RUGIDO VERDE

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Segunda-feira, Julho 06, 2020

Sem mais truques na manga: transparência ou demissão

Estamos a chegar a Junho. Outrora convicto de que por esta altura não faltariam temas para avaliar o último ano da gestão económica e financeira do Sporting Clube de Portugal, o cenário mostrou-se bem diferente do que eu esperava.

Baseados apenas em ecos ténues da apregoada transparência, que se mostrou ser opaca inúmeras vezes, todos aguardamos sentados pelas contas da SAD relativas ao Terceiro Trimestre, as contas consolidadas da época transata, a publicação obrigatória – e imperativo de transparência – das contas dos últimos anos da Fundação Sporting e a respetiva alocação de verbas às atividades desenvolvidas (pedir não basta), a apresentação do orçamento do clube para a próxima época, a avaliação da execução do orçamento em curso – relembro que desvios negativos dão origem à cessação de mandato – a apresentação aos sócios em Assembleia Geral das conclusões da auditoria, a disponibilização aos sócios das declarações de rendimentos, do Relatório de Sustentabilidade, remetendo o último para 2016/2017, e ainda outras tantas questões pendentes, fastidiosas de enumerar.

Em contrapartida, fomos presenteados com uma espécie de panfleto; um manifesto pré-eleitoral que somente nos revela que não fizeram nada do que foi prometido nos últimos dois anos. O poder da invisibilidade tem limites. Mas atenção, agora, agora sim: estão dispostos a fazer algo de tangível nos… próximos dois. Pelo menos no plano teórico, algo que não resulte em dolo, perseguição ou desgraça desportiva.

Dois dias depois do panfleto, o novo vice-suplente cooptado, que substituiu um frustrado e indignado Miguel Cal, emergiu numa nova ação de propaganda, informando os Sportinguistas que, afinal, o que tinham acabado de apresentar para os próximos dois anos também dificilmente seria cumprido, pois o COVID-19 colocou esse draft de manifesto pré-eleitoral em lay-off.

Entre variadas notícias de propaganda, notei que os chavões “casa de papel” e “idade da pedra”, referidas por um sempre informado, transparente e fluído Varandas para classificar o funcionamento do clube (27/6/2019), fizeram eco até no futuro, sendo tais chavões repetidos por André Bernardo  (17/5/2020). Atenção, Bernardo utilizou “Flintstones” em conjunto com “idade da pedra”, o que é claramente comprovativo de um espírito inovador e espontâneo.

O administrador cooptado André Bernardo ainda nos presenteou com a seguinte declaração, que considero muito importante, e é sobre ela que agora irá incidir a minha atenção:

Esta declaração aparece na sequência de uma campanha concertada e em uníssono na comunicação social por parte de pseudo-Ilustres adeptos, que tão intensamente trabalharam desde Fevereiro de 2018 em minar o trabalho do então CD em funções, e que, após o sucesso das trabalhosas investidas, julgam ser possível enfiar na cabeça dos Sportinguistas tudo o que entenderem, inclusive a bondade e inevitabilidade da venda da SAD. Percebe-se que ditas figuras se sintam imparáveis e quase omnipotentes, mas acredito que nesta ocasião não será assim tão fácil moldar mentes.

Senhores André Bernardo e minions/associates na comunicação social, a venda ou a perda da maioria na SAD foi tema forte, talvez mesmo o principal, da campanha eleitoral que culminou com a infeliz entrega do destino do clube ao fisiatra Frederico Varandas, que por essa altura afirmava em alto e bom som: “Quero um Sporting forte, com maioria na SAD.” (31/7/2018)

Ou ainda:

Ou ainda, pelos seus subalternos:

Por isso, caro suplente cooptado de discurso “inovador” (i.e. vindo diretamente do passado não cumprido) & Ca. os sócios decidiram em eleições – já de si vergonhosamente condicionadas – que o caminho não é a venda da posição na SAD. Ficou claríssimo. Até os já desiludidos votantes na vossa lista esperam que cumpram, pelo menos, a promessa de reforçar a posição do clube na SAD.

São por isso dispensáveis histórias sobre “a decisão pertence aos sócios”, que culminam em AGs preparadas de forma tacticista e habilidosa – o histórico de Rogério Alves é fabuloso nessa vertente, até para forçar a venda de património, contornando os 2/3 de votos requeridos – e que apenas se destinam a alterar aquilo que já foi decidido em Assembleia Eleitoral.

Deixo o apelo para que os sócios façam um esforço de memória sobre AGs passadas, desde os tempos de Soares Franco, de modo a que não caiam novamente numa armadilha. O Presidente da MAG é o mesmo. O resultado será o mesmo, e depois “já está, já está”.

Por hipótese meramente académica, caso a verdadeira estratégia destes Órgãos Sociais passe pela venda e/ou redução da participação na SAD, como tantos sinais indiciam, que sejam honestos por uma única vez: assumam esse plano e demitam-se, permitindo aos sócios escolherem o caminho e seus actores em novas eleições, sem condicionamentos, manipulações ou mentiras.

Os adeptos e sócios são capazes de merecer pelo menos esse mínimo de consideração. Eles são o maior activo do clube, ao contrário do que esta estranha administração afirma:

Este artigo contou com a colaboração de Siberianwyvern – fica um agradecimento ao precioso contributo.

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