RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sexta-feira, Outubro 23, 2020

O maravilhoso mundo das teorias da conspiração

Quando algo acontece que não percebemos, o reflexo devia ser de analisar os factos e estabelecer uma teoria que explica o que aconteceu.

Há 2 maneiras de proceder :

  1. A maneira científica : estabeleces a teoria e depois tentas encontrar argumentos que a desmontam;
  2. A maneira ideológica : estabeleces a teoria, ignoras os factos que a desmentem e das ênfase aos factos (verificados ou não) que vão no teu sentido.

Vivemos num mundo onde temos acesso a todo o conhecimento da humanidade, a qualquer momento, directamentente no nosso telemóvel.

Mas, ir à busca da verdade não significa ires à busca da tua verdade porque essa irás sempre encontrar na medida em que terás tendência para te abstrair de tudo o que não vai no teu sentido.

Outro problema é que o ser humano é preguiçoso e muitas vezes não vai verificar a veracidade dos factos que são expostos, sobretudo se a conclusão dos mesmos o agrada.

E assim entramos no milénio das teorias da conspiração, onde umas são mais aberrantes do que outras: da teoria sobre nunca termos ido à lua, à teoria de que a terra é plana… e isto apesar das dezenas e centenas de provas do contrário.

Mas o meu foco vai para a teoria de conspiração que mais afectou os Sportinguistas :

Foi BdC que ordenou o ataque a Alcochete.

Esta teoria, promovida pelos LeoNazis, levou não só à destituição do Presidente do Sporting Clube de Portugal, como o levou a ser arguido num caso de terrorismo por “autoria moral”.  Chegamos a um nível de absurdidade nunca visto na história da civilização desde a invenção da religião.

Como é que isto foi possível? O que faz que uma teoria de conspiração possa ter um impacto tão grande numa sociedade e num século onde o acesso à informação é omnipresente?

Bem, vou dar 7 motivos para que uma teoria da conspiração seja um sucesso.

I want to believe

Traduzido em português, o famoso « I want to believe » que vimos em várias t-shirts alusivas  a extra-terrestres ou naves espaciais, significa “Eu quero acreditar”. Mas na realidade devia ser traduzido por «Eu decidi acreditar».

Vivemos todos num mundo cinzento, cínico, onde largos períodos de trabalho e rotina são interrompidos por escassos momentos de lazer. Muita gente anda à procura de algo mais, de um sentido para sua existência e para esta vida.

Assim nasceu o interesse pelas religiões, as lendas (todas as aldeias, florestas, poços ou montanhas tem as suas). As pessoas têm a tendência para acreditar em qualquer coisa desde que a ideia seja sedutora. Quando se decide acreditar em qualquer coisa, faz-se abstração de todo o resto. As pessoas não querem debater essas ideias, as pessoas querem acreditar nelas e só querem ouvir os argumentos que confirmam a sua visão da verdade não querendo sequer considerar factos demonstrando o inverso.

Qualquer teoria cientifica é provisória, Newton rebateu algumas teorias de Aristóteles, Einstein rebateu algumas teorias de Newton e Stephen Hawking rebateu algumas teorias de Einstein…tem sido sempre assim. Ou seja, dificilmente há uma verdade absoluta e se novos factos aparecem, obviamente que essa teoria pode vir a ser totalmente refutada.

Ora, no nosso caso, a receita passa por criar uma imagem negativa de Bruno de Carvalho, para isso usam-se chavões que são fáceis de resumir numa frase mas que custam muito esforço em argumentação para serem desmentidos. Desgastar a figura pública de alguém até ao ponto em que as pessoas considerem que já estão «fartas de o ouvir» e, quando chegamos a esse ponto, basta um belo escândalo e as pessoas vão querer acreditar a todo o custo na culpabilidade de BdC, porque isso vai dando-lhes uma desculpa para se livrar de alguém que já não suportam. Se é verdade? Isso não interessa, porque essas pessoas só andam à procura da verdade que mais lhes convém.

Mas, repito, isso só pode acontecer se estivermos em busca da verdade e não da confirmação da nossa verdade.

O aborrecimento

As pessoas precisam de ação, aventura, suspense, mistérios por desvendar, para escapar ao seu dia-a-dia cinzento.

As pessoas gostam de alimentar teorias sobre sociedades secretas. Tipo os maçons.

Os maçons não são uma sociedade secreta, são uma sociedade privada. Todos sabem que existe e alguns membros até dão entrevistas. São uma sociedade onde não entra quem quer mas só quem eles querem, o que é bem diferente.

Vivemos no mundo onde o governo toma decisões socialmente injustas, o povo manifesta-se nas redes sociais mas ninguém se mexe para os impedir de agir… e eles sabem isso. Porque raio haviam de fazer algo em segredo quando podem o fazer à vista de todos e ninguém se importa?

Muitos dirigentes de empresas privadas reúnem-se para decidir como lixar o consumidor e ganhar mais dinheiro, aqui ninguém fala de teorias de conspiração… é exactamente a mesma coisa com os maçons.

As pessoas gostam de desvendar «segredos» e «mistérios» (com ou sem factos a apoiar), gostam de julgar e condenar … mas gostam pouco de agir.

Egocentrismo e ignorância

Exemplo : É dia de ir às compras mas, no  momento de sair, as chaves não estão na primeira gaveta do móvel perto da porta de entrada onde costumam estar. O primeiro reflexo seria pensar que fizemos um erro qualquer e pousámos as chaves noutro sitio qualquer de maneira distraída e tentarmos perceber onde é que metemos as chaves.

O reflexo deve ser de primeiro considerar que erramos e tentar perceber como é que isso aconteceu.

Depois há os egocêntricos que estimam que não se podem ter enganado e que se não encontram as chaves no sitio habitual é porque alguém lhes pregou uma partida e vão à procura de um culpado em vez de procurar pelas chaves.

Ou seja, o primeiro reflexo é de acusar o universo de querer lixar-te o dia. Estas pessoas nunca vão admitir o erro, mesmo quando são confrontadas com os factos.

A isso acrescenta-se o conforto da ignorância.

Essas pessoas gostam muito de usar e abusar do argumento de autoridade. Se foi um expert que disse isso, é porque é verdade e tu és um burro que não sabes nada.

Ou então sai um «cala-te, eu fui jogador de futebol e sei exactamente do que estou a falar» (todos conhecemos uma «morsa» na TV que gosta de usar este tipo de “argumentação”).

O panorama da comunicação social portuguesa esta cheio de pseudo-experts que sabem tudo e mais alguma coisa mas que não podem divulgar factos ou argumentos. Mas como eles são credíveis, somos obrigados a aceitar e acreditar no que dizem pois eles são os experts e nós não.

Mesmo quando confrontados com a incoerência do que disseram, vão acusar as pessoas de terem distorcido ou mal interpretado as suas palavras e que os argumentos que são avançados não são correctos (mas sem sustentar com provas o que dizem) e depois partem logo para um artigo/declaração/noticia que vai no sentido do que disseram (mesmo que seja com base do mesmo erro).

Quantas vezes  tivemos jornais desportivos nacionais a citar um jornal estrangeiro sobre uma noticia que «confirma» algo que disseram, mas quando vamos ler essa noticia vimos que essa se baseia diretamente no que esses mesmos jornais publicaram ou faz um referencia directa à publicação deles?

Gente que gosta de afirmar que tem a certeza dobre a razão mas são incapazes de sustentar o que dizem com provas… verificáveis.

Os preguiçosos e seguidistas

A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. (…) Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.”  Friederich Nietzsche

Um adjectivo mais adequado para definir essas pessoas seria um neologismo: «preguiçoso», porque o perigo reside no facto de espalharem informações falsas e infundadas só porque vão ao encontro da narrativa que lhe agrada.

As vezes basta fazer uma pesquisa de alguns minutos para poder verificar que uma informação não é verdadeira. Noutros casos, até bem mais frequentes, basta ler a noticia completa, em vez de se ficar pelo título, para perceber que o título afinal não quer dizer o que pensamos que ele diz.

Assim vai-se espalhar uma noticia com um titulo enganador (mas que entra na narrativa) quando a notícia diz algo completamente diferente, e passa-se a ideia que se quer com uma base falaciosa.

Os conspiracionistas adoram fazer isto, que se lixe o que o jogador disse em tribunal. Esta frase, tirada do contexto, que é usada como titulo do jornal cabe perfeitamente na narrativa que eles querem promover e alimentam a “verdade” em que escolheram acreditar.

No processo de Alcochete ficou expressamente provado que os assaltantes souberam da hora do treino pela SIC Noticias … mas os conspiracionistas continuaram a insistir na narrativa de que foi BdC a marcar a hora do treino (afirmação também comprovada como falsa), usando e abusando de títulos de jornais e artigos que, voluntariamente, alimentam uma dúvida que não existe.

Também nos lembramos da entrevista do Carlos Zenha em fins de 2018 onde confirma que «não existe buraco financeiro nenhum». Aliás, Frederico Varandas criticou Ricciardi durante a campanha eleitoral por este usar um discurso alarmista quanto às finanças do clube. Varandas afirmava então que o antigo CD tinha feito um bom trabalho a esse nível e que a intenção da sua equipa era de construir a partir daí.

Hoje temos direito ao discurso da “herança pesada” que estes 2 mesmos protagonistas usam e abusam para mascarar a própria incompetência. A famosa “auditoria forense” só veio confirmar a excelente gestão financeira do antigo CD mas mesmo assim continuam a bater na tecla que tiveram de “salvar” o clube do abismo… ao mesmo tempo que utilizam o dinheiro da NOS para equilibrarem as contas que eles próprios desequilibraram ao aumentar os custos e baixar as receitas.

Mas muitos sócios nem vão verificar os factos e adoptam essa narrativa, não por ser uma narrativa credível e eles não terem memória… mas porque decidiram acreditar nela!

Os interesseiros

Todos nos lembramos do circo mediático que houve à volta de Bruno de Carvalho, especialmente por parte do grupo Cofina. Foram horas e horas e várias emissões (em certos casos, os paineleiros até faziam turnos sucessivos) em que o único objectivo era bater em Bruno de Carvalho.

Porquê?  Por D I N H E I R O!

Foram inúmeras noticias que não passavam de click baits, paineleiros pagos pelas TV’s e pelo rival do lado (obrigado Rui Pinto) para passar a cartilha e destilar ódio sobre BdC.

Ninguém quer saber a verdade, eles decidiram qual seria a verdade que seria passada ao público é só essa “verdade” é que conta.

Foram chavões atrás de chavões sem direito a contraditório. Pior, foram denúncias anónimas, que acabaram por serem arquivadas por não terem fundamento, mas que serviram a alimentar a cartilha e a verdade escolhida. Os desmentidos? Não tiveram destaque nenhum.

Como disse anteriormente, os conspiracionistas escolhem os factos que querem divulgar e que alimentam a sua narrativa ao mesmo tempo que ocultam os factos que comprovam que estão enganados.

Estes são os piores porque sabem que estão a fazer passar mentiras por factos comprovados. Mesmo assim continuam, porque lhes trás audiência e dinheiro. A deontologia não paga facturas nem jantaradas no Museu da Cerveja. E quando há  muita gente com muito dinheiro que está interessada em que essas “verdades” sejam divulgadas então estamos perante uma máquina implacável.

Bruno de Carvalho foi julgado, condenado e executado por crimes que esta gente decidiu inventar.

O Cashball, onde a CMTV pagou a um «arrependido» para acusar o Sporting de ter comprado uma vitória do… benfica, é o pior exemplo.

O tribunal vai julgar Bruno de Carvalho por crimes que não cometeu mas que já destruíram a sua vida e o nosso clube.

A pressão mediática transformou uma agressão a jogadores (que já aconteceu em outras ocasiões aos 3 Grandes e até a outros clubes da Primeira Liga) em acto terrorista. Os arguidos ficaram em prisão preventiva, enquanto, por exemplo, o assassino do Marco Ficcini continua em liberdade à espera de ser julgado.

O Rui Pinto continua preso preventivamente enquanto Paulo Gonçalves aguarda o seu julgamento por vários crimes de corrupção em perfeita liberdade. Podendo até ir ao Estádio da Luz e continuar a trabalhar com quem quiser.

Conclusão

Para procurar a verdade tens de procurar de verdade.

Não precisas de acreditar tudo o que escrevi até podes (e deves) rebater algumas afirmações que faço mas as regras são simples :

  1. Um chavão não será aceite (qualquer argumento tem de ser sustentado);
  2. O que é afirmado sem provas, será rebatido sem provas;
  3. Uma “verdade” truncada, será uma verdade rejeitada.

Não é por não gostares e alguém ou por uma teoria ser sedutora que é forçosamente verdadeira. As vezes basta uma pequena pesquisa e encontram-se argumentos que confirmam ou desmentem essa teoria (mas é procurar de verdade e não a tua verdade).

Uma teoria só é válida até que a prova do contrário seja encontrada, uma teoria não é uma verdade absoluta. E a uma possível conclusão perante os factos que são apresentados ou que são encontrados. Se um facto novo desmentir a teoria a mesma deixa de ser verdade mesmo que isso lixe uma bela narrativa.

Os experts não são donos de verdade nenhuma, se sabem mais e melhor, então não deveriam ter problemas em comprovar-lo com factos sustentados em provas existentes e verificáveis. Alguém que passa logo para os insultos não transmite a impressão de ter a certeza do que diz. Se alguém diz que a gravidade não existe, eu não me chateio… ele que salte do primeiro andar e logo veremos.

Não digo que quem propaga «inverdades» o faz de propósito. As pessoas podem acreditar genuinamente que o que ajudaram a divulgar é verdade, são esses que chamo de #Spor71ngados.

Depois há aqueles que sabem que é mentira mas que mesmo assim procuram pseudo-noticias ou partes de entrevistas (geralmente tiradas do seu contexto) para sustentar uma narrativa que sabem ser falsa. Pior são aqueles que o fazem de maneira organizada para enganar volutariamente o maior número de pessoas.

Alguns fazem-no por dinheiro (#JornaLixo) outros por razões idéologicas (por exemplo, os #LeoNazis).

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5 Comentários
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Green Marquis

Bom artigo mas com alguns erros. Por exemplo, a Maconaria, queiras ou não, é uma sociedade secreta.
Sim, todos sabem que existe mas saber que existe não significa que saibas o que realmente se passa por lá. Pensa por um bocado, como podes proibir uma sociedade secreta se não sabes que ela existe?

Qualquer pessoa pode entrar na opus dei, mas nem todos podem entrar na Maconaria.

O segredo da maconaria é a sociedade, não os seus membros.

HULK VERDE

Bom, tenho de dividir este artigo em duas componentes. Àcerca de Bruno de Carvalho, 100% de acordo com a DESINFORMAÇÃO que lhe tem sido feita. Quanto às teorias da conspiração, muitos clichés e muito discutíveis. Nem percebo como sendo isso o menos importante aqui (dada a natureza do rugido como espaço de reflexão sobre o Sporting) acabe por ter mais relevância no seu texto. Poderia contestar várias coisas que disse, com evidências, mas a desinformação é tanta e a credulidade e auto-consentimento também que suspeito que acabaria por acontecer o que acusou os teóricos da conspiração de fazerem. Por isso… Ler mais »

Graca

Sem mais, excelente análise, expressa a verdade dos factos!

jorge mendes

excelente artigo, o rebanho não o vai ler e até podem começar, mas quando percebem que não é para enterrar o BdC, desistem. ler dá trabalho e é preciso que saibam, melhor é acreditar nos sons e imagens de um qualquer canal a céu aberto, vulgo tvs.