RUGIDO VERDE

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Sábado, Fevereiro 24, 2024

As desventuras de William Carvalho

A semana de julgamento foi muito interessante. Testemunhos muito positivos de duas pessoas que não devem nada a quem está presentemente no clube (Fábio Coentrão e o enfermeiro Carlos Mota), tentativas mediáticas de uma CS moribunda em descredibilizar infantilmente – e pela primeira vez – o primeiro testemunho com uma insignificância fora do âmbito em julgado (Coentrão), e um testemunho redundante de André Geraldes que se limitou a tentar repetir o que já dissera – com excessos que o denunciaram a quem preside na sala – em mais uma tentativa embaraçosa de manipular o conteúdo e com transcrições incompatíveis, no que tem sido uma cobertura que humilha todos os cursos superiores de Ciências da Comunicação/Comunicação Social. Agradeçam a existência de gravações áudio. Irei tentar abordar esses outros testemunhos se o tempo permitir, mas hoje o meu foco será William Carvalho. 

Vou pedir  que esqueçam o atleta, coisa que o lambebotismo e a ausência de autoestima português dificulta, que em 2013 andava perdido num empréstimo na Bélgica, com 40 por cento do passe (de valor irrelevante na altura: 500 mil euros) penhorado à Holdimo. Vamos falar do indivíduo e do seu papel no processo. Gente com boa memória (e com acesso a rumores como os que William gostava de ter) saberá imediatamente a razão da imagem principal do texto. 

Monólogo e Incongruências 

Começo pelo monólogo, apesar de ter ponderado colocá-lo numa nota final demasiado extensa, o qual  invariavelmente tem destaque apenas imbuído de marketing e  é reproduzido  sem qualquer tratamento jornalístico que se preze. 

Afirmou em julgamento que foi agredido por socos no peito e nas costas. Em inquirição na GNR (Montijo), nesse mesmo dia de 15 de Maio, afirmou no peito apenas. Passo a transcrever: “A testemunha declara que (…) foi agredido por três indivíduos com socos na zona do peito, não tendo ficado com ferimentos resultantes.” 

Ao longo do julgamento ouviram-se coisas como “vi socos na nuca”, “vi socos na cara” ou o melhor de todos, Podence: “encheram o William Carvalho de socos e pontapés, tudo e mais alguma coisa.” 

A única versão que bate mesmo certo com a nova de William é a de Battaglia – alguma na variedade haveria de corresponder – o mesmo Battaglia que jurou a pés juntos ter levado com um garrafão nas costas que lhe provocara fortes dores nessa zona, apenas para admitir em tribunal que afinal fora na zona lateral do peito; com outros de visão louvável a afirmarem: costas (vários), a zona dos braços (Bruno Fernandes), e outro jogador (Podence) a enganar-se no nome do alvo. É o resultado de visões “colectivas” e o acrescentar aos depoimentos iniciais quando o cérebro não está à altura dos pés. A este respeito louvo a honestidade rara nesta estória do enfermeiro Carlos Mota, quando disse em testemunho “sei que eles iam focados em alguns jogadores mas ficavam fora do meu ângulo de visão, não consegui ver nenhuma lambada.”

Para mais detalhes nesta temática: https://www.rugidoverde.com/2019/12/20/objectos-voadores-mal-identificados-vamos-falar-dos-dias-13-14-e-15-do-julgamento/

Os Autores do “Virar de Costas”

No seu depoimento, Piccini apontou o nome de dois jogadores que tentaram incitar a que os restantes (de forma falhada) não falassem com o então Presidente: Patrício e William. Nomes que se juntam a Jorge Jesus, como Rúben Ribeiro afirmou, antes de se arrepender e dizer que afinal não fora falada tal questão. Um quarto e último nome será somado noutra altura, e fechará o círculo de forma definitiva sobre o porquê – e por iniciativa de quem –  alguns jogadores terem mostrado tom e semblante acusatório de forma quase imediata após a chegada do então Presidente. 

Fugas de Conhecimento

Passemos ao que mais importa abordar. Questionado, William afirmou que, apesar de reconhecer Valter (Semedo) , não falou com ele, algo que como iremos ver já de seguida é falso. Confirmou que tem o contacto telefónico dele, o que é naturalmente mais uma mera coincidência perfeitamente normal. Entramos aqui num problema sério pois mentiu em inquirição (GNR Montijo, 15 de Maio de 2018): “A testemunha declara que não reconheceu qualquer indivíduo (…)” 

João Reis (roupeiro) contradisse o jogador no seu depoimento afirmando que William  chamou “um tal de Valter” pelo nome no balneário. Lumor reforçou as omissões, para ser simpático por uma vez, ao afirmar que William estava a pedir desculpa a alguém, sendo ambos depoimentos recentes e lamentando o Alzheimer que se abateu nos ditos jornalistas da nossa praça. Foi então a vez da juíza presidente intervir, não tendo ficado nada convencida com a resposta (face ao que afirmou exasperada logo depois): 

E como é que no meio da confusão conseguiu reconhecer Valter Semedo sem falar com ele?

– Quando saí do balneário vi-o e consegui reconhecer.

Afirmou que “reconheci o Valter Semedo quando fui ajudado pelo Rui Patrício e consegui escapar para a casa de banho.”  

Ponto número um, voltou a mentir na inquirição à GNR: “(…) tendo a entrada (balneário) sido bloqueada pelo grupo de indivíduos impossibilitando assim a saída ou fuga dos atletas (…), ” em nenhum momento referindo o ocorrido. 

Ponto número dois, pergunto-me como fica a tese de sequestro de dois/três minutos – já foi referido que apesar da narrativa foi essa a curta duração – e a tentativa de afirmarem que era impossível sair. Surpreende-me também ninguém ter visto esta fuga com as espectaculares visões periféricas, mas isso é explicado por briefings de âmbito circuscrito. 

Mas há mais, com o terror intenso, ainda voltou em vez de se fechar à chave: “Quando voltei ao balneário ainda lá estavam indivíduos de cara tapada. Cheguei a falar com eles mas não sei se deram explicações, não me recordo,” antes de se dirigir ao exterior e conversar com o grupo de Fernando Mendes. 

 Memórias Apagadas do Processo

Uma das pessoas na fotografia, Alano Silva, fugiu para Angola como se sabe. Existe informação de que fora detido (e libertado) no âmbito da operação de detenção de Fernando Mendes, algo presente em noticias da altura na Revista Sábado e no Diário de Notícias,  6 e 7 de Junho de 2018, por diferentes fontes envolvidas na operação. 

A maravilhosa Procuradora Vilar, no entanto, afirmou que a fuga se deu imediatamente depois dos eventos em Alcochete. Uma questão que deve ser esclarecida, e que se soma a sanções (simbólicas) que Vilar sofreu, localização do auto e afastamento da Polícia Judiciária, SMS’s de aviso censuradas (Gelson), telefonemas omitidos, e pessoas envolvidas mas não investigadas, como expresso no artigo anterior de forma mais exaustiva. 

Como foi escrito pelo MisterdoCafé, os restantes dois elementos na fotografia encontram-se com pulseira electrónica (Bocas) e detido (Mustafá), enquanto que William triplicou o ordenado.

Agora, apaguem tudo.

 Mais Telefonemas e Amnésia 

Convém salientar que William só começou a admitir contactos após ser confrontado com registos telefónicos. Além dos telefonemas a Elton abordados no artigo anterior, William admitiu ainda ter também ligado novamente a Mustafá após os eventos – muito telefonou a gente ligada ao episódio de “terror” – tendo a juíza insistido em saber o conteúdo. Atrapalhado, William respondeu como se tivesse sofrido uma lobotomia: “Perguntei, o que se passa aqui?… E ele disse-me ‘O que se passa? O que se passa?’ ” 

A confusão das respostas de William a respeito de telefonemas fizeram a juíza dizer exasperada: “quem não percebe nada do que aqui se passa sou eu.”

Posteriormente foi ainda confrontado com uma suposta conversa que teve com Valter junto à casa de banho, mas a amnésia manifestou-se novamente. 

Amnésia essa que, de forma esquisita, voltou a incidir sobre um telefonema recebido de Mustafá em Janeiro de 2018. Reitero a fabulosa memória selectiva, e como se recordou do telefonema de Mustafá a acusar Bruno de Carvalho de raios e coriscos, um episódio narrado ipsis verbis  no livro Sem Filtro, dizendo algo muito estranho quando questionado sobre o teor de tal alegada chamada acusatória, e que lançou logo dúvidas sobre o narrado: “…ligou só para dizer isso” ; “se cheguei a perceber o porquê da chamada? Não, foi simplesmente para dizer isso.” 

Coloquem muitas reticências à autoria do telefonema acusatório, se existiu, pois as amizades de William eram extensas, problemáticas, e toda a gente nesse mundo tem uma agenda. 

Vou lançar aqui duas peças do puzzle que vos devem levar a questionar ainda mais a fonte e o conteúdo. 

Primeira peça. Questionado sobre episódios que pudessem indicar antecedentes, foi isto que teve a dizer em inquirição (GNR, 15 de Maio de 2018):

“A testemunha afirma que teve conhecimento pelo seu colega Rui Patrício, que já existiram situações passadas de ameaças de adeptos aos jogadores da equipa.” 

Não referiu ter vivido tal episódio, não referiu ter recebido um telefonema de Mustafá a dizer isto ou aquilo, e a fonte que refere é… Rui Patrício. Não vou acrescentar a minha opinião,  é apenas um facto indesmentível e rubricado o que aqui foi transcrito. 

Segunda peça: William afirmou em tribunal que o telefonema no qual alegadamente Mustafá teria feito a acusação, que desmentiu de imediato quando questionado, ocorrera “2 ou 3 meses” antes da reunião no início de Abril. William, quando confrontado com o registo concreto de uma chamada em Janeiro de 2018, ou seja, nesse período temporal, ficou atrapalhado e disse não se recordar do conteúdo. O cérebro de William traiu-o, algo comum quando se falta à verdade, estando agora gravado. O tal telefonema acusatório de Mustafá, somadas as peças, não terá existido. Tendo a questão desse registo telefónico sido colocada pelo advogado de Mustafá (aka. Nuno Mendes), o conteúdo promete e possivelmente compromete de alguma forma  o malandro moço da bola. 

Briefings Para Totós 

Não podia, como tem sido praxe desde que os adjuntos de Jorge Jesus falaram, evitar tirar da cartola que, quando encontrou o grupo de Mendes viu Jorge Jesus no exterior “com sangue na cara.” Não preciso dizer que não referiu isso à GNR. Tem sido uma cartilha tão subtil que até mete pena. Menos memorização, senhores… disfarcem!

https://www.rugidoverde.com/2020/01/05/a-paixao-de-jj/

Muito estranho, ou talvez não, William não se recordou de ter ouvido de Fernando Mendes as palavras sobre o encontro na academia, em pleno aeroporto da Madeira, sendo visível que o diálogo é entre os dois. Evitou a todo o custo tudo aquilo que o pudesse comprometer, desde conhecimentos a conversas , e não fosse a intervenção da juíza presidente Sílvia Pires e o esforço de advogados (esqueçam o Ministério Público) nem aos vários contactos telefónicos se teria chegado, os quais redundaram sempre em amnésia de conteúdo. O que somado a todas as mentiras em inquirição e a todas as omissões, é extremamente suspeito. 

Teve mais umas tiradas curiosas. Confirmou que Bruno de Carvalho mostrou total disponibilidade para ajudar a solucionar o problema que surgiu na Madeira; negou que os jogadores se tivessem recusado a falar com Bruno de Carvalho, algo que surgiu apenas nos depoimentos de Jorge Jesus e Rui Patricio e que já foi desmentido por cinco jogadores em depoimentos subsequentes, por mais que tentem manipular em ditas notícias (sim, Lusa/Público, eu li esse parágrafo idiota e que mente ao leitor); e disse ainda que nunca tinha manifestado vontade em sair do Sporting, algo que qualquer um sabe ser mentira, como o pai dele é prova, e como alguns administradores e até ex-amigos podem atestar. 

Por último, um jogador que: em frente ao grupo, acusa de forma grosseira, ofensiva e infantil o Presidente do Clube/SAD de mandar intimidar alguém com base no diz-que-disse de terceiro (seja qual for a identidade real da pessoa, ou se existiu); que tentou forçar de forma embaraçosa uma transferência para o West Ham; que rescindiu contrato de forma política triplicando o ordenado e saindo com desconto; que se fartou de dizer cobras e lagartos a colegas sobre a administração; que tinha também algumas amizades que eram antagónicas à mesma e ansiavam por uma mudança de poder; e que mal Bruno de Carvalho, quase 20 anos mais velho e seu superior, chegou à academia, teve o desplante e a cretinice de o acusar ter encomendado algo que apenas servia – como sucedeu – para lhe destruir a vida… afirmou à juíza Sílvia Pires que não estava em litígio com o então Presidente. 

Prefiro não imaginar se estivesse, mas o episódio Rúben Semedo em Espanha poderá ser um indicador do que sucederia a quem entrasse em litígio com este recomendável moço salvado até hoje por uma bola. 

Caso contrário, estaria como arguido no processo. 

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