RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Terça-feira, Junho 22, 2021

Símbolos

«Majestoso e poderoso, o leão é um símbolo solar e luminoso. Rei dos animais, traduz sabedoria, poder e justiça, mas também orgulho e segurança. Nas várias culturas religiosas do mundo, o leão está também associado à figura do pai, do mestre, do chefe ou do imperador, que pode ser protetor ou tirano. Os leões são um símbolo de realeza e eram representados montados por heróis, reis e deuses, ou junto aos seus tronos. O leão é símbolo de justiça e de lei divina que se projeta no espaço e no tempo de forma constante e absoluta. O leão simboliza a alegria de viver, o orgulho, a ambição, a emoção e a paixão.» (excertos retirados de infopedia.pt)

Símbolos são representações ou projeções que nos permitem identificar neles determinadas caraterísticas que, obviamente, valorizamos. Força, justiça, orgulho, domínio, segurança, ambição, elevação, emoção, paixão são algumas dessas caraterísticas referidas. Torna-se, portanto, um elemento fulcral na comunicação dentro de qualquer grupo (no caso, seria o nosso Clube).

Sempre nos acompanham ao longo da vida. Desde que o mundo é mundo, o Homem se revê em Símbolos. Desde que voltei a Portugal, ainda miúdo, aprendi, mais por minha conta que por qualquer influência externa, a rever-me no símbolo do Sporting pois era nele que eu via o fiel depositário de muitas destas caraterísticas. O Leão Rampante foi assimilado e reconhecido por mim, desde muito cedo, como sendo uma pequena caixinha forte onde guardava uma série de virtudes que procurei extrapolar para a vida, no geral, e para o quotidiano do dia-a-dia. Aquele símbolo sempre me colocou a salvo de eventuais crises existenciais pois os valores que serviam de trilho estavam lá.

O Leão Rampante sempre serviu, a meu ver, para agregar todos aqueles que se reviam nesses tais valores. Todos nós sempre nos identificámos com este símbolo e fazemos mais ou menos questão de o transportar connosco, seja numa camisola do clube ou noutra peça de roupa, num boné ou mesmo na cor da vestimenta (Quem, como eu, odeia – mesmo – vestir vermelho? Quem procura peças de roupa que tenha um símbolo com leão estampado?). Todas as alterações que tenham ocorrido nele em quase 115 anos de História, nunca vimos um símbolo adotado que tivesse deixado cair o Leão Rampante. Até há pouco tempo, também eu identificava estes valores na figura do Leão.

Depois dos acontecimentos de Alcochete, muita coisa mudou em mim (o que não quer dizer que por exclusiva responsabilidade minha, pelo contrário). A minha percepção do que simbolizava o Sporting foi posto em causa pela atitude (melhor dizendo, da falta dela) da generalidade dos Sportinguistas. E nada de confusões. O Sporting não é mais do que os Sportinguistas. Assim como Portugal são os Portugueses e por aí vai. O Sporting, o Clube, nunca será nada diferente do que sejam os Sportinguistas. O Sporting não apareceu por geração espontânea, foi forjado nas ideias, nos valores e na vontade de pessoas. O mínimo que seria de esperar é que os ideais destes deveriam ser transportados para os dias de hoje (Senão, não seria o Sporting, certo?). Logo à cabeça, e que devia ser lapidar: “Queremos ser tão grandes como os maiores da Europa”.

A omissão dos sportinguistas na altura pré Alcochete (tantas e tantas vezes foi solicitada a presença e sobretudo a militância destes), voltando nomeadamente ao mês de Fevereiro desse ano (3 meses antes de Alcochete, quem diria), em que a narrativa vigente na Comunicação Social era apenas uma: minar publicamente e assassinar o caráter de uma pessoa que se tornara incomoda para muitos interesses (uns instalados e visíveis, nomeadamente fora do clube, outros ocultos mas muito presentes no mesmo) que nunca fizeram questão de abrir mão da sua (?) posição no clube.

 A minha maior mágoa foi constatar que tudo aquilo que eu revia naquele animal imponente como é o Leão Rampante não tinha equivalência nas atitudes dos Sportinguistas. De lá para cá, a generalidade destes permitiu que o SEU Sportinguismo (com S maiúsculo) fosse diminuído e pisoteado de toda a maneira e feitio. Diria que começou no dia em que foi prestada, qual circo romano, a sentença do polegar invertido do mundo contra um individuo e o endeusamento dos subordinados à Volta Olímpica (num jogo ganho a um Paços de Ferreira, que tanto quanto me lembro, não deu nenhum titulo nem Glória palpável ao Clube, apenas e só vergonha alheia para alimentar os de fora). Seguiu-se Alcochete e a dissidência de alguns (pior ainda, o retorno de uns quantos destes que resolveram os seus traumas, suores e revoltas internas na base do papel moeda), passou por vexames de pés descalços para entrar na sua própria casa.

Vimos imagens editadas na TV, criada poucos anos antes, qual Pravda Leonino (ou seja, um “jornal” feito para os “operários” sócios e adeptos do Sporting, mas “escrito” por uma legião de “intelectuais” do croquete), para varrer da memória coletiva uma atitude e um compromisso dum período da vida do Sporting em que este se mostrava aguerrido e convicto de qual era o caminho, o contínuo desmantelar da mais antiga claque do Sporting (e de Portugal) criada na época de João Rocha, a alienação efetiva do usufruto dos direitos de sócio pagante (refiro-me aqui às AG’s convocadas e rebatidas, onde deveria ser dada voz aos mesmos) e a alienação do sentimento de pertença e orgulho dos adeptos, que cada vez mais se quer passar a ideia de serem, eles sim, nefastos à evolução do Clube. Como se não fossem estes a sustentação deste durante DÉCADAS de insucessos, sobretudo no futebol.

Aos dias de hoje, vejo pouco de Leões em “nós”, que somos a base do Clube. Vejo comodismo, vejo letargia, vejo irrelevância… Mas acima de tudo, vejo injustiça e ingratidão. Muita INGRATIDÃO. Coisa que nunca acreditei que poderia ver no Sporting. Convivi durante décadas com muita falta de ambição, alguma resignação mesmo, tudo o que viesse estava bom. Pudera, quem pode exigir se não é capaz sequer de esbracejar? Agora, ingratidão?! É bater muito fundo.

Hoje pergunto a mim mesmo, o que achará esse Leão Rampante, com o seu simbolismo próprio, escolhido há 115 anos. O que pensaria ele disto tudo? O que ele sentiria ao olhar para si mesmo, alto a baixo, sendo-lhe passada uma imagem exterior mais consentânea com o Leão de O Feiticeiro de Oz? Eu sei o que pensaria o “meu” Leão Rampante, aquele que eu idealizei desde sempre… Vergonha. No alto do seu orgulho e altivez… teria a obrigação, e sobretudo, o direito a que lhe fossem prestadas contas por todo o mal feito.

Mas quando nem os sócios exigem que lhes sejam prestadas contas…

Pobre e envergonhado Leão. Como estarás tu?

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