RUGIDO VERDE

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Domingo, Novembro 17, 2019

Entrevista a Negrete em 1986: «Nas ruas já tinha a mania de fazer remates de bicicleta»

Manuel Negrete, o mexicano dos golos bonitos transformou-se em poucos dias, no ídolo dos adeptos do Sporting é num dos mais populares futebolistas do Campeonato Nacional.

Dentro das quatro linhas, o jovem mexicano confirma a sua tendência para os golos de belo efeito. No Sporting não se fala de outra coisa, nos feitos de Negrete, nos seus golos espectaculares, e na forma como conduz a equipa de Manuel José.

A «Foot» escolheu-o como convidado do mês e, obviamente a chuva de postais caíram num ápice, na redacção da nossa revista. A jovem Paula Correia, da Rua Cidade da Beira, em Lisboa, foi a leitora premiada. Adepta «ferrenha» do Sporting e de Negrete não conteve a alegria de jantar ao lado de uma das grandes figuras do futebol Mundial. Num ambiente super-leonino, o jantar aconteceu no restaurante «Gamba Real», no Largo Trindade Coelho e foi anfitrião o seu proprietário, Sr. Carlos Patrício, um homem que nunca despiu o «verde e branco» do seu clube.

A Paula Alexandra Ferreira Correia, não se limitou apenas à pergunta e deixou o próprio Negrete acanhado:

«Uma leoa que o adora, achando que a sua vinda para Portugal foi o melhor que podia ter acontecido ao Sporting».

Agora a pergunta: «Como dizia no jornal «A Bola» é verdade que tirou um «curso» de pontapés de bicicleta?»

Negrete sorriu. Parecia esperar a questão:

– Desde pequeno que gosto de pontapés de bicicleta. Nas ruas já tinha a mania de fazer remates de bicicleta e com Hugo Sanchez na Universidade do México, treinávamos muito esses remates.

Num Mundo materialista como é aquele em que vivemos e sabendo que o Negrete é um homem que está por dentro do espírito de uma selecção, como vê os acontecimentos passados em Saltillo com o futebol português? (Fernando Alberto Pereira Silva Morais, Queluz)

«Eu, como jogador estaria com os jogadores. Há momentos em que nós jogadores, temos problemas que as pessoas desconhecem».

Depois de chegar a Portugal, que achou do nosso futebol? (pergunta seleccionada entre todos os atletas do futebol juvenil do Sport Lisboa e Olivais)

«Comparando com o futebol mexicano penso que o futebol português é mais rápido. O futebol português é melhor que o futebol mexicano. Porque tem mais a factos internacionais, especialmente, com os jogos das Taças Europeias.»

Qual foi para si o melhor defesa no Mundial do México? (José Gaspar Fialho Batista, Moura)

«O alemão federal Karl-Heinz Foerster, um grande defesa».

Acha que Manuel José não gosta de golos bonitos, já que em Vila do Conde marcou um bonito golo e você saiu e com o Salgueiros estava prestes a marcar e também saiu? (Victor Leitão, Seixal)

«Essa pergunta é para o treinador».

Negrete, o melhor do Mundo são crianças, mas porque razão morrem diariamente milhares de crianças com fome? (Jorge Ramos, Barreiro)

«Essa é uma questão para colocar a outra pessoa, porque nenhum de nós lamentavelmente, tem poder para modificar esta situação. Em todo o mundo morrem crianças com fome e, no entanto, há pessoas à gastarem fortunas com armas e material de guerra».

Qual foi para si a maior alegria e a maior desilusão desde que está no mundo do futebol? (António Dinis Sanches da Silva, Amadora)

«Tenho tido muitas alegrias, Graças a Deus, mas também já tive algumas desilusões. Para qualquer jogador uma derrota, um golo falhado, é sempre uma desilusão. Tenho de facto tido algumas, mas felizmente, não muitas».

Negrete, pode contar-nos a sua vida futebolística? (Daniel Fraga, Pico).

«Compre a Super-Foot e aí verá uma pequena história».

Quando se encontrava a disputar a fase final do Mundial 86, passou-lhe pela cabeça que um dia poderia vir a jogar ao lado de alguns dos apelidados «revolucionários» de Saltillo? (Luís Miguel Lameira, Azambuja)

«Na verdade não, nunca pensei vir para Portugal. Foi tudo muito rápido, mas também penso que eles não são revolucionários. São jogadores com direitos, nada mais».

Qual a posição onde mais gosta de jogar? (António Paunte, Bragança)

«Onde estou jogando».

Queria saber se lhe aparecesse um contrato para o Real Madrid, para jogar ao lado do seu compatriota Hugo Sanchez, aceitaria? (Alfredo Banora, Odivelas)

«É muito difícil responder. Jogar no Real Madrid com Sanchez seria bom, mas no Sporting também me sinto muito bem. Na altura teria que pensar muito bem».

O que pensa do futebol português em relação ao mexicano e a nível mundial? (Victor Sérgio da Costa Sousa, S. João da Madeira).

«Penso que os dois têm bom nível, mas a única diferença reside na possibilidade de se jogar na Europa. Têm ambos bons jogadores e possuem ambos muito boa técnica».

Podendo considerar-se um privilegiado como vê o futuro do seu país que tenta desesperadamente manter-se de pé, e onde a miséria e a decadência humana são uma parte integrante do quotidiano? (Susana Garcia, Almada).

«Penso que, como em todo o Mundo existem coisas positivas e negativas. O México tem muitas necessidades, mas quer seguir em frente. Tem muito boa gente, mas como em todo o mundo também há gente má. O meu coração pensa sempre no México, e há que conhecer bem o meu país para se falar dele e senti-lo».

Já alguma vês te dopaste e porquê? Hugo Miguel Soares Pereira Osório, Lisboa).

«Não, Nunca tomei nada. Deram-me uma vez a provar, mas não senti nenhum problema».

Fonte: Revista «Foot» Novembro 1986

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