RUGIDO VERDE

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Sábado, Setembro 19, 2020

Reestruturação Financeira e Maçonaria

A 30 de Abril de 2018, após intensas negociações, foi anunciada uma reestruturação financeira no Diário de Notícias. Essa reestruturação iria muito mais longe do que a que foi feita pelos OS actuais, visto que incluía um plano para que o Sporting Clube de Portugal passasse a ser detentor de 90% do capital da SAD, e por isso incluía o financiamento para tal operação. Seria uma reestruturação completa e histórica, um novo marco no clube.

Não iria requerer taxas de juro adicionais ou garantias adicionais. A posição da Holdimo ficaria reduzida a 10%, enquanto que a de Joaquim Oliveira se reduziria a um átomo, daí a aversão a Bruno de Carvalho nos meios onde tem participações. Todos puderam ver como igualmente a Holdimo se movimentou no derrube do anterior CD, encontrando-se confortável com a delapidação de activos e o actual desempenho desportivo desastroso, como comprovado pela recente entrevista genérica, a 30 de Maio, no jornal Record sobre “digital” do seu administrador não-executivo na SAD, Nuno Correia da Silva (Vice-Presidente da Holdimo). 

Primeira vertente que muita gente desconhece por inocência ou casmurrice. Envolvendo várias partes, propostas e negociações, esta reestruturação nunca seria uma operação secreta. Desde Álvaro Sobrinho a Domingos Soares Oliveira, seria sempre sabida ao mais ínfimo detalhe. Não é um meio com pessoas de parcas ligações, e salvo operações via holdings e contas offshore, são um livro aberto para os amigos nos corredores da alta finança.

Segunda vertente que muita gente desconhece ou olvidou. A 10 de Abril, antes da dita entrevista, um comunicado da SAD à CMVM (FR67894) revela contornos, e nesse comunicado já se expressa a consternação por vozes discordantes que procuravam publicamente prejudicar a operação e fazendo o possível para a obstacularizar, sendo naturalmente apenas a ponta do iceberg – em jeito de recado público – da obstaculização do que já se ocorria nos bastidores e dos interesses que se movimentavam.

Com o início do processo de destituição (primeira manifestação “pública” de destituir por parte do então PMAG ocorreu a 17/5/2018, fonte: TVI24), a criação de uma crise institucional, que viu a Comissão de Gestão a pedir inclusive à banca o congelamento de todas as operações e a não trabalharem com o CD liderado por Bruno de Carvalho (20/6/2018, fonte: Público), o objectivo acabou por ser atingido: a reestruturação nos seus moldes completos caiu.

Curiosamente, em Agosto de 2018, a Comissão de Gestão empossada por Marta Soares acusou Bruno de Carvalho do mesmo, no entanto sem prova, apenas por receio de efeitos advindos de Providências Cautelares. Inclusive, tal acusação foi usada nos processos disciplinares que lhe foram movidos por parte da Comissão de Fiscalização, que contava com Henrique Monteiro ou Rita Garcia Pereira, eleita pelo todo-poderoso demissionário Marta Soares. 

O mesmo tratamento não foi dado à CG, que o fizera publicamente, não se tratando de mera especulação para denegrir alguém. A isto somam-se inúmeros processos regulares pedidos por sócios e que acabaram na gaveta, por mais que alguns o tentem ignorar. 

Terceira vertente que muita gente parece desconhecer. Existiram no período várias reuniões, com pessoas e entidades, de modo a ser cumprido o desígnio de independência e escolha das melhores condições, actualmente substituído por uma enorme pressão para a venda da SAD que parte de dentro dos Órgãos Sociais e se camufla em caixas de ressonância. Uma dessas reuniões foi com o Grupo Apollo.

Sabe-se que a Apollo é a entidade por trás da titularização do contrato milionário com a NOS – celebrado em Dezembro de 2015, com o principal ganho financeiro, a componente televisiva, a apenas entrar em efeito a… 1 de Julho de 2018, ou seja, meros dias após a destituição (surpresa!) – sendo recompensada com um juro luxuoso. Sabe-se que Rahim Ahamad, que entrou como Vogal do CD de Frederico Varandas, e a sua Interway Group, sediada no Dubai, intermediaram o negócio, constando do website do Grupo Apollo, e desconhecendo-se quanto isso valeu a nível de comissão.

No entanto, nas negociações de reestruturação conduzidas por Bruno de Carvalho, a Apollo foi rejeitada uma vez que a taxa de juro proposta era altíssima, considerando Bruno de carvalho que não era o negócio ideal para o Sporting.

Quem estava presente na dita reunião em representação do grupo? Eugénio Dias Ferreira e Fernando (Lima) Valadas Fernandes, mais conhecido como Fernando Lima, Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, o qual lidera desde 2011. 

Além do envolvimento na SLN/Galilei e BPN, é advogado na LSF & Associados. 

Recentemente, no passado dia 2 de Junho, voltou a ser falado por entrar por uma discreta porta lateral no Palácio de Belém, onde foi recebido por Marcelo Rebelo de Sousa, sendo nesse dia posteriormente recebido o líder da comunidade islâmica de Portugal, Abdool Vakil. (fonte: múltiplas) 

É uma equiparação de tratamento estranha para uma “irmandade”, rica em alegadas influências transversais que amiúde se sobrepõem ao funcionamento regular das instituições. Em 2019, o próprio Presidente da República, após um estranho “telefonema protocolar”, deslocou-se à sede do GOL, o palácio maçónico do Bairro Alto. (6/4/2019, fonte: Diário de Notícias)

Entre as figuras que integram o Grande Oriente Lusitano encontram-se Henrique Monteiro, jornalista tentacular e elástico, que tendo sido nomeado por um demissionário Marta Soares , liderou os processos de suspensão e iniciou os de expulsão, dando provimento apenas ao que lhe servia o fim político na base da nomeação. 

Destacamos que dentro do GOL, Monteiro integra o “rito escocês”, puramente ritualístico como o nome indica, pois abomina características próprias desse povo que inúmeras vezes demonstrou espírito de revolta e resistência contra domínio externo. Para este jornalista, apenas é bonito em rituais e em filmes. Outro notável e influente membro do GOL é o ex-chefe do SIS (Secretas) e ex-Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, o “pai” da tese de terrorismo atribuída à invasão de Alcochete, em perfeita sincronia com a Procuradora amiga, Cândida Vilar.

Voltemos à reunião com a Apollo, no 1.º trimestre de 2018 e à presença de Eugénio Dias Ferreira e Fernando Lima.

O primeiro, a respeito dessa negociação que integrou disse que “toda a gente sabe o porquê” de ter estado presente na negociação e “estava tão dentro dela, tão dentro dela”, não referindo mais do que “Banco norte-americano”, numa entrevista a AbolaTV, em Março de 2019. Assumiu ainda que Alcochete e a crise institucional atrasaram a operação, posteriormente “rasgada por Varandas”. Dias Ferreira ficaria com uma percentagem caso o negócio se realizasse.

Por outro lado, Fernando Lima, estaria presente como “pessoa influente e importante capaz de abrir a porta dos bancos para a compra da dívida”.

O que se sabe é que a securitarização do contrato com a NOS em 2019 recaiu no felizardo Grupo Apollo. O que se sabe é que o líder do GOL interveio na anterior negociação referida, que fora rejeitada. O que se sabe é que Rui Pereira tem há muitos anos extensa influência no GOL e foi o mentor da tese de acusação sem precedente, destruída em julgamento. O que se sabe é que o Presidente Marcelo ora se deslocava à sede do GOL, ora recebia Fernando Lima por uma porta discreta do Palácio de Belém.

O que também se sabe é que certo dia, um telefonema alegadamente vindo desse palácio presidencial, manteve uma série de pessoas, algumas bem jovens, detidas ilegalmente durante várias horas quando já tinha sido dada indicação para a libertação, na sequência do evento de Alcochete. 

O que se seguiu foram prisões prolongadas. Um caso que apelou ao enforcamento em praça pública em pleno século XXI, num evento com claros beneficiados e em que várias pessoas que usufruíram de tal benefício foram excluídas de investigações. Inclusive, tal se aplicou a pessoas presentes nos grupos de whatsapp, quando relacionadas de alguma forma com beneficiados do evento.

O comportamento do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi estranho. Desde activamente alimentar o rumor de que não estaria presente no final da Taça de Portugal de 2018, até ao telefonema recebido na esquadra da GNR e do qual existiram testemunhas. 

Após o apedrejamento do autocarro do SLB, que resultou em dois jogadores estrangeiros feridos e poderia ter resultado numa catástrofe num veículo a alta velocidade, ao que se somaram ameaças nas residências de treinador e jogadores , Marcelo não se sentiu “vexado” pelos factos e pela enorme exposição na imprensa internacional: foi dar um belo mergulho na praia, exibindo o seu corpo atlético e deliciando a plebe com as selfies da praxe.

Resta por isso colocar as respectivas questões.

Qual o papel que Fernando Lima, além das associações a Henrique Monteiro e a Rui Pereira, desempenhou no enredo? Deu o aval às acções de ambos, sendo que não as ignorava? Porque esteve presente na reunião de negociação? Qual o papel da rede de influências do GOL na subversão de um clube popular e verdadeiramente nas mãos dos sócios? (deixemos clichés de lado, a realidade mudou) Quem influenciou a actuação do Presidente da República além do ambiente incriminatório que se fez sentir, mas em alguém com um vastíssimo percurso político que vivenciou vários eventos imensamente mais devastadores?

Só com perguntas se podem obter respostas. Caso assim o entendam, no evento “Sporting Com Rumo”, também conhecido informalmente como Sporting Talks V2 nas redes sociais e corredores comuns, a partir de 16 de Junho, vários membros do Grande Oriente Lusitano, uns assumidos outros não, vão marcar presença. Dizem que é para todos os Sportinguistas e uma iniciativa da “sociedade civil” (sugerimos uma revisão de termos em ciência política para não cometerem atrocidades destas, face ao elenco), o que teoricamente nos inclui: apareçam e coloquem as perguntas que devem ser esclarecidas. Caso contrário, não deixem estas e outras questões caírem no esquecimento. Não é só um dever clubístico: é um dever cívico. 

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4 Comentários
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Abílio Serra

O Palhaço de Belém, é sim ou não um Terrorista?

Abílio Serra

BRUNO E EU, BEM VOS TINHA-MOS AVISA!
Mais, após Bruno, fui eu o primeiro a apontar o dedo ao Sobrinho corrupto, ao Ferro, Costa e Marcelo, Marta etc..com os cobardes varandas RA, Via Holdimo e outros..

Peyroteo

Ninguém se queixe de falta de informação depois deste artigo. Está aí tudo o que é preciso saber para perceber os porquês do assalto que foi feito ao Sporting.

Leão com memória

fantástico.