RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Segunda-feira, Outubro 26, 2020

Neste dia… em 1944, o Sporting vence (4-2) o Belenenses, com 3-0 ao intervalo.

No Lumiar o Sporting venceu, mas o Belenenses não se «afundou» apesar do desconcertante 3-0 que se registava ao intervalo

O terreno enlameado prejudicou bastante o desenvolvimento do jogo na luta «Sporting – Belenenses» ontem efectuada no Lumiar.
O ataque dos «azuis» acusou mais nitidamente esse inconveniente, porque o seu sistema habitual vive da precisão dos passes, difícil de alcançar num campo em tais condições.

«Na segunda parte, com terreno mais limpo para ligar as suas combinações e aplicando-as com sentido mais pratico, os avançados do Belenenses conseguiram desorganizar por momentos a defesa do Sporting e estiveram prestes a modificar o desfecho da partida.

O bom comportamento de toda a «equipe» do Sporting durante a primeira parte e a proeza da marcação, de três «goals» consecutivos no breve! espaço de três minutos, deixavam vislumbrar um pesado desaire para o grupo visitante, na segunda metade a partida.

O Belenenses, afinal, não sossobrou. Lutando com vontade firme, não obstante serem muitas as contrariedades a vencer, conseguiu diminuir para 3-2 a margem da derrota e esteve em certa altura à beira do empate. O Sporting pode, no entanto, por termo às apreensões dos seus partidários, consolidando a vitória com a marcação de mais um «goal» que encerrou a discussão.

Não oferece dúvidas o merecimento da vitória do Sporting, em face da superioridade da exibição feita no primeiro tempo, mas deve assinalar-se que os «azuis» não estiveram felizes, sobretudo no primeiro quarto de hora de jogo, em que dispuseram de oportunidades que poderiam modificar o aspecto da luta.

Todos os seus «goals» do encontro foram bonitos, bem marcados. Apenas o terceiro do Sporting foi precedido, no lance de origem, duma irregularidade cometida por Peyroteo.
Os dois «goals» de António Marques foram lançados com boa visão e o remate partiu forte e bem dirigido.

Excelente trabalho o que precedeu a marcação do primeiro «goal» do Belenenses, pois Armando bateu a defesa contraria com surpreendente facilidade e rematou depois com toda a calma para o sitio mais conveniente, com um toque de colocação da bola, e sem a preocupação do «tiro» forte que inutiliza tantos lances.

O remate enviesado de Elói que deu origem ao segundo «goal» do Belenenses teve também muito merecimento, e igualmente precioso o toque de cabeça de Peyroteo que fechou a serie de «goals» do encontro.

A propósito deste último «goal» convém salientar que ele saiu dum «livre» bem cruzado por Barrosa, que momentos antes tinha executado castigo semelhante a meio do terreno e cometera o erro – que é vulgaríssimo nos nossos jogadores de lançar a bola em direcção perpendicular à baliza e muito por alto, prática esta que só favorece os defesas do lado contrario, que vêem a bola em muito melhores condições do que os avançados do grupo atacante.

Entre os factos salientes do encontro merecem citar-se os seguintes:

– O acerto com que jogou durante quasi todo o primeiro tempo o novo médio centro do Sporting, Veríssimo, apoiando bem os avançados e procurando passar quasi sempre de forma a dar profundidade ao ataque.

– O «duelo» entre Peyroteo e os últimos redutos da defesa do Belenenses (Feliciano e Vasco); luta entre três atletas, de físico impressionante, que foi pena terem recorrido, por vezes, a golpes irregulares.

– O bom trabalho da asa direita do Sporting, cujo extremo, Gomes da Costa, confirmou as qualidades que o tinham já valorizado nas categorias inferiores. Falta-lhe peso, mas não foge à luta, suportando sem temor as cargas do adversário. Albano, no seu novo posto de interior direito, pôde utilizar a bela arma que é o seu pé esquerdo, para fazer boas aberturas ao extremo e tentar remates à baliza com o pé de dentro, os mais difíceis para o guarda-redes.

– O exagero dos mergulhos em que estão a cair os guarda-redes, cedendo repetidos «cantos» sem necessidade, pois muitas vezes podiam perfeitamente blocar a bola, visto não terem adversários a afrontá-los. Acácio peca um pouco, neste capitulo. Azevedo que está a jogar com segurança notável, teve um mergulho nessas condições, que era bem escusado, mas que levou muitas palmas.

O guarda-redes do Sporting teve depois, num outro remate de Armando, um desvio de «mão sábia» salvando o «goal» e evitando que a bola fosse parar aos pés de outro avançado que acorrera ao lance. Concepção e execução perfeitas. Tecnicamente, foi das melhores coisas da partida.

Permitimo-nos ainda salientar o melhor arranjo da defesa belenense na segunda metade, com a troca entre Serafim e Varela Marques. Contrariando a opinião de muita gente, insistimos em que o Belenenses – tal como o Benfica e alguns outros clubes – só tem médio centro quando se efectua o pontapé de saída. Depois, pelo tempo adiante, substitue a formação clássica de 2 defesas e 3 médios, pela formação de 3 defesas e 2 médios. Rigorosamente, é assim mesmo.

RIBEIRO DOS REIS no Jornal Diário de Lisboa

O Sporting alinhou com:

Azevedo; Álvaro Cardoso e Manecas; Canário, Veríssimo e Octávio Barrosa; Gomes da Costa, Albano, Peyroteo, António Marques e João cruz.
Treinador: Joseph Szabo

Marcadores do Sporting: Peyroteo (29 e 77’) e António Marques (31’ e 32’) (Sporting)

Data: 24/09/1944
Local: Estádio do Lumiar
Evento: Sporting (4-2) Belenenses, 2ªJornada dos Campeonatos de Lisboa

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