RUGIDO VERDE

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Quarta-feira, Outubro 16, 2019

Quando Bettencourt ameaçou “bater com a porta”

Bettencourt: «Vou-me embora no dia que quiserem!»

José Eduardo Bettencourt garante que não está agarrado ao lugar. Em entrevista à RTP 1, o presidente do Sporting mostrou-se disposto a deixar o cargo sempre e quando os seus parceiros encontrem melhores soluções, mas não vira a cara à luta. “O cenário de eleições antecipadas não está no horizonte, mas, como sempre, os meus lugares estão à disposição. Temos de fazer um esforço para valorizar aquilo que o Sporting tem de bom, mas se e quando me disserem que há soluções melhores, vou-me embora no mesmo dia. A minha predisposição é a de lutar até ao fim das minhas possibilidades. É a minha maior dor de cabeça, mas tenho imenso orgulho no trabalho que estamos a fazer. Estamos em véspera de receber 18 milhões da CML, que estamos para receber há muitos anos e que serão abatidos ao passivo, e na iminência de fechar outros dossiês importantes”, afirmou Bettencourt, que confessa estar ainda num processo de adaptação às funções: “Ainda há pouco, no Conselho Leonino, disse isso.

Não há cursos para presidente do Sporting. De fora, não conhecemos esta realidade, que é muito complexa. A aprendizagem faz-se no trabalho. Não tenho problemas em admitir que às vezes errei, que comuniquei coisas para grupos exclusivos de sportinguistas que, transpostas para o público em geral, soam ridículas.”

Certo é que, no momento que a equipa e o clube atravessam, o ambiente é de pressão. “Quando a distância para os títulos vai aumentando, a pressão dos que sucedem é maior. O ambiente que se vive hoje no Sporting é muito difícil para trabalhar. Todos os dias é como se fosse um último exame”, revelou, para em seguida defender o futebol como actividade, mesmo quando questionado sobre se estaria disposto a investir no negócio caso estivesse à frente de uma instituição bancária: “Para um banco, um clube não é o melhor exemplo, hoje, mas o futebol é dos melhores riscos que há. Portugal tem vivido uma espécie de guerra em que talvez alguém chegue na frente e se safe.”

Bettencourt defendeu ainda que a situação financeira do Sporting não é mais difícil que a dos rivais. “A situação financeira é igual à de todos os outros clubes. Que sejam 400 milhões [de passivo]! Estamos a equilibrar a exploração, a reduzir os juros e geramos capacidade financeira para pagar esses juros. Os resultados foram piores pela ausência da Liga dos Campeões. Por isso devíamos cavar o fosso em relação aos primeiros, mas, este semestre, já realizámos 23 milhões de mais-valias no primeiro dia do novo trimestre”, assegurou, mesmo se não se mostrou disponível para referir números: “O Sporting está com os seus principais credores – que não podem ser tratados como os maus da fita.”

Soluções difíceis após Paulo Bento

Questionado sobre as diversas mudanças no comando técnico e no cargo de director desportivo, Bettencourt admitiu dificuldades em encontrar um rumo após a saída de Paulo Bento e da equipa que o apoiava: “Houve um período de enorme estabilidade, que terminou quando o Paulo Bento entendeu que era parte do problema e não da solução. A partir daí foi muito difícil, depois da segunda década mais importante em termos de resultados da história do clube. A substituição de equipas em bloco faz mossa e não é fácil encontrar soluções.”

“Quem não defende sempre a guerra não é um tótó”

O presidente recusa entrar em guerras sobre arbitragem e deixa um conselho aos rivais. “A posição do Sporting é há muitos anos a mesma. Temos deixado os agentes trabalhar, contribuímos para a paz no futebol, denunciámos situações e fomos maltratados por isso. Aquilo que o Sporting deseja é que os dirigentes contribuam para a união de que o País precisa. Não se pode transformar tudo numa guerra. Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa deviam fazer um esforço, porque esta forma de combate é perigosa para o futebol e para o País. Também sou contra o uso da comunicação para situações que podem instigar à violência.” Sobre as novas escutas divulgadas, Bettencourt adopta o mesmo tom apaziguador: “O uso que foi dado é uma coisa que me choca, porque fere direitos. O conteúdo não me surpreende. Houve muita promiscuidade, pode ter havido viciação. Os indícios são esses. Temos de fechar esse dossiê, trazer pessoas novas. Quem não defende sempre a guerra não é um tóto.”

Apesar de os resultados do futebol não serem os melhores, Bettencourt não desanima. “Temos um grupo que dá tudo e que chora quando os resultados não são os desejados. Vejo o trabalho que se faz e sei que os resultados vão aparecer. Os jogadores sabem que os maus resultados prejudicam outras áreas, mas temos um potencial de crescimento enorme”, afirma, antes de reforçar a confiança que a reviravolta está próxima, tão próxima como… um rival: “O objectivo do Sporting é sempre ganhar. O objectivo para já é ultrapassar o segundo [Benfica], que tem só mais três pontos do que nós e não está em crise. Porque é que nós estamos? Estamos à distância de um clique.”

“Defendo a minha equipa até à morte!”

Bettencourt garante que os lugares de Paulo Sérgio e Costinha não estão em risco: “De maneira nenhuma. O Sporting tem problemas muito maiores, e era falta de espírito de equipa arranjar bodes expiatórios. O treinador não está a prazo! Gosto imenso da maneira como trabalha, como lidera e como o grupo está a reagir. Não é fácil acertar à primeira. É preciso tomar decisões e ser responsável por elas. Endireitar tudo não é só este grupo. Não posso pedir milagres ao Paulo Sérgio e ao Costinha, mas o trabalho vai dar frutos a curto prazo. Defendo a minha equipa como defendi todas as minhas equipas: até à morte!”

“Não posso admitir que Izmailov minta”

Como não podia deixar de ser, outro dos temas abordado foi a polémica em torno de Marat Izmailov, que, em entrevista a um jornal russo, teceu duras críticas a jogadores e médicos do Sporting. Para Bettencourt, o médio é “bom rapaz”, mas… “mentiu”.

“A entrevista saiu agora, mas no dia 12 de Agosto disse que estava em paz com Costinha e que a Imprensa estava a fomentar problemas. É um óptimo rapaz, óptimo profissional, e tenho pena do que lhe está a acontecer. O Sporting nunca castigou o Izmailov por não ter jogado com o Atlético de Madrid. Ele foi acusado e considerado culpado por ter viajado para o estrangeiro sem autorização, por falsas razões para justificação de faltas e por declarações contra dirigentes e médicos do clube. Alguma coisa se passa para esse comportamento tão errático, mas não posso admitir que um jogador me minta até à última dizendo que não tinha ido a Moscovo. Temos feito o possível para contar com ele, mas há muita coisa a interferir com a vida do Izmailov”, analisou.

Já sobre Pongolle, reforço de Janeiro por 6,5 milhões agora cedido, Bettencourt arruma: “Teve problemas pessoais graves. Assumo a responsabilidade total deste erro, mas está longe de ser um investimento perdido. Está a jogar, a marcar e pode voltar para o ano.”

Meia hora de…”grande” entrevista

Ao fim de ano e meio de mandato, José Eduardo Bettencourt, presidente dos leões, deu uma grande entrevista a um canal generalista… mesmo se não passou de meia hora.

Fonte: Jornal O Jogo

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