RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Domingo, Janeiro 26, 2020

Em 1985, noite de gala na vitória do Sporting por 3-1, sobre os holandeses do Feyenoord

‘Leões’, sim senhor!

Casa cheia, bonita, alegre, adeptos confiantes, equipa a comandar nacional, moralizada, Manuel Fernandes decidido a moer a cabeça ao Zé Torres-seleccionador, Jordão idem, Damas-o «sem idade», um senhor lá do Norte chamado Jaime Pacheco a gozar com os latagões de Roterdão, (brincando com a bola, escondendo-a, e eles furiosos a esticar a perna, a tentar derrubar o lesto e acintoso «meia-leca») foram alguns dos decisivos condimentos para a turma «leonina», a noite passada a fazer jus ao seu majestoso e real símbolo. Leões, sim senhor!

Para o leitor menos prevenido, há que lembrar que o Feyenoord não é uma equipa qualquer. Certo que o futebol holandês não tem já a escala da era-Cruyff. Mas continua forte, organizado e senhor de algumas das melhores equipas europeias. E o Feyenoord, velho rival do Ajax, comanda neste momento o seu torneio nacional, claramente distanciado dos seus rivais, com sete vitórias e um empate em oito jogos. É obra!

E isso viu-se bem a noite passada. Na facilidade com que faziam a bola girar da defesa para junto da baliza de Damas, na classe do maestro Been a defender e atacar, nos bons apontamentos do veterano Rep, e nos perigosos Eriksen e Tahamatta, este um asiático que nos fez lembrar, apesar de mais lento, o nosso saudoso Chalana.

Só que o onze de Roterdão não esperava encontrar um adversário tão decidido a arrumar a questão na própria casa, E a verdade (há que dizê-lo) é que o Sporting não está por acaso à frente do nosso torneio maior. Apesar das dificuldades com o Chaves e da menor exibição em Braga, a equipa de Manuel José tem pessoal e futebol para dar e vender. Dá até para arriscar que este ano o Porto, embora mais reforçado, vai ter muito trabalhinho para repetir o triunfo da época passada.

Podia ter sido mais

Voltemos ao jogo. Foi 3-1, podia ter sido, e com justiça, bem mais. Jordão teve três boas hipóteses, uma na primeira parte e duas na segunda. Manuel Fernandes teve também, antes do seu disparo magnífico do terceiro golo, um passe «mortal» de Fernando Mendes, mas quis disparar à primeira e falhou estrondosamente. Estava isolado frente a Hiele, um guarda-redes alto e seguro que não teve culpas nos golos sofridos e soube evitar um de Jordão, isolado à sua frente, logo após o segundo golo. Foi este um golo imenso, espectacular, com Jordão a corresponder na passada, sem retoques, a um cruzamento perfeito de Gabriel, outro veterano recuperado, em forma. Problemas teve-os, estranhamente, a equipa lisboeta na sua defesa, nos dois estupendos centrais Morato e Venâncio que, sobretudo na primeira parte, pareciam nervosos, inseguros, com falhas infantis de alguns passes. Valeu a calma e sabedoria do «velhote» Damas e ajudaram algumas boas dobragens de Gabriel e Fernando Mendes – um leão jovem, cheio de força, que já começa a subir no seu corredor e a criar perigo, como ocorreu no tal passe certeiro para o goleador da equipa. Fernando Mendes garantiu ontem, penso, o lugar na equipa.

Foi no «miolo» que o Sporting encontrou as melhores soluções para recuperar o esférico e colocá-lo com frequência e em boas condições no ataque. De Pacheco, já foi dito. Sousa continua a subir de jogo para jogo. Começa a ter mais torça e resistência. Mário Jorge impôs-se, também, na asa esquerda, embora recuado, e, tal como Pacheco, fartou-se de «esconder» a bola aos latagões da CEE. Oceano entrou na parte final e ajudou a arrefecer alguns entusiasmos físicos do adversário, respondendo taco a taco, sem medo. Negro valente. A Manuel Fernandes e Jordão, tiramos o chapéu. Velhos o caraças! Litos mais sacrificado e frágil cumpriu e mereceu a prolongada ovação à saída a caminho dos balneários, quando foi substituído por Oceano. E dá-se Manuel José ao luxo de ter no banco, Saucedo, Forbs, Meade e Sérgio, um jovem guarda-redes destinado a ocupar por longos anos a baliza «leonina» e a nacional.

O árbitro pareceu seguro, controlou o jogo e teve nos dois auxiliares o apoio preciso. Uma boa partida de futebol.

Sob a direcção do escocês Robert Valentine, que mostrou cartão amarelo a Venâncio, Rep, Duut, Been e Molenaar, e perante 70 mil espectadores, as equipas alinharam:

SPORTING: Damas; Gabriel, Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Litos (Oceano, 81). Jaime Pacheco, Mário Jorge e Sousa; Manuel Fernandes e Jordão.

FEYENOORD: Hiele; Nielsen, Troost, Duut e Wijnstekers; Molenaar, Rep, (Stafleu, 81), Sorensen (Eriksen, 59) e Brard; Mário Been e Tahamata.

Golos: 1-0, 29 minutos, Manuel Fernandes. 2-0, 34 minutos, Jordão. 3-0, 63 minutos, Manuel Fernandes. 3-1, 77 minutos, Duut.

Fonte: Jornal Diário de Lisboa

Resumo do jogo.

Data: 18/09/1985
Local: Estádio José Alvalade
Evento: Sporting (3-1) Feyenoord, Taça Uefa, 1ª Eliminatória

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