RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sábado, Setembro 19, 2020

Crónica de um Carrossel Anunciado: R&C de 2019/2020

Título do artigo que, com sinceridade, gostava de ver substituído por “as notícias a respeito da minha morte (ie. dependência total dos fluxos e decisões do carrossel Mendes & Partners) foram manifestamente exageradas”, mas a cada relatório trimestral e anual, a cada novo negócio, a minha esperança é cada vez mais ténue. O que dela resta é somente pura ingenuidade.

Poderia focar esta análise apenas na propaganda publicada no R&C sob a forma de highlights manipuladores, os quais terão certamente ampla divulgação pelos meios de comunicação subserviente, ou seja, praticamente tudo e todos. Desde logo fiquei surpreendido pelo segundo ponto, um pelo qual o atual presidente do clube deu o seu melhor para perder no TAD (Rafael Leão). É preciso um descaramento fenomenal.

Essas highlights mencionam as vendas, esquecendo referir a enorme perda de competitividade associada e sobretudo as obscenas comissões e encargos que rondam os 17% da cifra; mencionam a compra de Rúben Amorim mas esquecem a falta de meios para o pagar, a comissão paga na contratação do treinador (500 mil euros) e o que ainda irá ser somado à fatura por incumprimentos; mencionam o volume de negócios (bruto) recorde e o lucro de 12.5M, esquecendo referir que para isso praticamente venderam tudo o que tinha valor e compraram imenso entulho; manipulam a informação da redução salarial, algo que já praticam publicamente desde há mais de ano e meio (consultem declarações de responsáveis como Zenha em 2018 e 2019); mencionam a redução do passivo esquecendo o pesado aumento da dívida a fornecedores, que se cifra em 56 milhões de Euros a serem pagos (?) em menos de um ano; e o brutal recorde de pagamento em juros e encargos bancários.

Enfim, tanto haveria a dizer sobre estas highlights, mas o foco vai ser uma sucinta análise fria dos números expressos no balanço e demonstração de resultados, pois esses não mentem… ou melhor, considerando precedentes da “dinastia” que incluem o desaparecimento de documentação, são mais fiáveis.

Tendo sempre em mente a perda de valor, qualidade e competitividade da equipa de futebol, somos confrontados com 24.089M de gastos em FSEs (Fornecimentos e Serviços Externos), um novo recorde absoluto, e com 60.542M de gastos com pessoal. Gastos que contam com a poupança de mais de 3M ocasionada pelo acordo de redução temporária de salários de jogadores em 40% (não olvidando o lay-off de imensos funcionários).

Em condições normais, a poupança teria sido não de 8M mas antes de 5M, o que jamais será minimamente proporcional à perda de qualidade do plantel face a Junho de 2019. Outro dado associado e assombroso é que o número médio de colaboradores passou de 326 em 2018 para 497 em 2020. Esta administração é campeã na criação de novos postos de trabalho pela calada. É o tal trabalho invisível.

Passando para a venda de jogadores, e para um valor líquido de 106M pagámos 17% (18M) – um novo recorde – em comissões e encargos. Leram bem, 17%. É caso para ninguém ter dúvidas em afirmar que o rei vai nu enquanto que os banquetes são grandiosos.

Segue-se mais um recorde brutal, nomeadamente o pagamento de 15.4M em juros e comissões bancárias. Mais do dobro do que em 2018. Incomportável, inadmissível, insustentável. Há muita gente a mamar à custa das dificuldades do clube e estou a ser simpático nas palavras, já nem é usura, é mesmo extorsão.

Encontramos um ativo de 288M, a caminho de mínimos históricos e inflacionado pelos 17M de dívida do clube à SAD, a qual não para de aumentar, e que urge ser explicada.

Também em mínimos históricos encontramos o valor do plantel, que dos 89M em 2019, já só vale 70M e nestes foi incluído os 10M de Ruben Amorim, coisa nunca vista, caso contrário o valor contabilístico efetivo do plantel atualmente já se situa nos 60M

Não podemos esquecer a Falência Técnica, que tanto preocupou em tempos passados. A enorme vitória e propaganda da superação da mesma feita aquando da apresentação das contas de Março, afinal foi apenas mais uma encenação. Capitais próprios negativos em 9.9M.

Louve-se a descida marginal do passivo comparativamente ao ano anterior. No entanto, quando juntamos os dois anos de “gestão” e o desbaratar de quase tudo o que tinha maior valor e fora herdado (restam por exemplo Coates, Acuña, Wendel, Jovane, e miúdos que foram germinados em menos de dois anos na clínica de Varandas, através de experiências científicas que envolvem o seu conhecimento em química, manipulação de ADN e tecnologia extraterrestre) , verificamos que afinal o passivo de 282M em 2018 cifra-se agora em 298M: um crescimento de 16M.

Simultaneamente, vemos um novo recorde de 65M em dívidas a fornecedores (correntes, 56M, mais 9M não-correntes).

Há ainda muito mais a dizer sobre a tragédia que se abateu sobre o nosso clube e que não irá sair por vontade própria até ser inevitável aos olhos dos incautos a venda da SAD, mas hoje não quero ficar ainda mais deprimido. Ficará para outra oportunidade.

Deixo, no entanto, algumas questões no ar para reflexão:

  • Que resultados seriam apresentados sem a venda desesperada de Bruno Fernandes no último mercado e a inclusão de Matheus Pereira (apenas 8.2M a entrarem no clube com esta venda)?
  • Os incrementos de custos com Amorim, somados ao litígio com a Sampdoria, e ainda com a Socas Investment, potencialmente eliminariam por si só ou não o lucro após tanta venda de anéis e alguns dedos?
  • Mesmo só com a primeira questão, seria ou não um R&C semelhante aos de Godinho Lopes?
  • Terminámos ou não em 4o lugar, fora de todas as competições prematuramente, numa época em que foi batido o recorde de derrotas do clube?
  • Com um lucro tão pífio face ao volume de vendas, estamos ou não completamente dependentes do carrossel, o seu circuito, e os seus fluxos virtuais/temporários para embelezar futuros R&C até ao ponto final com a intencionada venda da SAD?
  • Tem ou não sido a herança a salvar as contas de resultados catastróficos e até a proporcionar meios de financiamento (NOS)?
  • Porque aumentaram tanto as comissões pagas, tornando-se até regra em vendas? Não pode ser só generosidade.
  • Quem intermediou as operações financeiras que elevaram os juros anuais a níveis insanos?
  • Porque se devem ainda 10M à Gestifute (corrente mais não-corrente), e quanto já embolsou apenas de forma direta desde 6/2018?
  • Porque a rubrica “outros”, recorrente, é cada vez mais pesada?
  • Porque está tão silencioso e tranquilo Álvaro Sobrinho (cujo advogado é o PMAG do clube que fala de todos os temas da actualidade na TV mas foge de AGs, sócios e adeptos) desde que esta administração assumiu funções?

Brevemente (espero eu) teremos o R&C do clube e pela amostra, se esta situação hoje descrita é grave, no clube poderá ser aterradora.

PS a cartilheiros e a quem se presta ao papel:

Este artigo contou com a colaboração de Siberianwyvern – fica um agradecimento ao precioso contributo.

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4 Comentários
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Geribério de Sousa

Estas crónicas da treta, que não passam de um destilar de ódio á direcção, em defesa de outra direcção de merda, que em 5 anos que lá esteve, só soube olhar para o seu umbigo (e suas contas) e cagou-se no clube, ao ponto de dizer que NUNCA MAIS SERIA DO SPORTING, só pode ser lampião, um labrego que diz isso…

Paulo Vieira

A dívida do clube à SAD não pára de aumentar porque quando venderem a SAD há-de dar-lhes jeito incluir o PJR no negócio com a desculpa de termos que saldar a dívida.
Cambada de gatunos!

Leonis Tsavo

Boa crónica Riskos1906.
O SCP e SCP SAD não estão a ir ao fundo, já estão no fundo e com a agravante de ter sido feito em menos de dois anos.
A questão é o quão fundo estamos, se na fossa (acética era onde deviam estar os responsáveis por isto tudo) das Marianas ou um pouco mais acima.
Mas não vamos desistir do clube do nosso coração facilmente. Iremos dar muita luta.

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