RUGIDO VERDE

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Quinta-feira, Agosto 22, 2019

Em 1982/83, Virgílio foi decisivo na estreia contra o Marítimo

Na época 1982/83, o Sporting, actual campeão em título, iniciava o campeonato a jogar contra o Marítimo em Alvalade.

A poucos dias de começar o campeonato, João Rocha, dispensara o treinador inglês Malcolm Allison, campeão nacional na época anterior, por problemas disciplinares ocorridos na pré-época e entregava interinamente as funções de treinador, a António Oliveira, que assumiria as duas funções (treinador-jogador), uma situação que já tinha experienciado, dois anos antes no Penafiel.

O guarda-redes madeirense (Quim), afasta mais uma vez o perigo.

A estreia contra o Marítimo, que tinha acabado de subir à I Divisão, não se asseverou nada fácil. O Sporting até entrou bastante bem no jogo, com muita velocidade e a jogar pelos flancos (em particular pelo direito, com Virgílio em plano de evidência) e criando muitas situações de perigo para o guarda-redes madeirense, Quim, desperdiçadas por Oliveira, Virgílio e Jordão.

O golo, porém, não surgiu durante os primeiros trinta minutos, fase em que o Sporting parecia querer tributar aos seus adeptos uma exibição positiva e não tardou que um certo nervosismo começasse a apossar-se dos jogadores leoninos.

Embora sempre no meio-campo do Marítimo (que nunca conseguiu livrar-se da pressão adversária) o Sporting passou a complicar demasiado os seus lances de ataque, acabando por recorrer muitas vezes ao futebol directo, lançando bolas pelo ar para a área visitante. Fechando-se bem nas imediações da grande área e povoando os caminhos para a baliza, o Marítimo conseguiu resistir ao assalto do Sporting.

No segundo tempo, a actuação do Sporting decaiu muito, o que começou a impacientar os seus adeptos. Os leões insistiam no jogo aéreo ou afunilando o jogo pelo meio campo, onde o povoamento dos madeirenses cortava todas as iniciativas de ataque.

Virgílio

Quando o golo surgiu a 17 minutos do fim, num livre indirecto concluído por Virgílio, a castigar falta de Quim dentro da área, o Sporting apenas dispusera de uma situação próxima do golo, num disparo de Virgílio (homem do jogo) às malhas laterais.

Após o golo, o Sporting correria riscos desnecessários, recuando de forma nítida para o seu meio-campo, de tal maneira que raramente os «leões» voltaram a aproximar-se da baliza do Marítimo.

Dava-se então o inverso que acontecera até então, o jogo passou a desenvolver-se no meio-campo do Sporting, tentando o Marítimo chegar à igualdade, frente a uma equipa que não disfarçava nervosismo e intranquilidade.

O empate só não surgiu nos últimos três minutos porque, em duas vezes, Meszaros (com outras tantas intervenções de grande categoria) impediu que dois remates de Quim Manuel e Flávio, que levavam o «selo de golo», chegassem ao fundo das suas redes.

Sob arbitragem de Miranda Dias (Coimbra) que mostrou cartão amarelo a Quim, as equipas alinharam:

Sporting: Meszaros; Virgílio, Zezinho, Venâncio e Barão; Nogueira, Carlos Xavier (Hamilton, 57) e Mário Jorge; Oliveira, Jordão e Lito (Festas, 82).

Marítimo: Quim; Oliveira, Olavo, Quim Manuel, Arnaldo e Cacheira; Águas (Duarte, 85), Albertino e Eduardinho (Humberto, 82) Flávio e Toninho Metralha.

Golo: Virgílio (73) (Sporting)

Este jogo teve uma curiosidade associada. Dias antes, os jornais noticiaram que a RTP iria transmitir o jogo, facto que foi peremptoriamente desmentido pelos serviços do canal. Mas no Domingo à noite (dia do jogo), quando muitos telespectadores se preparavam para ver outro programa previamente anunciado, foram surpreendidos com a exibição de noventa minutos de futebol… Foi uma situação caricata, que certamente agradou aos desportistas adeptos do “sofá”, principalmente os sportinguistas.

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Rei Leão

Estive lá nesse dia… Estou a ficar velho.

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