RUGIDO VERDE

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Quarta-feira, Fevereiro 19, 2020

Miguel Veloso: «Vou voltar à boas exibições»

JOVEM ADMITE QUE A ÉPOCA NÃO ESTÁ CORRER BEM MAS DEIXA PROMESSA

RECORD – Fazendo uma análise à sua época, é opinião generalizada que não tem estado ao nível da temporada anterior. Concorda com esta visão? Se sim, porquê?
MIGUEL VELOSO – É um facto. A época não tem sido tão boa como a anterior mas as equipas agora já conhecem melhor o futebol do Sporting e, concretamente, o meu. Tenho vindo a sofrer marcações individuais. Isto não serve de desculpa mas os adversários têm vindo a dificultar ao máximo o meu rendimento. No entanto, posso garantir que vou continuar a trabalhar para chegar ao nível que atingi no ano passado e, se possível, ainda melhorar.

R – Pensa que pode estar a pagar a factura da última época? Ou seja, agora os adversários já montam as respectivas estratégias mais atentos à sua influência?
MV –Sim, é normal. Quando defrontamos outra equipa, fazemos tudo para analisá-la ao pormenor. Isso também acontece em relação a nós e tem vindo a acontecer esta época. Mas vou continuar a trabalhar cada vez mais para que possa progredir e ajudar o Sporting.

R – Mas percebe-se pelo que diz que valoriza esse aspecto das marcações individuais.
MV – Basta ver o caso do jogo contra o Beira-Mar, na quarta-feira. Até quando ia para a bandeirola de canto vinha um jogador atrás de mim. É certo que tem acontecido mais esta época. Se calhar no ano passado ninguém me conhecia porque vinha da 2.ª Divisão B; este ano já conhecem o meu estilo e o do futebol do Sporting. Portanto, julgo que acaba por ser algo normal.

R – Sente que existe um défice de confiança? Por vezes parece que está desmotivado ou desanimado.
MV – Não, desmotivado não. Mas talvez sofra um pouco de falta de confiança porque vejo que, às vezes, as coisas não saem tão bem como saíam e fico um pouco triste pela equipa, pelos resultados que têm vindo a acontecer e pela ajuda que não tenho conseguido dar ao Sporting. Daí, às vezes, o moral estar em baixo e a confiança não estar tão alta como no ano passado. Isso afecta um pouco.

R – E o que é que pode fazer para recuperar essa confiança e chegar ao nível do ano passado?
MV – O Miguel vai voltar! Isso posso garantir com toda a certeza! Se calhar já vou um pouco tarde mas… nunca é tarde. Vou tentar fazer o meu melhor para ajudar o Sporting.

R – Acredita que estas dificuldades podem ser mais um passo na sua aprendizagem?
MV – Sim. Muitas vezes, aquilo que é fácil não nos ajuda a crescer e a evoluir. É com as coisas difíceis que podemos aprender mais e é isso que tem vindo a acontecer. Na última época tivemos coisas bastante boas; neste momento estamos a atravessar uma fase menos boa, uma crise, e vamos aprendendo com isso. Dá-nos mais maturidade. Penso que isso também tem contribuído para o meu desenvolvimento.

R – Tem sido, portanto, uma época de muita aprendizagem, rodeada de tantas dificuldades.
MV – Sim, penso que sim.

R – As críticas dos adeptos também têm feito parte dessa aprendizagem?
MV – É normal os adeptos darem a sua opinião, têm todo o direito de o fazer, mas nós também temos o direito de lhes dizer que ficamos tristes por as coisas não nos estarem a sair tão bem e por os resultados não aparecerem. Queremos sempre o melhor para o Sporting! Infelizmente isso não se tem verificado, e é isto que gostava que as pessoas percebessem: também ficamos tristes como eles!

R – A contestação das claques mexeu muito com o balneário?
MV – Mexe sempre, claro que mexe um pouco. Torna-se mais fácil dar a volta à situação quando estamos todos juntos.

R – Na fase mais difícil, após a derrota em Braga, vários jogadores salientaram que o balneário estava unido. Mas nos últimos tempos têm-se sucedido episódios que contrariam essa ideia, concretamente as declarações de Liedson e Stojkovic e a saída de Carlos Freitas. Como é que os jogadores têm reagido? O balneário está realmente unido ou as dificuldades estão a criar divisões?
MV – Não. O balneário está muito unido e cada vez mais forte para o que vem aí.

R – Mas existe mesmo uma ditadura no Sporting, como Liedson terá sugerido?
MV – Ditaduras? Já não há ditaduras! Se o Liedson disse isso, têm de esclarecer essa questão com ele. Na minha opinião, não há ditadura nenhuma.

R – E a saída de Carlos Freitas, que impacto teve junto da equipa?
MV – Teve impacto, naturalmente. O Carlos é uma pessoa que os jogadores gostavam, uma pessoa que dava confiança ao grupo. Decidiu sair mas a vida continua.

R – Outro dos episódios que marcou a recente fase negativa foi a troca de palavras entre o presidente Soares Franco e o técnico adjunto do Manchester United, Carlos Queiroz, tendo o Miguel como tema de fundo… Como é que você, tendo sido o motivo dessa frente de polémica, acompanhou este processo? Foi algo que contribuiu também para alguma instabilidade a nível pessoal?
MV – Creio que não. Às vezes prefiro abstrair-me um pouco de tudo e desse tipo de situações… O presidente falou o que quis com Carlos Queiroz. Cabe-lhe a ele decidir e eu só tenho de trabalhar e tentar dar o meu máximo dentro de campo para ajudar o Sporting. Cá fora, cabe às outras pessoas decidirem o que quiserem…

R – Soares Franco, em recente entrevista a Record, quando falava sobre si, dizia que “um bom jogador é aquele que todos os anos faz uma época melhor do que a anterior”. Como é que interpreta esta declaração?
MV – Considero que é uma forma de motivação, um desafio. O presidente, nas alturas difíceis, veio sempre dar força ao grupo e isso é sempre importante.

R – Ao mesmo tempo, Paulo Bento continua a dizer que “os jogadores mais jovens devem ser protegidos”. Por exemplo, na última época, quando você já era titular, esteve alguns jogos no banco. Sentem-se protegidos pelo treinador?
MV – O mister tem sempre a preocupação de proteger os jogadores mais jovens e é isso que ele tem feito. Da minha parte, só tenho de agradecer a ele e à equipa técnica.

Fonte: record.pt

Data: 26/01/2008
Local: Jornal Record
Evento: Entrevista

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