RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sábado, Setembro 19, 2020

Neste dia… Um jogo, dois equipamentos

Foi um jogo simples, sem grandes casos ou emoções. O Sporting preocupou-se em resolver a questão nos 45 minutos iniciais, e conseguiu-o. Keita, um jogador africano que vai rivalizar com Cubillas na fama e proveito do golo, decidiria o jogo aos sete e aos 43 minutos do período inicial. Primeiro foi um remate forte e intencional, com a bola a tabelar no defesa algarvio, Sério, e a trair o seu guarda-redes. Depois, a dois minutos do fim da 1ª parte, Keita foi oportuno na sequência de uma jogada envolvente do seu ataque, e finalizou junto à baliza, desfeiteando Silva Morais.

Baltasar em acção.

Apesar disso – da vitória, dos dois pontos, e das centenas de contos proporcionadas pela «boa casa» de sábado à noite – 30 mil sócios e simpatizantes abandonariam o estádio descontentes. Faltou-lhes mais golos, mais espectáculo.

Com a vitória em princípio assegurada, e diminuídos pela substituição de Keita (ligeiramente lesionado), na sua dinâmica normal, – o jogador de Mali, sem posição definida no terreno, aparece nos mais variados lances e zonas de ataque, quer para rematar, quer para fazer jogar – os homens do Sporting baixaram de rendimento, mostraram-se apáticos e isso desagradou aos adeptos, que não entenderam os motivos da quebra.

De qualquer modo, os protestos dos entusiastas leoninos, visíveis nos assobios e reacções à saída, são perfeitamente naturais. A maior parte deles vai ao estádio não pelos dois pontos, mas pelo gosto do espectáculo. E este, como desabafavam alguns à saída, está ainda por cima, mais caro…

Como já dissemos, os 45 minutos iniciais bastaram ao Sporting para garantir a vitória e, quanto a nós, sugeriram boas perspectivas neste campeonato para a turma leonina.

Um guarda-redes (Conhé) ao nível de Damas. A defesa segura, com destaque para os centrais e para Da Costa, que sabe ir à frente e criar lances de perigo. No meio-campo Fraguito (estratego) e Baltasar (a força) formam com Camilo um sector sem rival noutras equipas, exceptuando, talvez, o F.C. do Porto. Na frente, falamos já de Keita. No entanto, quer Manuel Fernandes (duas bolas nos postes) quer o brasileiro Manoel, são homens de elevada craveira, que chegam ao golo com facilidade.

O Portimonense jogou para evitar a goleada. Nos momentos em que o Sporting baixou de ritmo, notou-se uma certa intencionalidade no jogo algarvio, nomeadamente nos minutos finais da primeira parte, tendo obrigado (aos 35 e 37 minutos) Conhé a duas defesas de recurso. O principal elemento de ataque, o brasileiro Hilton, viu-se desamparado e não teve grandes chances diante de Laranjeira e José Mendes. O meio-campo é irregular, com Sota a mostrar-se o mais activo do sector. Na defesa, os dois centrais tiveram actuação regular.

O guarda-redes, Silva Morais, foi um dos poucos casos do jogo. Irritou-se com o árbitro após um lance perto do intervalo em que foi carregado por Baltasar. A caminho dos balneários deve ter discutido com o juíz, que lhe mostrou o cartão amarelo. Ao intervalo à entrada do túnel, os adeptos do Sporting foram implacáveis e assobiaram-no longamente. Quando voltou ao terreno Silva Morais ouviu novos assobios e respondeu de novo com gestos. Resultado: na 2.º parte, e porque jogou na baliza do lado dos sócios da casa, o atleta viu-se a dada altura, perfeitamente desorientado, de tal modo que houve lances fáceis em que largou frequentemente a bola. Valeu-lhe o menor ritmo do Sporting, que não soube ou não quis tirar partido da situação.

Outro caso do jogo ocorreu quase no final, quando num choque pela disputa da bola, o defesa Inácio chocou com Hilton, tendo saído em braços e com traumatismo craniano. Uma falha de peso para os próximos jogos dos «leões», certamente.

Keita.

Inteligentemente o Sporting substituiu as camisolas no final da 1.º parte, dado confundirem-se com as dos adversários. Caso invulgar mas de aceitar. Só que de branco o futebol exibido baixou de nível. Seria só do equipamento ou da saída de Keita.

Em suma, os «leões» têm equipa para disputar o título. Pelo que já vimos nestas primeiras jornadas do torneio, apenas o F.C. do Porto surge em condições semelhantes à equipa leonina para disputar o título.

Ambas beneficiaram ainda, nesta jornada de empates do Benfica e do Belenenses, e aparecem mais isolados na frente. O futuro o dirá, mas não estaremos longe de acertar ao prever que, ao Sporting ou ao F. C. do Porto, poderá assentar o título desta época.

Ficha do jogo:

Estádio José Alvalade

Árbitro: Marques Pires (Setúbal).

Sporting: Conhé, Inácio (Amândio 89’), Laranjeira, José Mendes e Da Costa; Camilo, Fraguito e Baltasar; Keita (Vítor Gomes 61’) M. Fernandes e Manoel.

Treinador: Jimmy Hagan

Portimonense: Silva Morais, Lecas, Sério, Juvenal e Adolfo; Florival, Sota e Eduardo; Fernando, Hilton e Sapinho (Peres).

Golos: Aos 7 e 43 minutos por Keita.

Data: 18/09/1976
Local: Estádio José Alvalade
Evento: Sporting (2-0) Portimonense, CN - 3ª Jornada

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