RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2021

Barómetro Audaz IX – Ano Novo, Vida… Antiga?

A audácia é definida no Dicionário Priberam como um “impulso que leva a realizar atos difíceis ou perigosos”, ou um “comportamento ou atitude que contraria hábitos, costumes ou hierarquias”. Sinónimo de coragem, intrepidez e ousadia na primeira definição, e de atrevimento e insolência na segunda.

Ora, se não é um Sporting assim, audaz, que queremos, o que é que andamos aqui a fazer?


Amanhã, o Sporting desloca-se à Madeira, para jogar com o Nacional. Se vencer, ficará com 7 pontos de vantagem sobre os dois rivais e 11 sobre o Braga… à condição.

Se me dissessem isto no início da época, eu não acreditava. Há dois fatores que contribuiriam para isso: eu não pensar que o Sporting, a esta altura, tivesse vacilado tão pouco, e eu não pensar que o super-benfica de Jesus jogasse um terço em vez do triplo.

Enquanto que ao Sporting cabe continuar a ser competente para tornar erradas as minhas previsões sobre quem vai ser campeão nacional esta época, noutras instituições está a chegar a hora do “tudo ou nada”.

É natural alguma da euforia que se observa para os lados de Alvalade. Acho que, no fundo, ninguém imaginava que o Sporting ainda não tivesse perdido jogo nenhum no campeonato, à 12ª jornada. No entanto, parece-me haver um excesso de ingenuidade no ar, da qual quem anda cá há (muitos) mais anos que eu não devia padecer.

Janeiro vai ser um mês difícil, com muitos jogos, todos de alguma dificuldade – não me parece haver jogos de vitória garantida este mês. Iremos disputar uma eliminatória da Taça de Portugal, bem como a Final Four da Taça da Liga, e espero que para estas competições, não se venha a aplicar a máxima aplicada relativamente à Liga Europa. Nunca será positivo para um Clube desta dimensão ficar afastado de competições, mesmo que isso propicie um maior descanso para os jogos do campeonato. Temos de entrar nos jogos todos com a ambição de ganhar, principalmente quando se tecem loas ao futebol praticado – não há desculpas.

Sendo eu um crítico assumido desta Direção, e tendo a exigência a níveis astronómicos para com o nosso treinador (o mais caro da história do futebol), tenho também a noção de que é impossível ganhar-se os jogos todos. Algum dia vamos ter de perder novamente, e é importante que toda a gente tenha isso em conta. Mas se eu não viro o bico ao prego quando as coisas se vão alinhando para o nosso lado, espero não ver os apaixonados a virar críticos assim que a coisa começar a dar para o torto.

Enquanto que no reino verde-e-branco é este o estado das coisas, na terra do vermelho, o estado de espírito é outro, e a mudança tem de chegar o mais depressa possível. Mesmo tendo em conta que é preciso a bola entrar para essa mudança se efetivar, é importante não esquecer algo que eu tenho referido em quase todas as minhas intervenções sobre o campeonato de futebol. Este benfica tem de ser campeão, custe o que custar, e olhem que tem custado muitos milhões

Desportivamente, a coisa não lhes está a correr de feição, mas é sabido que as verdadeiras movimentações, por cá, se dão fora das quatro linhas, onde o benfica (e o Porto, diga-se) é muito mais forte que o Sporting.

O Natal já passou, mas ainda falta algum tempo para a Páscoa. Vamos ver se por essa altura Jesus não terá já ressuscitado. De uma maneira… ou de outra.  

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