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Quarta-feira, Outubro 16, 2019

Sabia que a estreia do Pavilhão de Alvalade (1976), foi com uma Assembleia Geral Ordinária?

Foi a 9 de Outubro de 1976 que a grandiosa obra do complexo de Pavilhões de Alvalade foi inaugurada com uma Assembleia Geral Ordinária. Era a concretização de uma aspiração há muito ansiada por todos os Sportinguistas. Uma obra construída em tempo recorde.

Em 1976, o Sporting tinha mais de 3000 atletas a praticarem 24 modalidades distintas. Mais do que ser a maior potência do desporto nacional, o Sporting era uma potência do desporto europeu e mundial. No entanto, tal estatuto esbarrava na fraca qualidade das suas instalações desportivas para as modalidades, que eram praticamente inexistentes. Após a saída da Sede do Passadiço onde o Sporting dispunha de um ginásio, o clube ficou reduzido a três ginásios rudimentares e a um exíguo rinque de patinagem.

Tal situação, além de exigir um esforço suplementar a seccionistas e atletas, que tinham de andar “com a casa” às costas, representava um encargo suplementar para o Sporting, pois via-se na necessidade permanente de ter de alugar recintos para treino e competição e de logisticamente ter de tratar de todas as deslocações.

Fase de construção dos primeiros 2 pavilhões “Gémeos”

 

Finalmente e depois de mais de vinte anos a viver-se nestas precárias condições, a obra tão ambicionada por todos os Sportinguistas encontrou no Presidente João Rocha a vontade e a determinação.

Em Dezembro de 1975, João Rocha convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para fazer aprovar o projecto do novo pavilhão. “Sem estas estruturas, o clube falta a si próprio e não terá a projecção, interna e externamente, que se lhe exige e com que todos sonhamos”, defendeu o líder verde e branco, queixando-se também do dinheiro que era gasto em alugueres de pavilhão, como o Pavilhão dos Desportos, para as equipas de basquetebol, hóquei em patins e andebol.

Fase inicial da construção do Pavilhão Principal com lotação para 5000 espectadores

 

João Rocha tinha um pouco aquela ideia de que, quando era para fazer alguma coisa, era mesmo a sério. E assim nasceu um projecto nunca antes visto no país: o desenho original apontava para dois pavilhões para camadas jovens e treinos das equipas seniores, um maior com capacidade para 3.000 espectadores para os jogos das principais formações das diferentes modalidades e um multiusos com mais de 6.000 lugares que pudesse albergar outro tipo de eventos (na altura era falado para receber o Mundial de andebol). Eram os Três Irmãos e o Grande Pavilhão, com um custo total de 30 mil contos, uma fortuna na altura.

Após a aprovação da obra, o Sporting pediu a todos os seus sócios, adeptos e simpatizantes ajuda para a execução da mesma nas horas livres, sobretudo ao fim-de-semana, deixando um desafio: “Quem está disposto a dar serventia aos pedreiros?”. E para “motivar” as tropas, João Rocha deu o exemplo, sendo célebre a imagem onde surge com uma picareta na mão no local dos trabalhos.

As obras iniciaram-se a 12 Novembro de 1975 e nelas participaram voluntariamente muitos Sportinguistas. Também decorreu uma campanha de recolha de fundos que durou mais de dois anos.

A construção dos primeiros dois pavilhões, que entretanto ganharam o nome de Gémeos, revitalizou os cofres leoninos (porque deixariam de pagar aluguer de outros recintos para treinos e jogos) e a própria alma verde e branca. Tanto que a 31 de Março de 1976, foi lançado o desafio para se construir o Terceiro Irmão em 64 dias, a tempo de poder receber ainda uma meia-final europeia de hóquei em patins. A tarefa mostrou-se impossível, mas a obra nasceu mesmo, com um número de espectadores bem acima dos 3.000 inicialmente referidos.

Imagem da Assembleia Geral Ordinária que estreou o Pavilhão

 

João Rocha tinha o sonho de construir uma verdadeira cidade desportiva em Alvalade mas, a certo ponto, teve de colocar um travão no projecto inicial, acabando por deixar cair o Grande Pavilhão que seria o primeiro multiusos do país. Razão? Apenas 13% contribuíram com donativos para a obra, algo que foi interpretado como um sinal de que o que existia já parecia ser suficiente.

A ante-estreia da obra deu-se 09 de Outubro de 1976 com a realização de uma Assembleia Geral Ordinária do Sporting, acontecendo a inauguração oficial a 14 de Outubro de 1976, tendo como cartaz um jogo de Basquetebol entre o Sporting e o Real Madrid a contar para a fase de apuramento da Taça dos Campeões Europeus.

Foto do início dos anos 80, do complexo, com os 3 pavilhões

 

O Pavilhão de Alvalade era na realidade um complexo desportivo com 4 mil metros quadrados e três recintos. O pavilhão principal com capacidade para 5000 espectadores e dois pavilhões mais pequenos, fundamentalmente para treinos.

A partir desse primeiro dia, o complexo do Pavilhão de Alvalade passou a ser a casa das modalidades do Sporting e, ao longo da sua existência entre (1976-1986) e depois com as Naves de (1986-1991) que vieram substituir o Pavilhão Principal que teve de ser demolido em 1986, devido à expansão do Metro de Lisboa, viu serem realizadas nas suas instalações campanhas que permitiram conquistar um conjunto de títulos verdadeiramente notáveis em cinco modalidades distintas.

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