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Quinta-feira, Abril 09, 2020

Balakov e a ideia de treinar o Sporting: «Porque não? Tudo é possível»

Búlgaro luta para manter o St. Gallen no primeiro escalão suíço.

Lembra-se de Balakov? O búlgaro passou pelo Sporting, entre 1990 e 1995, e deixou a sua marca na história do clube. Protagonizou jogadas de bom recorte técnico e marcou grandes golos, daqueles que levantam o estádio. Agora, com 41 anos, podemos encontrá-lo em St. Gallen, na Suíça, a orientar o penúltimo classificado da Liga Suíça. Um dia, quem sabe, voltará a Portugal. «Por que não?», afirmou, em entrevista ao Maisfutebol/TVI, acrescentando que «tudo é possível». Até treinar o seu Sporting.

Os anos parecem passar ao lado de Balakov, que tem a mesma imagem que habita as memórias de quem gostava de vê-lo jogar. Não se preocupa muito com o futuro, dedicando-se ao máximo ao presente, que passa pelo St. Gallen e por manter a equipa no escalão principal. O que pode fazer para atingir a sua meta? «Trabalhar, trabalhar, trabalhar, até conseguirmos garantir a permanência. Este é o nosso objectivo. No início era muito difícil, mas agora conseguimos ganhar duas vezes [depois desta entrevista somaram mais uma vitória]. Estamos em penúltimo lugar, mas temos muito trabalho pela frente. Vai ser uma luta até à última partida.»

«Ser treinador nem sempre é fácil»

A sua curta carreira de treinador começou como adjunto no Estugarda. Depois foi jogador-treinador no VFC Plauen e, na época passada, assumiu o comando do Grasshopper. Chegou a St. Gallen em Outubro de 2007 pelo que o futuro imediato passa pela equipa que orienta. Depois? Logo se vê: «Não penso muito no meu futuro. Trabalho e faço-o bem. Tento fazer o meu trabalho da melhor forma. Ser treinador nem sempre é fácil. Veremos o que vai acontecer no futuro.»

O antigo internacional búlgaro ficou, nitidamente, marcado pela sua passagem por Alvalade, mas não descarta a possibilidade de, um dia, orientar um dos rivais dos leões, Benfica ou F.C. Porto: «Como jogador fui profissional. Como treinador analisarei as propostas que surjam e avaliarei com a equipa que tenho. Se decidirmos que é bom para nós e a proposta chegar de um bom clube, por certo, será interessante para nós.»

Balakov: «Falta mudar a mentalidade» para Portugal chegar ao topo
Ex-leão acredita que o Sporting pode ir à final da Taça UEFA

Krassimir Balakov marcou presença no jogo entre o Sporting e o Basileia, dos 16 avos da Taça UEFA. O técnico do St. Gallen orientou o treino e despachou-se a tempo de fazer os cerca de 160 quilómetros que separam as duas cidades para assistir à vitória dos leões. Algo que o búlgaro já previa, apontando, em conversa com o Maisfutebol/TVI que o «Sporting é uma equipa nova e que joga bom futebol», pelo que «poderá ir até à final».

Afastado de Portugal desde 1995, Balakov não deixa de estar atento ao que se passa no país que o acolheu durante cinco anos: «Como treinador é sempre difícil, mas quando há hipótese, tenho acompanhado. Portugal não mudou muito. Pode dizer-se que mudou um pouco, porque agora jogam muitos jogadores novos. O futebol é mais ou menos igual. A nível internacional ficou na mesma. São sempre o F.C. Porto, Sporting e Benfica que estão presentes. Mas o futebol é agradável de se ver. Falta um pouco para chegar ao topo do futebol internacional. O que falta? Falta mudar um pouco da mentalidade, o que é mais difícil.»

Apesar de não considerar normal a distância que o F.C. Porto já leva para os seus rivais, Sporting e Benfica, Balakov mantém uma ponta de esperança de ver os leões conquistar o título: «Normal não é, porque o Sporting tem uma equipa muito boa. Foi surpreendido por uma má fase e isso fez com que houvesse um aumento na diferença de pontos. Mas no futebol tudo é possível e até ao final do campeonato ainda existem muitos jogos.»

Sporting campeão? «Como treinador penso que é muito difícil»

O coração diz-lhe que o clube leonino ainda pode ser campeão, mas a razão parece ter outra opinião: «Como antigo jogador do Sporting digo que sim, mas como treinador penso que é muito difícil.»

Uma das melhores massas associativas

Balakov não deixou de recordar o acolhimento que teve em Portugal, nomeadamente por parte dos sportinguistas. Por isso, não perdeu a oportunidade de retribuir o carinho que lhe ofereceram durante cinco épocas de leão ao peito: «Como pessoa e antigo jogador do Sporting posso dizer que a massa associativa é das melhores que encontrei na minha vida como jogador. Espero que se mantenham assim e que ajudem a sua equipa, acreditando até ao último jogo e último minuto que a equipa pode ter sucesso.»

Balakov acha que «o Sporting tem hipóteses de ganhar» o derby
Ex-leão elogia a aposta na juventude

Este fim-de-semana há um Sporting-Benfica. O derby não terá a emoção de outros tempos, já que os dois clubes estão muito longe do líder, F.C. Porto. Mas no futebol tudo é possível e há que acreditar até ao fim. Balakov, ex-jogador dos leões, acredita numa vitória da equipa da casa. Um resultado que poderá animar a Liga portuguesa, explicou ao Maisfutebol/TVI: «O Sporting mostrou, no jogo contra o Porto, que, em casa, pode ganhar um jogo importante. Um Sporting-Benfica é sempre um jogo diferente, com muita emoção e motivação. Acho que o Sporting tem hipóteses de ganhar e se o conseguir o campeonato ficará mais aberto.»

O búlgaro, que agora treina o St. Gallen, acredita que a qualidade de alguns dos elementos do conjunto orientado por Paulo Bento pode fazer a diferença. Balakov não deixou ainda de enaltecer a aposta na juventude: «O Sporting mostra, a cada ano, que tem bons jogadores. Atletas novos precisam de experiência e cada jogo que ganham faz com consigam aumentá-la, o que ajudará o clube no futuro.»

Balakov e a «emoção pura» de se marcar aos 12 segundos
Búlgaro marcou o golo mais rápido da história dos derbies

Balakov continua a deter um recorde que estabeleceu a 17 de Outubro de 1992. Nesse dia, o búlgaro apontou o golo mais rápido da história dos derbies. Bastaram 12 segundos para o médio balançar as redes defendidas por Silvino, guarda-redes do Benfica. Um grande remate de pé direito, que o antigo jogador do Sporting não esquece, como explicou ao Maisfutebol e TVI: «Claro que me lembro. Os jogos contra o Benfica eram jogos sempre especiais. Lembro-me desse golo, sim, sim.»

O que se sente ao conseguir marcar logo no primeiro minuto de um confronto que está sempre rodeado de emoções, pela rivalidade entre os clubes? «É emoção pura. Um jogo frente ao Benfica, um derby, é sempre completamente diferente de um jogo normal. Marcar um golo contra o Benfica, logo no primeiro minuto, foi maravilhoso.»

O 3-6, uma das maiores desilusões

Mas nem todas as memórias são boas. Balakov esteve no 3-6, jogo que o Benfica ganhou em Alvalade, na época 1993/94. O búlgaro marcou um golo e esteve nas jogadas dos tentos de Cadete e de Figo, mas isso não bastou para evitar uma das maiores desilusões da sua carreira de jogador: «Começámos muito bem e, que me lembre, tivemos oportunidades para ganhar o jogo, mas a partida mudou tanto que, no final, sofremos seis golos, o que não é um resultado habitual num Sporting-Benfica.»

Ninguém no plantel leonino esperava sofrer uma goleada, mas o destino assim o ditou: «Obviamente que não esperávamos aquele resultado, mas o futebol é bonito porque nunca se sabe o que vai acontecer.» E como foi depois no balneário? «Que me lembre, não conseguimos sair do estádio antes da meia-noite. Foi um jogo em que devíamos ficar no balneário à espera que a massa associativa fosse para casa para depois podermos sair.»

Balakov: em jovem «Figo tinha já personalidade de um grande jogador»
Búlgaro acha que o médio ainda pode ajudar Portugal nem que seja como dirigente.

Balakov foi companheiro de Figo durante cinco épocas. O búlgaro conheceu o atleta do Inter tinha este ainda 17 anos e, já nessa altura, diz que era fácil prever um futuro brilhante para o português, que coleccionou títulos colectivos e individuais. Em conversa com o Maisfutebol/TVI, Balakov apontou que o extremo, de 35 anos, ainda está em boas condições físicas e que ainda poderia participar no Euro-2008: «Um jogador como o Figo tem sempre lugar numa selecção como a de Portugal. Mas isso é uma decisão do treinador e eu não sou seleccionador de Portugal.»

Em 2000, Figo venceu a Bola de Ouro, atribuída pela France Football, e em 2001 foi considerado o melhor do Mundo, pela FIFA. Balakov fala da forma como viu a ascensão do menino que era uma promessa e se tornou numa estrela do futebol internacional: «Conseguiu construir uma boa carreira. Tem uma grande personalidade, algo que notei quando estava no Sporting, porque ainda joguei com ele. Era jovem, mas tinha já personalidade de um grande jogador e de alguém que sabe o que faz. Figo será, por certo, alguém muito importante para o futebol português no futuro.»

Os dois jogadores saíram do Sporting em 1995 e deixaram apenas um título conquistado para trás, uma Taça de Portugal. Depois disso, Figo ganhou vários troféus e o búlgaro acredita que o futuro de Figo deverá manter-se na rota do sucesso. Portugal poderá beneficiar das experiências do médio, aponta: «Não sei se quer continuar no futebol, mas com a sua personalidade e com o sucesso que atingiu será muito útil a Portugal, se decidir continuar ligado ao futebol, como dirigente ou noutra posição.»

Fonte: maisfutebol.iol.pt

Data: 29/02/2008
Evento: Entrevista a Balakov

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