RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Domingo, Novembro 17, 2019

Filhos, afilhados, enteados e bastardos

A diferença de tratamento que existe na comunicação social portuguesa no que toca ao Sporting Clube de Portugal é desconcertante.

Todo o circo mediático e a campanha de bota abaixo que inegavelmente houve em relação à anterior direcção são um exemplo flagrante do que o jornalismo não deve ser e, certamente, envergonha os honestos e verdadeiros jornalistas.

Donald Trump é conhecido por ter trazido para a praça pública a expressão fake news. Pois no que respeita ao Sporting, elas têm sido diárias.

Vou aqui analisar alguns exemplos concretos. Mas, em termos gerais, não me lembro de uma campanha concertada tão grande, quer em termos quantitativos, quer em termos temporais – e que ainda dura – contra uma pessoa como contra Bruno de Carvalho, por oposição ao mar de rosas que parece ser o Sporting actual.

Aqui inicio a cronologia com o célebre post pós-Madrid, que foi um disparate e o próprio Bruno já o assumiu publicamente. A este post seguiu-se uma lamentável reacção dos jogadores. No entanto, desde cedo estes últimos é que ficaram marcados como bons da fita, em resposta ao mafistofélico presidente Bruno de Carvalho, um “louco”, que teve o desplante de exigir mais empenho, atitude e garra aos profissionais do clube.

O desenrolar de acontecimentos a partir daqui é conhecido de todos. Culminou na ida à Academia de cerca de meia centena de alegados elementos de claques leoninas, que resultou numa vergonhosa agressão a Bas Dost. Mais ninguém foi agredido ou incomodado. Nas filmagens entretanto vindas a público é até possível ver jogadores, treinadores e “terroristas” a rirem-se em amena cavaqueira.

Já para não falar da célebre cena do actual presidente e da fivela.

No dia 17/01/2018, uns meros meses antes de Alcochete portanto, adeptos do Vitória de Guimarães deslocaram-se ao treino da equipa de futebol e, após palavras inflamadas, chegaram mesmo a acontecer agressões. Tal como podemos ler no Maisfutebol desse dia “O treino da manhã desta quarta-feira do V. Guimarães ficou marcado por incidentes entre o plantel e os adeptos, que invadiram o complexo desportivo do clube e travaram-se de razões com os comandados de Pedro Martins, sabe o MaisfutebolChegaram a haver agressões (…) O apronto estava a decorrer, à porta fechada, quando os adeptos entraram no campo de treinos e, depois de algumas trocas de palavras com os jogadores, em tom inflamado registaram-se momentos de tensão com agressões e outros elementos do plantel a tentar pôr água na fervura.”

Pouco ou nada se ouviu falar nisto. Não houve directos, não houve emissões especiais, não houve comentadores, António Costa não se pronunciou, Marcelo Rebelo de Sousa nada disse. Não houve prisões, ninguém foi acusado, nenhum jogador rescindiu.

Mais recentemente, também na Vila das Aves se registaram momentos de confusão entre adeptos e jogadores e em duas ocasões distintas. Na edição de 21/09/2019 podemos ler na BOLA: “Houve violência física e verbal na chegada do plantel do Aves ao estádio do clube, após a derrota frente ao Paços de Ferreira, por 2-1.

O grupo de trabalho entrava nas instalações do emblema da Vila das Aves quando foi abordado por várias dezenas de adeptos, junto ao parque, onde os profissionais tinham as viaturas particulares.

Inicialmente, o plantel, o treinador Augusto Inácio e a diretora executiva Estrela Costa foram insultados, mas rapidamente o ambiente passou a tumultuoso, instalando-se o pânico entre os atletas, com alguns deles a serem alvo de agressões físicas. Outros conseguiram escapar à ira dos simpatizantes avenses e refugiaram-se no interior do estádio até o ambiente no exterior ficar mais pacífico.”

Na edição de 05/10/2019 do Record: “Os adeptos do Desportivo das Aves contestaram, este sábado, os futebolistas do lanterna-vermelha da I Liga, obrigando a um reforço policial no Estádio do CD Aves, onde os nortenhos foram derrotados pelo Tondela (1-0).

Após o sexto desaire consecutivo no campeonato, cerca de meia centena de adeptos do emblema do concelho de Santo Tirso deslocou-se para a saída do parque de estacionamento e tentou intercetar alguns jogadores, à medida que estes abandonavam o recinto.”

Mais uma vez, pouco ou nada se ouviu falar nisto. Não houve directos, não houve emissões especiais, não houve comentadores, António Costa não se pronunciou, Marcelo Rebelo de Sousa nada disse. Não houve prisões, ninguém foi acusado, nenhum jogador rescindiu.

Claramente existe aqui uma dualidade de tratamento de factos noticiosos. Compreendo que o Sporting venda mais do que o Vitória de Guimarães ou o Desportivo das Aves. Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Na prática, nem Bruno de Carvalho nem nenhum adepto do Sporting fez mal a alguém, agrediu alguém ou matou alguém.  

O mesmo não se pode dizer por exemplo de adeptos benfiquistas ou do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Este último agrediu publicamente um sócio do próprio clube em plena Assembleia Geral. Não houve abertura de telejornal com isto, não se fizeram directos nem emissões especiais, não houve capas de jornais, António Costa não se pronunciou, Marcelo Rebelo de Sousa nada disse.

E não deixemos aqui passar em claro o brutal homicídio por atropelamento do adepto sportinguista Marco Ficcini, junto ao estádio da Luz, por um membro de um conhecido grupo organizado de adeptos benfiquistas.  

Não houve abertura de blocos noticiosos com isto, o assassino foi colocado em liberdade e ninguém quis saber, nenhum político quis saber, nenhum jornalista fez directos ou investigações, António Costa não se pronunciou, Marcelo Rebelo de Sousa nada disse.

Mas não posso deixar de verificar todo o clima de amizade que existe neste momento por parte da comunicação social – nacional benfiquista, porque não chamar-lhe assim – em relação ao nosso Sporting. Um Sporting em convulsão, cada vez mais mal gerido e dividido, que não conta para nada, não incomoda ninguém nem chateia ninguém, além dos seus próprios sócios e adeptos.

Mas parece que assim é que está tudo bem.

O actual presidente do Sporting hostiliza, expulsa e censura sócios e adeptos e é apelidado de Doutor Coragem. E não se pode incomodar o menino, porque vai ser pai! Coitadinho do crocodilo! Bruno de Carvalho também ia ser pai, ainda por cima com toda a pressão e stress associados a uma gravidez de risco. Mas neste caso, ninguém hesitou em crucificar publicamente o futuro pai na praça pública.

O actual presidente do Sporting rescinde com jogadores em massa, mas é um excelente acto de gestão decorrente de uma pesada herança.

O actual presidente assina um protocolo de dois milhões com um fundo Chinês, mas um protocolo de 300 mil euros com Cabo Verde assinado pela anterior direcção é que é o problema.

E podia agora aqui continuar o resto do dia. Ou seja, é mesmo caso para dizer, uns são filhos e outros são enteados.

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