RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sexta-feira, Outubro 23, 2020

Salvar o SCP: Respeitando a originalidade da nossa fundação.

Declaração prévia (visto ser a primeira vez que escrevo um artigo para o Rugido Verde): votei em José Eduardo Bettencourt em 2009, em Bruno de Carvalho em 2011 e em 2013. E em 2017. E a favor da Direcção na AG de Fevereiro. E contra a destituição – o meu amor ao Sporting, que guia o que eu faço e digo no que diz respeito ao SCP, obrigou-me a fazê-lo – na AG estatutariamente ambígua que Jaime Marta Soares organizou em Junho de 2018 (exactamente, a tal AG cujas sequelas as criaturas mais rasteiras e submissas e mentirosas de Portugal comemoraram). Nas eleições de Setembro de 2018, a minha seriedade e o meu Sportinguismo, além da ausência de candidatos que me convencessem, impediram-me de votar. Não me sinto, pelo menos por agora (pode ser que a velhice faça florescer outra pessoa em mim, não sei), capaz de sancionar actos eleitorais que recordam os que eram realizados em Portugal antes de 1974. O meu Sportinguismo assenta na seguinte máxima: o clube não deve a ninguém absolutamente nada; o sócio deve ao clube tudo. No pódio de importância que reflecte a longa existência do SCP o clube está nos primeiros três lugares.

No Rugido Verde, grupo de que me orgulho de fazer parte (ao cuidado dos defensores deste “Sporting”: vocês nem imaginam a dimensão dos complôs que temos urdido!), há pelo menos uma vontade que, no contexto em que estamos, nos une a todos: a salvação do Sporting Clube de Portugal, instituição multidesportiva, fundada quando em Portugal a figura cimeira do quadro político era um Rei, que todos amamos. Além desta vontade, que na presente situação é de execução complicadíssima (porque à frente da MAG está um homem cujos honorários saem de contas bancárias de cidadãos de honradez inegavelmente repreensível), há outros pontos em comum, os quais me sinto obrigado a enunciar: ninguém quer prostituir a instituição, ninguém deseja que o seu ego seja acariciado pelo clube, ninguém sonha com formas de gestão que exigem que a soberania do Sporting seja fragmentada e ninguém acredita que a restauração do clube passa apenas por encerrar o tóxico e espectacularmente empobrecedor paradigma que os sócios inauguraram, em mais um acto de traição ao SCP, em Setembro de 2018 (destituir a direcção não é a solução; a solução é a eleição de uma direcção competente, a escolha de um projecto crível e desportivamente ambicioso). Estamos aqui, modestamente, para servir o Sporting. Somente. Adoramos a instituição e veneramos – daí o desassossego que o insucesso do Sporting gera em nós – o objectivo, corporizado numa máxima que todos (até os que salivam por terceiros lugares) sabem de memória, que despertou os heróis que fundaram o nosso clube, objectivo esse que, estupidamente raramente mencionado (indicativo da enfermidade que explica o número elevado e a relevância do Sportinguista que nasceu com coleira), distingue o Sporting Clube de Portugal dos restantes clubes, sejam eles nacionais ou estrangeiros: um clube tão grande como os maiores da Europa.

Por outras palavras, um clube vencedor. Fomos fundados para vencer troféus, para quebrar recordes e estabelecer novos, para vencer todas as competições em que participamos, para, resumindo, alcançar, sem empregar expedientes ilícitos (benfiquices), aquele que no desporto é o mais apetitoso e ambicionado dos desfechos: o do êxito. Não fomos fundados para brincar ao desporto. Essa amena e muito bonita incumbência cabe, julgo, a outros, não a nós. Existir por existir, na insuficiência de títulos, conformados num paradigma obviamente carecido de competitividade, cómodos numa existência destituída do bulício da busca do triunfo (a tensão que cresce à medida que se aproxima o próximo jogo!); tudo isto, todo este rol de comportamentos anti-Sporting, constitui uma afronta ao projecto dos fundadores, um insulto ao lema da instituição, uma desonra para com a memória daqueles – no meu caso, o meu Pai – que nos ensinaram o Sportinguismo.

Existirá Sportinguista que não se lembra vividamente do primeiro dia em que foi a Alvalade, da primeira vez que foi à Loja Verde e se viu cingido por todo o tipo de acessórios, de cachecóis e peluches a bolas de futebol, adornados com o símbolo e cores do nosso amor? O Sporting recuperará, e a seguir existirá digna e ambiciosamente, se os sócios respeitarem as bases do Sportinguismo e apoiarem quem demonstrar ser capaz de materializar a máxima “tão grande como os maiores da Europa”.

Repudiemos quem explica celeremente o porquê de não termos sido nós quem ergueu determinado troféu. O clube é nosso (por enquanto). Entre a instituição que existe e nós há um espelho. O clube reflecte-nos. Como Sportinguistas, mas também como seres humanos: as injustiças que cometemos, as falsidades que não apupamos, as vilanias que não denunciamos, a generosidade e a paixão que não retribuímos, os presidentes idiotas que elegemos e que não destituímos, os presidentes capazes que abandonamos…). Não podemos ser isto. Esta Direcção conspurca cada um de nós e, o mais importante, o Sporting. Este Sporting paupérrimo, obnóxio e esquelético (a famosa “herança pesada”, a maior vigarice da história moderna do SCP, gerou até hoje uns parcos 300, trezentos, milhões de euros) não pode ser o reflexo do Sportinguismo e dos Sportinguistas.

Viva o Sporting Clube de Portugal que quer triunfar, que não pede autorização para vencer troféus ou cobiçar primeiros lugares! Recuperemo-lo enquanto é possível. Nada é perpétuo. A vida de um clube na mão de burlões pode expirar num instante. O Sporting não é imortal.

Sporting só há um, este. Sporting só há um, o controlado por quem é sócio do clube. Sporting só há um, o que pratica tantos desportos quanto possível. Que ninguém julgue que a instituição Sporting Clube de Portugal é inextinguível. O Sporting é o Sporting fundado em 1906 quando luta por títulos e quando os caminhos que o clube trilha são aprovados pelos sócios. Outro Sporting não será o Sporting, mas apenas uma sósia defeituosa, um embuste enfeitado com um animal e uma cor que outrora embelezaram os equipamentos de um clube chamado Sporting Clube de Portugal, actual titular do museu desportivo mais rico de Portugal.

Não peço o impossível aos sócios do Sporting: peço apenas que saibam sê-lo.


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4 Comentários
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Manuel Antonio de Carvalho

Excelente apontamento Subscrevo de todo.

Rui Mota

Subescrevo inteiramente

Lion eats tonight

AMEN!