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Segunda-feira, Julho 06, 2020

Alder Dante e o insólito golo fantasma de um FC Porto-Sporting: «O Gomes e o Oliveira não tiveram coragem de dizer-me que a bola não entrou»

18 de Outubro de 1975. Alder Dante vivia o episódio mais rocambolesco da carreira e um dos mais insólitos do futebol português. Um golo inédito e surrealista da autoria de um… apanha-bolas na sequência de um remate de cabeça de Fernando Gomes que saiu junto à rede exterior da baliza defendida por Vítor Damas, foi sancionado pelo árbitro de Santarém induzido em erro pelo tremendo nevoeiro que a certa altura se abateu sobre o relvado do então Estádio das Antas e que não lhe permitiu ver o apanha-bolas a colocar a bola na baliza, aparentemente através de um buraco na rede.

“Fui levado, mas dei-me conta após o jogo de que tinha sido enganado. Na altura, lembro-me perfeitamente de ter perguntado e o Gomes disse-me que tinha sido ele a marcar o golo. O Oliveira disse-me o mesmo. Não tiveram coragem de dizer-me que a bola não entrou. É pena que só tivessem reconhecido a ilegalidade quando ambos jogaram no Sporting”, lamenta Alder Dante.

Na altura, o dilema foi tremendo. “Se acabasse o jogo com o Sporting a ganhar por 2-0 seria acusado de caseiro; se não acabasse, como sucedeu, acusar-me-iam de o ter feito sem que houvesse condições para tal. Seria ‘preso por ter cão e por não ter’.”

O lance ficou para sempre na memória do antigo árbitro internacional, professor primário de profissão. “Lembro-me que o Gomes rematou à baliza e a certa altura da trajectória da bola deixei de a ver por causa do nevoeiro. Foi tudo muito rápido. Só a vi no fundo das redes. O Damas e outros jogadores do Sporting correram para mim a protestar, jurando-me que a bola não tinha entrado. Lembro-me que me virei para dois jogadores do FC Porto, o Oliveira e o Gomes, e perguntei-lhes se a bola tinha ou não entrado, ao que eles me responderam que sim.”

Neste contexto, Alder Dante escreveu à Comissão Central de Arbitragem “a assumir a responsabilidade pelo sucedido”. “Fui penalizado com uma repreensão por escrito, a única da minha carreira”, lembra.

Apesar disso, Alder Dante ultrapassou a situação e até refere que não guardou qualquer ressentimento relativamente ao apanha bolas, com quem teve oportunidade de estar mais tarde. “Era um miúdo que na paixão do momento fez aquilo, mas que ressentimento poderia eu ter? O futebol é assim, move paixões. É um desporto em que de facto tudo pode acontecer.”

O golo fantasma sucedeu ao minuto 57 do clássico e colocou o FC Porto em igualdade no marcador a duas bolas depois de ter estado a perder por 2-0, mas pouco depois na sequência de um pontapé de canto Baltazar fazia o 3-2 para os leões. Ou seja, o golo insólito acabou por não ter consequências directas no desfecho final, resultando sim na expulsão de Valter, que juntamente com Damas manifestou toda a indignação leonina. “Nessa altura jogavam também no Sporting o Manuel Fernandes, o Peres e o Marinho, entre outros. Jorge Jesus era suplente”, recorda Alder Dante, que conta ainda um episódio curioso decorrente do golo fantasma. “No dia seguinte o Sporting viajava para a Hungria onde iria defrontar o Vasas de Budapeste e eu embarquei no mesmo avião, em viagem para a Alemanha, no sentido de apitar um jogo internacional, pois fazia escala em Frankfurt. Tudo correu de forma civilizada, cordial. Jogadores como o Manuel Fernandes eram correctíssimos.”

Fonte: casos.pt em 26/06/2015

Data: 18/10/1975
Local: Estádio das Antas
Evento: FC Porto (2-3) Sporting, CN - 7ª Jornada

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