RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Segunda-feira, Julho 06, 2020

Recordando Outros Tempos

Hoje trago uma escrita um pouco diferente. Recordar momentos felizes é sempre bom. No entanto, essas boas recordações tendem a estar cada vez mais presentes devido a uma mudança de paradigma. O Sporting mudou e no estado que se encontra neste momento, não me canso de referir que mudou claramente para pior. Foi como passar de cavalo para burro.

A época 2015/2016 foi aquela em que, sem sombra de dúvida, vivi mais o Sporting no que respeita à equipa principal de futebol. Sempre segui o clube atentamente até hoje. De momento admito estar um pouco mais desligado do mesmo, fruto de todo o processo visível desde 2018. No entanto, foi essa a época que mais me marcou. Foi a época do “quase”, é verdade, mas no início da mesma estávamos no máximo esplendor de Sportinguismo. O Sporting era aquele clube que os rivais já não queriam, era um clube temido e que jogava cara a cara seja com quem fosse. Deixou de ter medo das deslocações tradicionalmente difíceis, para passarem a ser esses clubes a contar com o Sporting.

Tenho saudades, muitas saudades. Nessa época podemos apenas ter ganho a Supertaça, mas o orgulho de passar na rua com o leão rampante estava lá. Além de alguns erros próprios, não nos deixaram ser campeões. O Sporting Clube de Portugal não o poderia ser naquela altura. Esse Sporting de Bruno de Carvalho iria tornar-se dominador em toda a linha se esse título tivesse surgido, e digo isto sem qualquer sombra de dúvida. Estava tão entusiasmado e com um fervor de tal forma acentuado, que nessa época fiz tantas deslocações como nunca tinha feito atrás do clube.

Lembro-me de uma deslocação em especial… Arouca. Foi de loucos, a começar pela aventura que era. Quatro Sportinguistas com 22 anos, todos de Lisboa, a caminho de um local totalmente desconhecido. No dia seguinte era dia de trabalho para todos, mas aquela alegria era recompensadora. Aquele golo de Slimani perto do fim do jogo deu-me vontade de entrar em campo. Nesses tempos, era como uma criança feliz com o seu brinquedo. A sair de Arouca demorámos cerca de 45 minutos. Quando chegámos ao local do jogo era fim de tarde, no regresso já era noite cerrada. Por essa mesma razão acabámos por nos perder à saída da serra. Quando demos por nós, estávamos numa rua sem saída com uns troncos enormes na nossa frente. Até essas peripécias eram motivo de gargalhada, porque nessa altura éramos o verdadeiro Sporting. Todos os episódios valiam a pena, quando a alma do clube não era pequena.

Na última jornada quase ninguém do meu grupo de bola queria ir a Braga. Eu tal como eles, sabia que o campeonato estava perdido. Só que o momento do clube e aquilo que na altura personificava, fez-me sair de casa e estar presente nessa última jornada com um dos meus melhores amigos, mesmo sabendo que quando voltássemos de autocarro desde Braga para Lisboa, a festa do nosso rival iria espalhar-se pelas ruas. Aquele “nunca te vamos deixar” no fim do jogo, deixou-me com as lágrimas prestes a sair. Foi dos melhores momentos que presenciei de Sporting, em 26 anos de vida. Mesmo quando éramos derrotados, era diferente.

Destaquei aqui duas deslocações dessa época, como podia ter evocado centenas de momentos que me marcaram em 2015/2016. Tenho pena que esses tempos se tenham transformado em apenas boas recordações e que o futuro enquanto clube não seja risonho. Porque no fundo, os que comandam atualmente o Sporting não o sentem como nós.

É caso para dizer: eles sabem lá.

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Peyroteo

Muito bom.

jeicosta

Foi nessa partida que o André Martins cruzou para a cabeça do Slimani?

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