RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quinta-feira, Agosto 06, 2020

Do céu ao inferno em apenas três dias

O Sporting reaparece nesta 12ª jornada da Liga NOS depois de ter efetuado, provavelmente, a melhor exibição da época até ao momento. O jogo em casa, frente ao PSV Eindhoven, abria excelentes expectativas para esta deslocação ao Minho, em Barcelos, frente à equipa do Gil Vicente, que se situava a meio da tabela à partida para esta jornada. Para este confronto Silas manteve praticamente todo o onze utilizado a meio da semana, exceção feita para a promoção à titularidade de Jesé Rodriguez em detrimento de Bolasie.

O jogo começou com o Sporting a assumir mais as despesas do jogo sem, no entanto, conseguir criar grandes oportunidades. Foi, contudo, o Gil Vicente que chegou ao golo à passagem dos 18 minutos. Lance caricato por parte de Ilori. Após um lançamento longo do Gil Vicente, Tiago Ilori recupera a bola, todavia, faz um passe demasiado curto, sobrando a bola para Sandro Lima que oferece o golo a Kraev, sendo o próprio Ilori a colocar o Búlgaro em jogo!

O Sporting foi tentando chegar mais à frente, mas o Gil Vicente não permitia muito espaço, tendo-se posicionado, desde cedo, muito recuado no terreno sempre à espera de uma possibilidade de saída rápida. Foi já perto do intervalo que surgiram as melhores oportunidades do Sporting na primeira parte.

Primeiro uma boa oportunidade por intermédio do médio Wendel, aos 42 minutos. Após uma boa incursão de Vietto do lado esquerdo do ataque, o avançado deixa a bola para Wendel. O médio brasileiro, de costas para a baliza, consegue arranjar maneira de tabelar a bola com um jogador adversário ficando em boa posição de remate, fazendo a bola embater nas malhas laterais da baliza do Gil Vicente.

Logo a seguir uma boa oportunidade através de Jesé Rodriguez. Mais um espetacular passe de Bruno Fernandes, em volei, com a bola a chegar ao espanhol que dispara em direção à baliza, mas com o guardião gilista a sair muito rápido aos seus pés e a salvar o golo.

Já nos descontos da primeira parte o golo do Sporting! Grande lançamento longo de Bruno Fernandes para Wendel, que deixa o lateral Fernando para trás e no frente a frente com Denis remata fraco, mas com a bola a entrar no fundo das redes. O guarda-redes gilista não ficou nada bem na fotografia deste golo.

Terminou a primeira parte com mais de 70% de posse de bola para o Sporting, mas com poucas oportunidades golo. Só nos últimos minutos é que este domínio no jogo se traduziu em golo, com Wendel a igualar a partida, após um primeiro tento da equipa Minhota.

A segunda parte começa igual à primeira. Um Sporting com mais iniciativa e o adversário a marcar aos 54 minutos num lance de penalty, após um derrube de Acuña a Baraye. Em frente a Maximiano, Sandro Lima engana o guarda-redes e volta a colocar a equipa de Barcelos na frente do marcador.

O Sporting sentia exatamente as mesmas dificuldades da primeira parte. Sem espaços para jogar perante uma equipa adversária muito bem posicionada, só aos 75 minutos é que vimos um “cheirinho” de oportunidade quando Vietto, já na área, remata contra um adversário, saindo a bola ao lado da baliza.

Para os últimos minutos estavam guardados os lances mais relevantes desta segunda parte. Primeiro um lance em que Lourency cai na área do Sporting, derrubado por Doumbia que atinge o jogador gilista ao mesmo tempo com o cotovelo na cara. Quando o jogo parou, este lance ficou a ser avaliado durante algum tempo pelo VAR. No final, o árbitro Hugo Miguel assinala fora-de-jogo no início da jogada e expulsa Doumbia por agressão ao jogador do Gil Vicente. Contudo, após alguns instantes volta atrás na decisão e chama Doumbia ao relvado anulando o cartão. Uma situação algo confusa, mas que permitiu ao Sporting continuar em jogo.

Aos 99 minutos, quando o Sporting já estava completamente balanceado para o ataque, o Gil Vicente consegue chegar ao terceiro golo. Recuperação de bola e contra-ataque rápido que aproveita a descompensação leonina. Bom lance de Zakaria Naidji, que após uma correria de mais de 70 metros, passa por Acuña e Bruno Fernandes e frente a Maximiano não perdoou e fechou a partida.

Resultado péssimo e inesperado por parte do Sporting, depois de uma vitória categórica na Liga Europa. Com esta derrota, a equipa não aproveita o deslize do Famalicão e afasta-se cada vez mais dos primeiros classificados.

Nos próximos dias, estas duas equipas defrontar-se-ão novamente, desta feita para a Taça da Liga, onde a vida não se afigura fácil tanto para Sporting como para Gil Vicente.

Análises Individuais:

Maximiano (Nota 5) – O jovem leão manteve a titularidade depois de uma exibição muito positiva na jornada europeia a meio da semana. Neste jogo sofreu 3 golos e isso pesa, mesmo que não tenha tido culpas diretas em nenhum deles.

Acuña (Nota 4) – Depois de uma grande exibição a meio da semana hoje…foi dos piores. Ficou indiscutivelmente marcado pelo penalty cometido que dá origem ao segundo golo do Gil. Mesmo sem contar com esse lance não fez uma boa exibição quer defensivamente, quer ofensivamente.

Ilori (Nota 4) – Outro jogador que ficou manchado por um erro crasso logo aos 18 minutos, quando errou o passe e permitiu à equipa de Barcelos inaugurar o marcador. Não tem tido uma época nada fácil.

Mathieu (Nota 5) – Foi mais um dos jogadores em grande destaque na jornada europeia. Hoje não esteve particularmente brilhante. Ainda assim tentou ajudar a equipa, até em termos atacantes, com uma série de iniciativas importantes.

Rosier (Nota 5) – Rosier é um jogador discreto, que tem cometido alguns erros defensivos, nomeadamente no que concerne ao seu posicionamento. Hoje não encontrou grandes dificuldades, pois o adversário apenas saía a espaços, mas poderia ter ajudado mais no apoio ao ataque.

Doumbia (Nota 4) – Depois de uma série de jogos um pouco mais positivos, hoje voltou ao seu “normal”. Jogo fraco de Doumbia que pouca influência teve a meio campo. Muitas vezes vimos Bruno Fernandes a ter que baixar ao seu lugar para iniciar a fase de construção da equipa. Nota para o lance aos 90 minutos, em que leva vermelho e é posteriormente “perdoado” sem ninguém compreender o porquê.

Wendel (Nota 7) – Tal como a meio da semana, esteve a bom nível neste jogo, principalmente na primeira parte. Criou uma oportunidade de golo aos 42 minutos e marcou o golo do empate já em cima do apito do arbitro para o intervalo. Saiu aos 67 minutos numa altura em que o Sporting necessitava de opções mais ofensivas.

Bruno Fernandes (Nota 6) – Raramente joga mal e hoje, mesmo sem o brilhantismo da última quinta-feira, voltou a dar o seu contributo à equipa. Ao contrário do habitual, não rematou uma única vez, mas fez a assistência para o golo do Sporting e fez mais dois passes de golo que não foram concretizados.

Vietto (Nota 5) – Esteve bastante apagado. Nota apenas para um remate bloqueado aos 75 minutos. Esperava-se mais.

Jesé Rodriguez (Nota 5) – Não esteve ao nível esperado e até podia ter marcado no final da primeira parte, após um passe fantástico de Bruno Fernandes. Na segunda parte raramente se deu por ele.

Luiz Phellype (Nota 4) – Luiz Phellype jogou? É que pouco demos por ele. É um jogador claramente de finalização, não contribuindo muito para o jogo de equipa. Hoje não teve qualquer lance para finalizar e, por isso, praticamente não foi visto.

Bolasie (Nota 4) – Entrou aos 68 minutos para o lugar de Wendel, mas não conseguiu dar a dinâmica desejada ao ataque.

Rafael Camacho (Nota 4) – Não foi uma aposta ganha de Silas. Não trouxe a criatividade necessária para ajudar a equipa a chegar ao golo.

Eduardo (Sem avaliação) – Entrou já perto do final, mas não teve uma boa entrada falhando alguns passes.

Silas (Nota 4) – Teste reprovado por Silas. Depois de um jogo brilhante frente ao PSV, o que se esperava seria uma equipa motivada e com vontade de garantir nova vitória. Não se viu isso. Viu-se um Sporting descoordenado, sem chama, com erros defensivos absurdos e sem capacidade para criar oportunidades perante uma equipa que subiu esta época, com um plantel formado integralmente há poucos meses. Não há desculpas.

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4 Comentários
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Pedro

“Doumbia (Nota 4) – Depois de uma série de jogos um pouco mais positivos, hoje voltou ao seu “normal”. Jogo fraco de Doumbia que pouca influência teve a meio campo. Muitas vezes vimos Bruno Fernandes a ter que baixar ao seu lugar para iniciar a fase de construção da equipa. Nota para o lance aos 90 minutos, em que leva vermelho e é posteriormente “perdoado” sem ninguém compreender o porquê.” Se foi assinalado fora de jogo o lance seguinte é anulado, não havendo falta, que no caso até era penalty, não há lugar a cartão como é lógico. O estranho… Ler mais »

GreenMarquis

Nem os 4-0 com os holandeses foram o ceu, nem estamos agora no inferno.
Ganhar ou perder jogos não apagam, não escondem, não desculpam, nada do que anda a ser feito ao nosso clube.

Voltámos ao antigamente, onde perder era uma constante, mas agora estamos mal habituados durante o reinado do BdC. Agora achamos que temos de ganhar e jogar bem e tudo isso… voltou tudo ao passado.

Rui

Voltamos ao Sporting de antigamente o que nos apelidaram de Golfinhos – Uma gracinha e depois para o fundo outra vez. Mas qual era a dúvida ? Então mas quem é que com dois dedos de cabeça achava que ia ser diferente ?É uma história repetida vezes sem conta … Agora vem o Natal abre uma janela do mercado encadeiam-nos com aquisições caríssimas para alienar mais do que o BdC amealhou … Isto dá.moral ao Clube dos Cinquentenários que nos abrilhantou mais uma vez com uma descida ao Lodo do Clube. Em Fevereiro já estabelecido que estamos a preparar a… Ler mais »