RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Segunda-feira, Julho 06, 2020

Não se escondam: avancem

Um facto curioso que me intriga é que sendo o Sporting o clube que mais anda sempre na berra, não me é fácil arranjar motivos para escrever sobre ele. Eu sei que deve ser devido ao facto de nunca haver boas notícias mas poderia pelo menos vir a inspiração para desancar os indivíduos que comandam os destinos do clube mas, mesmo nesse aspecto, havendo tanto que dizer a sensação que fica é a de que é chover no molhado.

Admiro os esforços que inúmeros sócios fazem no sentido de, por meios legais, tentar inverter a situação e destituir os órgãos que claramente estão a destruir o Sporting e dá- me pena ver que, com toda a certeza, tão leais sócios fracassarão porque temos um artista das leis na Presidência da Mesa da Assembleia Geral. NUNCA enquanto ele o quiser haverá uma Assembleia Destitutiva ou outra qualquer onde haja um ponto na ordem de trabalhos que a tal pudesse conduzir.

Esqueçam, tal não acontecerá a não ser que haja uma falta de quórum devido a demissões ou a tragédia seja tão grande que o Rasputin que mexe lá todos os cordelinhos se visse na obrigação de pôr termo a uma situação insustentável. Mas isso nunca acontecerá porque a protecção dada pela comunicação social é de tal ordem e os cartilheiros estão tão bem posicionados que tudo parece rolar na perfeição. Aos 71% de sócios que demitiram a direcção anterior basta acenar com estrelas da formação, garantias de títulos e repressão às claques para que eles fiquem caladinhos e vejam os jogos em silêncio enrolados em mantas e os pés nas escalfetas e todos contentes por se terem visto livres do barulho dos desordeiros.

Há quase dois anos que não via quase nada que se referisse ao Sporting pois tenho de cuidar da minha saúde e tudo o que via era mau demais e aumentava-me a pulsação a níveis perigosos. Mas esta semana enchi-me de coragem e resolvi ver a entrevista do Varandas ao canal 11 na esperança que a presença do João Marcelino fosse uma mais valia no sentido de “sacar” do fisiatra algum sumo: debalde, nada de novo, uma pobreza franciscana no discurso, incoerências, mentiras, contradições, desconhecimento, uma tristeza profunda, uma vergonha do meu clube.

Sim, eu sei que se costuma dizer que nunca se tem vergonha do clube, tem-se vergonha é de quem o representa. Não meus caros, quem o representa é a cara de quem o elege e se é aquilo que a maioria quer então tenho vergonha. Um indivíduo que responda à pergunta “E o Wang?” a gaguejar, que fala no Rui Patrício, da formação chinesa, da mais difícil negociação de todas, nas rescisões de… tudo e mais alguma coisa, tinha de ser investigado. Um dia hei-de conseguir ultrapassar o ódio e o asco que me mete esta figura e escreverei sobre ela, as ligações ao Mendes e, agora, ao Vieira.

Entretanto, esta divagação prende-se com o facto de, tendo eu planeado escrever sobre a ausência de pré-candidatos a posicionarem-se para as eleições (antecipadas ou não )eis que A Bola traz à estampa o anúncio de uma candidatura, e se vão ouvindo muitas movimentações de bastidores a tomarem forma – o que alterou um pouco o sentido desta crónica. Uma das coisas que escapa ao meu entendimento é o facto de, perante uma tão grande onda de contestação ao actual CD (por parte de brunistas, croquetes desiludidos, anti-varandistas e anti-brunistas em simultâneo, meia dúzia de envergonhados arrependidos como o Pina, alguns 71% que contestam mas que dizem de imediato não estarem arrependidos e até senadores) não se perfilarem mais alternativas sonantes e visíveis.

Na minha opinião há 4 tipos de alternativas: os croquetes encartados, os brunistas pró-Bruno, os neo-brunistas sem Bruno, e os “terceira via”(os que não são carne nem peixe, são uma espécie híbrida que também quer “unir” o Sporting como as Miss Universo querem a paz para o mundo).

Os croquetes encartados estão calados porque sabem que só o nome deles assusta uma grande parte dos sportinguistas devido ao cheiro a fritos e porque são como as cascavéis que esperam o momento oportuno para dar o bote.

Os brunistas pró-Bruno ainda estão algo envergonhados para se assumirem e esperam a decisão de Monsanto para erguerem bandeiras.

Os terceira via são os que querem estar de bem com Deus e o Diabo: sabem que a política desportiva e empresarial de Bruno de Carvalho é a ideal mas não se atrevem a assumir-se sem o apoio dos croquetes notáveis para não serem derretidos de imediato na comunicação social, preferindo esperar por momento mais oportuno.

Os neo-brunistas sem Bruno que rejeitam o regresso de Bruno de Carvalho (pelo menos para já pois seria mais um motivo de divisão) são um grupo interessante que trabalha na sombra (sem sentido pejorativo) mas não têm líder. São um grupo interessante na medida em que os seus elementos são claramente gente que acompanha e conhece a realidade do clube mesmo em pormenores que aparentemente deveriam ser do foro interno (não tenho dúvidas nenhumas que muitos deles conhecem melhor a realidade financeira do Sporting do que o seu actual presidente), faltando-lhes no entanto um elemento agregador, uma rosto. Eles sabem que arrancar com uma candidatura sem um rosto conhecido (como foi com o desconhecido Bruno de Carvalho) é meio caminho andado para o fracasso (Bruno foi uma excepção e só resultou à segunda) mas pode ser também uma vantagem.

Quis escrever isto com um só fito: deixar aqui o meu lamento pelo talento, Sportinguismo, boa vontade, disponibilidade e conhecimento desperdiçados no mundo Sportinguista. Eu sei que não chega mas é por isso urgente unir em torno de um projecto e levar para a frente sem medo dos dedos apontados, sem medo do fantasma de Alcochete, sem medo da comunicação social, sem medo de relações e do passado, aproveitar o que de melhor há nos que são leais ao Sporting. Espero que a mais recente candidatura sirva para que os Sportinguistas pensem, avaliem e mostrem aos poderes instalados que há alternativas e que a luta pelo Sporting não está morta, pelo contrário.

Imagem retirada de rtp.pt

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