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Quinta-feira, Maio 28, 2020

Entrevista ao novo treinador Paulo Sergio: «Venho para ser campeão já»


O Sporting apresentou ontem à tarde a nova equipa técnica para as duas próximas temporadas – com mais uma de opção -, que se espera que possa devolver a alegria e as conquistas ao emblema de Alvalade. Paulo Sérgio, ex-técnico do Guimarães e líder da nova equipa que conduzirá os leões, esteve reunido com o presidente José Eduardo Bettencourt e com o director-desportivo Costinha antes de ser apresentado e, nas primeiras declarações em Alvalade, manifestou a sua ambição e personalidade, garantindo que o objectivo é ser campeão no imediato – já na próxima época.

“Venho para o Sporting para procurar coisas grandes, e isso é vencer, ser campeão e lutar por títulos. Digo isto de peito aberto, porque é nisso que quero o grupo a pensar. Quero risco, arrojo, um grupo – vamos trabalhar seriamente na sua construção – para chegar a campeão nacional. É esse o grande objectivo, que merecerá o nosso empenho máximo.

A meta e golo não é encurtar distâncias; é procurar ser campeão já! Não quero um discurso lamechas de me defender se as coisas não correrem bem. Objectivo, só há um: vencer”, afirmou logo a abrir o seu discurso, sem papas na língua.

Contudo, Paulo Sérgio reconhece que a sua escolha pode não ser consensual entre os adeptos sportinguistas, que espera conquistar com resultados enquanto engrandece o seu próprio currículo: “Compreendo e respeito os mais cépticos, que gostariam de ter um nome com mais currículo, percebo o sentimento, mas isso não me inibe na confiança na minha equipa técnica, tal como não me ponho em bicos de pés com os elogios de outras pessoas.”

Depois de Carlos Carvalhal ter afirmado repetidamente que o mais difícil estava feito e que conseguira que os jogadores se identificassem com dois esquemas tácticos… Paulo Sérgio defende que o mais importante são os princípios de jogo e não o esquema táctico. “Não sou treinador de sistema. Vario, mudo… é importante que os jogadores saibam interpretar vários esquemas tácticos. Sou mais agarrado a um conjunto de princípios que a um esquema”, comentou, evitando, contudo, dar pistas sobre as mexidas que se vão verificar no plantel: “As alterações serão as normais. Todos os anos há entradas e saídas, e este ano não será diferente. Grande revolução ou só acertos? Já respondi… Quanto à formação do plantel, 25 ou 26 jogadores pode ser um número aceitável. O plantel deve ter esse número de jogadores.”

No que diz respeito a reforços, Paulo Sérgio limitou-se a dizer que “o Costinha e o presidente já sabem” o que pretende e que, quanto a jogadores emprestados, o seu acompanhamento nunca deixou de ser feito pela estrutura do futebol leonina, revelando que já recebeu os respectivos “relatórios”.

O técnico lisboeta gostava de ter o plantel fechado e completo o mais depressa possível, considerando maior contratempo a chegada tardia dos três jogadores mundialistas (Pedro Mendes, Miguel Veloso e Liedson) do que o arranque prematuro da temporada por causa da participação nas pré-eliminatórias da Liga Europa. Abordando o tema do Mundial, Paulo Sérgio lamentou ainda a ausência do capitão João Moutinho, afirmando que o levaria se a escolha fosse sua: “O João Moutinho tem toda a qualidade e a ambição natural de estar no Mundial. Escolher 23 não era fácil. Era de inteiro merecimento, e ele tinha condições para lá estar.”

Por último, assumiu como falhanço ter perdido a qualificação para a Liga Europa, pelo Guimarães, na última jornada: “Peguei num grupo mal construído, descrente, em 14º, e discutimos a Liga Europa até à última jornada. Para mim, não deixa de ser um falhanço. Ninguém ficou mais triste que eu por não dar essa classificação ao Vitória.”

“Ambicioso e líder”

Coube ao presidente sportinguista José Eduardo Bettencourt apresentar o novo treinador do clube, Paulo Sérgio, e por entre a esperança numa temporada mais bem conseguida que a que termina, o líder verde e branco destacou que o departamento de futebol está a fazer todos os possíveis para que o êxito surja a curto prazo. Para isso, defende, é fundamental – também – que Paulo Sérgio transforme a equipa e “que a torne numa equipa vencedora”.

“Este é um momento de grande importância, a apresentação do treinador das próximas temporadas. É uma página que se vira depois de um ano muito difícil e de profundos desgostos que a espectacular massa associativa do Sporting não merecia. Tenho a firme convicção de que estamos a preparar a próxima temporada para ter êxitos de acordo com o historial do clube e que os adeptos merecem. O Paulo Sérgio soube conquistar palmo a palmo o seu currículo. Deixou sempre uma imagem fantástica. É aposta firme e tenho a certeza de que se integrará bem. Tem ambição e capacidade de liderança e é capaz de tornar esta equipa numa equipa vencedora. Que vibre com os êxitos e que esteja à altura”, pediu Bettencourt, obtendo a resposta do técnico de que dará sempre a cara e não entrará “em discursos lamechas” ou desculpas…

“Desejo-lhe uma entrada com o pé direito. Ninguém pode ficar indiferente ao que o clube é hoje e ao que tem sido. Paulo Sérgio, sê bem-vindo e que tenhas muitos êxitos”, sentenciou o presidente leonino.

Técnico chega, vê e começa já a trabalhar!

Paulo Sérgio é um homem de trabalho por definição. E, depois da conferência de Imprensa de ontem, pouco tempo terá o lisboeta para repousar. Em causa está toda a programação da época, tarefa exigente que fará com que o sucessor de Carlos Carvalhal passe as “férias” em Alvalade, na Academia Sporting e em Ponte do Rol, freguesia do concelho de Torres Vedras, onde costuma veranear em família na vivenda onde reside e que adquiriu ainda nos tempos em que deixou de jogar e passou a assumir o cargo de técnico no Olhanense. Confirma-se assim o aviso deixado pelo próprio ainda antes de ser oficialmente apresentado como técnico do Sporting. Em declarações a O JOGO, afirmou peremptório: “Um treinador nunca tem férias!”

Com a abertura das “oficinas” leoninas programada para daqui a pouco mais de um mês (21 de Junho), a reconfiguração do plantel para 2010/11 está na primeira linha de prioridades, obrigando a reuniões e contactos próximos entre o novo técnico e o director para o futebol verde e branco, Costinha. Depois da profunda desilusão em que se saldou a temporada recentemente finda, a exigência dos adeptos é alta, a consciência disso mesmo está presente, e o Sporting entra em competição no final do mês que vem para disputar a 3ª pré-eliminatória da Liga Europa.

Os trabalhos de pré-época estão também já a ser objecto de apurada planificação. Em consonância com a cúpula dirigente, o novo corpo técnico entendeu marcar três encontros amigáveis antes de a equipa disputar o habitual encontro de apresentação aos seus associados e adeptos. O encontro está agendado para 17 de Julho próximo. Dias depois, os leões partem com destino aos Estados Unidos para participarem no Torneio de Nova Iorque, um quadrangular que se estenderá até 25 de Julho. Quatro dias volvidos será tempo de dar o pontapé de saída para a época, com o Sporting a iniciar a disputa por um lugar na segunda mais relevante competição da UEFA.

Ciente da quantidade de labor que o aguarda, Paulo Sérgio dá significado à expressão “descanso activo”, já utilizada no passado por José Peseiro, técnico dos verde e brancos entre 2004 e Outubro de 2005. Em conjunto com a sua nova equipa, perante o maior desafio da sua ainda breve carreira como treinador, o novo líder da equipa leonina chegou, viu, foi apresentado e vai desde já dedicar-se totalmente ao projecto, a que diz estar entregue “de corpo e alma”, estudando todos os dossiês. Férias são luxo só para quem pode, porque nas suas funções e chegado a tão alto patamar, o repouso verdadeiro de Paulo Sérgio só virá na idade da reforma.

(Des)contro com o passado

O reencontro entre Paulo Sérgio Bento Brito, actual treinador do Sporting, e Paulo Jorge Gomes Bento, técnico incontornável na história recente do emblema leonino, ficou adiado – esperada que era a presença de ambos num debate em torno da análise da época 2009/10 e a participação da Selecção Nacional no Mundial’2010, no âmbito do XI Congresso da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), ontem, na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa -, mas o caminho, os objectivos e as ambições colocam-nos lado a lado. A começar pela forma frontal como enfrentam os problemas e lideram as suas equipas.

A ambição de Paulo Bento de ser campeão nacional como técnico do Sporting nunca deu em festejos no Marquês de Pombal nos quatro anos do seu legado. No entanto, ultrapassada a “fase de transição” em que redundou a passagem de Carlos Carvalhal pelo Sporting, Paulo Sérgio elevou desde a primeira hora a fasquia para o patamar definido pelo homem que já figura na história do clube como sendo o treinador português com mais tempo de orientação ininterrupta do emblema centenário – apenas suplantado pelo mítico Joseph Szabo. “Venho para o Sporting para procurar coisas grandes, e isso é vencer, ser campeão e lutar por títulos”, atirou anteontem Paulo Sérgio, sem falsas modéstias nem cautelas cómodas, na apresentação oficial como técnico leonino até 2012.

Mesmo sem alcançar o título, Paulo Bento comandou a equipa que discutiu a hegemonia do FC Porto nos últimos anos com a conquista de duas Taças de Portugal e outras tantas Supertaças Cândido de Oliveira, além da participação em três edições consecutivas da Champions, conseguindo um apuramento inédito para os oitavos-de-final em 2008/09.

O estilo adoptado por Paulo Sérgio promete ser o mesmo, ou não fossem alguns dos principais traços de personalidade comuns. Rigor no trabalho que é executado diariamente, frontalidade na abordagem aos que estão próximos e capacidade de liderança são aspectos indissociáveis dos dois Bentos. Na Academia, poucos vão estranhar as exigências que serão feitas por aquele que Bettencourt caracteriza como “ambicioso e líder”, justificando assim a sua “aposta firme”. Até a matriz táctica que o novo técnico preconiza, o 4x4x2 com um médio de características mais defensivas, está próxima do losango que afamou Paulo Bento. Todavia, Paulo Sérgio diz não ser “um treinador de sistema” – “Sou mais agarrado a um conjunto de princípios que a um esquema táctico” -, logo é certa a perspectiva de mudanças.

Entrando no capítulo das diferenças que podem condicionar o trabalho de Paulo Sérgio face a Paulo Bento, uma salta de imediato à vista: a capacidade de investimento em reforços que o Sporting poderá vir a ter. É que o novo ciclo, no qual Bettencourt aposta para revigorar o seu mandato, com Costinha como braço-direito, pressupõe a construção de um plantel mais competitivo, logo são necessários reforços que tragam a qualidade e o entusiasmo… que faltaram a Bento.

A Equipa técnica que acompanha paulo sérgio

Sérgio Cruz

idade: 44 anos

função: adjunto (físico)

Sérgio Fernando Bastos Cruz nasceu a 18/01/1966 na Senhora da Hora (Matosinhos). Acompanha Paulo Sérgio desde 2008, quando o novo técnico do Sporting assumiu o comando do Paços de Ferreira, sucedendo a José Mota. É o elemento da equipa técnica que se encarregará do aprimorar e da gestão da condição física dos jogadores – o que terá especial importância na primeira fase, quando se iniciar a pré-época. Como jogador, representou União de Lamas, Paços de Ferreira, Gil Vicente, Académica e União de Coimbra.

Alberto Cabral

idade: 41 anos

função: adjunto

Alberto Paulo Santos Cabral nasceu no Porto a 10/12/1968. É o braço-direito de Paulo Sérgio, que acompanha desde 2006. Treinador de guarda-redes, foi adjunto do novo técnico do Sporting no Santa Clara, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Guimarães. Enquanto jogador, representou emblemas como Famalicão, Gil Vicente, Tirsense, Marítimo, Braga e Maia. É o homem da confiança de Paulo Sérgio, como era Rifa para Carlos Carvalhal, Leonel Pontes para Paulo Bento ou Eduardinho para José Peseiro, só para referir os mais recentes.

José Herculano

idade: 33 anos

função: adjunto (observação)

José Eduardo dos Reis Herculano nasceu a 20/03/1977 em Olhão. É o mais jovem elemento da equipa técnica que acompanha Paulo Sérgio desde Guimarães – aliás, apenas esta época começou a colaborar com o novo técnico do Sporting, ainda no Paços de Ferreira. Sem passado como jogador de futebol, está mais virado para as novas tecnologias (PowerPoints, estatísticas), a que recorre para complementar a observação e análise dos adversários, à imagem do que faziam André Villas-Boas com José Mourinho ou Pedro Caixinha com José Peseiro.

Nuno Valente

idade: 35 anos

função: adjunto

Nuno Jorge Pereira Silva Valente nasceu em Lisboa a 12/09/1974. É o elemento da equipa técnica que é “da casa” – apesar de desempenhar pela primeira vez funções no Sporting que não sejam as de… jogador (representou ainda Portimonense, Marítimo, Leiria, FC Porto e Everton, clube com que colaborava na área da prospecção de mercado). Ex-companheiro de Costinha, adequa-se ao paradigma de Bettencourt, que não quer ninguém ligado ao passado na nova estrutura. Está a tirar o Nível II do curso de treinadores.

Vítor Silvestre

idade: 26 anos

função: treinador de guarda-redes

Vítor José Lopes Silvestre nasceu a 19/07/1983 em Lisboa. É o mais jovem elemento da equipa técnica e o único que transita da anterior. Desempenhava também funções como treinador de guarda-redes com Carlos Carvalhal (a que se juntou proveniente dos juniores dos leões) e prossegue sob o comando de Paulo Sérgio. Mantém-se assim a aposta dos responsáveis da SAD num treinador de guarda-redes jovem e promissor – além de competente, a atender pela prova de confiança repetida.

Fonte: Jornal ojogo

Data: 16/05/2010
Local: Jornal ojogo
Evento: Entrevista a Paulo Sérgio

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