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Sábado, Setembro 19, 2020

Julgamento de Alcochete (VI) – Médico Desaparecido em Combate

É do conhecimento geral que a acusação de Cândida Vilar, no que respeita a uma suposta autoria moral e à teoria do “mandante”, assenta, de forma resumida e simplista em dois pontos:

1 – Intervenções públicas, nomeadamente posts no Facebook, nas quais o anterior presidente do Sporting teria supostamente incentivado à violência contra jogadores:

2 – Na narrativa de uma orquestração entre o ex-presidente e alguns membros das claques, consumada em reuniões do staff, ornamentada com algumas expressões retiradas do contexto e pateticamente interpretadas:

Expressões essas que entraram nos argumentos do despacho de acusação aos trambolhões, como o diz-que-disse do “façam o que quiserem” é exemplo.

Note-se que a palavra “determinou” pode ter a conotação de “ocasionou”, e por arrasto “propiciou”, mas dados os parágrafos anteriores existe clareza para dizer que aqui corresponde a “ordenou”.

Vai mesmo mais longe e concretiza, como se pode ver na seguinte conclusão, acerca de Alcochete.

No meio dessa amálgama de lógica e de deduções forçadas, uma questão repetida até à exaustão foi a da marcação da hora do treino (algo irrelevante, diga-se), bem como a fonte dessa informação para o grupo de adeptos. Pelo menos, que sirva para perceber as motivações da senhora Cândida Vilar.

Vale a pena relembrar o áudio que dá conta da forma desabrida pela qual a procurada tentou a todo o custo que o nome do ex-presidente do SCP fosse referido. Ouçam com atenção.

Esta insistência quase alucinada não foi gratuita. A procuradora bem sabia da importância de encontrar uma peça que fizesse rodar a geringonça que atabalhoadamente montou. Logicamente, este processo teria que estar inquinado, afinal começou com interrogatórios onde quem mais mentiu, até nem foi o arguido. Vamos por partes.

Em primeiro lugar, e sobre quem passou a hora do treino, já o abordámos anteriormente. Para os mais esquecidos ou desatentos:

Em segundo lugar, acerca de todo o escândalo que Cândida Vilar e a comunicação social, fez em torno do dia do treino, tanto Vasco Fernandes, como Raúl José, referiram o dia em que aquele teria lugar, conforme agendado há algumas semanas, apesar de alguma indecisão do treinador manifestada durante a vinda para Lisboa.

A ideia da troca de treinos (note-se que haveria um treino oficial no Estádio do Jamor ) foi comunicada por Jorge Jesus a Vasco Fernandes. É importante sublinhar a questão do treino oficial, para que não haja dúvidas. E, ao contrário do que acintosamente afirmava Cândida Vilar, não foi Bruno de Carvalho a alterar o que quer que fosse, como se pode ver.

Fonte: O Jogo

Assim sendo, e sabendo nós que Miguel Cardoso comunicou a hora do treino às 21h50 da noite de 14 de Maio, qual o objectivo da peixeirada feita por Cândida Vilar em torno de uma não-questão?

Por último, quanto à alegada sugestão (muito passada agora na CS) da passagem do treino do período da manhã para a tarde, Raul José garante ter sido Bruno de Carvalho a fazê-lo. Também aqui reside um possível facto irrelevante. Possível, porque ainda não clarificado, aguardemos por mais testemunhos. Irrelevante, porque não faz qualquer sentido a associação com uma intenção maldosa.

A menos que haja alguma questão de protocolo que impeça vândalos de fazerem domicílios da parte da tarde, é difícil perceber qual o intuito criminoso que assiste a uma sugestão de mudança do treino da manhã para a tarde.

Ainda para mais, quando foi o próprio presidente do SCP a perguntar a que horas seria o treino…

Fonte: O Jogo

Por conta destas “pequenas” confusões, houve um pedido de acareação por parte de Miguel A. Fonseca, visto as versões de Vasco e Bruno Fernandes divergirem quanto às circunstâncias em que se deu a comunicação da hora do treino aos jogadores. O MP alegou que ainda falta ouvir testemunhas relevantes e a juíza acabou por indeferir o requerimento. Aguardemos…

Mas já que falamos em doutores, mentiras e meias-verdades, porque não olhar um pouco para o que disse Virgílio Abreu, médico do Sporting?

Antes de mais, vale recordar a ligação de Virgílio Abreu a Frederico Varandas, por via da Comcorpus Clinic, a tal clínica que está em peso, por estes dias, no SCP.

Imagem

Virgílio Abreu, e para usar um expressão do futebol, abriu o livro esta manhã, fazendo uso de todo o manancial de fintas e golpes de rins que conhece.

Comecemos pela teoria do heróico desvio de Frederico Varandas perante o arremesso de uma tocha. Sendo certo que outra coisa não poderia dizer, uma vez que já o havia dito no depoimento que prestou à GNR, a situação é, no mínimo, estranha. Desde logo por ter sido o único a relatá-la.

Relembre-se o que disseram Max, Ricardo Gonçalves e Mathieu, respectivamente.

Fonte: O Jogo
Fonte: Observador

É perfeitamente aceitável que Max não se tenha apercebido da presença de Frederico Varandas, da mesma forma que parece óbvio que o agora presidente do Sporting, a ter estado lá, foi depois do ataque. O que, aliás, legitima o tal lapso de Max.

Menos óbvio e compreensível é que os restantes, mais de duas dezenas de pessoas, não tenham visto o tal acto heróico.

Fonte: Record

Este pormenor pode parecer, e certamente é, irrelevante para o caso, mas ajuda a entender o resto do depoimento.

Veja-se como Vasco Fernandes e Paulo Cintrão descreveram a reunião da véspera do ataque:

Fonte: Record
Fonte: O Jogo

Paulo Cintrão fala mesmo em objectividade. De alguma forma, qual luz que se lhe deu, Virgílio Abreu fala em estranheza, situação dúbia e coisas sem sentido.

Fonte: O Jogo
Fonte: Record

Além do relato efabulado de desconfiança e suspeição, pelos vistos Virgílio Abreu foi o único que não compreendeu a reunião, levando as interpretações para o domínio fantasioso da estranheza.

Fonte: Record

Estranheza essa que o levou a solicitar a Frederico Varandas que estivesse presente no treino do dia seguinte. Dado o que se sabe, quem pode estranhar alguma coisa, somos nós. É que a presença de Frederico Varandas no dia da invasão é tudo menos clara. Onde estava, o que fez…

Fonte: Record

Uma vez que estamos no domínio das suposições, façamos um parêntesis para também construirmos a nossa: essa adivinhação de Virgílio Abreu não pode vir a ser um álibi perfeito para Frederico Varandas? Seria razoável que um director clínico, que por regra não estaria presente no treino, cancelasse as consultas que tinha programadas para esse dia, apenas com base em “interpretações” ou “estranhezas” de um colega? Ou seria que os dotes adivinhatórios de Virgílio se chamassem Barbini e Diogo Amaral? Apenas uma “interpretação”, para ficar à vossa consideração.

Continuando… até é o próprio Virgílio Abreu quem descortina um pouco dessa “presença”. Ora, vejamos se há alguma coisa que não “joga bem”…

Fonte: Record

Já se percebeu que Virgílio Abreu tem uma tendência para o fantasioso e também para a adivinhação, será que também tem o dom de tudo saber?

Fonte: Record
Fonte: O Jogo

Portanto, Virgílio Abreu afirma categoricamente que Frederico Varandas não tirou qualquer fotografia nesse dia. Ou isso, ou alguma CS está a dar tudo pelo actual presidente do Sporting. Vejamos uma transcrição do depoimento.

Fonte: Observador

Afinal, não sabe quem tirou, mas sabe que não foi o Frederico Varandas, de acordo com as notas que reproduzimos acima. Alega ainda que estavam várias pessoas na sala, e por conseguinte vários telemóveis. Vejamos então a referida fotografia.

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E ainda uma outra, para terem ideia do enquadramento da primeira.

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Nem é notório que estivessem assim tantas pessoas na sala (aliás, conforme diz o próprio, estava a podologista Patrícia Gomes), nem é sequer plausível que, quem quer que tenha entrado e tirado a primeira fotografia, o conseguisse fazer sem que Virgílio Abreu, que aparece na foto a segurar o algodão, notasse. Pelo ângulo (e proximidade) da fotografia, é até completamente inverosímil.

Posto isto, qual o objectivo do médico ao fugir da resposta a uma simples questão? Resposta essa que se revela praticamente impossível não ser do seu conhecimento? Frederico Varandas passou de forma fugaz pelo balneário e pela sala onde Virgílio assistia Dost, onde esteve o resto do tempo? Não era a “presença” dele importante, conforme assinalou o próprio Virgílio Abreu?

Convenientemente, ninguém viu (ou se lembra) quem filmou ou tirou as mais diversas fotografias e vídeos. Estas distracções e amnésias parecem ser transversais.

Fonte: Record

Bruno Fernandes, sobre o vídeo no qual aparece em trajes menores, diz não se lembrar quem filmou. Vejam o mesmo, e dadas as circunstâncias, pensem se é razoável admitir que Bruno Fernandes possa não se lembrar de quem andou de telemóvel em punho, qual vídeo-reportagem a 360º.

Também Vasco Fernandes não sabe. Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém se lembra. Se para o julgamento, e face até à posição do MP, que parece pouco interessado no apuramento da verdade, isto pode ser pouco relevante, para o Clube é de suma importância. Pois só com a verdade se reparam os erros e saram as feridas.

Fonte: O Jogo

Sobre Gonçalo Álvaro, cineasta nas horas vagas, resta dizer que é mais um promovido de Frederico Varandas.

Para finalizar, e porque não há coincidências, atentemos ainda a esta declaração de Virgílio Abreu, que de resto não coincide com as palavras do próprio Frederico Varandas, numa entrevista dada a um podcast.

Fonte: O Jogo

E agora compare-se com o que disse (!?) Podence.

Fonte: Record
Fonte: O Jogo

Das duas, uma. Ou ambos os jornais se equivocaram na narração, tendo Podence apenas referido “médico” ou outra expressão equivalente, e os jornalistas deduzido que seria Frederico Varandas. Ou Podence mente descaradamente, o que não seria inédito, quer neste julgamento, quer nas cartas de rescisão. Qual das versões escolhem?

Sobre todas as trapalhadas dos depoimentos de alguns jogadores, falaremos no próximo artigo. Uma coisa é certa: assuntos e aldrabices não faltarão. E as perguntas que a CS faz, perante tais enormidades lógicas que se afiguram, são inexistentes.

Mais do que “Onde estava o Varandas?”, é preciso perguntar “O que andava a fazer o Varandas?”.

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1 Comentário
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Soeu_sei

a vilar o delca e pereira é que deviam ser julgados por terrorismo esses pulhas corruptos que só sabem por a justiça portuguesa na lama…