RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quarta-feira, Maio 12, 2021

O Título da Pandemia e do Pandemónio

Já passaram quase 20 anos desde a última vez que o Sporting Clube de Portugal se sagrou campeão nacional de futebol, e estamos muito perto de conseguir esta enorme proeza, novamente passados tantos anos. Quem diria! 

É certo que o título ainda não é um dado adquirido, mas tudo se encaminha para acontecer. Apesar do vírus e das restrições, não tenho dúvidas que os Sportinguistas não vão conseguir conter a alegria e, com toda a certeza, não se vão aguentar em casa, seja em Portugal, ou no estrangeiro.

Se no início desta época alguém dissesse que o Sporting poderia vir a ser campeão com esta direcção, com esta equipa, com este treinador, e nestas circunstâncias, ninguém acreditaria.

Quando esta direcção anunciou para o Sporting o actual treinador, com apenas 11 jogos na Liga NOS, sem o curso de treinador e por dez milhões de euros (agora, com os juros, andará à volta de 14 milhões) foram poucos os que não acharam que estávamos perante  um presidente lunático e irresponsável, até pelo desempenho que demonstrou nas  épocas anteriores, com cinco treinadores diferentes. Mas a verdade é que esta aposta no treinador Rúben Amorim tem resultado. Era difícil alguém acreditar nesta possibilidade.

Rúben Amorim pode levar a equipa ao título este ano.


Apesar de alguns jogadores adquiridos serem (na altura) relativamente desconhecidos e de ter havido uma aposta na formação, a verdade é que tudo se conjugou para se chegar à actual situação. E, diga-se, esta aposta na formação veio demonstrar que afinal ela não tinha sido abandonada, como se tentou fazer crer.

A ser conquistado, este título demonstra o mérito quase exclusivo de Rúben Amorim. Dizem as “más línguas” que quem o trouxe para o Sporting foi o seu cunhado Antero Henrique, que curiosamente está ligado ao “Apito Dourado”, a maior vergonha que se passou no futebol português desde que me lembro. Mas isso para esta direcção pouco interessa, se bem que para quem andou a mandar farpas a Pinto da Costa, não deixa de ser irónico ter alguém ligado ao “Apito Dourado” a trabalhar nos bastidores.

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O Sporting está na frente deste campeonato com mérito, apesar de não praticar um futebol deslumbrante e de encher o olho, mas também é verdade que os seus rivais diretos estão muito abaixo das suas capacidades – mas disso o Sporting não tem culpa.

Normalmente, para o bem e para o mal, muitas das responsabilidades e êxitos devem de ser atribuídas ao presidente do clube, mas como não reconheço Varandas como presidente do Sporting, e está no poder de forma ilegal e tenho dúvidas de que tenha tido alguma coisa a ver com a vinda do Rúben Amorim, não dou qualquer mérito àquela pessoa a quem me recuso a chamar de presidente do Sporting.

Perguntam vocês: “Por que razão, num momento que deveria ser de festa e de esperança, tenho a ousadia e o desplante de retirar mérito a quem dirige o clube?” Muito simples, para alem da forma ilegal como esta figura ridícula chegou ao poder no Sporting, também não lhe reconheço qualquer capacidade para ser presidente do meu clube, nem de qualquer outro projeto desportivo.

Não tenho dúvidas que este título vai esconder (e trazer) várias coisas que muitos dos adeptos do Sporting ainda não interiorizaram. Este clube está na iminência de ser vendido. Aos adeptos do Sporting vão ser servidos numa bandeja o horror, o pânico, o medo, a monstruosidade do crescimento da divida, etc. Tudo com o objectivo claro de levar para a frente a venda da SAD. 
 
A assembleia obrigatória de 30 de junho poderá ser o dia da sentença final. Veremos como nos bastidores tudo poderá ser orquestrado até lá, seja através da manipulação dos sócios, da implementação do i-voting… tudo poderá servir.

Como Sportinguista que sempre fui, não consigo aceitar que o Sporting como o conhecemos poderá ter os dias contados, e o clube que me habituei a gostar poderá deixar de ser meu, teu e de todos nós, sócios e adeptos, para passar a ser de alguém “de fora”, sem afinidade ao clube.

Corre nas redes sociais, e na boca de muitos Sportinguistas, que esta direcção já terá usado 40% do dinheiro do contrato com a NOS, o que equivale a cerca de 200 milhões de euros, e se tivermos em conta os 191 milhões em vendas de jogadores, estamos a falar em mais ou menos 400 milhões, dos quais muitos sportinguistas gostariam de conhecer o destino.

Já esta semana foi apresentado o relatório de contas com resultados negativos (como era de esperar) de cerca de sete milhões de euros.

Quero falar pouco sobre o relatório de contas porque já há no Rugido Verde quem se tenha dedicado a essa temática. Vou só realçar, pela negativa, o retrocesso que o Sporting teve no que a comissões (de milhões) diz respeito. Ficámos a saber recentemente que Jorge Mendes terá feito mais de sete milhões de euros nas transferências de Rui Patrício e de Adrien Silva. Agora, é credor em mais 11 milhões de euros, segundo o mais recente relatório de contas. O Sporting está de volta a 2012, as enormes e exacerbadas comissões voltaram.

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Um regresso assustador ao passado

A confirmar-se que os tais 40% da verba do contrato com a NOS já foram usados por esta direcção em menos de 3 anos, poderemos vir a estar perante uma situação de insolvência. Que cenário “melhor” haverá para ser posta cima da mesa, apresentada como salvação, a eventual venda da SAD?

Nas últimas semanas, 3 ex-presidentes do Sporting apareceram publicamente para elogiar a gestão de Frederico Varandas, um timing perfeito para aparecer como só eles sabem fazer. Um deles contribuiu para o aumento do passivo em cerca de 111 milhões (Dias da Cunha), o outro (Soares Franco) em 51 milhões e com a venda de património – o tal que queria fazer do Sporting um clube só de futebol e sem sócios.

E, por fim, tivemos o pai do croquettismo, José Roquette que numa entrevista a Fátima Campos Ferreira demonstrou ao que vinha, mentido sobre a gestão da direcção de Bruno de Carvalho e dando ênfase ao objectivo da atual: a venda da SAD.

Haverá algum sportinguista que ainda duvida dos objectivos desta direcção e do timing do aparecimento destes 3 ex-presidentes quando cheira a título e a grande oportunidade para venderem a SAD a um investidor?

Não vai ser consensual, a ser verdade a concretização desse objectivo. O pandemónio no Sporting está ali ao virar da esquina, mesmo com o mais que possível título.

Para terminar, deixo-vos esta pequena entrevista de um actual dirigente da área financeira do Sporting, que vos poderá esclarecer sobre a gestão de Bruno de Carvalho, a gestão actual e a governabilidade (ou não) do Sporting. Francisco Zenha foi o porta-voz dos que tinham dúvidas na altura.

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1 Comentário
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Leão Comuna

Delapidação total… E atenção, os lacraus andam todos a sair debaixo das pedras.
Acordem.

Excelente LCustodio!