RUGIDO VERDE

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Domingo, Março 15, 2026

Neste dia… em 1976, Estreia de Inácio na Selecção Nacional

FIQUEI FELICÍSSIMO POR TER SIDO INTEGRADO NA SELECÇÃO NACIONAL

Entrevista: MIMOSO FREITAS

Fotografia: A. CAPELA

INÁCIO, o excelente defesa do Sporting, é mais um nome que entrou no rol dos «internacionais» portugueses. Integrado na comitiva que foi a Chipre na qualidade de suplente, ele viria a alinhar, por deliberação de Juca, e já sobre a hora do encontro, no lugar de defesa direito, exactamente onde o ex-treinador dos «Leões» um dia o lançou, perante a dúvida, e até crítica, de muitos.

E foi precisamente a ter como tema principal essa internacionalização que nos deslocámos a Alvalade, em véspera de jogo contra o Braga, para sabermos como vira o já popular jogador a sua entrada na «equipa de Todos Nós».

SEMPRE TIVE UMA FÉ DE JOGAR EM CHIPRE

Deitado na marquesa a receber tratamento a forte traumatismo proveniente do jogo de Chipre, como nos contou, Inácio começaria por nos dizer:

– Quando segui para o Chipre pensava ir na qualidade de suplente. Afinal, e com a maior alegria o digo, acabei por ser titular.

– E como recebeu a notícia?

– Nem sei que palavras hei-de dizer. Foi para mim uma satisfação tão grande que não pode calcular. Aliás julgo ser compreensível pois era estrear-me com a camisola de Portugal.

– Pensa ter actuado a contento?

– Sinceramente julgo que sim. Creio que cumpri dentro daquilo que o sr. Juca, que já bem me conhecia do Sporting, deveria esperar.

– E a Selecção? Estaria ela integrada dos melhores jogadores do momento?

– É sempre discutível. Pode ser natural que num ou noutro ponto houvesse algum jogador em melhores condições, isso não discuto mas, como deve compreender trata-se de uma questão de critério da Comissão Técnica e nada há a dizer.

– Teria sido por lhe encontrar valor indiscutível ou por uma certa e justificada simpatia pessoal que o Juca o escolheu?

– Na selecção não podem existir simpatias. Os responsáveis querem mostrar o melhor pelo que certamente não iam arriscar o seu nome e o prestígio de Portugal no mundo futebolístico só porque o sr. Juca simpatizava com A, B ou C.

– Aliás – continua Inácio – encontro-me em boa forma e penso que isso deve ter influído na escolha feita.

Sporting, a equipa do momento. A caminho do título? Sobre este assunto diz-nos o nosso entrevistado:

– A distância de cinco pontos que nos separa do Benfica nem me enlouquece a mim nem aos meus colegas. Só começaremos a pensar nisso lá para o meio da segunda volta. Se tudo se mantiver como até agora muito bem, caso contrário depois se verá. Que vamos bem é uma verdade mas daí a sentirmo-nos campeões vai enorme distância.

– A que atribui a carreira da sua equipa, bem diferente do ano passado?

– Primeiramente queria lembrar que o ano passado também fizemos uma primeira volta que ninguém esperava. Depois, por razões que ainda pergunto a mim mesmo, tudo se perdeu. Talvez abuso de alguns colegas ou a perda da humildade inicial. Este ano, com outro sistema de treino, tudo se modificou e o conjunto encontra-se com uma preparação física excelente que se deve, inteiramente, a «mister» Hagan.

– E o Keita?

– Sim, Keita foi a escolha certa na hora certa. Já o tinha visto jogar através da Televisão e gostei. Nunca pensei foi que se integrasse com tanta facilidade na equipa. Aliando a tudo isto Keita é acima de tudo, um excelente camarada. Quanto à sua influência na equipa as exibições dele e do nosso ataque falam por si. Tudo prova ter sido uma boa aquisição.

SÓ LÁ MAIS PARA A FRENTE SE PODERÁ DIZER SE VAMOS SER CAMPEÕES

– Além do Benfica vê alguma equipa mais com hipóteses de ocupar o primeiro lugar no final da prova?

– Antes do campeonato começar pensava seriamente no Futebol Clube do Porto. Agora, frente aos resultados por este alcançado, especialmente contra conjuntos mais modestos, duvido nessa hipótese, sinceramente.

– Sobre a selecção, com vistas ao futuro, que nos diz?

– Espero fazer tudo por, em primeiro lugar, para bem servir o Sporting e depois a selecção, isto se assim o entenderem os responsáveis.

A entrevista estava no fim. As dores, bastantes grandes, não deixavam o nosso entrevistado com a calma necessária. Deixámos Alvalade onde, mais uma realidade (apesar de jovem) tinha despontado como que a confirmar que valores não faltam. O que escasseia, isso sim, são estruturas mas disso culpa alguma tem o Inácio, O mal vem de cima, e bem de cima!

Fonte: Revista «Golo»

No dia da estreia de Inácio e também de Albertino, perante uma assistência de 5000 cipriotas, em jogo a contar para o apuramento do Mundial de 78, Portugal alinhou com:

Bento; Artur, Laranjeira, Mendes e Inácio; Francisco Mário (Toni 80′), Octávio e Chalana; Nené (c), Manuel Fernandes e Albertino.

Treinador: José Maria Pedroto.

Os golos de Portugal foram apontados, por Chalana aos 36′ e Nené aos 76′.

Resumo do jogo. (Não inclui o golo de Chalana)

Data: 05/12/1976
Local: Tsirion Limassol
Evento: Chipre (1-2) Portugal, Apuramento para o Mundial 1978

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