RUGIDO VERDE

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Terça-feira, Junho 22, 2021

Neste dia… em 1963 – Sporting vence Vasco da Gama (Brasil) por (3-0) em particular realizado no Estádio José Alvalade

Hilário tenta cortar ataque dos vascaínos.

BOM TRIUNFO – Gradual melhoria no rendimento «leonino» e golos aquém da superioridade manifestada

Por Fernando Soromenho

Certíssimo…
Vitória indiscutível do Sporting. Em domínio territorial, equilíbrio, velocidade, sentido táctico e poder de remate os «leões» superiorizaram-se ao valoroso adversário que, apesar de fatigado (sinal que se avolumou quando o «team» português, à meia hora da 2.º parte, modificando o quinteto ofensivo, imprimiu maior rapidez à sua manobra), não foi tão fácil como pode supor-se.

A tradicional técnica dos brasileiros (um regalo) a suavidade no trato da bola, a intenção do passe, a obrigar o jogador a movimentar-se para o espaço vazio, a organização defensiva e o discernimento na urdidura dos lances a meio-campo – características evidentes na primeira vintena de minutos – foram outros tantos obstáculos que compeliram o Sporting a aplicar-se convenientemente por forma a contrabalançar o desacerto ofensivo e, por conseguinte, impedir qualquer golo susceptível de provocar perturbação nervosa.

Os «leões» acabaram em excelente plano, patenteando uma agradável subida de rendimento e os três golos ficaram aquém da superioridade evidenciada. A madeira da baliza, o infortúnio, aliado a hesitações em momentos decisivos, fizeram gorar uma vantagem numérica mais expressiva.

Em vésperas de abalada para as Américas, onde as dificuldades serão muitas (viagens, ambientação climatérica e esforço contínuo), o «onze, sportinguista soube conquistar um bom estímulo. O «Vasco» é sempre um aferidor de categoria… O jogo, apreciado em si próprio, não foi famoso, devido à alternancia de prolongadas fases de monotonia com lampejos de vivacidade, mas a segunda parte ofuscou a primeira em todos os aspectos, com o senão do menor poder físico dos cariocas, visível na construção e manutenção dos enlaces atacantes que, em determinada altura, se assemelharam às ondas da maré-vazia a desfazerem-se na areia…

A improdutividade geral, moldada na dobra e redobra de passes a meio-campo em ritmo moderado e até lento, adquiriu feição diferente, a partir dos 30 minutos, período em que o Sporting, por três vezes, teve o golo à vista e o «Vasco» duas. Nestas valeu a atenção e segurança de Carvalho e nas outras tornou-se evidente a imperícia no remate por parte dos dianteiros locais.

No segundo tempo, o tento de Mascarenhas («corner» bem executado por Morais e salto vistoso e eficaz do avançado-centro) espevitou não só o jogo como os homens de Alvalade e, por isso, não surpreendeu o ciclo das substituições operadas no «team» visitante (a quatro «novos» vascaínos o Sporting opôs, apenas, dois…), e também a supremacia que determinou, por vezes, a vulgaridade na evolução dos brasileiros.

Mascarenhas marca o 1º tento.

Com as saídas de Osvaldo Silva e Augusto, diligente mas irregulares, os «leões» assentaram a sua toada e o guineense Bernardo da Velha, que vimos pela primeira vez, passou a figurar a constância requerida. Pareceu-nos elemento de estofo. O quinteto dianteiro – Figueiredo, Bernardo, Mascarenhas, Geo e Morais -, então, ensaiado e conservado até ao final, encarregou-se de evidenciar melhor estrutura e outras possibilidades. A asa-esquerda movimentou-se e a dinâmica e a intencionalidade alcançaram um grau de eficiência apreciável.

O 2-0, puro contra-ataque, tão singelo como positivo (arrancada fulminante de Geo, centro modelar de Figueiredo e remate, sem deixar cair a bola no solo, de Mascarenhas – belo tento), definiu a capacidade dos sportinguistas, além de pôr termo, de vez, a qualquer reacção contrária.

O 3-0, a dois minutos do final, comparou-se à cúpula doirada do bom momento «leonino» condicionado, no entanto, à fadiga dos brasileiros.

Segurança e autoridade (relevo para Carvalho, Lúcio e Pérides), regularidade (Hilário e Alfredo, esforçado), velocidade (Geo e Morais, quando no flanco esquerdo), oportunidade e acerto (Mascarenhas) e perseverança e ânimo (Bernardo, que revelou qualidades, e Figueiredo) constituíram o esquema do grupo «leonino». Uma referência, também, para a aplicação geral.

O «Vasco», que apresentou a sua equipa mais fraca de quantas se deslocaram a Portugal, lutou com vincada correcção, nunca se entregando em absoluto, Brito, Sabará e Lorico foram os mais regulares.

Arbitragem de bom nível.

As duas equipas:

SPORTING – Carvalho; Pedro Gomes e Hilário; Pérides, Lúcio e Alfredo (ex-Vitória de Setúbal); Morais (Figueiredo), Osvaldo Silva (Bernardo da Velha), Mascarenhas, Augusto (Geo) e Geo (Morais).

VASCO DA GAMA – Humberto; Paulino (Joel) e Dario; Ecio (Maranhão), Brito e Barbosinha (Russo); Sabará (Joãozinho), Célio (Sabará), Saul, Lorico e Ronaldo.

Árbitro: Dr. Décio de Freitas.

1.º parte: 0-0.

Golos: Mascarenhas (49 e 78 m.) e Figueiredo (88 m.) (Sporting)

Fonte: Diário de Lisboa

Data: 11/06/1963
Local: Estádio José Alvalade
Evento: Sporting (3-0) Vasco da Gama (Brasil) - Jogo Amigável

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