mesmos estavam sujeitos às “tropelias” do agente Mendes, parecem ter desaparecido na penumbra de uma manhã de nevoeiro. Isso ou sempre foram iguais aos adeptos dos outros clubes que tanto criticavam. Ironias do destino.

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