RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sexta-feira, Outubro 23, 2020

Sporting Driver

‘Travis Bickle’ (representado de forma épica por Robert DeNiro), personagem principal do clássico do cinema “Taxi Driver”, quando na história do filme, definitivamente (e em bom português) ‘se passou dos carretos’, tem um dos seus monólogos mentais em que diz o seguinte (e vai sem tradução) : «Listen, you fuckers, you screwheads, here is a man who would not take it anymore… a man who stood up against the scum, the cunts, the dogs, the filth, the shit. Here is a man who stood up».

Se Travis Bickle fosse sportinguista, seria esse mais ou menos o ponto de ebulição em que estaria a entrar nesta fase relativamente ao Sporting. Eu sei disso de fonte segura porque se eu, como sportinguista, fosse o Travis Bickle, é também nesse ponto que já estaria.

Porque um evidente sinal disso mesmo, e que senti na pele nestes últimos dias (semanas, vá…) é a crescente dificuldade que sinto em falar e escrever sobre assuntos relacionados com a actualidade do Sporting.

De facto, tenho cada vez menos paciência para sequer discutir qualquer tema nesse âmbito, pois sinto que rapidamente cresce em mim a sensação de perda de tempo, e me dá vontade de partir logo para a o discurso mais ‘desregrado’.

Não é que não haja temas com fartura que justificam o meu empenho e atenção – sendo certo que cada vez mais estes últimos se manifestam mais sob a forma de angústia e ansiedade. A questão é que sinto que a cada dia os assuntos que merecem realmente debate ou discussão relativamente à actual situação do Sporting são progressivamente mais escassos.

Porque na minha visão cada vez mais angustiada, os sucessivos temas da actualidade do Sporting são tão clarividentes na sua configuração, que não consigo perceber como alguém pode persistir em não perceber ou fingir que não percebe o que se passa.

Pior, muitas vezes fazem–se sobranceiramente cegos apenas para salvaguardar a face de erros cometidos no passado, que agora preferem não assumir ainda que com isso admitam a progressiva ruína do Sporting.

E é tudo isto que, sinto–o, me deixa fora de mim, me tolda a capacidade sequer de argumentar – porque quando do outro lado só há má–fé, ignorância ou estupidez, não consigo encontrar força para argumentar nada.

Significa isto desistir, baixar os braços, e abandonar um amor de mais de meio–século? Nem pensar, e quem o pensar desengane–se.

Significa só que já não tenho paciência para mais discussões, porque aqui do sítio onde estou, já não vejo que haja mais algo que seja sequer discutível.

E, por isso, sinto–me cada vez mais como um Travis Bickle sportinguista, e só me apetece dizer, não «are you talkin to me?», mas sim, e em bom tuga, “tázafalar comigo, c*??”, e acrescentar : escutem, seus c*, seus f*, está aqui um sócio que não aguenta mais, um sócio que vai lutar contra os croquetes, os varandetes, os rogérios, os notáveis, os escroques da cruz, os monteiros, os glamorosos da tribuna, os ratos, e todos os chulos  e montes de m* que sugam o Clube, está aqui um sócio que vos vai enfrentar!

Não vou usar o mesmo método do Travis para ‘resolver’ o assunto.

Mas tal como ele, também já não tenho é muito mais paciência para tantas palavras e tão poucos actos.

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3 Comentários
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HULK VERDE

O William Foster também é capaz de não se ficar…

Kolmeia

tal e qual….

Leonis Tsavo

Very nice chronicle.
Já somos dois Travis