RUGIDO VERDE

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Sexta-feira, Agosto 14, 2020

Neste dia… em 1971: Sporting vs Mindelense acaba 21-0, mas o que interessa é Peres, 7 – Lourenço, 6


Em Maio de 1971, o campeão ultramarino (Mindelense) perde 21-0 com o Sporting, o resultado mais volumoso da Taça de Portugal

O FC Porto ganhou facilmente a final da Taça de Portugal ao V. Guimarães (6-2) e não recorreu ao capitão Helton nem ao goleador Falcao. André Villas-Boas deve estar poupá-los para a Supertaça Europeia – Barcelona ou Manchester United, who knows, who cares? – em Agosto. Outros tempos…

Há 50 anos, não havia cá descanso para os titulares nem poupanças. Um jogo é um jogo, fosse com o Benfica fosse com o Mindelense. O Sporting que o diga. Nos oitavos-de-final da Taça de Portugal, os leões fazem história com os 21-0 aos campeões ultramarinos (das colónias portuguesas em África:

Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau). É a maior goleada de sempre na Taça e aconteceu a 23 de Maio de 1971. Em Alvalade, sob arbitragem do setubalense Carlos Monteiro, o técnico Fernando Vaz alinhou a melhor equipa com Damas; Laranjeira, Caló, José Carlos e Manaca; Tomé e Pedras; Chico, Lourenço, Peres e Dinis. Pela frente, 11 rapazes do Mindelense que nunca tinham saído do Mindelo. Se fosse só isso…

Tomé, autor de dois golos, lembra-se da generosidade dos cabo-verdianos. “Estavam verdadeiramente fascinados por estar no mesmo relvado que algumas figuras. Tratavam os internacionais por senhor. Era senhor Damas para aqui, senhor José Carlos para ali, senhor Peres para acolá. E, para cúmulo, nunca tinham jogado futebol num relvado, só em pelados. Imagina o desconforto, não é? Nem nunca tinham jogado com tanta gente no estádio.” E estamos a falar de 35 mil ou 40 mil espectadores, que foi a casa dessa tarde em Alvalade.

A memória de Tomé vai mais além, porque o médio até se lembra da troca de guarda-redes do Mindelense. “Ao intervalo havia 13-0. Saiu um [Funa], entrou outro [Armando], que sofreu mais oito, mas que fez uma grande exibição. Olhe, ainda evitou uns quantos… E a verdade é que também ficou “só” 21 a zero porque o Peres e o Lourenço entretiveram-se a rematar à baliza a torto e a direito para conseguirem o maior número de golos possível. Eles queriam bater recordes pessoais e até do clube mas não sei quem marcou mais.”

Foi Peres, com sete golos. Lourenço ficou-se pelo seis. Mas a luta foi renhida. Lourenço marcou o primeiro da partida. Bisou. Hat-trick. Póquer. E até chegou aos cinco golos ainda na primeira parte. Por essa altura, Peres só levava dois na conta. O intervalo foi benéfico para o esquerdino. Peres marcou mais cinco, enquanto Lourenço só festejou mais uma vez, precisamente o 21-0, a dois minutos do fim.

O lateral Pedro Gomes entrou ao intervalo e não marcou nenhum golo. “Desses 21-0 não tenho assim muito para contar, mas o convívio pós-jogo com os cabo-verdianos foi agradável. Eles queriam as nossas camisolas e tenho a ideia de eles estarem sempre a sorrir. Até no jogo: sofriam um golo e sorriam.” Ingenuidade misturada com generosidade. Lá está, outros tempos…

Fonte: ionline.pt

Data: 23/05/2011
Local: Jornal i

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