RUGIDO VERDE

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Terça-feira, Junho 22, 2021

Não desisto

Fechado um grande campeonato da equipa de futebol do Sporting, sustentado no trabalho mais brilhante de um treinador que tenho memória neste clube, os sportinguistas têm muitas razões para fazer estes festejos perdurar.
Foram 19 anos de seca, muitas frustrações e desgostos, muitos anos em que o clube esteve fora da luta por incapacidade própria , outros em que foi afastado por influências externas. 

Pessoalmente, por ser frontalmente contra quase tudo o que se fez nestes últimos quase três anos, a nível do associativismo e dirigismo, foi a época onde vivi o desempenho do futebol da forma mais fria que tenho memória. 
Curiosamente, após o apito final no jogo do título, chorei compulsivamente, tal a amálgama de emoções recalcadas e contraditórias que negava a mim próprio ter. Afinal, ainda existem o amor e a paixão pelo Sporting Clube de Portugal. Mesmo que a desilusão com, acima de tudo, os sportinguistas… seja imensa. 

Há aqui, portanto, uma dualidade difícil de gerir. 

Por um lado, sincera felicidade pelo sportinguismo, por ver crianças e jovens adultos nas nuvens por um título de campeão que nunca viram e sentiram ( ou não se lembram), por outro e apesar da explosão de emoções quando o título foi matematicamente conquistado sinto-me revoltado por não ter a satisfação plena que um sportinguista deve sentir quando campeão, principalmente após um título após 19 anos.

Não consigo, nem quero, fingir que não estamos num processo revisionista onde a história do clube se reescreve e onde os sócios e os adeptos não são respeitados. Não é também este título que me fará abandonar a luta contra esta direcção, na medida das minhas limitadas capacidades de sócio comum. 

Nem desistirei do contraditório relativamente a uma sequência interminável de narrativas que se amontoam com o único propósito de manchar um trabalho que se traduziu no crescimento competitivo do futebol e das modalidades do Sporting, no equilíbrio da sua situação patrimonial e dos números mais altos no associativismo da história centenária do clube. 

Trabalho que ainda hoje dá frutos ( leia-se títulos, vários europeus) e que é vendido aos sportinguistas como um “período das trevas”. O problema é que a falta de memória e/ou ignorância faz que muitos “comprem” o que lhes querem vender. 

Não é assim que se faz a história de qualquer instituição. Uma instituição honrada, honra os seus e quem a fez crescer. 

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Rui Barbosa

A falta de memória faz esquecer, mas quem tem coração nunca esquece (Gabriel Garcia Marques). Desistir da verdade e de lutar por um Sporting dos sócios, NUNCA.