RUGIDO VERDE

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Segunda-feira, Outubro 26, 2020

Neste dia… em 1960, hat-trick de Figueiredo na goleada 6-1 ao Sp. Braga

Em Alvalade meia dúzia de golos e mais do dobro… desperdiçados

Por Henrique Parreirão

Um jogo fácil para o Sporting. Os Bracarenses foram nitidamente inferiores ao adversário – e o resultado ajusta-se plenamente ao desenrolar da partida.

Com tão acentuada diferença de valores – de um lado, o Sporting recheado de valores individuais, de outro, um Braga, sem força, nem talento – o desafio teve, por força, de perder o pouco interesse, que já tinha, a partir do momento em que a superioridade dos «leões» começou a traduzir-se no marcador.

O Sporting a atacar e o Braga a defender – salvo um curto período da segunda parte (quando os Minhotos fizeram o seu tento e estiveram à beira do segundo golo num remate de Carlos ao poste) – foi sempre a feição do jogo de ontem em Alvalade.

Só foi de estranhar que a folgada margem de 6-1, registada no final do encontro, levasse tanto tempo a concretizar-se.

Antes de marcarem o seu primeiro golo aos 20 minutos, já os atacantes do Sporting tinham insistido tanto nos lances ofensivos que, ninguém punha em duvida o desfecho da partida. Em todo o caso porém, os dianteiros «leoninos», prendendo bem o esférico no meio campo do adversário, não actuavam com aquela intencionalidade que era de desejar – e foi, até, um defesa, Lino, que num forte remate rasteiro, com a bola a beijar a relva, apareceu de surpresa a abrir o activo.

Feito o mais difícil – que é sempre o de abrir o caminho ao triunfo… não tardou que a vantagem «leonina» aumentasse – e só não aumentou mais porque o único dianteiro do Sporting, que insistiu nos lances de golo (Figueiredo) umas vezes esteve desastrado, outras infeliz. Jogador em embrião, com notáveis qualidades, não está ainda devidamente amadurecido para resolver todas as situações, que se lhe deparam na zona do remate, falhando, por isso, muitos golos…

Foi ele, todavia, o jogador – repetimos – que mais actuou no sentido prático de alvejar as balizas de Franquelim, enquanto os seus companheiros do quinteto, dando por vezes, até, a sensação de fugirem à responsabilidade dos lances de golo, jogaram mais no meio campo, em vistosas manobras a que só faltou intencionalidade.

Desse sistema resultou um longo período de paragem com o marcador em 3-0 e o jogo a correr numa toada monótona, de adormecimento e sem interesse. A acrescentar a isso há uma série de golos interminável.

Se os Minhotos fazem 3-2…

Do amolecimento, que se apoderou do grupo «leonino», aproveitou-se, muito bem, o Braga, para no seu melhor (e único) período de jogo alcançar o ponto de honra e estar à beira de um segundo tento, que reduziria para 3-2 a vantagem do Sporting.

Se do remate de Carlos, que levou a bola ao poste, tem saído o segundo golo dos Minhotos, certamente que o jogo viria a ter um final muito interessante de despique e emoção, como não tivera antes.

E foi, precisamente, no período em que os visitantes melhor conta estavam dando de si, que os dianteiros «leoninos», mais decididos e oportunos, encontraram os três golos que faltavam para chegarem a um triunfo de mais justa expressão. Exige-se mais sentido prático aos atacantes «leoninos»

Por pouco que o Sporting não se ficou na vulgar margem de 3-1, insuficiente para traduzir a sua superioridade sobre um adversário, que é uma sombra do Braga de há quatro ou seis anos. Os Minhotos já não possuem aquela equipa que fazia gala em jogar futebol da melhor qualidade.

O quinteto, já com Géo incluído, sem sair Seminário, movimentou-se bem até à zona de remate. Faltou-lhe, depois, sentido de perfuração e rapidez para bater a defesa do adversário.

Franquelim pôde defender muito, mas a remates de longe. Sofreu seis golos, mas… os dianteiros dos «leões» podiam ter marcado muitos mais…

Quando os avançados do Sporting num lampejo de toada mais eficiente, se decidiram a jogar rápido e com um único pensamento (a baliza) foi o que se viu: três golos de enfiada.

As duas equipas

Tirando, porém, a aludida pecha da falta de rapidez, nas trocas de bola em frente das balizas do Braga, o Sporting movimentou-se bem.

Sem problemas na defesa, Aníbal adiou para mais tarde o exame, que todos desejam ver… Lino, Morato, Júlio e Hilário, constituíram um quarteto pleno de autoridade e Mendes foi um precioso colaborador na organização dos lances ofensivos.

Na linha da frente, Seminário produziu muito jogo; Diego trabalhou com acerto, Figueiredo foi o que melhor soube procurar as batizas revelando muitas qualidades; Faustino bateu-se na bitola de Diego, e Géo teve algumas arrancadas, que denunciam a sua categoria.

Nos Bracarenses, a defesa actuou com segurança, mas não pôde evitar os seis golos do adversário, mais poderoso e categorizado.

Franquelim defendeu muito e bem, só oscilando nos últimos momentos da partida; Daniel Szabo foi um bom defesa, assim como Marciano e Pinto Vieira.

O quinteto atacante só se viu no período do golo – o que foi pouco para merecer considerações.

Arbitragem de José Alexandre sem erros.

Fonte: Diário de Lisboa

Data: 16/10/1960
Local: Estádio José Alvalade
Evento: Sporting (6-1) Braga, CN - 4ª Jornada

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