RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quarta-feira, Agosto 12, 2020

Crise de Identidade

Em mais uma oportunidade que tenho de exportar as minhas ideias sobre o Sporting para a escrita, hoje falo da identidade ou falta dela no clube. O que se vive atualmente no Sporting é precisamente uma crise de identidade.

Quando me perguntam o que eu quero para o Sporting, a resposta é clara. Quero um Sporting forte, com um discurso sólido, sabendo para onde caminha e o que quer. Nos dias que correm isso é tudo o que o Sporting não tem. É aí que os grandes grupos de pessoas, como a empresa Sporting Clube de Portugal, começam a traçar o seu caminho, incluindo o presente e o futuro. Penso no futuro do clube e o que prevejo é um cenário bastante cinzento, e até com alguns períodos em que se encontra negro.

Muitas pessoas têm-se escudado no discurso do Rúben Amorim. No entanto, aquilo são palavras que vêm do próprio e num clube que se quer grande, o público alvo quer um discurso estruturado e a uma só voz. Porque um jogo decide-se muitas vezes pelo trabalho de equipa, e no discurso não se torna diferente. Não podemos viver à custa de rasgos individuais do Rúben Amorim em conferências de imprensa. Existem poucos Sportinguistas que sintam segurança naquilo que é o futuro do seu clube e na forma como agem os seus responsáveis.

Somos os primeiros a pedir respeito em tantas situações, dentro ou fora do campo, mas ao mesmo tempo não temos uma postura que seja digna de nos darmos ao respeito. Somos atacados por todos os lados, somos um alvo fácil de brincadeira e gozo, sem que ninguém nos defenda com determinação. Tínhamos uma pessoa que ocupava o lugar de Presidente que o fazia, mas como em tantas outras ocasiões na nossa história, escolhemos caminhar pelo lado que nos parece mais fácil, mas é ao mesmo tempo o que nos coloca na boca do lobo.

Tudo isto se explica com a tal crise de identidade. Se o Sporting é uma das maiores instituições do mundo a nível desportivo, não faz qualquer sentido o clube e alguns dos seus adeptos satisfazerem-se com um segundo ou terceiro lugar, vendo isso como um mal menor. Não é assim que se constroem estruturas vencedoras, com mentalidade vencedora e ambição. O segundo lugar é o primeiro dos últimos. Se queremos que o Sporting volte a ser forte, temos de exigir mais e deixar de ser comum vislumbrar indivíduos a felicitarem-se com um número de vitórias consecutivas, quando já nem contamos para o totobola e ao dia que escrevo nos encontramos a uns “míseros” vinte e dois pontos do primeiro classificado no que ao futebol diz respeito. Quando o grau de dificuldade aumentou um pouco, foi o que se viu contra o Porto e contra o Vitória de Setúbal. Pior que esses dois jogos, só mesmo ainda ter de ler um tweet no qual um adepto do Sporting colocava a hipótese de ficarmos em quarto lugar e perguntava aos restantes adeptos se estes preferiam abdicar de passar o playoff da Liga Europa para não ter de jogar às quintas feiras.

Portanto eu só tenho uma mensagem a deixar aos Sportinguistas em jeito de conclusão. Ou existe uma movimentação conjunta e em grande massa por parte da maioria dos sócios ou adeptos, no sentido de voltarmos a ter clube decente e que nos envolva com uma identidade forte e ambiciosa, ou então podem esquecer um futuro risonho. O que é triste porque num passado bem recente, tínhamos tanta identidade que ficávamos irritados por empatar contra a Juventus em casa. Querem continuar nesta sonolência ou acordar novamente o leão?

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josé ascensão

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