RUGIDO VERDE

Levantar e levantar de novo, até que os cordeiros se tornem Leões!

Sexta-feira, Setembro 25, 2020

O Sportinguista Inconformado

Em abril de 1994, nasceu mais um fervoroso Sportinguista. Desde idade prematura que passava fins de semana a ver o Sporting Clube de Portugal. Não apenas futebol, mas também as modalidades de pavilhão, estando sempre rodeado de familiares que também pertencem à minha segunda família. Isto tudo para vos dizer que nasci a respirar Sporting, sendo sócio desde os meus 7 anos.  

Posso dizer que tenho lugar anual no estádio há mais de 10 anos, mas tenho um carinho especial pelas nossas modalidades de pavilhão e pelo magnífico Pavilhão João Rocha. Naquele espaço, é onde se respira o Sporting puro, como eu o conheci. Tenho, obviamente, grandes memórias de estádio, mas também de pavilhão. Desde o nosso hóquei na Parede a jogar nas divisões inferiores, a Odivelas, onde vi futsal e andebol, até ao Pavilhão João Rocha, onde vivi momentos que jamais irei esquecer.  

No entanto e apesar do referido anteriormente, o momento mais especial de todos foi o meu primeiro jogo ao vivo. No velhinho Estádio José Alvalade, quando a minha mãe e o meu pai me levaram lá pela primeira vez. Estávamos em novembro de 2002 e tínhamos sido campeões na temporada anterior, pela última vez. O jogo foi frente ao Gil Vicente e o resultado não foi o melhor. A carga de água que apanhámos também se juntou à conjetura. No entanto, eu tinha ido ver os meus ídolos de pequeno como Mário Jardel, João Vieira Pinto ou Cristiano Ronaldo. Foi também a minha primeira vez em Alvalade e, como tal, ficou sempre distinguido como um momento marcante. Este jogo marcou o início de uma história. De uma história de centenas e centenas de jogos ao vivo do Sporting, seja no estádio ou no pavilhão. Muitos em casa e ainda um número significativo de deslocações para apoiar o Sporting no futebol.   

Uma parte da minha vida até hoje, está relacionada com o clube. Por isso, também me preocupo e dispenso algum tempo para pensar e falar sobre a vida do Sporting. Ao longo do meu crescimento, sempre tive a ideia de que as pessoas que comandavam os destinos do clube, apenas queriam servir-se do mesmo e não trabalhar para o mesmo, tornando o Sporting num clube vulgar e não num dos melhores, como deve ser exigido ou pelo menos deveria. I

Isto até me deparar com um maluco qualquer que tentou pela primeira vez ser presidente em 2011 e logo aí deveria ter sido eleito, mas não foi. Depois do dirigismo lamentável de Godinho Lopes, lá veio ele. Eis que Bruno de Carvalho assumiu a presidência em 2013 e trouxe consigo uma forma de romper com um passado de duas décadas no clube. 

Desde que assumiu a presidência e mesmo nas circunstâncias em que estava o clube, nunca se conformou. A partir daquele dia, quem queria trabalhar no Sporting tinha que trabalhar pelo e para o clube. Quem assim não o fizesse, também não estava ali a fazer nada. Conseguiu com bastante trabalho recuperar um clube que estava morto e amorfo. Naquele momento, eu vi que éramos liderados por uma pessoa que pensava como eu e fazia jus ao lema do Sporting: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Alvalade, em dias de jogo, deixou de ser um local pacato, passando a ser um local onde se voltou a respirar o clube. As pessoas acordavam ansiosas por ir a Alvalade e quem disser o contrário não está a ser honesto. Voltámos a ter o grande Sporting de volta, sem medo de enfrentar todos os adversários, não apenas nos nossos recintos, assim como fora deles. Vi o Sporting a travar autênticas batalhas contra as melhores equipas do mundo, seja no futebol ou nas modalidades de pavilhão. Isso foi fruto do grande trabalho desenvolvido, que levou o clube a ter condições para ter essa qualidade. Aquele homem que comandava as tropas queria que o clube vencesse e fosse o melhor, como eu e tantos outros, transmitindo uma mentalidade exigente, trabalhadora e vencedora a todos os elementos que estavam no Sporting.  

Além disso, Bruno de Carvalho era um presidente que não tinha medo de “vestir o fato de macaco” e ir à guerra em todas as lutas que havia para travar. Se o clube tinha que ser defendido naquele momento, ele estava lá para o fazer, mesmo que isso lhe custasse muita da sua reputação enquanto figura pública. Reputação essa que tanto interessava para os anteriores presidentes, que nada faziam para o bem do clube… devem ser apenas coincidências na minha cabeça.  

Foi com muita tristeza minha que vi praticamente todas as figuras ilustres do clube moverem-se contra Bruno de Carvalho, mesmo este tendo feito tanto pelo clube. Não é justo para uma pessoa que tanta obra deu ao clube, ser destituído e ainda expulso de sócio. Isto num movimento apoiado pelos sócios que mais votos têm e que durante mais tempo viveram o Sporting.

O homem está a ser julgado por crimes de autoria moral, sem que eu tenha conseguido perceber até hoje o que isso é. Até agora, ainda não existe nenhuma prova direta contra Bruno de Carvalho, no que diz respeito ao caso da Academia de Alcochete.

Muitos sabem quem tinha a ganhar com aquilo que aconteceu e esse não será o antigo presidente. Apenas me pergunto: como é possível pessoas se moverem por chavões da Comunicação Social? Talvez não sejam apenas esses chavões. Bruno de Carvalho tinha acabado com as borlas, com alguns dos camarotes sem pagar e isso para muita gente é que conta, independentemente do resto. O que lhes interessa é ter a vida facilitada.  

Depois da destituição, seguiu-se a eleição de Frederico Varandas e, de repente, parece que regressámos ao passado antes de Bruno de Carvalho. Já não somos respeitados por ninguém, os rivais voltaram a ser nossos “amigos”, porque sabem que não fazemos mal a uma mosca e voltámos a ter a Comunicação Social toda a defender os elementos da direção do Sporting.

Ora, sendo nós um clube que sempre esteve fora do sistema e nunca beneficiou nada com isso, acham que é bom sinal termos os intervenientes desse sistema todos a defender Varandas e restante direção? Os ataques são diários, não apenas por parte do presidente, mas também por todas essas figuras que o defendem. Todos com os mesmos alvos e objetivos. Ainda hoje não acredito que passámos do que tínhamos, para o que temos agora. Éramos leões e passámos a ser gatinhos.  

Não me identifico com a gente que lidera o clube atualmente. Como é possível um elemento como Rogério Alves, que tanto se juntou às piores direções que o Sporting teve, estar de volta ao clube? Como é possível um clube como o Sporting ter Varandas como presidente? Realmente o que não faz umas borlas prometidas ou uma cabeça que não pensa, guiando-se por aquilo que se diz na Comunicação Social.  

O que é certo é que voltámos a ter o Sporting amorfo e não é este Sporting que eu gosto. A qualidade apresentada pelas nossas equipas está a cair, as assistências baixam a pique, as desculpas sucedem-se para o mau trabalho desenvolvido. Mau trabalho como quem diz… se existe algum trabalho para avaliação, porque não me parece que haja.

Escrevo este texto e digo que, atualmente, não me identifico com o Sporting Clube de Portugal. No entanto e respeitando todos os outros, sou daqueles que ainda não conseguiu desligar e continuo a ir ao estádio apoiar o meu grande amor. Só que a paixão está a perder a chama e, um dia, essa chama pode apagar de vez. Nesse dia, o Sporting é que irá perder e espero honestamente que não venha a acontecer.

No domingo, todos ao estádio contra o Porto. Deixo um grande abraço Sportinguista a todos… do sócio 44604.  

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2 Comentários
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João

Digo exactamente o mesmo, deixei de me identificar com os valores actuais do Sporting.

jorge mendes

eu já desliguei à mais de um ano, este clube não é para gente séria e apaixonada. Quo Vadis