RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quinta-feira, Setembro 29, 2022

Fake News!

(ou a história recente do Sporting)

Estava ontem a ler as notícias internacionais do vírus, quando me deparei com um título que me chamou imediatamente a atenção: “Dr. Fauci afirma que não há necessidade de uma segunda quarentena”. O título é muito bom, e a afirmação bombástica atraiu certamente milhares de cliques. Para quem não saiba o Dr Fauci é a face do combate ao Covid nos Estados Unidos e tem andado mais ou menos a torre e a massa com o presidente devido às suas tomadas de posição a desvalorizar o vírus.

A curiosidade venceu, fui ler, o que o Dr. Fauci disse, ipsis verbis, foi “Não gostaria de falar de uma segunda onda do vírus enquanto não estivermos fora da primeira”. Bem, penso que foi mais ou menos isto. O título não passa de uma extrapolação do jornalista. Uma extrapolação que abusa das palavras do Dr. Fauci, e mais do que mentir, faz com que o leitor vá na direção contrária daquilo que neste caso o Dr. Fauci queria na verdade dizer. O tom da entrevista original é um de cuidado pela saúde publica, enquanto que o título deste artigo passa a ideia que o vírus está sob controlo. Vivemos num mundo de imediatismo, isso é incontornável, não são só as notícias que tem de ser imediatas, a comida é rápida, os processos automatizados, tudo tem de ser eficiente e efetivo. E se muitas destas coisas são boas, também servem para esconder os pecados de uma sociedade ‘imediata’.

A ‘nossa’ comunicação social é um exemplo perfeito disto. Assim sem me esforçar muito lembro-me de diversas situações onde palavras e actos foram retirados do seu contexto, e desse modo esvaziados de significado, para serem substituídos por narrativas que permitiram justificar a perseguição a Bruno de Carvalho. De tal modo fortes que ainda hoje são utilizadas para o atacar, mesmo depois de termos assistido ao esvaziamento de todas as acusações sobre Alcochete.

Este é um tema que me atrai especialmente. Vejo a comunicação, especialmente os jornais, como o Quarto Poder. Sem uma imprensa livre não pode existir Liberdade. Sim posso estar a recorrer a clichés, mas é o que sinto. Gostaria de ver Portugal ser a excepção num mundo polarizado. Existe muito pouca média independente. Praticamente todos os meios de comunicação estão alinhados politicamente, uns mais à direita, outros mais à esquerda. Por isso a maioria tem claras agendas políticas, sem dúvida impostas pelos diferentes grupos empresariais de que fazem parte.



O panorama da média desportiva em Portugal não é diferente. O alinhamento na indústria em causa não é tão político (embora todos pisquem os olhos a quem quer que esteja no poder) como é desportivo. Se me perguntassem há 30 anos quando comecei a ler jornais desportivos, diria que o Record era o menos alinhado, ainda assim com claras tendências Sportinguistas. Diria que o Jogo era o jornal não oficial do Porto e que ABola era como uma segunda edição do jornal do Benfica.

No presente, as coisas não mudaram muito. Continuamos com o Jogo e Abola completamente alinhados com o Porto e Benfica, já o Record anda há vários anos com uma crise de identidade.

De jornal do Regime (desde que me lembro, durante os anos 90 e durante a era Roquete foi isso certamente), passou a jornal critico de Bruno de Carvalho. E o estado actual do alinhamento do Record é para mim incerto. Embora pareça que voltaram ao que foram durante anos: um instrumento de uma facção do Sporting, utilizado para a difusão do projecto roquete; não sei se neste momento, o alinhamento é apenas temporário, em que as necessidades do Benfica estão bem servidas pela corrente administrativa e desportiva do Sporting, e portanto, é um caso de ‘deixa estar e não mexe!’. Só saberemos quando existirem mudanças de direção em Alvalade, como o regresso do Bruno de Carvalho por exemplo.

Mas voltando ‘a vaca-fria’, quando li o título do artigo sobre a entrevista do Dr. Fauci ontem não pude deixar de fazer um paralelo com a cobertura da Comunicação Social do Sporting durante o mandato do Bruno de Carvalho, e especialmente da cobertura do caso de Alcochete e Julgamento. Numa série de pequenos artigos, durante as próximas semanas, pretendo revisitar vários títulos dos nossos jornais, e depois mostrar o que foi realmente dito.

O meu objetivo é simplesmente documentar as dezenas de situações em que a comunicação social falhou no seu papel de Quarto Poder, e que por arrasto causou tanto dano ao meu amado Sporting.

Saudações Leoninas!

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Carlos Pereira

Subscrevo e reitero a opinião. Acho que está tudo manipulado ao sabor da corrente política e judicial que é manifestamente vermelha, literalmente, na verdadeira acepção da palavra.