RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sábado, Setembro 19, 2020

Entrevista com Marquises

Após a “prestação de contas” de Frederico Varandas no pasquim que habitualmente respalda e amplifica a sua propaganda, sem qualquer prurido nem crivo jornalístico, discorrendo pela “realidade paralela” que tão conveniente lhe é para camuflar as reais implicações da sua presidência, decidi que fazia sentido escrever uma “entrevista alternativa”, com um presidente do Sporting menos dissimulado e mentiroso, mais espontâneo, que abordasse a verdadeira realidade, factual e concreta, do “mandato” do intratável e incorrigível “Dr. Marquises”

Rugido Verde: Esta foi uma época atribulada, começando na pré-época, passando pelo início da época oficial e com apogeu no seu final. Começando pelo princípio, fale-nos da pré-época. O que retirou de positivo?

Dr. Marquises: Foi uma pré-época atípica. E ao mesmo tempo de luxo. Recordo principalmente os passeios de limusine, onde eu e o Hugo Viana nos divertimos a valer, enquanto o Keizer tentava preparar uma equipa que nós desfazíamos e mal reforçávamos, deixando para a última hora uma caixinha de surpresas que continha Fernando, Jesé e Bolasie, três atletas de eleição que me fartei de elogiar nas entrevistas televisivas que dei algum tempo depois.

Rugido Verde: E o facto de o Sporting não ter ganho sequer um jogo, nem o Troféu 5 Violinos, na apresentação aos sócios em Alvalade?

Dr. Marquises: Repare, isso é o menos. A maioria dos sócios e adeptos não passa de escumalha, cientistas do futebol, esqueletos desengonçados, ao contrário de mim, que sou muito articulado e tenho uma passada elegante. E sei estar na tribuna, ou arranco-lhes a cabeça.

Rugido Verde: Continuando, então. A época começou com a derrota copiosa na Supertaça Cândido Oliveira. Como viu esse jogo?

Dr. Marquises: Na tribuna, ao lado dos grandes líderes deste país! Fernando Gomes, o melhor presidente da FPF depois de Gilberto Madaíl, o ilustre Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, que muito bem me trata porque eu não o vexo, e ainda o Primeiro-Ministro I e o Primeiro-Ministro II, respectivamente, Dr. Luís Filipe Vieira e Dr. António Costa. Veja, estava entre iguais. Acima de nós os 5, não há ninguém. Os mais representativos líderes portugueses da actualidade. Senti-me entre pares e eles trataram-me muito bem.

Rugido Verde: Disse bem, os 5…

Dr. Marquises: Claro que disse bem. Queria que dissesse mal? Espere, mas está a falar do resultado? Isso foi o menos, foi chato sim, mas não preocupante. O que conta são os 5 na tribuna, não os 5 na baliza. A história ainda há-de frisar que foi o melhor 5 alguma vez visto no Estádio do Algarve.

Rugido Verde: O Campeonato começou bastante tremido com o empate nos Barreiros, e à quarta jornada Keizer foi demitido, após a derrota caseira com o Rio Ave, entrando Leonel Pontes, vindo da equipa Revelação. Fez 4 jogos oficiais, empatando no Estádio do Bessa com o Boavista na estreia, e perdendo os restantes jogos, em Eindhoven para a Liga Europa, em Alvalade com o Famalicão e voltando à origem após nova derrota com Rio Ave em casa, desta feita para a Taça da Liga.

Dr. Marquises: Queria que eu e o Hugo Viana nos responsabilizássemos? A culpa foi do careca holandês! Não lidou bem com o planeamento e a composição magnífica do plantel que construímos. Andava a dizer que tinha sabido da transferência do Bas Dost pela imprensa, a dar a ideia que era posto de parte e não era tido nem achado. Bem feita! Não tivesse feito o que muitos sócios e adeptos fizeram: excesso de confiança em nós! O Leonel também é careca, e não levantou cabelo! Pelo menos, quando voltou a treinar a equipa Revelação, depois levou guia de marcha e amuou.

Rugido Verde: E conseguiu ter resultados piores que o Keizer…

Dr. Marquises: O Keizer era o treinador do projecto, a escolha que eu tinha sentido ser a correcta para a equipa principal. O Leonel foi imposto pelo Jorge Mendes, e até estava mais ou menos na equipa Revelação. Entendemos que era de experimentar, mas não resultou…

Rugido Verde: Vai daí, foi buscar o Silas, entretanto despedido do Belém SAD. Outro careca. Com pouca margem para se impor e fazer exigências à direcção, face aos recursos que tinha ao dispor e aos que seriam necessários…

Dr. Marquises: Repare, nós tínhamos de perceber que factor estava a prejudicar o sucesso do futebol do Sporting, e precisávamos de tirar a limpo se era pelo treinador ser careca, se era por levantar cabelo. Foi uma aposta séria. Além disso o treinador-adjunto do adjunto, Zé Pedro, era guedelhudo, o que era bom para o equilíbrio capilar da equipa técnica, diferenciando-a das anteriores.

Rugido Verde: Silas até trouxe o tal efeito que as chicotadas psicológicas costumam ter, mas a eliminação da Taça em Alverca foi algo traumática e marcante, não?

Dr. Marquises: O careca desavergonhado! Por causa dele, tivemos de apresentar um protesto na Federação para derrotar o Alverca na secretaria. E não é que foi indeferido? Não se faz. Maldito careca! Foi aí que eu e o Viana começámos a ver que o problema era mesmo da calvície dos treinadores, e não havia adjunto cabeludo que o emendasse!

No virar do ano, Varandas marcou presença na condecoração de Jesus

Rugido Verde: A verdade é que, apesar de um desaire aqui e ali, foi somando algumas vitórias que ajudaram a manter o Sporting à tona, até que vieram os clássicos em Alvalade, e duas derrotas, e a eliminação na meia-final da Taça da Liga.

Dr. Marquises: Sim. Tinha tudo para bater os rivais em casa, tinha um Vietto, tinha um avançado-centro, Jesé, e um ponta-de-lança, Luiz Phellype, tinha uma força da natureza chamada Bolasie, tinha o carregador de piano Eduardo, que já treinara no clube anterior. Não se compreende. Veja, Rugido… eu próprio tenho alguma falta de cabelo, mas o Silas estava careca de saber que aquelas duas vitórias eram obrigatórias! Foi aí que a época verdadeiramente começou a não correr de feição. A meia-final da Taça da Liga foi o culminar desse ciclo.

Rugido Verde: Sentiu que Silas estava no limite?

Dr. Marquises: Sim e não. Por um lado esperávamos mais, muito mais. Por outro, tínhamos de proteger os superiores interesses da Sporting SAD. E foi isso que fizemos, dar tempo e manter a equipa técnica. Mas entretanto, quando as coisas começavam novamente a ir ao sítio, veio o Covid-19. Para o bem e para o mal…

Rugido Verde: Como assim, para o bem?

Dr. Marquises: Para o bem da minha presidência! Fui para a linha da frente, e fiquei atrás. Vesti um fato de protecção e as pessoas reconheciam-me pelos meus lindos olhos! Apareci fardado ao me apresentar no Hospital do Exército, onde um repórter esperava por mim. Melhor que isto, só quando fiz mais tarde, já no rescaldo do Covid-19, a apanha da batata! Dei no duro, para o bem do meu país! Sinto que prestei um serviço inestimável pelo bem do meu país!

Rugido Verde: E o futebol parou! Mas antes ainda contratou Rúben Amorim, como quem faz uma manobra de recurso, ou um passo de mágica desesperado, comprometeu-se a pagar uma cláusula de 10.000.000€ (cerca de 14 com juros, IVA e cláusulas de penalização) pelo treinador do Braga, que começava a fugir ao Sporting!

Dr. Marquises: Teve de ser! Cortei nos carecas, posso ter falta de cabelo, mas não sou careca! O Rúben foi a escolha certa, e o preço é irrisório, um matraquilho negociado pelo Jorge Mendes paga-o e ainda sobra dinheiro para colchôes, relvados e sistemas operativos novos!

Rugido Verde: A gota d’água na careca de Silas, por assim dizer, foi a eliminação na Liga Europa depois da vantagem alcançada na 1.ª mão, e recuperada em Istambul, não foi? O golo da equipa turca ao cair do pano, e o que se passou no prolongamento…

Dr. Marquises: A eliminação da Liga Europa e a derrota em Famalicão, logo a seguir, para compor o ramalhete. Maldita dupla, texugo careca e urso cabeludo! Tinha de ir buscar o treinador do Sporting Clube de Braga, mais que não fosse para encher os bolsos ao Dominador… digo, Salvador!

Rugido Verde: Não chegámos a falar do mercado de Janeiro, com tanta atribulação. Quer dizer algo sobre isso?

Dr. Marquises: Pacífico. Curámos o Fernando na minha clínica e devolvemo-lo são que nem um pêro ao Shakhtar Donetsk. E fomos buscar o Sporar, um craque perdido no leste europeu, pelo mesmo valor que pedimos por Bas Dost, ou pouco mais. A pedra de toque que o plantel precisava, o ponta-de-lança prolífico.

Rugido Verde: Sente que acertou na mouche, então, quer na reformulação do plantel em Janeiro, quer na reformulação da equipa técnica no princípio de Março, após um final de Fevereiro desastroso…

Dr. Marquises: Sim, exactamente. Em cheio! Parecia que o Sporting sentia os efeitos da Covid-19, e eu, como bom “profissional de saúde”, como se usa dizer, tive de encontrar a vacina, ou pelo menos o paliativo possível, no imediato. Foi a fase dos sintomas, por assim dizer, e para evitar o contágio, tomei as providências adequadas.

Rugido Verde: E a equipa voltou às vitórias…

Dr. Marquises: E o paciente reagiu! A espectacular vitória sobre o Desportivo das Aves, que o empurrou para o fundo da tabela, definhando até ao fim do Campeonato, foi um marco. É certo que eles ficaram com 9 jogadores aos 20 minutos, mas nem por isso o jogo se tornou mais fácil, pelo contrário! E após essa retumbante vitória curativa, a longa suspensão profiláctica das competições, os cortes, os layoffs e acordos de pagamento de salários, largando o lastro para permitir o ressurgimento em plena força após o interregno. E eu, na linha da frente, ao serviço do Exército, em “regime especial de acumulação de funções”. Épico! Sentia-me o maior, outra vez! Salvei o Sporting e Portugal, e até foi por minha causa, por eu ser médico e presidente de um grande clube, que a Liga e a Federação entenderam retomar as competições principais de futebol profissional. E a UEFA depois escolheu Portugal para a fase final da Liga dos Campeões. Comigo foi mais fácil, fácil!

Frederico Varandas a ajudar na apanha da batata

Rugido Verde: Então, e para lhe facilitar a vida, em respeito pelo seu serviço nas várias frentes, não esquecendo a presença na Condecoração de Jorge Jesus pelo Presidente da República no final de 2019, e na campanha da apanha da batata em meados de Junho deste ano, em ambas a fazer de espantalho articulado, mas em diferentes trajes e ambientes, o que tem a dizer do percurso do seu novo treinador neste último terço do Campeonato, já sem outras competições que não a Liga NOS?

Dr. Marquises: Espectacular. Logo após o reinício da Liga, um empate em Guimarães a 2 golos, nada de deitar fora, seguido de quatro expressivas vitórias, com o empate subsequente em Moreira de Cónegos, mas normal, e nova vitória eloquente sobre o Santa Clara em Alvalade.

Rugido Verde: Não sendo perfeito, foi um percurso razoável no que diz respeito aos resultados, mas ainda assim as exibições deixaram algo a desejar e antecipava-se que haveria problemas no clássico e no derby.

Dr. Marquises: Ainda para mais com o FC Porto podendo sagrar-se campeão bastando empatar com o Sporting, e a luta pelo 3.º lugar com o Braga na última jornada, que recebia precisamente o Porto já campeão em descompressão, no derby da Luz. Se não fosse por isso, toda a gente aceitava as derrotas tangenciais como normais, mais do que as da 1.ª volta em Alvalade. É a minha triste sina, mas eu não vou parar, vou subir o poço com eles a puxarem-me para baixo, vou andar na lama a passar por entre os disparos, rastejar se preciso for, mas eu não vou parar. O eu está primeiro, atrás do nós. O empate em Alvalade com o Setúbal, pelo meio, nem conta para o totobola, fomos elegantes com uma equipa que estava à tona da linha d’água e precisava de quem lhe estendesse a mão.

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Leão Comuna

Um texto de um equilíbrio capilar inigualável!