RUGIDO VERDE

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Quarta-feira, Fevereiro 24, 2021

Sou um Leão, Não Sou um Cão: um Sporting Cada Vez Menos Dono de Si Próprio

É muito positivo ver o Sporting em 1º lugar no Campeonato, com 4 e 9 pontos de avanço sobre o F.C. Porto e o benfica, respetivamente.

No entanto, há uma diferença substancial entre o que se passa nesta época, e o que se passou na anterior. Duas, aliás. A primeira, é que nesta época, além de já só marcarmos presença na Liga NOS, vamos em 1º à 16ª jornada. Por outro lado, na época passada, em que o Sporting bateu o seu recorde de derrotas numa só época, acabámos em 4º lugar, à 34ª jornada.

A segunda diferença substancial é que os lacaios da atual Direção, cuja profissão, ou hobby é passar o dia nos fóruns e nas redes sociais a disseminar cartilha e a (tentar) descredibilizar a informação, o debate e o contraditório, na época passada não andavam com esta soberba toda. Não sei se sabem alguma coisa que eu não sei, mas eu vejo uma prestação muito competente no campeonato, a menos de metade da prova. Não vejo um título de campeão, para já, que justifique isso tudo. Os fortíssimos gastos na área de propaganda, apesar da diminuição do orçamento e de despedimentos noutras áreas, poderão ajudar a explicar o fenómeno. 

Existem aspetos que são impossíveis de ignorar, mas que estão relacionados com os valores de cada um. É completamente inconcebível que o Sporting faça a aquisição mais cara da sua história na forma de um jogador com 28 anos, num período em que desinveste nas Modalidades, faz despedimentos coletivos e apresenta Relatórios e Contas (ReC) manifestamente preocupantes e que apontam para um prejuízo recorde no final do exercício. Além de ter feito da falácia mil vezes desmontada da “herança pesada” uma das peças principais do seu argumentário cartilhado ao longo do tempo.

Essa “herança pesada” nunca impediu esta Direção de fazer absolutamente nada. Mesmo herdando tanto peso, ninguém se coibiu de torrar dinheiro em Doumbia, Borja, Ilori, Rosier, Vietto, Eduardo, Sporar ou o saudoso Wang… todos adquiridos a peso de ouro (fora o trio-maravilha de emprestados a 31 de agosto de 2019), enquanto se dispensava prata da casa, e que acabaram emprestados, dispensados ou vendidos ao desbarato – a um excelente preço de amigo. Também se deram ao luxo de comprar um dos três treinadores mais caros da história do futebol – esta Direção sempre teve dinheiro para fazer tudo o que quis. No entanto, teve sempre os seus minions a dissertar chorrilhos de mentiras pelos espaços online. Se há área em que esta Direção não poupa esforços, é a da auto-promoção e propaganda. De agência de comunicação, em agência de comunicação, tem havido margem para distribuir um pouco de “herança pesada” por toda a gente.

Rúben Amorim, e isto também se aplica a Paulinho, têm todo o direito ao apoio dos adeptos e dos sócios do Sporting. São profissionais pagos para representar uma instituição, e enquanto agirem como tal, e forem competentes, não terão de ser sujeitos a qualquer tipo de escárnio. Agora, dadas as circunstâncias, é completamente absurdo, e quase provocatório, a administração do Sporting contratá-los nestes negócios milionários (irrecusáveis, segundo os vendedores), ainda por cima, a um clube com quem se envolve em inúmeras trocas de acusações e insultos.

O presidente do Braga, António Salvador, tem como hábito criticar o Sporting.

O resultado desta gestão não é mais que um Sporting que, embora desportivamente tenha tido mais acerto na aquisição de jogadores para esta época, quase não tem poder sobre os seus ativos. Estamos a valorizar jogadores para outros clubes, tendo apenas direito a percentagens de passes – 80% de Nuno Santos (3.938M), 50% de Pedro Gonçalves (6.665M), 10% (prestes a tornar-se 50% por mais 4,5M€) de Bruno Tabata. Soma-se 70% de Paulinho, por valores totais que rodam os 18.4M (salários pagos a Borja e Sporar incluídos). Os custos zero, são de mais de 1.7M. São criminosos os valores praticados. Não há clube, ou empresa, que sobreviva a isto com decréscimo de activo, aumento de dívida, passivo, juros anuais e antecipação de receitas. 

E é triste ver este cenário pairar sobre o Clube que amo. Um Clube que esteve tão perto de ser dono de si próprio, com a aquisição das VMOCs e a restruturação financeira rasgada pelos mesmos gurus económicos que enganaram o Manchester United quando venderam Bruno Fernandes (recordista de prémios de jogador do mês, num ano, na melhor liga do mundo) a preço de saldo, jurando a figura que diz presidir que talvez já só valia posteriormente o que agora pagaram por Paulinho.

Salgado Zenha, o guru das finanças do Sporting.

Tudo isto que refiro, a acontecer ainda numa altura de escassas receitas, em virtude da ausência de público nos estádios e da diminuição do volume de quotas (a política de afastamento e de desinvestimento nas Modalidades tem consequências), e com um orçamento chumbado de forma histórica pelos associados do Sporting.

Esta temática não é, sem dúvida, a mais entusiasmante para o adepto comum, que infelizmente vive de momentos e circunstâncias, mas é fundamental. A dívida a fornecedores, no último ReC bateu quase nos 65M€. Os juros anuais mais que duplicaram face ao passado recente. As comissões são omnipresentes nas operações e com uma média de luxo. A ausência de margem de manobra, em virtude das escassas percentagens de passe, coloca-nos na mão de empresários e movimentos fictícios. Os saldos são constantemente negativos na realidade.

Os meus valores não são negociáveis. Tal como não é o meu amor ao Sporting Clube de Portugal. No dia em que eu sentir que sou eu que estou a mais, não tenho quaisquer problemas em arrumar a trouxa e sair. Deixo isto para os parasitas sugarem até ao fim, e para os incautos viverem na ilusão que escolheram ativa, ou passivamente, viver.

Como disse, não negoceio os meus valores, e não aceito esta hipocrisia inerente a cada negociata desta Direção. Não aceito o tratamento de que uma grande faixa dos sócios é alvo, nem o ambiente ditatorial que se vive no Sporting. Quem quiser aceitar, é livre disso. Tal como eu sou livre de dizer que acho que quem gosta disto, não passa de um manso. Um mansinho, pequenino, que não é capaz de se levantar para defender nada, nem ninguém. Submetem-se à condição de manso que vos impõem, e deleitam-se com frases feitas, lugares comuns, circunstancialismos e facilitismos.

Polícia remove tarja da Juve Leo em apoio à equipa do Sporting, antes do dérbi.

Ainda bem que o Sporting está em 1º do futebol. Devia estar mais vezes, e com esta Direção não sei se já tinha estado, sequer. Acho que uma vez, na época passada, à terceira jornada. Sei que ontem foi o primeiro derby/clássico ganho para o Campeonato, sob o seu comando. No entanto, temo que um eventual primeiro lugar no final do Campeonato seja o canto do cisne. A Direção terá, a partir daí, margem para fazer o que bem entender, enquanto é aplaudida por quem só se preocupa com a equipa principal de futebol masculino. As contas continuarão vermelhas, o ecletismo continuará a definhar, e a doença do futebol continuará a consumir a atenção da massa associativa.

No final, será preciso vender. Mas não são jogadores. E no dia em que isso acontecer, meus amigos… Eu, pelo menos, não estou cá para fazer parte de um Clube com dono e sem alma.

Sou um Leão, não sou um cão.

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2 Comentários
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Rui Jorge Antunes de Sá Pereira

Muito bom

Leão do Nordeste

Os sócios têm que fazer algo para mudar todo este lamaçal em que o Sporting Clube de Portugal está mergulhado.

Repito, a iniciativa tem que pertencer aos sócios.

Há que reagir e agir.