RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Segunda-feira, Maio 25, 2020

De Francheschi: “Fazer figuras destas, não!”


Todos os sportinguistas foram sujeitos a 90 minutos de puro terror em Munique, mas houve um adepto especial – mesmo sem ser português, diz-se tão leão quanto os melhores – que viajou 500 quilómetros da sua Pádua natal e, para seu desgosto, viu o símbolo pelo qual se apaixonou sofrer o maior vexame da sua longa história europeia. A O JOGO, Ivone De Franceschi, primeiro italiano a jogar em Portugal e um dos heróis da época 1999/2000, marcada pelo ponto final nos 18 anos de seca verde e branca em títulos de campeão nacional, foi à Alemanha como um verdadeiro “tifoso”, e foi nessa condição que disse que algo deve ser feito, com calma: “O Sporting nunca, mas nunca pode perder assim, fazer esta figura! Ainda por cima na Europa, onde é muito respeitado, mas é fácil que se procurem culpados nestas alturas.

O clube ganhou uma grande estabilidade nos últimos tempos e não a pode perder por causa de duas goleadas. Não são estes resultados que põem em causa o trabalho de uma época. Já aconteceu o mesmo na Champions ao Roma, sofrer sete golos, mas seguramente a ‘societá’ do Sporting vai superar isto.” Compreensivo com os adeptos, De Franceschi recomendou: “Os ‘tifosi’ sportinguistas são únicos, mas percebo a sua revolta. Não vale é a pena pedir-se a cabeça do treinador! Isso seria o mais fácil. É preciso ter calma e assentar ideias para ganhar o campeonato e a Taça da Liga.”

Barbosa faz um grande trabalho

Assim que chegou a Munique, De Franceschi foi direitinho ao hotel onde a comitiva verde e branca se instalou para abraçar o seu grande amigo e ex-colega Pedro Barbosa. Sentimentos à parte, o homem que vestiu a camisola 25 verde e branca antes de João Pinto não tem dúvidas: “O Pedro está a fazer um grande trabalho. Talvez não seja muito visível para o exterior, mas fá-lo. Já era um líder nos seus tempos de jogador e não me espanta que tenha tido futuro no clube noutras funções. Não o digo por ser seu amigo, sei que é competente.”

Sou um sportinguista de verdade

“Escreva aí que eu sou sportinguista de verdade! Cresci como um adepto do Inter, a minha equipa em Itália, mas sofro pelo Sporting, estou sempre atento.” Após esta manifestação, De Franceschi reforçou: “Ser campeão no clube foi inesquecível, o maior título da minha carreira, mas a homenagem dos adeptos, quando joguei em Alvalade pelo Chievo Verona, foi das melhores coisas que vivi! Emocionei-me, cantaram o meu nome, dei voltas ao relvado. Não sabia que gostavam tanto de mim.”

Voltar ao clube seria fantástico

Depois de terminar a carreira aos 33 anos, ao ser-lhe detectada uma malformação congénita numa das coronárias principais do coração, De Franceschi é hoje coordenador do gabinete de observação do Pádua. Voltar a trabalhar no Sporting seria interessante, mas só pensa voltar em breve a Alvalade como adepto: “Procuro as pessoas do Sporting, porque gosto delas, não com outros interesses. Seria fantástico voltar ao clube, não o nego, mas agora quero regressar a Alvalade para apoiar a equipa, desde que o resultado seja outro.”

Ainda acredito que seremos campeões

Esperançado na conquista do título de campeão, o transalpino só lamenta que os leões precisem de esperar por um deslize alheio: “O Sporting está em terceiro lugar e acredito que tem todas as chances de ser campeão. Eu fico por Pádua a torcer para que assim aconteça [risos]. Aquela vitória sobre o Benfica foi muito importante, uma vez que a ‘squadra’ não se afastou da corrida, mas é sempre perigoso, quando não dependemos de nós mesmos. Temos de ser fortes e ter paciência neste momento difícil. Espero que não seja tarde de mais, até porque o FC Porto raramente facilita.”

Fonte: Jornal O jogo

Data: 12/03/2009
Local: Jornal O Jogo
Evento: Entrevista a De Franceschi

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