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Segunda-feira, Julho 06, 2020

Neste dia… em 1963, goleada ao Vitória de Guimarães na final da Taça de Portugal de Futebol

30 de Junho de 1963. Na equipa do Sporting só Osvaldo Silva já vencera a Taça de Portugal (e logo duas vezes), pelo FC Porto e pelo Leixões. Para o Sporting-Vitória de Guimarães o Estádio do Jamor registou uma grande afluência de público (45.000 pessoas e 600 contos de receita) numa tarde de sol e bom futebol na qual o “desporto rei” viveu mais um dia de ótima propaganda.

É verdade que de Guimarães vieram centenas de minhotos em “combóios de esperança”, mas a esmagadora maioria da assistência era naturalmente leonina. Os adeptos do Sporting mostraram-se muito interessados por este jogo. Se por um lado era a possibilidade de obter a vitória nesta competição 9 anos depois, por outro havia o interesse de qualificação para um prova internacional de clubes – a Taça das Taças, que tanto daria que falar!

O técnico leonino era Juca, a equipa: Carvalho; Pedro Gomes, Lúcio e Hilário; Peridis e David Julius; Figueiredo, Osvaldo Silva, Mascarenhas, Geo e Morais.

Apesar de tudo o jogo até nem foi muito desequilibrado, mas a equipa do Sporting mostrou outros níveis de eficácia. A partida começou em toada morna com ambas as equipas a mostrarem algum receio e respeito pelo adversário. Porém, à passagem dos 20 minutos o Sporting inaugurou o marcador. Num livre direto a poucos metros do limite da área vimaranense, Osvaldo Silva arrancou um petardo que fez a bola bater estrondosamente no poste e ressaltar para o terreno – como que prevendo o desenlace na jogada, Figueiredo surgiu de pronto, a faturar na recarga.

Até ao intervalo, que chegou com 1-0, o Sporting foi a equipa mais veloz e prática, mas as oportunidades surgiram de parte a parte. Nos primeiros minutos da 2ª parte foram os minhotos a deter um maior domínio territorial que causou grande incerteza acerca do destino final da competição, mas aos 65 minutos os leões ganharam mais tranquilidade com a obtenção do 2º tento. Numa jogada rápida de contra-ataque, Osvaldo Silva invadiu a defensiva contrária e já quase sobre a linha de fundo centrou atrasado para Figueiredo, de novo, rematar na passada de pé esquerdo. 9 minutos depois, numa das suas execuções habituais de livres-diretos, Lúcio atirou um “míssil” à baliza vitoriana. Roldão nem a viu!

Aos 81 minutos o vimaranense Peres foi expulso por entrar de forma demasiado violenta às pernas de Péridis. A 1 minuto do final Mascarenhas, o melhor marcador da competição com 17 golos, obteve o 4-0 em sequência duma extraordinária jogada individual.

Pode dizer-se que os últimos 25 minutos de jogo foram algo penosos para os nortenhos perante a avalanche de futebol sportinguista. Lúcio, David Julius e Osvaldo Silva foram as grandes figuras duma equipa que encontrou muito mais oposição do que o resultado pressupõe, mas que soube superar as dificuldades com um misto de classe técnica e empenho.

O 4-0 foi o resultado mais desnivelado nos últimos 10 anos de finais da Taça. No final os vencedores deram a tradicional volta ao campo com fotografias e as habituais manifestações de regozijo. Na hora do triunfo os jogadores não esqueceram quem com eles colaborou. Juca (treinador) e Mário Cunha (chefe do departamento de futebol) foram “obrigados” a festejar também dentro do retângulo de jogo.

Depois era grande o entusiasmo na cabina da equipa vencedora. Todos se abraçavam e trocavam-se felicitações. Vivia-se intensamente o triunfo conseguido. Para o luso-brasileiro Lúcio: “Foi uma boa vitória, sem sombra de dúvidas. O resultado ficou certo. O Vitória foi um team que soube perder. Tive medo deles quando havia 1-0. Se nessa altura fizessem um golo talvez não ganhássemos o jogo, mas o nosso querer foi muito grande”.

Juca tinha ganho a Taça de Portugal 9 anos antes como jogador. Agora, no papel de técnico, estava radiante: “Foi uma vitória conseguida contra um adversário que nos deu muitas dificuldades. Lutando rijamente valorizou a nossa vitória e merecia um golo que fosse. Dedicamos esta vitória ao sr. Mário Cunha e seus companheiros de Direção, verdadeiros obreiros desta arrancada final”.

Fonte: www.sportingcanal.com

Data: 30/06/1963
Local: Estádio Nacional (Jamor)
Evento: Sporting (4-0) V. Guimarães, Final da Taça de Portugal

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