RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quarta-feira, Julho 28, 2021

Legitimidade Democrática: A Inexistência na Presidência de Frederico Varandas

Ouve o artigo

Everything is politics” 

Thomas Mann, The Magic Mountain, 1924, p. 515 (Eng. Ed. 1955)

Começo com esta citação de Thomas Mann, garantindo que irão perceber a razão do seu uso, tentando ser simples na explicação para não adormecerem no processo, pois irão ser posteriormente abordados, entre outras figuras e factos concretos, Miguel Braga, Albuquerque, Baltazar Pinto, ou até mesmo Godinho Lopes. 

  1. Quando o Desporto/Futebol é Política
  2. Os Verdadeiros e os Falsos: Sectarismo
  3. Precedente: O Candidato Clínico 
  4. O Rei Mago Baltazar Pinto: Mirra e Camelos
  5. Legitimidade Democrática: A Inexistência no Presente
  6. Legitimidade Democrática: A Inexistência na Génese 
  7. Água e Azeite: A Expulsão de Godinho Lopes 
  8. Bónus “Democrático” Final: PLMJ

Têm surgido nas últimas semanas várias movimentações de potenciais candidaturas, que finalmente começaram a adquirir contornos minimamente palpáveis. A actual direcção não se deixou ficar, encetando em alguns ensaios mediáticos fora de tempo, propaganda, e arrumando com Miguel Albuquerque, quiçá por paranóia visto que ele contribuiu para a eleição da mesma e não abandonou o barco à deriva – o que se provou um erro fatal. Para já, a respeito das movimentações, podem ler ou ouvir as opiniões do infindável número de cronistas e comentadores “tudistas”: juristas, publicitários, jornalistas desportivos, economistas, banqueiros, empresários, etc, que polulam o meio e o clube, apesar da escassa capacidade multidisciplinar e domínio do que é política, salvo honrosas excepções. Uma carência que leva sistematicamente vários artistas “notáveis” a darem cambalhotas (por vezes caindo escadas abaixo) ou a emitirem opiniões desconexas da realidade e da sua transversalidade, desde a sua bolha privada, sobre os mais variados temas. Amiúde não é por maldade ou cumplicidade, que obviamente existe até pelas identificáveis redes de ligações, mas por profunda incapacidade, disfarçada sob um manto de retórica (es)forçada. Ainda não será nesta ocasião que essas movimentações serão abordadas a fundo, pois tudo tem o seu tempo: esta opção é desde já uma opção política. 

1. Quando o Desporto/Futebol é Política 

Quem pensar que irei abordar a promiscuidade entre o mundo do desporto e o meio político (figuras e instituições), desengane-se. O foco é distinto e podem desde já saltar para o tópico seguinte, visto que esta parte é acessória e um eficiente somnífero. O título do tópico utiliza “desporto/futebol” com intencionalidade, deixando à vossa imaginação o porquê face ao fenómeno nacional, que não é fruto do acaso nem de mera paixão.

A concepção de “política” não é fechada nem estática, existindo teorizações estreitas e alargadas, todas potencialmente válidas consoante a escola de pensamento ou abordagem. O simples acto cordial de cumprimentar ou ignorar alguém conhecido na rua pode ser considerado um acto político dependendo das repercussões pretendidas. Um beijo que desafie meras convenções sociais, mesmo sem infringir leis (que existem em vários países, por exemplo sob a forma legislada de “indecência moral”, vaga ou concreta), pode ser considerado um acto político. Os beijos de desprezo em AG por parte de Varandas a 10/10/2019 foram inquestionavelmente um acto político. Uma residência que não seja unifamiliar é – na minha concepção – um cenário de exercício de micro-política através da negociação de regras e dinâmicas de “poder”, culminando por vezes num acto de guerra, segundo as convenções caseiras, com o lançamento de um prato e a potencial activação do sistema de defesa através da evasão, devolução do lançamento de objecto, ou a aconselhável fuga imediata do território; e um eventual telefonema posterior para a negociação dos termos de rendição, que se querem pouco humilhantes – uma lição aprendida com o seguimento da Primeira Guerra Mundial. 

Os clubes desportivos de grande dimensão têm uma vertente política fascinante, por vezes assustadora e tenebrosa quando conhecida a realidade, como os leaks permitiram comprovar. Essa componente política não se limita à concepção abstrata de “poder”, sendo concreta de várias formas. Manifesta-se desde a simples contratação de um jogador sonante (influência intencional sobre a massa adepta), movimentações de bastidores, redes informais de segurança e informação – por vezes formais como o famoso Gabinete de Crise – até às movimentações de lobbies diversos de várias esferas e think tanks (por exemplo, o Grupo Stromp do advogado Tito Arantes Fontes, desempenha um infeliz papel híbrido na sua devida escala).

Num campo mais próximo das Relações Internacionais, a relação entre os três grandes é mediatizada como uma balança de poder, teoria desacreditada, sendo na prática (até mediática) mais próxima de uma balança de ameaça (Stephen Walt); desenganem-se quando refiro três grandes neste cenário, pois mediatismo e lirismo à parte, existe uma bipolarização real há décadas, desempenhando o SCP o papel de outsider. Quando esse cenário foi verdadeiramente ameaçado, verificou-se uma ofensiva de magnitude impensável – reflete na verdade a percepção da força da dita ameaça – com o apoio de aliados internos que viriam a ascender ao poder num autêntico “espírito de missão”: auxiliando a “potência” que estava debaixo de fogo e em posição delicada, obtiveram o auxílio dos seus meios (reinserção na rede Mendes, imprensa, cartilheiros), e a sua constante validação. Renasceu assim o “coitadinho”, no exacto papel que lhe era desejado.

Rui Pedro Braz, conhecido pela ligação ao SLB e a Jorge Mendes, com tempo de antena ilimitado sobre todos os temas imaginários, sem moderação nem contraditório(9/3/2019)
À direita de Tavares Pereira, Mário Fontemanha, ex-advogado de Rafael Leão. Na segunda imagem o que disse ao Record (15/5/2020), sem ser identificado ao pobre leitor o seu papel e ligação a Rafael. Sobre mentiras que caíram envolvendo-o, podem ler aqui

Foram feitos ensaios de charme puramente estéticos, como um tímido e inconsequente “SLB Vida Selvagem” num já longínquo Dezembro de 2019, e um mais recente, vocal e confortável contra o FC Porto, até pelo referido. O tom elevou-se ainda com uma resposta agressiva contra Pinto da Costa, após Varandas utilizar o motor de pesquisa Google pela primeira vez, numa altura em que os Órgãos Sociais vêm de uma humilhante derrota em AG condicionada – vários clubes tiveram discussões em lugar de meras votações – e enfrentam diversos requerimentos com vista à destituição. Estéticos, porque são oportunistas, pensados e forçados: é política. 

Os adeptos contestatários, curiosamente na maioria mais hostis à dita “potência” ameaçada, tornaram-se desde o primeiro dia “o inimigo” a vilipendiar e a abater – uma estratégia usada por diversos regimes apoiados por potências externas ao longo de muitas décadas, e que visa somente a auto-preservação como finalidade; não vou dar exemplos comparativos ilustrativos, seria ofensivamente reducionista sobre realidades complexas e graves (ocorre demasiadas vezes na imprensa por ser fácil mas intelectualmente errado): basta o exemplo que temos. 

Sendo o tema “legitimidade democrática”, era essencial, na minha opinião, fazer primeiramente um enquadramento que permitisse chegar ao ponto fulcral antes de entrarmos mais adiante nos factos: as suspensões e expulsões de vários membros do anterior CD foram um acto político, cuja formalidade podia ser revestida das mais diversas formas criativas. Um mero expediente a ser preenchido e que visou dois objectivos concretos de política pura e dura a concretizar: afastar a oposição e assumir por todos os meios um poder incontestável

2. Os Verdadeiros e os Falsos: Sectarismo

Fomos os primeiros a acabar com uma guarda pretoriana paga para fazer o trabalho sujo de uma direção.
Frederico Varandas, a caluniar e a mentir com todos os dentes, 9/11/2019

Não é necessário recuar muito no tempo e repetir exemplos tão conhecidos quanto ofensivos para encontrar prova de um sectarismo sem paralelo como imagem de marca desta direcção. Assim ditou o recurso obcecado ao uso de todos os meios contra um inimigo interno, o que é característico de quem apenas procura subsistir. O senhor Miguel Braga, o rosto mais visível do departamento de comunicação do clube, integrando o “Conselho Estratégico da Sala de Pânico”, voltou a brindar os adeptos no dia 15/10/2020 com uma distinção no seu blog pessoal no website do Sporting: existem “os verdadeiros Sportinguistas“, e existem os outros; um maniqueísmo inaceitável que prossegue o bombardeamento de insultos institucionais reiterados contra milhares de pessoas, possivelmente muitos mais do que o número que elegeu estes Órgãos Sociais em eleições condicionadas. O senhor Braga, sendo um funcionário assalariado, é um “verdadeiro Sportinguista”? Convido-o a trabalhar pro bono para mostrar a todos o quão genuíno e puro é o seu sportinguismo. 

O Presidente mais sectário da história centenária do SCP, num exercício preparado que se viria a provar demagógico e cínico. 

Acrescenta que ter fé na equipa “faz parte de nós, da nossa dedicação e devoção aos nossos jogadores e ao nosso Clube.” Peço imensa desculpa mas dedicação e devoção a jogadores nada tem a ver com o lema do clube e entra no campo do fetiche masoquista. Algo já ensaiado no amador draft estratégico Regresso ao Futuro (14/5/2020), no surgimento oficial de André Bernardo, que na verdade se encontrava na sociedade Sporting Comunicação e Plataformas S. A. há muitos meses (percebem agora a repetição dos chavões “casa de papel” e “idade da pedra”?) , em que é referido que “o principal activo do Sporting CP são os seus atletas e colaboradores” (p. 15). 

São os jogadores, principescamente pagos num clube enorme e teoricamente dos seus sócios e adeptos – são estes que permitem desde vendas de merchandising até aos milionários contratos televisivos – que têm de mostrar dedicação e devoção: ao emblema, ao clube e aos adeptos em geral. Teve no entanto a arte involuntária de conseguir mostrar na ex-SportingTV que Frederico Varandas engana de forma compulsiva, nesta ocasião em relação às claques, como pode ser visto em vídeo aqui

“À 3ª jornada o Sporting era líder do campeonato nacional. O que é que é mudou? Os privilégios que estes senhores (claques) não têm. Não têm. Que com esta direcção nunca mais voltam a ter! Nunca mais voltam a ter.” 

Frederico Varandas, 10/2/2020

“(Varandas) tentou por mais do que uma vez criar entendimentos. Segundo fui informado, o protocolo em questão que estava para ser assinado ou que chegou a ser assinado, era dos melhores protocolos de sempre que havia entre um clube e um GOA (Grupo Organizado de Adeptos). Não é suficiente para estes senhores (…) “

Miguel Braga, 12/10/2020

O protocolo de Julho de 2019, difundido pela Juventude Leonina na sua página de Facebook, no qual Frederico Varandas riscou uma dívida de meio milhão de euros imputada pela anterior direcção e considerado mais vantajoso face ao que anteriormente figurava, está disponível para consulta. Fica provado que Miguel Braga disse a verdade, algo raro quando esmiuçado, e que inadvertidamente mostrou que Frederico Varandas mentiu.

Os membros desta direcção e respectivos subordinados nunca assumem qualquer responsabilidade como adultos excessivamente bem remunerados para a (in)capacidade, escusando até o prejuízo da negociata Vietto, “um sonho” segundo Varandas e a sua primeira venda de um jogador adquirido por ele, com… Alcochete (podem ver aqui). Mentem com demasiada facilidade, como pela enésima vez é provado ao afirmarem que Vietto e Petrović tinham um salário idêntico (Vietto auferia quase o triplo), algo que é difícil de qualificar de forma educada. É extenuante pela falsidade de imensos números que já atiraram para a praça pública de forma leviana, incluindo o senhor Francisco Zenha, que por fim reconheceu em AG da SAD a inexistência do “protocolo Wang”.

Tendo referido no tópico anterior o ataque ao FCP e a Pinto da Costa, não podia faltar em simultâneo um ataque interno contra “o inimigo” por excelência, com recurso ao aliado grupo Cofina, para afastar Miguel Albuquerque e um novo ataque a adeptos. O caso de Albuquerque é particularmente paradigmático, pois já era um caso conhecido quando ele foi usado e se deixou usar pela candidatura de Frederico Varandas, passando do Futsal para Director-Geral das Modalidades (9/2018), apesar dos avisos que ignorou. Reforçou estes Órgãos Sociais e não deu o devido mérito a quem catapultou com condições magníficas as modalidades do clube até à almejada hegemonia nacional, apesar de ter trabalhado com várias direcções que as enfraqueceram e fecharam nas quase duas décadas que Albuquerque leva de clube. Tendo a sentença dos actos pessoais condenáveis sido decretada há mais de um ano, foi-lhe agora apresentada subitamente a rescisão, (re)forçada com um ataque feroz premeditado para justificar uma suspensão. A mão dada a alguém com o cadastro de Fábio Paim (4/7/2020), que logo rumou à Polónia, é demonstrativa da total ausência de princípios: é tudo fachada. É um perverso modus operandi, como podem ver aqui relativamente ao que aguardava Augusto Inácio após a tomada de posse deste CD em 2018. Podem ainda ler sobre o afastamento de Carlos Galambas, ex-Director do Andebol. 

Os adeptos voltaram a ser alvo de fábulas com maledicência, acusados de um comportamento (imagem seguinte) que é recorrente no médico fisiatra que preside o CD, visto frequentemente sem o uso de máscara ou distanciamento adequado, até mesmo no período em que foi forçado a apresentar-se ao serviço pela declaração do Estado de Emergência (que suspendeu o expediente da Junta de Odivelas, antecipando-se mal se soube da assinatura do mesmo, num circo mediático de Terceiro Mundo, tendo abandonado a “missão” assim que passou a Estado de Calamidade; voltará só forçado, apesar dos números recorde da segunda vaga de Covid-19).

Não satisfeitos, através de Miguel Braga lançaram ainda mais lama contra adeptos devido a insultos a Coates, que se ouvem num estádio despido, pelo falhanço no golo sofrido frente ao Santa Clara, com amplo destaque consequente no amigo Record (27/10/2020), apesar de ser algo habitual em qualquer bancada, nas redes sociais, e até no sofá; ao invés de agradecerem a deslocação aos Açores em plena pandemia. Num curto espaço de dias, após o ataque concertado a Albuquerque, após novo obsessivo ataque a adeptos, avançaram ainda nessa a edição do jornal desportivo da Cofina com uma propaganda infantil e embaraçosa sobre camadas de tinta (manipulando os tons de fotos e referindo “humidade“) e formação (há pouco diziam destruída, aconselhando que vejam este vídeo) – uma sequência repetitiva imprópria para consumo, doentia, característica desta direcção e da parceria mediática tão… encarnada. 

Duas capas seguidas do Correio da Manhã, aproveitando o CD para declarar a suspensão de Albuquerque para pressionar a rescisão já pretendida, seguido de um insulto violento a Pinto da Costa, e um destaque falso no Record contra adeptos que se deslocaram aos Açores para apoiar a equipa. 

Se vamos colocar as coisas em termos maniqueístas detestáveis, de verdadeiros e falsos, que atingem sistematicamente muitos milhares de pessoas, talvez o sectarismo e as baixas jogadas político-mediáticas da cúpula ajudem a definir quem é o quê. 

 3. Precedente: O Candidato Clínico

Tudo tem o seu precedente, e uma vez criado, se equivalente na forma e substância, não pode em momento algum ser ignorado: é uma questão de memória, de consciência dos factos e de coerência.

A actual direcção do Sporting Clube de Portugal, suportada na conhecida e malfadada – com raríssimas excepções – ala “notável” de alguma coisa ininteligível, apresentou a candidatura sem eleições marcadas, pressionando demissões, mexendo-se nos bastidores com promessas e ultimatos, e com uma máquina de comunicação por trás, a LPM. Tal como foi bem explorado num artigo do Rugido Verde (escusa um aspirante a Sherlock Holmes de algibeira de identificar o óbvio estilo semelhante; num trabalho conjunto cada um dá o contributo específico que pode, sendo o superficial/final, infelizmente, o menor de todos) contou ainda com o respaldo do grupo Cofina. 

Ao post no Instagram, a mesma rede social utilizada por jogadores num texto conjunto instigado por dentro e por fora, seguiram-se de imediato entrevistas combinadas em vários Órgãos de Comunicação Social. 

Não pode em momento algum ninguém ligado aos actuais Órgãos Sociais, seja até um mero apoiante ou ex-apoiante, reclamar seja o que for a respeito de rumores, intenções ou movimentações de candidaturas. Aceitaram e abraçaram a premissa apesar dos avisos. Vou mais longe: nem sequer a respeito da formalização das mesmas a qualquer momento e dos seus esforços. Seria necessária uma lata do tamanho da Austrália para o fazerem sem um ataque de riso. Os chavões moralistas que tentarem clamar o “superior interesse do clube” não são mais do que um mero recurso retórico enganoso: não têm o direito nem a legitimidade de o invocar nesta matéria. 

Após várias aparições, peças encomendadas sobre ele e intervenções, a primeira “grande entrevista”, concedida ao jornal Record do grupo Cofina. (6/6/2018)

Se existem pessoas que por coerência têm autoridade para proferir determinadas afirmações e opiniões, existem também aquelas que se tivessem vergonha na cara optariam pelo jubilamento definitivo a todos os níveis, fechavam a “Voz de Prisão” de ventre, e desapareceriam de cena. Refiro-me a personagens como Joaquim Baltazar Pinto, Sérgio Abrantes Mendes, Carlos Cruz, ou Henrique Monteiro & Associados, não se restringindo a estes nomes. Mesmo não sendo eu “gente de bem” segundo os critérios de tão excelsos senhores de feitos memoráveis por desvendar – uma estreia na vida tal catalogação e as adjectivações que se seguem – já me senti insultado de todas as formas e feitios por gente ligada directa e indirectamente a estes Órgãos Sociais, com piropos que vão desde “burro” , “porco“, “anormal” ou “escumalha“. Noto que ainda não fui chamado de “bandido”, mas aceito preventivamente. 

Enfio humildemente a carapuça, pois quem sou para pôr em causa insultos sistemáticos de pseudo-elites circenses e os seus papagaios de tostões, cuja auto-concepção de grandeza é imperceptível para um mero insecto maléfico como eu. Como é intrínseco à minha atribuída reles natureza, vou prosseguir nas instintivas picadelas. 

4. O Rei Mago Baltazar Pinto: Mirra e Camelos 

Quase todos recordamos a utilização do ex-jornal Sporting para promover a manutenção das já decretadas suspensões, e as expulsões de Trindade Barros e Elsa Tiago Judas. A Assembleia Geral a ter lugar a 15/12/2018 foi estrategicamente (i.e. politicamente) marcada por Rogério Alves dois dias após a surreal detenção de Bruno de Carvalho. Nem duas semanas antes da mesma começou a oportuna divulgação de áudios dos interrogatórios de Cândida Vilar

Capas apenas do Correio da Manhã dos dias 2 e 3/12/2018 (acima), 12 e 13/12/2018 (abaixo). 
Capa do ex-jornal, com um imponente e superlativo Baltazar Pinto, difundida pela conta de Twitter do clube. (13/12/2018)

Após um deslize no dia 2 de Outubro na Antena 1, em que admitiu sem intenção ser um perfeito ignorante e um potencial alucinado em conclusão, o enorme liliputiano Baltazar Pinto, Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar destes Órgãos Sociais, ressurgiu com o esplendor do sol que lhe é característico no dia 10 de Outubro de 2020 para emendar a mão. Entre uma série de temas sobre as quais não tem o direito de pronunciar-se devido ao cargo que ocupa, teve a seguinte tirada que já conhecem, afirmando que “além disso, não foram os Órgãos Sociais que o (BdC) expulsaram” (Record). 

Enveredou posteriormente numa explicação torpe, misturando um recurso agendado para ter lugar durante a fase de Instrução de Alcochete (imagem seguinte) com a decisão tomada pelo seu Órgão Social, numa mixórdia só ao alcance de um iluminado nato ou da sua antítese. Sem a decisão do CFeD que preside, nem a expulsão nem a AG de recurso à mesma teriam existido. 

Quatro dias após ser conhecida a data da instrução de Alcochete, Rogério Alves agendou a AG de recurso (coincidência número um), de forma a coincidir com o início da instrução (coincidência número dois) e sobrarem notícias e painéis a difamar e caluniar Bruno de Carvalho. “Everything is politics

O CFeD expulsou Bruno de Carvalho e Alexandre Godinho no dia 1/3/2019, com a suspensão de vários outros elementos (irei referir alguns mais tarde, pois não admito jogadas políticas sujas contra ninguém), poucos dias após a célebre conferência dos colchões. Para pavimentar esta decisão do CFeD, na ausência de eventos a respeito da acusação de Alcochete, soltaram dias antes, em conferência de imprensa, e pouco depois, parangonas na imprensa com soundbites preparados sobre uma auditoria que resultou em rigorosamente nada, sendo possivelmente o conteúdo da mesma o mais limpo e cristalino de todas as auditorias que foram realizadas a anteriores direcções nas últimas décadas. 

Nada foi deixado ao acaso. Observem com atenção o que fizeram para solidificar a aceitação da decisão de expulsão por parte do CFeD:

– Conferência de Batuque e colchões a 22/2/2019;
– “Acuña teme Bruno”, Correio da Manhã a 24/2/2019;
– Expulsão pelo CFeD a 1/3/2019;
– “Bruno Expulso do Sporting arrisca dois anos de cadeia”, Correio da Manhã a 2/3/2019;
Leak da auditoria a 15/3/2019 (servidor de A Bola);
– Peça Batuque: “Sporting paga por jogadores fantasma”, Correio da Manhã a 19/3/2019; CMTV;
Notícias autorizadas sobre a mesma a 10/4/2019 (Record e Correio da Manhã) e a 11/4/2019 (A Bola). 

Alguns dos destaques acima mencionados, apenas na imprensa escrita, devidamente acompanhados por discussões infindáveis em painéis cartilhados e monocórdicos. 

Para os desnorteados que ainda não percebem quem foi responsável pelo leak, basta dizer que após colocação em servidor, uma mera acção cautelar teria impedido a divulgação e notícias subsequentes, por possuir dados vitais (vencimentos) e confidenciais. Vou coibir-me de falar no período e cobertura mediática negra que ocorreu à volta da posterior Assembleia Geral de recurso à expulsão (6/7/2019), pois desviaria o foco. Ninguém conhecia os fundamentos, era entrar, votar e sair, sendo que o ruído sobre a instrução de Alcochete era novamente insuportável e o único motor. Foi mais uma jogada puramente política e tão intencional que até uma criança de 12 anos conseguiria aferir este facto. 

No entanto, após uma profunda reflexão de 15 segundos, já mudei de ideias – isto das cambalhotas é contagioso. Como o insecto desprezível que sou considerado, tendo sobrevivido aos químicos da empresa Monsanto, eu disse que ia picar, por isso vou adicionar um elemento a respeito dessa AG. 

Sua majestade Rei Baltazar, cavalgando montado em toda a astúcia de Rogério Alves na marcação cirúrgica dos eventos, não perdeu a oportunidade de nos brindar com a sua independência e distanciamento. Não bastando a campanha mediática negra, dois dias antes da AG de recurso à expulsão ter lugar ele brindou-nos com a sua aparição do alto da sua sabedoria e orientação divina (4/7/2019), desdobrando-se em entrevistas para deleite individual dos microfones, afirmando que da decisão dependeriam futuros títulos para o Sporting.

O Sporting precisa de estabilidade, e esta (AG) é que vai decidir se para o futuro há estabilidade ou não, para que o Sporting possa rumar… ao título e aos títulos todos que tem se (imperceptível)” 

Baltazar Pinto (TVI, 4/7/2019, tendo feito declarações semelhantes a vários outros OCS)

Calma, ele foi mais longe, não se podem esquecer do longo percurso através do deserto, montado num camelo, que caracterizou a história bíblica do Rei Mago com o mesmo nome. Em declarações à Sporttv nesse mesmo dia, questionado se o seu Órgão Social não estaria a ser atacado pelos sócios por estar “a puxar” pela expulsão de Bruno de Carvalho e Alexandre Godinho, o generoso Rei Mago Baltazar oferendou um pouco mais de mirra:

Bem, ehm, é atacada pelos sócios, não! É atacada pelo serfs..(imperceptível) por uma minoria muito pequena (sorriso rasgado e deslumbrante) dos apoiantes dos sócios que, a quem foi aplicadas as penas de expulsão. Não são os sócios! Há que ver que a ‘universialidade’ dos sócios estão de acordo com a decisão do Conselho Fiscal e Disciplinar” 

Baltazar Pinto (Sporttv, 4/7/2019)

Ao contrário dos Sportinguistas, poucos conhecem ou ouviram falar dos Presidentes dos CFeD do FCP e do SLB, talvez por não serem tão majestosos, ou porventura por questões de integridade física. 

Podem sempre ir pela explicação mais verosímil, que enquadra tais atitudes, ficando ao vosso critério: foi tudo, além de um ego desmesurado, uma necessidade política para actos puramente políticos.

5. Legitimidade Democrática: A Inexistência no Presente 

“(…) the government is not legitimate unless it is carried on with the consent of the governed” 

John Locke, sec. XVII (R. Ashcraft, John Locke: Critical Assessments, 1991, p. 524)

Encadeando ainda com o tópico anterior, sua majestade Rei Baltazar, que um dia terá a sua grandiosa história contada em manuscritos perdidos a serem localizados numa cova do Principado da Fuseta, parece estar imbuído com um espírito absolutista ao invés de natalício. 

Foi recentemente revelado por José Ribeiro e por Carlos Vieira no Leonino que, ao contrário do que sucedeu com outros membros suspensos, e ao contrário do que era prática no passado em caso de suspensão, o ex-Vice-Presidente e Administrador da SAD foi impedido de regularizar as quotas em atraso com o fim da suspensão. Frederico Varandas ignorou vários pedidos de esclarecimento ao respeito, para no fim confirmar que a táctica transmitida pelos serviços era concertada, de modo a que Carlos Vieira não se possa recandidatar nos próximos cinco anos. Esta decisão parece contar com a total concordância e conivência de sua majestade, ou não fosse ele, Baltazar, um elemento completamente alinhado com Frederico Varandas e com Rogério Alves, contrariando os estatutos do clube. Isto também é apenas e só política (suja), não tendo nada a ver com regras, pois como referido, não era prática no passado. 

Podem encontrar o artigo referido com informação adicional no seguinte link da plataforma derivada da destituída ou despedida Youngnetwork, do Pedro e do CEO João – como escreveria a “redacção” – apesar das reacções muito negativas dos próprios seguidores, num fenómeno designado por ratioed. Espero que a clonagem de termos não seja desagradável, pois certamente também não era a intenção da plataforma. Correcto? 

Entremos agora novamente, de forma breve e ligeira, em teoria política e no significado de “legitimidade democrática”, conceito principalmente dissertado a respeito de instituições soberanas no abstracto (da sua existência até à sua reinvenção) e do governo de um povo no concreto (uma temática mais abrangente que vai desde tradição até cidadania), pois não gosto de ver este conceito invocado por quem o fez, não lhes reconhecendo legitimidade intelectual nem académica para o vulgarizarem, muito menos em causa própria – implica desde logo uma subversão. 

A palavra democracia tem origem na junção dos termos gregos dêmos (povo) e kratía (força): a democracia é na sua essência a manifestação da vontade/força do povo. A legitimidade democrática tem de advir dessa mesma vontade/força, ou a palavra “democrática” teria logo de ser riscada. Legitimidade democrática e legitimidade de governação formal são duas coisas muito distintas. A legitimidade democrática não é uma formalidade num papel e que é determinada e finalizada na eleição, mas antes um processo dinâmico, de avaliação e supervisão contínua, como é provado por ter de se sujeitar à aprovação de orçamentos e outros instrumentos de governação; um eleito não tem um direito adquirido, mas antes um que lhe é temporariamente atribuído baixo determinados pressupostos apresentados e expectativas criadas em que se acredita. 

O princípio da desconfiança em promessas de governantes em regimes democráticos, assente em inúmeras lições históricas, e a necessidade de provar a palavra com acções, está na base não só de um limite máximo temporal até novo julgamento/avaliação por parte do povo (o final de mandato, variando geralmente entre 3 a 5 anos em democracia) em caso de desejo de continuidade dos governantes, como na existência de uma série de mecanismos/entidades que visam supervisionar várias esferas da governança de forma contínua, desde a vertente financeira à legal. Não se fica por aqui, pois existem ainda outros mecanismos de salvaguarda que visam colocar um fim antecipado ao mandato pelas mãos do próprio povo, por vezes de forma delegada (e.g. o Presidente da República eleito pode dissolver o parlamento ou demitir o governo, mas também ele pode ser destituído), por vezes de forma directa (como sucede no clube através da soberania infelizmente apenas teórica da Assembleia Geral). 

Alves (MAG) , Varandas (CD) e Baltazar (CFeD)

O Órgão Social de Baltazar Pinto e seus subalternos, o Conselho Fiscal e Disciplinar, é um desses mecanismos de supervisão e regulação. Falhou de forma grosseira de formas conhecidas, que podem ser enumeradas de forma minuciosa por outros, mas que sumariamente vão desde inacção perante infracções disciplinares de membros de outros Órgãos Sociais, desprezo implícito e explícito por associados, utilização dos meios do clube (tv, jornal) com finalidade política, selectividade na abertura e arquivamento de processos, até à derivada completa falência de independência e autonomia. O CFeD perdeu por completo a legitimidade democrática. 

O mesmo se aplica ao Conselho Directivo. Não importa se com 20% ou 80%, alguém eleito possui a obrigação de cumprir o prometido ao seu eleitorado, e ainda de procurar pontes consensuais dependendo da margem obtida, em que exista convergência de fundo com o eleitorado alargado que não o elegeu, pois passa a governar de forma executiva o clube de todos. Quanto menor a margem de vitória, mais premente se torna: tudo reside no carácter e na dimensão das pessoas eleitas, e não em modelos teóricos importados recorrendo a marketing primário (o nome de um clube estrangeiro por ex.) como panacea, tal como é historicamente comprovável pelo rumo diferenciado de regimes semelhantes consoante a liderança, e a corrosão de origem interna de modelos aparentemente sólidos. Podemos até descer na escala de análise e incluir a esfera das falhadas entidades reguladoras de Portugal para perceber a fácil falência e subversão humana de modelos teóricos. Daí a importância em conhecer as figuras, com quem se articulam (e reúnem… ), bem como os objectivos políticos por trás das camadas superficiais – uma necessidade desagradável fruto da realidade do clube.

O Conselho Directivo falhou a esmagadora maioria das promessas, isolou-se num casulo de soberba, foge e evita os eleitores (sócios) bem como os núcleos e os adeptos, encomenda ataques mediáticos aos mesmos, intensificou as clivagens internas com intencionalidade, faltou à palavra por diversas vezes e mentiu comprovadamente outras tantas, e é manifestamente incompetente. Desportivamente, proporcionou a época com mais derrotas de sempre e foi incapaz de contratar um único jogador que desse lucro em dois anos. Vendeu vários jogadores abaixo do preço de mercado enveredando pelo exacto oposto em contratações a retalhos, implementando pelo caminho uma política de comissões inusitadamente omnipresentes (compras, empréstimos, vendas) que terá de ser alvo de uma auditoria forense/judicial pela extravagância – fica o alerta a potenciais candidatos de que é um imperativo moral. Viu chumbados de forma esmagadora e com adesão muito acima da média o Orçamento do clube e ainda o Relatório e Contas do exercício transacto, algo de que não tenho sequer memória. Aos sinais de descontentamento crescente e protestos de magnitude histórica, o CD respondeu intensificando todas as falhas que lhe eram apontadas como se estivessem a lidar com inimigos a abater. O Conselho Directivo perdeu por completo a legitimidade democrática. 

Chegamos por fim à Mesa da Assembleia Geral. A Mesa e o seu PMAG infringiram estatutos de forma reiterada, marcaram Assembleias Gerais ora em datas com o intuito de aproveitamento político-mediático ora num dia de semana para evitar adesão. Usaram a pandemia para adiar AGs e impedir o debate e discussão, ao contrário de Benfica, Porto, Rio Ave, Vitória de Guimarães ou Boavista. Recusaram requerimentos legais à Mesa, permitiram que o voto deixasse de ser secreto pela implementação de códigos de barras e numéricos, sobrepuseram a sua opinião aos estatutos sem dar cavaco a ninguém com os cargos a especificar liderarem somente a MESA – sendo um Órgão subalterno à Assembleia Geral – minando o regular e estatutário funcionamento da mesma. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral e a restante Mesa decorativa perderam por completo a legitimidade democrática. 

Não sobra uma única réstia de legitimidade democrática aos actuais Órgãos Sociais do clube. Subsistem nos cargos somente por via do congelamento dos mecanismos de supervisão em primeiro lugar, de cessação de mandato em segundo lugar, e de esvaziamento premeditado do exercício dos poderes soberanos da Assembleia Geral em terceiro e último lugar.

6. Legitimidade Democrática: A Inexistência na Génese 

Não aceitam viver com as regras da democracia

Frederico Varandas, 9/11/2019

Peço-lhes que tenham calma e respeito por quem ganhou as eleições

Baltazar Pinto, 10/10/2020

Se primeiro quis explanar a perda total de legitimidade democrática de todos os Órgãos Sociais, agora vou abordar o porquê da situação ser ainda mais subversiva. Legitimidade democrática exige equidade, transparência e independência no processo que conduz a uma eleição. Por isso, nunca sequer a tiveram. 

Foi já relembrada a demissão do então Director Clínico e a intensa campanha cínica que começou a fazer desde esse dia, mas foi apenas uma introdução que também serviu para eliminar chavões moralistas sobre eventuais candidaturas. Vamos abordar o restante cenário circundante. 

No dia 29 de Maio de 2018 foi marcada a AG de destituição por parte de Marta Soares, cujos fundamentos verdadeiros, fora as acusações narrativas sobre Alcochete que eram o 99.9% da força da mesma e dos processos seguintes, consistiram no seguinte (a ironia face ao presente é sublime):

Resposta a Luís Gestas por parte de Henrique Monteiro, nomeado por Marta Soares para o seu Conselho de Fiscalização. (Imagem via @3Sporting) 

Conhecem a histórica campanha mediática contra Bruno de Carvalho, que incluiu pressões das mais altas figuras de estado, painéis rotativos em vários canais a caluniá-lo durante horas diariamente, insultos à porta de casa, ameaças anónimas, pressões e ultimatos no clube, e até ameaças à ex-esposa durante uma gravidez de alto risco com a divulgação intencional do seu número de telefone (15/2/2018). Estas e outras ameaças estão ao alcance de um tweet para confirmação. Outros membros do anterior CD como José Quintela foram fortemente pressionados a apresentarem a demissão. Quintela chegou a desaparecer de circulação e durante 10 dias não reapareceu em Alvalade. Esteve quase a ceder e a demitir-se com tais pressões, pois eram tão inconcebíveis quanto insuportáveis. 

Luís Gestas, que numa sessão de esclarecimento chegou a ler e a mostrar uma das mensagens que recebera para forçar a sua demissão, tendo sido transmitido pela SportingTV, foi obrigado a ir uma semana de férias para o estrangeiro de forma a não ser incomodado por gente ligada à política, cujas ameaças incluíam colocar um fim à sua carreira no meio, com ofertas de aliciamento intercaladas se cumprisse o pretendido. Estas são apenas algumas das conhecidas. Democrático, não é verdade? 

A estes factos acrescento a presença de elementos do actual CD em manifestações contra a anterior direcção, como foi o caso de Miguel Afonso, Pedro Lancastre (que se demitiu a 18/5/2020) e o membro da actual MAG, Pedro Almeida Cabral. Quando ouço falar que “este ou aquele” ligados ao ex-CD estão por trás de algo e “não pode ser”, rio-me da hipocrisia e da desfaçatez.

Manifestação de aproximadamente 300 pessoas, com vários “notáveis”, a 4/6/2018.
(Imagem de misterdocafé) 

A estes nomes somou-se o candidato a vogal, Pedro Silveira, que retirou a sua pretensão ao cargo após um leak que o tornou famoso (disponível no link), repetindo o estrelato por constar nos grupos de WhatsApp da mítica e empolada invasão à academia, sem que no entanto tenha sido alvo de qualquer investigação, o que seria normal num verdadeiro estado de direito. O anormal foi o caso estar impregnado de anormalidades, atropelos à lei, influências externas, e com algumas questões não respondidas fora da louca linha narrativa e direccionada que o Ministério Público – baixo a batuta de Cândida Vilar e do actual Presidente da MAG do SLB, o independente Rui Pereira, eleito pela lista de Luís Filipe Vieira – decidiu prosseguir e que foi completamente trucidada pelo próprio MP e pelo colectivo de juízes. Questões não respondidas, como por exemplo a inesperada presença na academia do Director Clínico (não foi certamente através do instinto mágico do fraco álibi do então colega na clínica, Dr. Virgílio Abreu) , que quase ninguém viu no evento, presenteou o tribunal com um depoimento incoerente, e decidiu sem razão lógica cancelar consultas que tinha nesse dia na sua clínica para evadir uma tocha imaginária na sua direcção – feito que mais ninguém viu; o não ter prestado auxílio médico a qualquer um dos alegados feridos, num evento de só 2 minutos – provado pelas câmaras de CCTV; o ser o primeiro membro do staff a abandonar a academia – registado em imagens; e o nome do autor e sobretudo do seu ideólogo no envio à CS de fotografias, vídeos (todos do mesmo telemóvel) e notícias falsas ao minuto vindas desde dentro, incendiando ânimos, gerando pânico e multiplicando o evento até ao ponto de um subsequente massacre mediático sem precedentes. 

Pedro Silveira na manifestação de ~50 pessoas a 12/6/2018;
Pedro Silveira e Frederico Varandas durante a campanha. 

Como se não bastasse, na própria AG de destituição a 23/6/2018, não só existiu recrutamento de voluntários por gente próxima ao futuro CD (Margarida Caldeira da Silva e João Teives, actual Príncipe do CFeD do Rei Baltazar), como vários estiveram presentes em zona de acesso limitado durante a mesma. Como sabem, a Universidade do Minho (UM) foi preterida na auditoria e fiscalização à AG (começa na acreditação), sem concurso conhecido, numa encenação de Marta Soares para dar lugar à Kreston & Associados (K&A), ligada ao grupo Cofina, com um alto quadro detentor de uma participação de 12% nessa empresa. 

Kreston & Associados e a Cofina

Vou resumir a encenação de forma cronológica, não colocando links porque acho que nesta ocasião se irão divertir no Google, assim como Frederico Varandas pôde recentemente pôr em prática pela primeira vez: Marta Soares ia pedir e exigir a UM; a UM recusou; afinal Marta não pediu, nem a UM recusou; foi parar à K&A, escolhida “por ele”, sem se saber nada do processo de selecção; acusou o CD de ter distribuído “aos serviços” o sistema de votação electrónico (guardem sempre o equipamento em armazéns do Parque das Nações) e até de não o disponibilizar, como desculpa para a sua não utilização (utilizado nas eleições de 2013, 2017 e reintroduzido por Marta nas eleições de 9/2018); mas depois a razão já era a celeridade do processo e uma opção tradicional (Jornal de Notícias na véspera).

Avançou não obstante com os famosos códigos de barra pela calada, uma ideia súbita e que se executa em minutos, pois atribuir códigos de barra com votos distintos a cada um das largas dezenas de milhares de sócios com direito de voto (somado a todos aqueles a quem eles entendessem atribuir ou reatribuir, mas não quero ainda fazer spoiler do truque) e a sua implementação num sistema que teve de ter os dados importados e estruturados, é como fazer um pudim de El Mandarin. Para não ser excessivamente malvado, deixo um link da última parte

Notícias de O Jogo e Record.Na notícia da esquerda podem desde logo notar a ausência de qualquer referência a um pedido de sistema de voto electrónico; tal pedido também não existe nas providências cautelares, detalhadas nas exigências. 

Sabem o que todas estas mentiras, esquemas, inserções, e alterações de intenções indiciam em processos de votação em qualquer parte do mundo? Se não sabem, questionem alguém com experiência no terreno da OSCE ou da UN DPPA, adicionando ao mencionado a pen com todos os dados de associados existentes levada para fora das instalações, códigos de barra e duas actas, a única conhecida apenas contendo percentagens de votação (sem nulos, sem brancos, sem números) e estando apenas assinada pelo notário: nem um único membro da Mesa demissionária a assinou. No entanto, não mostrem a imagem seguinte porque estraga toda a surpresa da revelação. 

Luís Paixão Martins, líder informal da comunicação de Frederico Varandas, 18/6/2018

Na imagem abaixo podem ver, entre outros, os então futuros membros dos Órgãos Sociais, Miguel Afonso a filmar (CD), João Teives (CFeD, um dos mentores dos fundamentos das suspensões do então CD em funções), e um descontraído Rahim Ahamad (CD), em zona de acesso limitado/reservado na Altice Arena. 

De que legitimidade democrática falam, a não ser em forma de anedota numa sitcom vulgar? 

A brincadeira com “legitimidade democrática” na génese não se concluiu na destituição. Vários de vós já conhecem a história que se segue, muitos outros não. Em meados de Julho de 2018, Henrique Monteiro, presidente nomeado da Comissão de Fiscalização de Marta Soares, foi ouvido por várias pessoas, devido à surdez de Sousa Cintra, num diálogo bem sonoro na SAD

‘Isto está a correr tudo bem, agora só falta vocês tratarem do outro,”

disse Sousa Cintra.

Qual outro? O Bruno? Ah, não se preocupe esse e os outros já estão mortos, não vão a votos. Tudo mais que tratado, ”

afirmou Henrique Monteiro

Uma semana depois saiu a suspensão que viria a impedir Bruno de Carvalho e Carlos Vieira de concorrerem às eleições, pedindo em simultâneo a expulsão de BdC. Ainda, os núcleos foram coagidos a não receber Bruno de Carvalho e Carlos Vieira. O magnífico Baltazar Pinto deu sequência até à conclusão, com o apoio total de Frederico Varandas/João Pedro Varandas e sobretudo de quem já mandava desde que Marta Soares se começou a mexer de forma frenética: o actual PMAG, Rogério Alves. 

Espero com isto ter clarificado porque nunca existiu sequer legitimidade democrática: todos os princípios que lhe dão substância foram violados de forma grosseira e são inexistentes na génese. 

7. Água e Azeite: A Expulsão de Godinho Lopes 

O livro biográfico de Godinho Lopes (9/2018), por António Sousa Duarte, o seu “responsável pela comunicação” segundo o próprio ex-Presidente e presente nos emails que vieram a público. 

Deveria dar por concluído o artigo, mas existe um assunto que queria abordar há tempo. Como falei extensamente no CFeD e na figura esplendorosa que o preside, considero finalmente o tema oportuno: a (errada) expulsão de Godinho Lopes.

Ocasionalmente surge uma tentativa de equiparação entre a suspensão e expulsão de Bruno de Carvalho, em conjunto com vários outros membros do ex-CD, ou seja, a oposição ao poder vigente há décadas, e a expulsão de Luiz Godinho Lopes. Vou enumerar de forma simples as diferenças em sete pontos. 

Ponto um: Godinho Lopes foi expulso por um CFeD eleito pelo método D’Hondt, sendo o Órgão integrado por elementos de outras listas. O então Presidente não possuía qualquer ascendente ou domínio sobre esse Órgão Social. Não bastando mencionar este facto para o provar, será reforçado no fim desta enumeração. 

Ponto dois: Godinho Lopes não foi impedido de se recandidatar às eleições seguintes. Igualmente, não possuía peso no eleitorado após 100 milhões de prejuízo em menos de dois anos, cinco treinadores (Domingos, Sá Pinto, Oceano, Vercauteren, Jesualdo Ferreira), clube na décima segunda posição da tabela classificativa, e passes alienados a vários fundos, a Álvaro Sobrinho, e contratos com a obscura e opaca Doyen. 

Ponto três: a expulsão de Godinho Lopes teve por base a auditoria que lhe foi feita, com quase ninguém a dar-se ao trabalho de consultar pessoalmente nas instalações o documento disponibilizado aos sócios (classificado como confidencial), em vez de uma série de alegadas infracções estatutárias utilizadas apenas selectivamente (desde exposições contra a Mesa até aos nomeados por Marta, tudo foi engavetado) e a implicação falsa num caso como Alcochete, que foi o verdadeiro argumentário usado para influenciar as pessoas. 

Ponto quatro: o próprio Bruno de Carvalho foi convocado para uma reunião informal e, questionado sobre a sua opinião, transmitiu ao CFeD que era contra a expulsão, algo que não pode ser desmentido porque não só sucedeu como existem testemunhas. 

Ponto cinco: o relator externo contratado recomendou ao então CFeD a suspensão de um ano a Godinho Lopes. Apesar de Bruno de Carvalho trasmitir ser contra a expulsão, apesar da recomendação do relator externo, o CFeD misto estranhamente optou pela expulsão apenas com uma abstenção e a aprovação dos restantes. 

Ponto seis: este processo teve o seu desenrolar final na altura em que existia um ataque intenso a BdC por querer despedir Marco Silva, tendo criado problemas adicionais ao então Presidente do CD. Não contavam era com a súbita contratação de Jorge Jesus, quase à beira da decisão final. A celeuma à volta da saída de um banal Marco Silva, que deveria ter sido despedido assim que obedeceu as ordens de Nélio Lucas e da Doyen (mas cuja decisão geraria uma campanha insuportável contra BdC), mostrou como os adeptos em geral têm muita culpa por serem facilmente moldáveis nas reacções pela imprensa, “notáveis” e por painéis televisivos. 

Imediatamente, Godinho Lopes interpôs várias acções em tribunal, inclusive contra quem foi contra a decisão, e não parou por aí pois fez tudo ao seu alcance para se vingar como ficou comprovado em emails (acessíveis no link). 

Ponto sete: abriu-se um precedente na formalidade que mais tarde foi invocado superficialmente para alegar a favor da expulsão do Presidente que tirou o clube da miséria, sem sequer entrarmos nas gigantescas diferenças de métodos utilizados, e toda a substância política divergente de fundo: eliminar a oposição à “dinastia”, e o único candidato em quase duas décadas que a derrotara duplamente (2011 e 2013), optando em 2017 por uma linha de união abrangente. 

Recuando ao ponto um, quero reforçar num instante como Bruno de Carvalho não tinha o controlo do Órgão Social, não apenas devido ao método D’Hondt numa eleição renhida em 2013 contra o candidato da “continuidade”, José Peyroteo Couceiro. Tendo já igualmente referido a reunião informal na qual foi transmitida oposição a essa eventual decisão, vamos ver algo que disse Bacelar Gouveia, o então Presidente do CFeD:

“(…) ele (BdC) pediu aos membros do CFD um termo de confidencialidade para terem acesso às contas da SAD no âmbito da reestruturação financeira. Houve alguns membros do CFD que não assinaram e eu achava que não tinha de assinar.”

Bacelar Gouveia, Diário De Notícias, 30/3/2017

Como se pode ver, um grande ascendente e controlo sobre os membros do CFeD. Falando em ascendente, tomara que o seguinte tivesse sido idêntico:

Não importam aqui outras matérias, que vão desde pressões de dirigentes para a não recondução de Bacelar Gouveia devido à sua proximidade a André Ventura, numa altura de ataque intenso de cartilhas ainda desconhecidas, daí que a opção teve o seu sentido pelo incómodo alargado da situação, apesar da perda de alguém com peso. O próprio Bacelar Gouveia, que me merece todo o respeito por méritos políticos e académicos na sua área de especialidade, encontra-se baixo investigação.

O que fez então o ex-“ditador”?

Procurou união e reconduziu essas mesmas pessoas de várias listas, numa eleição em que podia ter colocado elementos de sua exclusiva confiança no CFeD, pois obteve uma previsível vitória esmagadora em 2017, e não foi nenhuma dessas figuras irrelevantes para o eleitorado a dar-lhe votos – desafio a que enumerem o nome de três membros de cabeça. 

Record, 11/1/2017

Inclusivamente, colocou a advogada e socialite Eduarda Proença de Carvalho, mandatária da lista de Carlos Severino em 2013, pela qual foi eleita para o Conselho Leonino, como candidata a Vice-Presidente da MAG. Não se atrevam a falar de ter sido um erro usando o super-poder da retrospectiva, pois nenhum líder é omnisciente; a opção política fez todo o sentido no contexto, foi aplaudida por serpentes, e abomino a teoria da “mini-saia”: cada um dos nomes dos Órgãos Sociais era um adulto alegadamente autónomo, responsável pelas suas próprias acções. Quem quiser entrar por essa via tem agora o Presidente que merece. 

A “dinastia” não reinou mais de duas décadas como entendeu por mero acaso: a uns exige-se perfeição e imputa-se responsabilização sobrehumana, a outros não se exige rigorosamente nada. Já ouviram falar no campo número 8, de nome Paulo Futre? Foi dito na última AG da SAD como justificação que “em breve já ninguém se lembra de como (Futre) saiu do clube“. Acrescento, já nem do recente apoio dele ao amigo Luís Filipe Vieira nestas eleições do SLB, afinal de contas até Rogério Alves fornece informação a Vieira sobre em que mãos se encontra um processo em tribunal, com total impunidade. É com um enorme lamento que estou de acordo com a resposta transcrita acima. Esta direcção conhece bem a massa adepta do clube, despreza-a (são meros clientes fidelizados, o sonho de Soares Franco), e foi por isso que em 2013, uma versão alternativa do convertido encarnado Paulo Garcia disse o que podem ouvir no seguinte vídeo:

Resumindo, as expulsões de dois ex-Presidentes (uma delas incluindo suspensão com outra já preparada caso fosse revertida em AG) são muito diferentes e não devem ser inseridas num mesmo saco, mesmo discordando da sanção aplicada a Godinho Lopes, que espero ver anulada. Os fundamentos, os meios, os métodos, as ilegalidades envolvidas, e os fins diferenciados tornam ambas como água e azeite. A sua mistura não funciona. 

Tenho ainda imensas dúvidas pessoais genuínas sobre a actuação e intenções do misto CFeD anterior e os seus membros, as opções que tomaram, o timing da proposta deles de revisão estatutária de 2018, o comportamento estranho de Marta Soares como afirmado por várias pessoas nas duas AGs relacionadas, inclusive já falando em destituição a 4 de Feveiro de 2018 (admitido em tribunal por Jorge Nuno Pinto da Costa a 18/2/2020), e por último, o facto dos membros desse Órgão Social misto se terem demitido, afirmando primeiro continuarem em funções como demissionários, para pouco depois saírem subitamente de cena, abrindo caminho à nomeação da Comissão de Fiscalização de Marta Soares, que sublinho, foi apenas uma marionete voluntária de terceiros. Sobre os actuais membros, não tenho quaisquer dúvidas.

A inocência em relação às figuras que polulam o clube “diferente” já morreu. 

8. Bónus “Democrático” Final: PLMJ

Ressurgiram rumores do envolvimento da PLMJ na queda do anterior CD, e em acções para garantir o afastamento de eleições, a propósito do depoimento de Bruno de Carvalho no julgamento de Rui Pinto. É sabido que Tiago Rodrigues Bastos, o então assessor jurídico da Direcção do Sindicato de Jogadores, esteve envolvido na maioria das cartas de rescisão (Expresso, 16/6/2018), tendo inclusive reunido em final de Maio de 2018 com Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves. Bastos é o representante da PLMJ no julgamento contra Rui Pinto, que decorre neste momento. 

Fui procurar alguma “prova de democracia” (Forumscp, Opolvo e Portal dos Dragões, Twitter), até porque gostava de ver esta questão muito bem explicada e desenvolvida no futuro. Et voilà! Quand on cherche, on trouve:

Eduardo Nogueira Pinto, em email validado, dirigido a José Miguel Júdice e a vários advogados da PLMJ a 7/8/2018. (CI = Conflito de Interesses) 

É um ponto de partida claríssimo, numa história em que nada deve ficar por contar, em nome de um futuro diferente. 

Desejo-vos sorte e saúde nesta pandemia, extensível a todas e todos os que foram referidos neste artigo, seus familiares e amigos, sem a exclusão de rigorosamente ninguém. Isto é muito mais que política. 

Até à próxima.

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Jose

Está-vos a correr mal. 1.o

Leão do Nordeste

Este texto retrata com fidedignidade a triste realidade do “nosso”SCP neste momento.

É urgente mudar!