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Quarta-feira, Julho 28, 2021

Capas de Engano, Parte Dois: Holdimo, Álvaro Sobrinho e Godinho Lopes

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O Correio da Manhã confirmou tardiamente, recorrendo a uma certidão, aquilo a que alertámos no artigo Capas de Engano: Holdimo, Álvaro Sobrinho e Godinho Lopes. Foram mais de sete meses de espera, mas o timing será abordado no fim. 

A investigação incide na origem da entrada de dinheiro ocorrida em 2011 e 2012, no mandato de Godinho Lopes, contando com o irmão do atual presidente como vogal, e terá tido origem num desvio do BESA por parte de Álvaro Sobrinho de acordo com a investigação e documentação. 

A Sporting SAD terá recebido de uma conta do BES Angola (BESA) no BES, entre julho de 2011 e maio de 2012, transferências no valor total de 13,7 milhões de euros. Nessa altura, o BESA era presidido por Álvaro Sobrinho, banqueiro luso-angolano. A primeira operação, no valor de dois milhões de euros, terá sido efetuada no mês a seguir à SAD leonina ter celebrado uma parceria com a Holdimo, empresa de Sobrinho, após um pedido de apoio solicitado pelos leões.

A revelação destas transferências financeiras consta de uma certidão extraída do processo nº 244/11, no qual Sobrinho é arguido, para o caso Grupo Espírito Santo (GES). O documento, que consta nos autos do GES, indica que, entre 26 de julho de 2011 e 11 de maio de 2012, terão sido realizadas 11 transferências bancárias de uma conta do BESA, no BES, para uma conta da Sporting SAD no BES.”

Não obstante, o tablóide com as suas parcerias e objetivos, não deixa cair a narrativa falsa inicial alegando que “a Sporting SAD fez um aumento de capital: a Holdimo converteu um crédito de 20 milhões em direitos económicos em ações da SAD leonina de igual valor, passando a deter uma participação de quase 30% no capital. O Ministério Público (MP) abriu um inquérito à operação. O MP suspeita de que Sobrinho, com o investimento na Sporting SAD, terá legalizado essa verba alegadamente desviada do BESA.”

Apesar do que possa parecer devido a ser vago (na verdade, não pode ser de outra forma), o citado não significa rigorosamente nada, como iremos explicar. A “legalização”, ao contrário da desinformação voluntária ao leitor, ocorre quando o dinheiro entra sem interferência das autoridades supervisoras para travar ou escrutinar o fluxo, e com o reconhecimento formal do empréstimo, como em qualquer operação do género. O que sucede em anos posteriores é existir uma dívida já reconhecida, com implicações legais, que tem de ser paga ou gerida por quem a encontra e nada teve a ver com ela, para evitar consequências. Como sucede em qualquer caso semelhante nas inúmeras situações de desvios e lavagens que infelizmente se materializam e consolidam. É redundante questionar, mas como pode não estar já legalizada uma dívida vinculativa, com obrigações e implicações legais? O engano é básico. A resposta é tão óbvia que custa ver na imprensa semelhante barbaridade sem intervenção da ERC. Após o uso correto de uma certidão e dados fatuais, o Correio da Manhã pode até inventar que o Ministério Público sente na alma que uma invasão extraterrestre está iminente, e que suspeita que a energia da armada invasora seja alimentada pela Altri do todo-poderoso Paulo Fernandes, que apenas quer transformar o mundo num lugar melhor para ele à base de tablóides. 

Ao contrário da notícia anterior, em que foram utilizadas imagens de Bruno de Carvalho na capa e corpo, e em que o foco era mais uma vez o que o tablóide achava sobre as sensações do MP e do alvo preferencial do grupo, nesta ocasião não referiram uma única vez Godinho Lopes, nem qualquer outro elemento da administração em causa na investigação à origem do dinheiro (inclusivamente Frederico Varandas já desempenhava funções no clube, tendo entrado em Junho de 2011). Estão igualmente a ser investigadas outras transferências de Álvaro Sobrinho, nomeadamente para offshores detidos por ele, e do BES para o BESA. A própria Holdimo, em 2011 e 2012, ou seja no mesmo período, recebeu depósitos em numerário na sua conta no BESA, revelado pelo Expresso no âmbito dos Panama Papers. 

Holding de Álvaro Sobrinho recebeu milhões em dinheiro vivo.

Congratulando-nos pela certidão do processo nº 244/11 provar aquilo que tínhamos abordado no artigo anterior (link no início) a respeito da noticia enganadora, mas, além do já aqui referido, não podemos deixar de lamentar que esta informação sobre a alegada origem das transferências de Sobrinho em 2011 e 2012 tenha surgido no dia imediatamente subsequente a uma ação de destituição contra o também parceiro Luís Filipe Vieira; e em que a CML causou extensa indignação nacional e internacional pelas informações sobre manifestantes fornecidas a embaixadas estrangeiras de países que os poderão perseguir, com destaque mínimo. 

O Sporting Clube de Portugal tem de usar todos os mecanismos legais disponíveis para romper o vínculo a Álvaro Sobrinho, sem medo, restituindo o dinheiro de 2011 e 2012 à verdadeira origem. Isso seria uma prova de autênticos princípios e valores, sem invocações retóricas. Seguramente que o Presidente da Mesa, Rogério Alves, não se irá opor apesar de ser advogado de Álvaro Sobrinho, e até exigirá tal ação na TVI, onde não deixará de manifestar revolta pelo revelado. Em nome do Sporting.

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2 Comentários
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Jorge Duarte

Os borregos conseguem continuar uma narrativa de burro! Se fosse comigo, no dia seguinte a esta capa, já estavam em tribunal para explicar o que é que a minha foto estava a fazer ao lado do bandido angolano…

Carlos Jorge Melo Alves

A Mafia os esclarecidos já sabiam,por isso, não há admiração. Pergunto eu? Será que esses mafiosos alguma serão condenados e que se faça justiça ao GRANDE PRESIDENTE Bruno de Carvalho? Desculpem não acredito, o sistema não vai permitir.