RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quarta-feira, Julho 08, 2020

Alerta, Sporting

Começo este texto na esperança de que o leitor, atento e sábio, antes ainda de demonstrar algum interesse por este conteúdo, também se tenha deixado levar pelo título sensacionalista, que, diariamente, sobretudo na televisão, nos prende durante alguns segundos, esperando algo trágico e que depois se transforma num vácuo informativo.

Acredito que depois de ler não terá essa sensação, confirme, caro leitor, no final do texto. Continue, por favor. Confessada que está a minha rasteira, ficando assim o leitor e o escriba cúmplices, vamos à premissa, que me esforçarei para cumprir, deste conjunto de palavras: dar a minha opinião sobre a forma como o Sporting Clube de Portugal é visto, analisado, muitas vezes dissecado, nos meios de comunicação social.

Quais os efeitos sobre o clube, os seus sócios, adeptos e simpatizantes, e os demais consumidores de informação desta ogiva comunicacional e dos seus estilhaços. Não obstante considerar o caro leitor como alguém atento e sábio, nunca será redundante dizer que o Sporting Clube de Portugal, clube centenário, ecléctico, olímpico e, para mim, o maior clube do mundo, não tem na comunicação social, passada e actual, a representatividade digna da sua história, da sua grandeza, da sua imaterialidade.

Estamos nós na entrada da segunda década do século XXI e nunca houve tanto escrutínio sobre o Sporting Clube de Portugal, em 113 anos da sua empolgante história. Se o leitor optar por, neste ponto inicial, ver o copo meio cheio, poderá achar positivo essa “atenção mediática” que nos é dedicada, até tendo em conta que o futebol sénior masculino, desporto que é a maior roda dentada da engrenagem da comunicação desportiva, não vence o campeonato nacional desde 2002. 

Se o leitor optar por ver o copo meio vazio, chega com facilidade à razão de que não é sobre as modalidades de que se fala, e bem que mereciam, até pelo percurso praticamente imaculado que tanto nos faz sorrir, principalmente depois da construção do Pavilhão João Rocha, e que nos deixa aquele “brilhozinho nos olhos”, cheio de orgulho sportinguista. Nem se fala, também, de nós, adeptos, a maior força deste clube único no mundo.

Se o leitor, como eu, deixar o copo para trás, verificará que se vivem tempos onde o Sporting Clube de Portugal não é respeitado pela maioria dos órgãos de comunicação social, pelos seus editores, jornalistas, comentadores e demais turba que, muitas vezes, polui o panorama da comunicação desportiva em Portugal com efeitos nocivos para o clube. No meio deste rendez vous público, que conta com a participação honrosa, claro está, de sportinguistas, é ainda mais confrangedor ver o seu desempenho na defesa dos valores intrínsecos do clube.

Ao contrário do que afirmou o Presidente Varandas, somos alvo de chacota. É nesta amalgama que vive, actualmente, o Sporting, cheio dos habituais detractores externos ao clube e bastante bem composto, novamente, de detractores internos que, numa espécie de culto, vão aniquilando e tentando afastar, aos poucos, os sportinguistas mais incautos, mais desinformados, menos resistentes.

Os efeitos para o clube desta medíocre representatividade de sportinguistas no espaço público, salvo raras excepções, são trágicos. Muito por culpa dos próprios e da sua irreparável atracção pelos holofotes da vaidade, quais melgas a bater na luz, numa noite quente de Agosto. Se se fizer um levantamento destas personagens e das suas deambulações nos últimos 30 anos, veremos que há uma constante presença que só a eles beneficia e em nada ajuda o Sporting.

É claro que sei reconhecer que existem caras, vozes, de longa data, que a todos nós sportinguistas nos enchem de orgulho na forma arreigada como defendem o clube, mas existem outras, a tal maioria, que só a sua presença faz com que entremos em desvantagem em qualquer mesa de debate ou coluna de opinião.

O simbolismo nesta, como em outras matérias, é muito mais importante do que aquilo que muitas das vezes pensamos, aproveito assim o exemplo, vindo da tribuna, do último clássico jogado em Alvalade com o F.C.Porto: olhar para as caras ali presentes e comparar com as que ali também estavam em 2013, pior ano da história do clube, é, além de triste e desolador, pavoroso.

Pergunto ao leitor, teria V. Exa. o descaro, depois de estar directamente ligado ao pior dos 113 anos do Sporting, vontade de ali estar, mesmo que por respeito ao convite? Que mensagem se está a passar ao sportinguistas e aos restantes clubes com aquelas aparições? Temos visto o Presidente Varandas, muito prontamente a atacar, de forma lamentável, os sócios e, não esquecer, o próprio clube – chamo-o de clube de loucos -, referindo ainda que “não haveria espaço para esta escumalha”.

O que eu gostaria de ver o Presidente Varandas dizer e passar das palavras aos actos era acabar com estes notáveis que deambulam, novamente, pelos corredores, camarotes e tribuna de Alvalade, em dias de jogo, e não atacar aqueles que, faça chuva ou faça sol, com os seus defeitos, as suas virtudes – desde logo serem sócios – estão sempre lá, independentemente da direcção que gere os destinos do clube.

Estes notáveis de que lhe falo, caro leitor, e que conhece tão bem como eu, no tempo da anterior direcção e com um Sporting robusto, e basta falar no clássico primeiro mandato – para não ser acusado de enviesamento – não iam a Alvalade. Enquanto estes notáveis escolhem direcções, nós, os sócios, escolhemos o Sporting, sempre!!! Neste momento, pensará o leitor, mas estes notáveis de que o escriba fala, são os mesmos que fazem parte dos programas televisivos que dedicam a maior parte do tempo a achincalhar o Sporting.

Estes notáveis são aqueles que, por terem acesso ao espaço mediático público, passam a sua ideia daquilo que querem para o clube, mas, por exemplo, nunca foram vistos, mesmo em tempos de serenidade, em nenhuma AG, a contribuírem com a sua opinião e a escutarem a dos seus consócios (aprende, Frederico). Esta simples acção, permitir-lhes-ia revestirem-se de um sportinguismo de base popular, digamos assim, e ganharem a “armadura” necessária para os combates mediáticos que semanalmente travam.

Sim, caro leitor, são combates de comunicação onde se começam a ganhar pontos. Os nossos comentadores é que estão habituados a discutir o Sporting em lobbys de hotel, em circuito fechado, em tertúlias e conselhos, agora até na estatutária Gala Honoris, tentado fazer crer à opinião pública que somos um clube de castas, fazendo crer que alguns sportinguistas são profanos.

Não, não há sportinguistas de primeira, nem de segunda. Não, não há notáveis no Sporting. Estes notáveis, caro leitor, são, muitas das vezes, humilhados em directo por quem dirige os programas e os trata com desdém pelos seus “colegas” de debate, e, pior ainda, humilham os sócios, aos sermos brindados diariamente com tamanha passividade na defesa do Clube e que o deixa, sempre, numa posição inferior aos restantes rivais.

Ora, se a coisa que prejudica o Sporting, além de ter, de forma constante, a adversidade da comunicação social, é, exactamente, ter “representantes” que alinham nesta narrativa de colocar o clube num patamar inferior ao da sua grandiosidade. Não é a comparação com os rivais que nos enfraquece, é a permissão constante a estes métodos, por parte de quem nos representa, que permite que nos denigram e que não respeitem a história deste clube centenário. 

O Presidente Varandas e os membros da sua direcção têm falado muito no trabalho invisível, pois espante-se o leitor, estou de acordo: no que diz respeito à comunicação tem sido de uma absoluta invisibilidade. Nem quando o jornal com sede na Travessa da Queimada, recentemente, se atreveu a colocar na sua capa, relegando para segundo plano o clube da casa, a palavra “Saldos”, houve qualquer reacção.

Uma atitude provocatória como esta, que nem sequer é questionável por ser execrável, seria merecedora de uma reacção musculada por parte do gabinete de comunicação do clube. Não brinquem com o Sporting, basta. Este foi, lamentavelmente, mais um incidente diário, que quis destacar por achar grosseiro, pois outros houve, como o S.C. de Braga, ter um comentador televisivo em 2013, só possível por o Sporting Clube de Portugal estar ferido e permitir, assim, que os comentadores voltassem a dizer aquela frase que os faz salivar “é necessário um Sporting forte”.

Ainda na conferência de imprensa, após o jogo com o F.C.Porto, em Alvalade, tiveram a lata de perguntar ao treinador Silas, “se estava preocupado com o Famalicão?”. Acredito que o leitor, tal como eu, saiba precisamente o que é que estas perguntas representam simbolicamente, onde é que elas nos pretendem colocar. É para mim óbvio que toda e qualquer pergunta deva ser feita, ou capa de jornal, ou coluna de opinião, sou um defensor acérrimo da liberdade de expressão. Agora que elas só apareçam de forma selectiva e insultuosa para o Sporting, isso não admito. 

Este é um tema vasto, actual, e sobre o qual me voltarei a pronunciar, não querendo eu encerrar este texto, (até para evitar aqueles comentários, o leitor reconhecerá, tais como “e soluções?”, “e propostas?” “é só blá blá, propostas 0”), sem deixar de apontar um caminho aos comentadores que, em tese, defendem o Sporting Clube de Portugal: por honra aos anéis olímpicos, que pontuavam a tribuna do antigo José Alvalade, e revestido desse espírito, ficam as palavras de Pierre de Coubertin: “o que importa na vida não é tanto o triunfo, mas o combate, o essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem”.

Honrem o clube, respeitem os sócios.
Sexta-feira, derby com o rival. Para ganhar, sempre. 
Força, Sporting, vence por nós.

Viva o Sporting Clube de Portugal

Saudações Leoninas

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jorge mendes

sempre foi um clube dominado por uma burguesia falida, que odeia a ralé, em quase 114 anos, só tivemos democracia em 18 anos, com JR, JG e BdC e vejam como os 3 acabaram, este clube não é para o povo.

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