RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Terça-feira, Junho 02, 2020

Em 1960, vitória concludente por 7-1 em Setúbal

Vinte e cinco minutos de oiro da equipa do Sporting aniquilaram os sadinos

Por NUNO MOTA

O jogo no velhinho campo dos Arcos entre o Vitória de Setúbal e o Sporting antevia-se um tanto difícil para qualquer dos dois «onzes» porquanto, muito embora a actual força dos dois grupos seja diferente como a noite do dia, a verdade é que o estado de espírito dos atletas e o querer – que muitas vezes opera milagres – até certo ponto deviam ser nivelados.

Os «leões» porque embora cientes do seu valor jogavam no campo do adversário e tinham acima de tudo absoluta necessidade de vencer para, pelo menos, não perderem de vista o «leader»; os Sadinos porque com a descida de divisão à vista viam neste jogo em casa e com um adversário também preocupado a possibilidade de surpresa.

Os primeiros minutos de jogo, vibrantemente vividos pela assistência, a maior este ano registada em Setúbal, deram a sensação de que o equilíbrio poderia vir a ser a nota dominante. Foi, porém, uma ilusão, pois, cerca dos dez minutos, o grupo visitante começou a traçar excelentes esquemas em que a bola girava vertiginosamente por entre os sadinos que mais se assemelhavam a postes de treino que a homens que se mantinham ali com o único fim de serem opositores mais ou menos directos.

Foi notória no grupo setubalense a ausência de preparação física

A boa orquestração do jogo leonino, especialmente o de ataque, alicerçava-se toda ela na frescura física dos homens de Imbeloni, na sua rapidez de pernas em contraste com os pupilos de Severiano que em cada dez metros de corrida perdiam três!

Este período de nítido ascendente leonino – um regalo para o espectador neutro e simples adepto do jogo durou precisamente vinte e cinco minutos. Durante ele a linha dianteira dos «leões» chegou a recordar os célebres «violinos», tão incisiva e influente era a sua manobra. Essa recordação foi, no entanto, ensombrada pela pouca precisão patenteada pelos homens encarregados da finalização. Vadinho então, neste aspecto chegou a ser enervante.

Realmente custa a crer que jogando-se daquela forma e perante uma defesa a actuar com tanta modéstia, os dianteiros leoninos apenas tinham conseguido dois tentos e qualquer deles com culpas para Mourinho e Vaz.

Mas, se esse período de oiro dos «leões» não foi tão positivo como poderia e deveria ter sido, ele foi-o no entanto no aspecto moral, porquanto os sadinos foram positivamente aniquilados perante a avalanche verde. Mesmo depois quando obtiveram um tento e poderiam até ter empatado se pôde ver que os homens da rainha do Sado não acreditavam que tal fosse possível. E assim, descrentes, melhor proporcionaram a observação de certos pormenores em que a equipa se mostra particularmente inferior e entre os quais estarão, sem a mínima duvida, a falta de preparação física da totalidade dos seus elementos, a insipiência do guardião com erros técnicos de palmatória (o mergulho frontal é um processo inadequado) e a ausência de ligação entre os diversos sectores. Todas estas falhas, claro, proporcionaram, no segundo período, numa altura em que já tinha até certo ponto desaparecido o perfume do rompante leonino, uma chuva de tentos, alguns dos quais foram mais consentidos do que construídos.

E assim o Sporting conseguiu mercê de um pedaço de verdadeiro futebol desfazer a tal igualdade que se antevia, ampliar a moralização dos seus jogadores na corrida para o título e fazer ruir em grande parte as esperanças dos sadinos em se manterem para a próxima época no convívio com os grandes.

Entre os vencedores a defesa não tendo grandes problemas também não revelou a solidez de outros dias, em especial Lúcio que esteve abaixo do que vale. Carvalho que substituiu Octávio de Sá, na segunda parte, cumpriu e deu confiança aos companheiros. Mendes enquanto apto viu-se mais, que Júlio, o que nem sempre significou melhor jogo. O sector dianteiro para além do período bem, em que todos mereceram louvores, teve em Fernando, Hugo e Diego as suas melhores pedras, Vadinho quer afirmar-se de novo, mas esteve péssimo no remate.

Nos vencidos poucas serão as referências elogiosas, tão iguais foram todos no mau rendimento. Talvez Vaz e Casaca com o senão de não acompanhar devidamente o jogo e ainda Pompeu pela vontade posta na luta tenham conseguido ainda assim sobrepor-se aos companheiros.

Arbitragem regular de Braga Barros, pecando no entanto, por ter permitido jogo súcio por parte de vários jogadores.

Fonte: Jornal Diário de Lisboa

O Sporting alinhou com: Octávio de sá (Carvalho na 2ª parte); Mário Lino, Lúcio e Hilário; Fernando Mendes e David Júlio; Hugo, Vadinho, Fernando Puglia, Diego e João Morais.

Golos: Pompeu 43′ (Setúbal) ; Diego 6′, 75′ e 76′, Vadinho 9′, 70′ e 87′ e Fernando 85′ (Sporting)

Imagens do jogo.

Data: 06/03/1960
Local: Estádio dos Arcos (Setúbal)
Evento: V. Setúbal (1-7) Sporting, CN - 20ª Jornada

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