RUGIDO VERDE

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Sexta-feira, Agosto 14, 2020

ALCOCHETE, A CAIXA DE PANDORA E AS MÃOS LIMPAS

Para algumas pessoas que viviam numa espécie de “universo sportinguista paralelo” desde Maio de 2018, está a ser particularmente difícil lidar com o pedido de absolvição de Bruno de Carvalho pela Procuradora da República no julgamento da “Invasão da Academia de Alcochete com Tabefes” – sugiro que passemos a chamar–lhe definitivamente assim à luz daquela que será a previsível decisão do tribunal colectivo em final de Maio próximo.

Para essas pessoas, tudo estava arrumadinho na sua cabeça e no interior da Caixa de Pandora que julgavam fechada a sete chaves.

Bruno de Carvalho foi, não apenas destituído da presidência, como impedido de concorrer em futuras eleições através de um processo de expulsão de sócio que faria os algozes de Joef K. (protagonista d’O Processo de Franz Kafka) rebentar de orgulho.

E como forma de completar o cozinhado do homem e das suas aspirações no universo sportinguista, contavam ainda com um procedimento criminal arquitectado por uma dupla pensante que juntava a fome da incompetência demencial da respectiva autora (Cândida Vilar), à vontade de comer de um ponta–de–lança (Rui Pereira) de todos os mais interessados em destruir Bruno de Carvalho.

E desta forma, sendo Bruno de Carvalho assunto morto e (pensavam eles) enterrado, a sina do Sporting daqui por diante, por mais triste e desditosa que o fosse, era uma inevitabilidade, cozinhada em lume brando e temperada de quando em vez com colheradas da “herança pesada” deixada pelo “monstro que destruiu” o Sporting.

Em 2018, a propósito quer da destituição dos OS dirigidos por Bruno de Carvalho, quer, muito principalmente, a propósito da expulsão deste e suspensão de outros dos seus estatutos de sócios, escrevi noutra rede que, não apenas os sócios estavam a abrir uma “Caixa de Pandora” no clube, como também que, na parte que me tocava em particular, as minhas mãos tinham ficado completamente limpas, ao contrários das de muitos outros.

Já estava então, e estou cada vez mais, convencido de que em todo aquele triste processo, se alguém confundiu o Sporting com Bruno de Carvalho, não fui eu de certeza absoluta, mas sim todos os que se moveram pelo ódio ou mera antipatia à pessoa deste último.

O meu desejo na altura quanto ao futuro do Sporting era estar enganado, mas o meu receio era não estar. O meu receio transformou–se quase imediatamente em certeza, culminando no que está agora a acontecer e prestes a acontecer.

Mas as minhas mãos continuam limpas.

Ao contrário das daqueles que agora reagem como baratas tontas ao inevitável curso dos acontecimentos, e vão tentando manter a Caixa de Pandora fechada com uma ‘argumentação’ tão inteligente e hábil como a de alguém que tenta parar as ondas da praia utilizando um rodo.

E sem perceberem que o seu problema é só um : consciência pesada. Já perceberam que, ainda que manipulados, sujaram as mãos – mas ao invés de as limpar, procuram agora tapar a sujidade com carvão.

E é assim que a primeira fuga para a frente destas pessoas é desvalorizar o inevitável curso do julgamento da invasão da Academia, atirando bitaites que variam entre o mais cauteloso e erudito “já se sabia que ia ser difícil provar”, e o mais arrojado e prosaico “não se provar não que dizer que não tenha acontecido”.

Isto não é só ser estúpido, é ser profundamente desonesto – principalmente quando vindo de algumas pessoas que até têm formação jurídica e para quem bastaria ouvir as alegações da Sra. Procuradora da República para perceberem, sem grande dificuldade, a profunda alarvidade do que estão a dizer.

É aliás um exercício que aconselho a qualquer um, ouvir essas brilhantes e escorreitas alegações. A parte respeitante a Bruno de Carvalho está a partir do tempo de gravação 1h46’25’’, e a linguagem é simples, clara e sem qualquer jargão jurídico daqueles incompreensíveis ao comum dos mortais – pelo contrário. Se o fizerem principalmente aqueles com problema de higiene nas mãos, perceberão rapidamente que não se trata de uma questão de não ter sido possível produzir prova do que quer que seja. Todos os meios de prova do processo, e que o Ministério Público da acusação entendeu justificar esta última, foram produzidos e analisados exaustivamente em julgamento – e o que se passou é que, no entender da Procuradora do julgamento, não provam afinal nada.

Não há sequer “in dubio pro reu” nenhum, não é um caso de ter sido difícil provar – pura e simplesmente as ‘provas’ não provam nada. É muito diferente.

Na iminência desta abordagem tipo “julgamento–crime–para–tótós” não resultar, avançam as mesmas eminências pardas para o salto seguinte, aquele que é verdadeiramente fundamental face à derrocada do principal pilar que sustentou a higiene das suas mãos em 2018 : a imputada autoria moral de Alcochete não teve nada a ver com a destituição nem com a expulsão de sócio.

É falso. É mentira. Teve SIM.

Basta ler os termos das “notas de culpa” que justificaram a destituição e, muito principalmente, a expulsão de sócio para que se perceba sem margem para quaisquer dúvidas como aquela imputação condicionou directamente a redacção da mesma e, assim, quem nela votou.

Basta recordar, como tem sido feito nos últimos dias, as múltiplas e multiplicadas intervenções de todas as figuras e figurinhas que na altura surgiram de debaixo de todas as pedras, aludindo invariavelmente a vários aspectos que levaram à “criação do clima propício ao sucedido na Academia” – pontos que eram, precisamente, os que sustentavam a acusação elaborada pelo Ministério Público, e são precisamente aqueles que o mesmo Ministério Público, mas agora em alegações após o julgamento, analisa e destrói, um por um.

Se querem falar de “autorias morais”, olhem essas pessoas para si próprias, porque elas sim, são os “autores morais” da expulsão de Bruno de Carvalho de sócio do Sporting com base num pressuposto falso, enfabulado e repetido ao nível de intoxicação. Mais que autores morais, são instigadores e co–autores materiais em alguns casos.

Todas – eu repito, todas – as pessoas com quem falei na altura e que votaram na expulsão de Bruno de Carvalho de sócio alicerçaram a sua decisão acima de tudo na convicção de que o mesmo era “autor moral” da invasão a Alcochete. No mínimo, não fora isso, e ainda que achando que o mesmo deveria ter sido destituído da presidência por outros motivos, não teriam votado a sua expulsão.

Por isso não venham agora com historietas, que mais não são que desculpas de mau pagador e tentativas de fuga para a frente.

Há muitas mãos sujas neste ‘processo global’ de expulsão de Bruno de Carvalho, e é absolutamente inevitável, a meu ver, que a decisão em causa seja revertida, e Bruno de Carvalho reinvestido nos seus direitos de sócio.

É o mínimo, sob pena de a Caixa de Pandora já aberta, ficar cada vez mais escancarada. Porque então – e se assim não for – se acham que o Sporting está em guerra neste momento, esperem pelo que aí vem.

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HULK VERDE

A desonestidade intelectual gritante que permeou o universo sportinguista, alardeada pelos auto-pensadores neo-exigentes que cavalgaram a onda mediática, ou melhor, o tsunami que varreu o Sporting e derrubou inclusivamente um presidente solidamente apoiado com c. 90% dos eleitores, quando foi reeleito para o 2.º mandato pouco mais de um ano antes (Março 2017), e ainda reforçado quase um ano depois (Fev 2018), 2 meses antes do descalabro, além das rescisões unilaterais de diversos jogadores e suas consequências, e os efeitos colaterais, a turbulência externa e a truculência interna, as comissões transitórias cooptadas por uma Mesa da AG demissionária que não… Ler mais »

jorge mendes

mãos sujas, consciência pesada (se a tiverem) e bolsos cheios…..