RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quinta-feira, Novembro 26, 2020

Neste dia… em 1953 – Sporting goleia Lusitano de Évora por 9-0

Mendonça provoca o pânico na defesa alentejana.

Pouca gente, inclusive entre os sportinguistas mais animosos, terá acreditado numa vitória leonina por um resultado tão expressivo, no prélio de ontem com o Lusitano Ginásio Clube. E a razão da pouca «fé» num «score» folgado tinha fundamento por se saber que a Turma da capital alinharia desfalcada de algumas das «pedras» em que assenta normalmente, o seu labor ofensivo.

Por outro lado, os campeões nacionais tinham de contar com um adversário aguerrido e moralizado, sobretudo, pela proeza cometida na jornada anterior, vencendo os «melhores» do Norte, sem margem para duvidas quanto à justiça da vitória.

É certo que se sabia que os alentejanos também não apresentariam a sua máxima força. Defrontavam-se, pois, dois grupos empobrecidos de alguns dos seus melhores valores. O balanço das possibilidades de um e de outro era, incontestavelmente, favorável ao Sporting, mas as perspectivas mais optimistas não ultrapassavam um triunfo por cifras normais.

Este era o perfil da partida visto à distancia… No campo, os acontecimentos excederam as previsões e o Sporting triunfou por 9-0, como podia ter vencido por marca mais robusta. E tudo se passou normalmente em jogo «limpo» e com o «xadrez» do adversário completo, do primeiro ao ultimo minuto. Como foi isso possível?

A própria marca revela as facilidades que os «leões» encontraram

Um começo fulgurante, em estilo aceitável, embora sem grandes rasgos, proporcionou-lhes, a obtenção de quatro tentos de vantagem e com eles visível desafogo para encarar o resto da partida.

Os alentejanos, desenhando jogadas vistosas a meio do campo «marcavam passo» nas proximidades da zona de remate. De tal modo que, em todo o desafio, Carlos Gomes, apenas, por duas vezes, teve de executar defesas com maior aplicação.

E os lisboetas foram, paulatinamente, sem pressas e sem preocupações de maior, constituindo o seu resultado, que podia ter ficado porventura mais «histórico» se alguns preciosismos e certa precipitação no momento dos remates não tivessem vindo a lume umas quantas vezes. Com mais calma e menos «bonitos», as «abertas» da defesa eborense teriam sido verdadeiro manancial de golos para os verde-brancos.

Disto, infere-se, portanto, que o comando das operações pertenceu sempre ao Sporting, dominador absoluto desde o começo, a ponto dos «baks» se terem dado ao luxo de actuarem algumas vezes sobre a linha de meio-campo.

Para além do resultado, impressionou-nos no «onze» de Alvalade o ar de equipa confiante, conscia das suas possibilidades. Os reservas, chamados a preencher os lugares dos «astros», empenharam-se em demonstrar que também, como os titulares, tratam a bola por tu e sabem ser eficientes. Fizeram um futebol com princípio, meio e fim, agradável de seguir, apesar do sendo de toada «morna» que o caracterizou.

Individualmente, todos estiveram bem. Que dizer de jogadores de uma equipa que consegue nove golos sem resposta? Mas se se quiser ao menos uma referência, esta não pode deixar de ir para o jovem extremo-direito, Hugo Sarmento, que levou a palma aos companheiros no muito de bom que fizeram.

O grupo de Évora, que vimos pela segunda vez nesta época, voltou a ficar longe daquela mesma equipa a quem na temporada anterior tivemos ocasião de nos referir em termos de muito agrado. Não parece a mesma! Perdeu vivacidade, espírito de luta e eficiência. Ao vê-la no relvado de Alvalade, mesmo considerando a ausência de quatro titulares, pensámos como lhe foi possível vencer o Futebol Clube do Porto, há oito dias!

A defesa, onde Vital foi mal batido por três vezes, viu-se sempre em desvantagem quando os sportinguistas forçaram o andamento. Os médios, sobretudo Di Paola estiveram infelizes e o ataque claudicou em demasia. Meia dúzia de remates às redes-quase todos de apreciável distancia, não chegam sequer para se poder afirmar que, apesar da «goleada», o quinteto teve sentido ofensivo. Tem atenuantes? Tem sim senhor. A forma resoluta e certa como se defenderam os defensores leoninos e o facto de, invariavelmente, terem sido mal servidos pelos companheiros da retaguarda.

Toda a equipa jogou mal, sem centelha e sem personalidade. Uma tarde cinzenta que os eborenses precisam esquecer, porque a exibição foi pobre demais para ser verdadeira… Entre o Sporting e o Lusitano, normalmente. não existem nove golos de diferença.

Citações individuais… Quem? Se ninguém se salvou!

Por ANTÓNIO FARIA no Diário de Lisboa

Num jogo arbitrado por Correia da Costa (Porto), o Sporting alinhou com o seguinte onze:

Sporting: Carlos Gomes; Caldeira e Passos; Vicente, Galaz e Juca; Hugo, Serra Coelho, João Martins, Mendonça e Aparício.

Treinador: Joseph Szabo

Golos: Mendonça (1′, 64′ e 75′); Juca (8′), João Martins (12′ e 69′), Serra Coelho (54′), Hugo (59′) e autogolo de Di Paola (Lus. Évora) (4′) .

Data: 25/10/1953
Local: Estádio José Alvalade (Estádio do Lumiar)
Evento: Sporting (9-0) Lusitano Évora, CN - 4Jornada

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