A propaganda dos oportunistas
Disse Clara de Sousa, no Jornal da Noite da SIC do dia 9 de Abril de 2020, que o Dr. Varandas está a fazer turnos de 12 horas, no Hospital Militar, na linha da frente ao combate à pandemia COVID-19, e mais ainda, que está em regime de acumulação de funções enquanto capitão militar (chamado ao activo após a declaração do Estado de Emergência por Marcelo Rebelo de Sousa, e não voluntário como também foi propagandeado na altura, a 18 e 19 de Março), médico e presidente do Sporting Clube de Portugal (cujos estatutos dizem claramente que sempre que o Presidente não possa assegurar o pleno exercício das suas funções, não pode continuar o seu mandato).
Feita esta apresentação, com a fotografia em fundo de um Dr. Varandas inserido dentro de um fato de protecção completo, que mais parece trabalhar num laboratório de armas biológicas, tal o aspecto, resta a quem ainda questiona e raciocina sobre aquilo que lhe “metem no prato”, indagar como pode alguém fazer turnos de 12 horas, sem comer, sem se hidratar, sem ir à casa de banho urinar, sem descansar sequer? É quase uma tarefa sobre-humana, mas estamos a falar do Capitão Varandas, aquele que Rui Santos, esse sábio do futebol nacional, aquele que sabe melhor que ninguém quem é ou não “bacteriologicamente puro” (nas suas próprias palavras), intitulou de Dr. Coragem.

Outra das questões que poderão atravessar o espírito do comum mortal, pelo menos aquele que ainda pensa, mesmo que nos dias de hoje isso seja mal visto e coisa de “malucos”, é perceber o que faz o Dr. Varandas nas horas vagas, isto é, na outra metade do dia em que não está no seu turno, no combate intenso ao coronavírus, a sua nova vocação. Será que vai dormir a casa, dar colo ao seu filho recentemente nascido, abraçar a sua mulher, a sueca Katarina Larsson, atleta do Sporting, pernoitar com ela?
Caso o faça, será sem dúvida merecedor do epíteto de Frederico, o Corajoso, uma vez que quase todos os médicos e enfermeiros na dita linha da frente do combate, expostos como ninguém, têm precisamente evitado o contacto com as suas famílias durante semanas a fio, alguns dormindo em hotéis e alojamentos disponibilizados específica e unicamente para eles, gratuitamente, mal vendo e interagindo com os seus, a não ser através de vídeo (chamadas), ou à distância, separados pela tal barreira invisível que Frederico poderá não ver, excepto quando está dentro do fato especial.
Mas Frederico é uma pessoa especial, nota-se. Só não reparou nisso, desde logo quando se assumiu um líder nato, quem não quis. Nem é pelo discurso entaramelado, ou a articulação desconchavada das palavras e das frases, os lapsos fonéticos, gramaticais, sintáticos e semânticos, as onomatopeias que lhe escapam, fugazes, ou as gaffes (im)previstas que profere. Nem vou pela sua incapacidade patológica de conter as mais variadas patranhas e pantominas que lhe passam pela cabeça e se manifestam nas suas palavras e acções.
É tão especial que é preciso colocá-lo dentro de um fato espacial, buscando o protagonismo que outros médicos não querem para si, e na primeira linha da refrega desde o início, antes mesmo de Estados de Emergência declarados, sem necessitar da autopromoção e do alarde propagandístico que faz viver Frederico e o alimenta perante o público mais distraído ou entusiasta, sensível a esta espécie de personagem trágico-cómica que ele encarna.
Mas só dentro daquele fato, hermeticamente selado, é que é possível ele ser promovido pela comunicação social especializada, e ao mesmo tempo não ser reconhecido à primeira, não sem que a pivô da SIC o identifique para que possamos reconhecer o mérito de tal figura “anónima”, irreconhecível porque tapada, na sua armadura moderna fechada.
É que já toda a gente começa a perceber que tipo de pessoa é Frederico Varandas, e o que o move, e os proveitos financeiros que tem colhido disso, na sua capacidade de acumulação regimental de funções e dos honorários que lhes são inerentes (e mais alguns!), além, claro está, dos panfletários e magníficos cognomes que vai adquirindo e somando, como atributos de carácter e títulos nobiliárquicos. E já não há quem aguente vê-lo ser enaltecido de cara destapada, excepto ainda uns quantos néscios, ou os vários bacocos que os propagandistas a soldo gostam de ludibriar de uma assentada, com as suas teatrais encenações e maquiavélicas fabricações de fachada.
Este novo herói nacional da actualidade, capaz de estar em todas as frentes em necessidade, e em nenhuma ao mesmo tempo com a sua sagacidade, sempre atrapalhado mas também à vontade, é já um fenómeno televisivo e jornalístico, e talvez seja até um paradoxo estatístico, se conseguir sozinho dar conta do bicho específico, afugentando-o só por ser um reforço logístico. Exemplo vivo de como a propaganda trabalha para vulgarizar quem labuta, e ao mesmo tempo enaltecer e levar ao colo tanto artista e filho da luta.
Texto por: HULK VERDE



Este Varandas é um merda, e nem toda a bajulação de uma comunicação social a soldo, conseguirá fazer dele um ser menos desprezível.
Desde há quase dois anos a esta parte sinto-me como se estivesse a passar por um processo de divórcio litigioso com o grande amor da minha vida, um clube que o meu pai me ensinou a amar e do qual fui sócio durante muitos anos, tendo inclusivamente sido co-fundador de um Núcleo. Varandas e a carga de chulos incompetentes e oportunistas que o rodeiam conseguiram acabar com essa relação e hoje estou em crer que, mesmo que de alguma forma fosse reposta a legalidade e estes energúmenos fossem escorraçados do clube, nada voltaria a ser como dantes. Não estou nem nunca estarei preparado para ter como consócios o Grilo Falante míope , o Rata Soares e a Duda pencuda, o cagalhão Monteiro da comissão de fuzilamento e tantos, tantos fdp que se servem do Sporting Clube de Portugal em proveito próprio.
PS: Neste tempo de pandemia o meu maior pesadelo não é o vírus, é ir bater ao mesmo hospital por onde anda este astronauta a fazer “voluntariado”. Não é por nada, mas todos nós sabemos, (excepto o Dr. Coragem), que o safado do vírus não se aloja na cabeça, nem nos membros, nem nas pernas… Ninguém merece.
Muito bom. Grande texto.
Muito bom!
Aproveito a deixa e o facto de andar de fato com se um astronauta se tratasse, para sugerir ao Dr. Coragem que se inscreva em regime de voluntariado no programa espacial europeu, apanhe o próximo foguetão, e nunca mais volte.
Que seja o primeiro português a pisar a Lua, que seja o primeiro ser humano a montar lá arraiais, que leve outros consigo, e que funde um clube à sua medida, de mentirosos, incapazes e de lunáticos!
Sobre a sua valente presença nesta luta contra a pandemia nada tenho a comentar. Que com a sua falta de capacidade e burrice, não se engane e desligue ventiladores em vez de os ligar.
Eu é que não me metia nas mãos de tal médico